quinta-feira, 21 de maio de 2026

Empresa de Ciro Nogueira tem duas mansões nos Jardins e vendeu apartamento a offshore por R$ 6,5 mi, FSP

 Lucas Marchesini

Brasília

A CNLF, empresa que pertence ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e é investigada pela PF (Polícia Federal), comprou duas mansões e dois apartamentos de luxo em São Paulo durante o período em que recebeu uma mesada do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Hoje, a empresa é dona de um apartamento na rua Oscar Freire e de duas mansões em São Paulo. Um segundo apartamento, comprado em julho de 2024, foi usado para pagar uma das mansões e não pertence mais ao senador.

A CNLF, sigla formada pelas iniciais do senador (Ciro Nogueira Lima Filho), recebeu pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil do Master em 2024 e 2025, de acordo com investigação da PF. Os investigadores apuram se Nogueira teria recebido propina para agir a mando de Vorcaro no Congresso —ele nega.

Um homem sentado em uma cadeira de escritório, com uma expressão séria. Ele está vestido com um paletó claro e uma camisa escura. Ao fundo, há cortinas verticais e várias bandeiras, incluindo bandeiras do Brasil e de estados. A mesa à sua frente tem um livro aberto.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) - Gabriela Biló - 3.set.2025/Folhapress

A existência da primeira mansão de Nogueira foi revelada em reportagem do Portal Metrópoles. De acordo com o site, ela tem 878 m² e fica no Jardim Europa, bairro nobre da capital paulista. Como pagamento para a casa ainda em construção, o senador teria desembolsado R$ 30 milhões, dando em troca o apartamento tríplex adquirido em julho de 2024 —neste momento a CNLF de Nogueira já era sócia de uma empresa do primo de Vorcaro.

A segunda mansão tem 587 m² e fica no Condomínio Village Cidade Jardim. Ela custou R$ 5 milhões, foi comprada em outubro de 2025 e é dividida igualmente entre a empresa de Ciro e seu genro, o médico Pedro de Brito.

"É uma casa que comprei para minha filha em que paguei 50% e o pai do meu genro pagou outros 50%", afirmou o senador à Folha.

A CNLF também é dona de um apartamento de 105 m² na rua Oscar Freire comprado por R$ 660 mil em agosto de 2024. "É um pequeno apartamento que comprei para minha ex-mulher Iracema [Portela], que é minha sócia", disse o senador.

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Outra empresa de Nogueira, a Fazendas Reunidas Nogueira Lima, é dona de um lote de 940 m² em Águas Claras, no Distrito Federal, comprado em abril de 2024 por R$ 5,3 milhões.

Essa mesma empresa, a Fazendas Reunidas, comprou um apartamento de 134 m² no Itaim Bibi por R$ 1,350 milhão em 9 de outubro de 2025. O vendedor foi a CNLF, que havia adquirido o apartamento cerca de um ano antes, em 12 de agosto de 2024, por menos da metade do preço: R$ 650 mil.

A mudança nos valores se deve a uma reforma, justificou Nogueira. Segundo ele, o imóvel é utilizado pela sua mãe e sua irmã.

O parlamentar disse ainda que sua mãe é dona de 93% da Fazendas Reunidas. Já a CNLF "é praticamente toda minha e de minhas filhas".

De acordo com o senador, todos os imóveis foram comprados com recursos de suas empresas. "Nada a ver com o Master", disse.

A CNLF também vendeu outro apartamento no Jardim Paulista por R$ 6,5 milhões em abril de 2025 para a Aliqum Participações, que pertence a uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. A offshore se chama Tedax Partners e não é possível saber seu beneficiário final.

O representante legal da Aliqum é o empresário Carlos Santana. Ele foi procurado por e-mail às 15h27 de 12 de maio, por meio da assessoria de imprensa do Tecnobank, empresa da qual é dono, mas não respondeu.

De acordo com Nogueira, sua filha morava no apartamento que foi vendido quando ela se mudou para a mansão no Village Cidade Jardim. Os recursos serviram para viabilizar a compra do tríplex, que posteriormente foi dado como pagamento para a mansão no Jardim Europa.

Todos os imóveis foram adquiridos durante o período no qual a CNLF recebia uma mesada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal.

No relatório do ministro André Mendonça do STF (Supremo Tribunal Federal) autorizando a operação, há mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Vorcaro, sobre pagamentos a Nogueira.

Em 21 de junho de 2024, Felipe pergunta a Daniel se é para continuar os pagamentos de R$ 300 mil. Um ano depois, em 30 de junho de 2025, Felipe pergunta se é para continuar com os R$ 500 mil ou se ele poderia pagar R$ 300 mil naquele mês.

Os pagamentos teriam saído de uma empresa de Felipe, a BRGD, para a CNLF, de Ciro. A CNLF é administrada pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

Em abril de 2024, a CNLF, de Nogueira, comprou 30% da Green Investimentos S.A., que era presidida por Felipe Vorcaro, primo de Daniel.

Os pagamentos e a venda de participação poderiam estar ligados, segundo apontou a PF, a uma atuação de Nogueira como parlamentar em prol do dono do Banco Master. Como exemplo disso estaria a apresentação de uma emenda aumentando a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em caso de quebra de bancos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Ela foi apresentada pelo senador em agosto de 2024, durante o período da suposta mesada, e foi chamada de Emenda Master, pois ia ao encontro dos interesses comerciais do banco de Vorcaro, conhecido pelo modelo de negócios baseado na venda agressiva de CDBs, com rentabilidade bem acima da média, e protegidos pelo FGC até o valor de R$ 250 mil por CPF.

Em mensagem de Vorcaro à sua então namorada, Martha Graeff, que apareceram na CPI do INSS, o ex-banqueiro comemorou a emenda de Nogueira, a qual chamou de "bomba atômica". No relatório de Mendonça, a PF afirma que a emenda foi redigida por um executivo do Master e celebrada por Vorcaro: "saiu exatamente como mandei".

Por resistência do Banco Central e de parlamentares, a emenda não foi aprovada.

Em vídeo divulgado no dia (12), Nogueira negou ter recebido pagamentos ilícitos. Em seguida, ainda no dia 12, ele reapresentou a emenda Master.

"Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, nesse caso ou em qualquer outro. (...) Temos uma concessionária de motocicletas que fatura em torno de R$ 400 milhões por ano. E me acusam de depósito de R$ 3 milhões nessa empresa. Isso é absolutamente comum em empresas dessas. Muitas peças e serviços são pagos em dinheiro, tudo com nota fiscal, tudo descrito pela contabilidade", disse o parlamentar na gravação.

O Brasil fora de si, Rodrigo Tavares, FSP

 Perguntei, pensei, apurei e não encontrei paralelo em outro país. Representantes brasileiros do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, ao lado de expoentes brasileiros do poder econômico, reúnem-se regularmente em círculo fechado, num país estrangeiro, para discutir o próprio Brasil.

Mais uma vez, realizou-se neste mês, em Nova York, a chamada "Brazil Week". Nas redes sociais, caminhando pela 5ª Avenida, governadores gravam vídeos em tom solene dizendo que "articulam parcerias internacionais". Empresários afirmam que estão ali para "buscar financiamento". Congressistas dizem que foram "apresentar o país". Magistrados acrescentam aos convescotes empresariais uma aparente camada de respeitabilidade. Durante alguns dias, multiplicaram-se cafés da manhã executivos, painéis, recepções e jantares em hotéis de cinco estrelas, como o Plaza ou o St. Regis. Americanos há poucos e, muitos deles, são remunerados a peso de ouro como "guest speakers" para falar sobre "tendências" e "conjunturas". No essencial, são eventos de brasileiros, para brasileiros, com brasileiros homenageando brasileiros, patrocinados por empresas brasileiras e, em alguns casos, custeados direta ou indiretamente por recursos públicos brasileiros.

A endogamia brasileira nem sequer é disfarçada. Um dos eventos em Nova York foi organizado pelo Lide, que o promoveu desta forma: "Cerca de 400 pessoas estarão presentes, entre empresários, senadores, deputados, governadores, presidentes de partidos políticos e pré-candidatos às eleições presidenciais deste ano. Todos vão debater o cenário eleitoral e perspectivas econômicas do Brasil. Um ambiente de diálogo qualificado e construtivo. Quem é líder, está no Lide!". O evento foi realizado em português, a poucos quarteirões da Times Square, e a lista de brasileiros presentes pode ser consultada aqui. Um voo de São Paulo para Nova York pela Latam custa cerca de R$ 4.000. Agora multipliquemos por 400.

O exterior funciona como selo de prestígio e de validação. A distância geográfica produz uma ilusão de internacionalização e de modernidade. Manhattan transforma em "agenda global" aquilo que, em Brasília ou São Paulo, pareceria apenas mais uma reunião com café de gôndola.

A imagem mostra um auditório amplo com cadeiras dispostas em fileiras. No centro, há um palco com um painel branco e algumas cadeiras. O espaço é iluminado e possui paredes de madeira. Há pessoas se movimentando pelo local, algumas sentadas e outras em pé, indicando que o evento está prestes a começar.
Autoridades brasileiras participam do 13º Fórum Jurídico de Lisboa - Lucas Moraes - 4.jul.25/Divulgação IDP

Além do provincianismo, a promiscuidade domina muitos destes eventos. Depois dos Estados Unidos, vem Portugal, com o 14º Fórum de Lisboa, organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), ligado a Gilmar Mendes, e conhecido em Brasília como "Gilmarpalooza". De 1º a 3 de junho centenas de representantes da elite institucional e corporativa brasileira atravessarão o Atlântico. Ministros do STJ, deputados federais, governadores, advogados, desembargadores, empresários e assessores reúnem-se em Lisboa sob o pretexto de discutir o Brasil.

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Inúmeros colunistas já alertaram para a imensa falta de transparência desse evento. Quem paga as passagens e as diárias? Que compromissos oficiais justificam a presença de agentes públicos? Que reuniões paralelas ocorrem longe dos auditórios? Que interesses privados ganham acesso privilegiado a representantes do Estado brasileiro? Reportagem da Folha revelou que "Ministros das altas Cortes e da República, senadores, autoridades da PGR e PF e até Cade participaram dos eventos luxuosos do ex-banqueiro", incluindo encontros em Lisboa organizados durante o Fórum de Lisboa.

Tal como em Nova York, e com exceção da sessão de abertura, a presença local costuma ser residual. O destaque do Gilmarpalooza na imprensa portuguesa deverá ser limitado ou em formato de conteúdo patrocinado, com jornalistas portugueses perplexos diante da romaria de altas figuras de um Estado estrangeiro.

Além do provincianismo e da promiscuidade, há a mercantilização. Esses eventos têm um mercado próprio, no qual o produto é o acesso. O Lide, com seus fóruns, almoços, missões e encontros empresariais, é talvez a expressão mais acabada dessa lógica. Vende-se a possibilidade de estar perto, de circular, de aparecer na fotografia certa, de dividir o salão com ministros, magistrados e congressistas. Por horas ou dias, compra-se a entrada em um quadrado de sombra entre sociabilidade, lobby, favorecimento e negócio. Se a Constituição separa funções, o networking mistura interesses. E quem organiza ganha dinheiro com quem ganha dinheiro. De janeiro de 2024 a agosto de 2026, entre eventos realizados e programados, a agenda do Lide contabiliza 230 encontros.

Por isso, quando vejo as listas de participantes nestes eventos, procuro os ausentes. São eles que me interessam. Há ausências que melhoram uma biografia.


Condomínios de SP proíbem que moradores de baixa renda frequentem áreas de lazer e outros espaços, FSP

 Priscila Mengue

São Paulo

Em um mesmo empreendimento, portarias, áreas comuns e até opções de lazer separam hoje moradores de imóveis populares e dos de apartamentos de maior renda em parte dos novos condomínios da cidade de São Paulo.

Esse tipo de segregação ganhou repercussão em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal e, mais recentemente, pedidos de alvarás do tipo têm sofrido restrições na prefeitura, segundo organizações do setor imobiliário.

A situação envolve os chamados "subcondomínios". Neles, divisórias (muros, acessos por ruas distintas e outras restrições) separam a circulação de residentes de unidades construídas com incentivo para HIS (Habitação de Interesse Social) e HMP (Habitação de Mercado Popular) dos demais moradores. Esse tipo de moradia é voltado exclusivamente para famílias com renda mensal de 1 a 10 salários mínimos.

Estande de vendas e obra do Galeria Lorena, nos Jardins; projeto do empreendimento prevê separação entre apartamentos populares e para moradores de maior renda - Zanone Fraissat - 5.mar.26/Folhapress

Desse modo, parte do lazer (como piscinas, quadras e salão de festas) fica restrita apenas aos apartamentos padrão. São as chamadas "áreas comuns de uso exclusivo".

As principais organizações do mercado imobiliário paulistano relatam problemas há pelo menos um mês para adotar esse tipo de divisão. Alertam que, se a gestão municipal não rever o entendimento, poderá gerar um aumento em massa da taxa de condomínio para os moradores de baixa renda. Afinal, o acesso ampliado resultaria em novo modo de cálculo das despesas coletivas.

Conselheiro jurídico do Secovi-SP (sindicato das incorporadoras), o advogado Rodrigo Bicalho afirma que não há respaldo legal para o entendimento da prefeitura. Ele aponta que os subcondomínios são reconhecidos tanto por leis municipais quanto federais.

Entendimento semelhante é o da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), que destaca ser uma prática consolidada do mercado. A organização defende a necessidade de diálogo técnico e institucional com a prefeitura, para "promover segurança jurídica, previsibilidade regulatória e alinhamento na interpretação das normas aplicáveis".

Também em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento negou que o entendimento seja novo, assim como reforçou que o descumprimento está sujeito a sanções. Justificou que segue as regras fixadas na legislação há anos.

A pasta ainda destacou que permite subcondomínios para alguns tipos de empreendimentos, como exclusivamente de apartamentos sem restrição de renda ou quando ao menos 80% das unidades são HIS, por exemplo. Mesmo assim, a divisão física do terreno é permitida apenas com um plano integrado reconhecido.

Já nos demais projetos, as áreas comuns devem permanecer acessíveis a todos os moradores. "A criação de divisões físicas internas que restrinjam esse acesso caracteriza desmembramento irregular e descaracterização do projeto aprovado, podendo levar à suspensão ou cassação das licenças emitidas", afirma a gestão Ricardo Nunes (MDB).

Placa verde e branca da Prefeitura de São Paulo anuncia empreendimento com unidades de habitação de interesse social e mercado popular, fixada em muro preto. Em frente, cones de sinalização e plantas ornamentais em área pavimentada e jardim com bambus ao lado.
Empreendimento com habitação popular na zona oeste de São Paulo; destinação de imóveis com incentivo municipal é alvo de investigação - Rafaela Araújo - 3.mar.26/Folhapress

No relatório final da CPI da HIS, há o apontamento de que os subcondomínios são "formalmente compatíveis com a legislação vigente", mas que deveriam ser proibidos pela prefeitura. "Tal dinâmica produz verdadeira cisão interna nos empreendimentos, [...] convertendo instrumentos voltados à inclusão urbana em mecanismos indiretos de valorização imobiliária e segregação socioeconômica", apontou.

Já Bicalho, do Secovi-SP, defende que a PGM (Procuradoria-Geral do Município) precisa se manifestar sobre a situação, como em outros entendimentos que opuseram o mercado ao licenciamento. Também diz que a situação pode gerar uma onda de litígios: "Praticamente inviabiliza condomínios mistos".

A política de incentivo a HIS e HMP foi criada com o Plano Diretor de 2014 e a Lei de Zoneamento de 2016. Flexibilizações posteriores deram impulso à produção nos últimos anos, segundo especialistas. Em 2025, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) denunciou possíveis desvios de milhares de apartamentos do tipo para pessoas de maior renda.

Hoje, esses apartamentos representam 75% dos lançados na cidade, conforme o setor. A prefeitura aponta que ao menos 321 mil unidades foram construídas com os benefícios dessa política, das quais 159 mil estão em empreendimentos denunciados ou com alerta de possível fraude.

Professora de direito urbanístico na FGV (Fundação Getulio Vargas), Bianca Tavolari explica que a inclusão da habitação popular permite que os empreendimentos "mistos" construam mais apartamentos de alto padrão. O motivo são os incentivos municipais, com permissão para maior altura e mais área construída, além de desconto na outorga onerosa (principal taxa cobrada). "É quase como se o HIS fosse o fardo que se carrega para fazer outras coisas", resume.

Além de 16 benefícios específicos, essa mistura de diferentes rendas pode facilitar a construção de apartamentos maiores e com mais vagas de estacionamento. Isso porque a chamada "cota parte" exige número mínimo de unidades por condomínio, a depender do tamanho do terreno. Desse modo, atinge-se a média somando um grande volume de microapartamentos populares às unidades maiores, voltadas à média e alta renda.

Lavvi, SDI e Diálogo: incorporadoras admitiram segregação em CPI

Na CPI da HIS, em março, a incorporadora Lavvi admitiu separar empreendimentos em subcondomínios. O CEO, Ralph Horn, defendeu que esse modelo foi aprovado conforme a lei. "A estrutura de lazer é separada, compatível com o custo de condomínio que ele pode aguentar", afirmou.

No Soleil, na Chácara Klabin, na zona sul, por exemplo, enquanto o setor de mais alto padrão tem quadra de tênis e piscinas, o de HMP (famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos) oferece uma academia compacta como opção esportiva.

Separação semelhante ocorre em outro projeto da empresa no Paraíso, na zona sul. A Folha procurou a Lavvi, que preferiu não comentar.

Medida do tipo também foi confirmada pelo presidente da incorporadora Diálogo Engenharia, Guilherme Sallum Nahas, em 12 de maio. Ele disse que parte dos condomínios tem diferenciação nas áreas de lazer (mesmo alguns de torre única).

"A Diálogo visa entregar área de lazer adequada em ambos os empreendimentos, onde o de HIS muitas vezes tem a sua piscina, academia, com tudo que atende a ele. E, também, proporcionando um custo condominial que [o morador] possa pagar", justificou. Em nota à reportagem, a empresa disse que "sempre exerceu suas atividades em estrita observância à legislação".

Sócio-diretor da SDI Desenvolvimento Imobiliário, Dario de Abreu Pereira Neto confirmou também na CPI, em março, empreendimentos em Pinheiros e nos Jardins, na zona oeste, com subcondomínios. "Temos toda uma equipe técnica que dá essa assessoria", completou.

Folha procurou a comunicação da empresa, que diz ter repassado o pedido de nota aos interessados. A incorporadora não respondeu.


Classificação das habitações populares em São Paulo

  • HIS-1 (renda mensal familiar de até três salários mínimos): R$ 4.863 (ou R$ 810,50 per capita);
  • HIS-2 (renda mensal familiar de três a seis salários mínimos): R$ 9.726 (ou R$ 1.621 per capita);
  • HMP (renda mensal familiar de seis a 10 salários mínimos): R$ 16.210 (ou R$ 2.431,50 per capita).