quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Criação do rolo do Master precisou de muito criminoso que ainda está no armário, VTF FSP

 Certos negócios do Banco Master e suas ramificações são complicados até para quem trabalha no mercado financeiro. Não se trata aqui de estratégias geniais de investimento, mas de conhecimento técnico de como fazer mágicas e milagres para driblar a regulação, inflar dinheiros ou fazê-los desaparecer em uma cartola.

Não é coisa de amador pequeno, Quem são? Talvez venhamos a ter algumas respostas, agora que o empresário Nelson Tanure entrou na rede da investigação.

Algumas fraudes parecem muito grosseiras, pelo que indica a apuração inicial do Banco Central, encaminhada ao Ministério Público e à Polícia Federal. É o caso da invenção de créditos que estavam sendo vendidos ao BRB, o banco estatal do Distrito Federal.

Entrada de prédio com colunas e vidro, protegida por barreiras metálicas alinhadas na calçada. Fachada moderna com janelas espelhadas e o nome 'MAASTER' visível acima da porta.
Fachada da sede do Banco Master, localizada na rua Elvira Ferraz, na Vila Olímpia, em São Paulo - Rafaela Araújo - 29.dez.25/Folhapress

O Master dizia que tinha direitos a receber, empréstimos, que simplesmente inexistiriam —o banco era uma ficção, pois. Outras, como a engenharia dos fundos, eram complicadas. Exigia especialistas em direito e finança.

Onde estão essas pessoas ou empresas? Prestam serviços, por assim dizer, para outras bandalheiras? O mercado financeiro está mancomunado até que ponto com essa gente? Por falar em gente esquecida nessa investigação, por que não se fala mais do BRB? Quem estava comprando terrenos na Lua, voluntariamente? A mando de quem? Para benefício de quem?

Tanure e Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, têm participações cruzadas em negócios. Quer dizer, um é ou era dono de parte dos negócios do outro, por vias tortuosas.

Por exemplo, investindo em um fundo que só tem negócios com a empresa do sócio oculto, por meio de investimentos indiretos, que não caracterizam propriedade de fato, mas "potencial". Dá algum trabalho inventar essa pirâmide montada em uma ponte móvel sobre o pântano.

É preciso lembrar também e de novo que um dos três maiores rolos do Master eram empréstimos que o banco fazia a empresas, que colocavam dinheiro em fundos, que investiam em empresas de fantasia ou de ninharia, que por vezes compravam papeis podres superfaturados —a gestora de fundos Reag dirigia o trânsito desse dinheiro.

Por vezes, o dinheiro pulava de fundo em fundo antes de chegar a uma empresinha dessas ou, por vezes, pagar a compra de CDBs do Master. Por vezes, o próprio banco investia centenas de milhões em empresinhas, como uma clínica médica em Contagem (MG), caso conhecido desde novembro de 2025, ou passava pela Reag antes de ser dirigido a uma loja de armarinhos.

A ciranda dos fundos é conhecida faz alguns dias. Os detalhes da operação e os destinatários finais do dinheiro, não —podem ser Vorcaro, família, laranjas e poderosos amigos de Vorcaro. A ver o que sai daí, se não abafarem o caso, como estão tentando fazer. Mas há questões gritantes:

  1. Discutiu-se a atuação do Banco Central na supervisão e na liquidação do Master —enfim, supervisionou, achou fraude grossa e liquidou. Agora, onde estava a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM? Ninguém via esse troca-troca de dinheiro nos fundos de Vorcaro?
  2. Isto posto, como foi possível que existisse algo como a Reag? O que mais tem na Reag, além de negócios de Vorcaro, do PCC, de empresas criminosas do combustível? Alguém está fazendo uma limpa? Quando se puxa uma pena da Reag, sai um avestruz;
  3. Existem outras Reags? Tem mais gestor administrando dinheiro, negócios e fazendo engenharias do crime? A CVM tem condições técnicas, operacionais e políticas de fazer essa limpa?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Daniel Vorcaro prepara ofensiva para tentar mudar regime de liquidação do Banco Master, OESP

 BRASÍLIA — O banqueiro Daniel Vorcaro prepara uma ofensiva para tentar mudar o regime de liquidação do Banco Master decretado pelo Banco Central. Ele estuda uma proposta para transformar a liquidação extrajudicial, capitaneada pelo BC, em uma liquidação ordinária, proposta pelo próprio Banco Master, segundo pessoas que acompanham as negociações.

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A estratégia pode mudar a precificação de ativos, o calendário de pagamento aos credores e o futuro dos bens de Vorcaro. Pessoas que acompanham o processo identificam na estratégia uma tentativa do empresário de se proteger e afirmar que o banco é superavitário e pode pagar o que deve. Procurado, Daniel Vorcaro não comentou. O Banco Central também não se manifestou.

A alternativa envolve uma estruturação complexa, pois precisa ser negociada e autorizada pelo Banco Central e eventualmente envolver uma consulta aos credores, que esperam o pagamento dos valores investidos no banco liquidado. Além disso, demandaria uma mudança no curso do processo que está em andamento.

Para você

Vorcaro e Master são investigados por fraudes no sistema financeiro e por negociar títulos falsos com o BRB, Banco de Brasília, o que levou o BC a decretar uma liquidação extrajudicial na instituição.

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Como mostrou o Estadãoo banqueiro poderá usar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que investiga a atuação do Banco Central na liquidação do Master para reforçar sua defesa, questionar a decisão do BC futuramente e até para pedir uma indenização à União.

Em nota à reportagem na segunda-feira, 12, a defesa de Vorcaro disse que o banqueiro não busca reverter a liquidação do Banco Master, “e sim alternativas que possam trazer a melhor solução e desfecho para todos os credores e investidores institucionais.”

Pessoas que acompanham o processo avaliam que a estratégia de Vorcaro envolve uma operação para se proteger e salvar bens. Além disso, ele poderia usar a investigação do TCU para tentar “cavar” uma ilegalidade na atuação do Banco Central.

O empresário já citou o processo do TCU para questionar a liquidação extrajudicial nos Estados Unidos. A justiça americana, porém, reconheceu a liquidação determinada pelo Banco Central do Brasil.

Bets e streaming gastam R$ 2,3 bilhões e lideram investimento em publicidade na TV, F5, FSP

 Gabriel Vaquer

Aracaju

A televisão brasileira recebeu R$ 24,5 bilhões de investimentos em publicidade. É o que diz um estudo realizado pela agência Tunad, que faz inteligência de mercado para empresas, obtido pela coluna. Dois segmentos lideraram os gastos: as casas de apostas e empresas de streaming.

Segundo o estudo, as duas áreas gastaram, juntas, cerca de R$ 2,3 bilhões para aparecer em intervalos comerciais e em patrocínios de programas. A líder de investimentos foi a Sky, que atua como operadora de TV paga e streaming. Ao todo, foram R$ 795 milhões.

O segundo lugar é do Viva Sorte, casa de sorteios liderada pelo empresário e apresentador Renato Ambrósio, com R$ 368 milhões. Por fim, a Claro, outra empresa de telecomunicação, gastou R$ 345 milhões e é a terceira que mais investiu em publicidade.

O quarto lugar chama a atenção. A BetMGM, casa de apostas que tem como sócio minoritário o Grupo Globo, investiu R$ 275 milhões em intervalos comerciais em todas as emissoras. Com isso, se tornou a bet de maior publicidade no Brasil.

O quinto lugar é de outra casa de aposta: Betnacional, que tem o jogador Vini Jr e o narrador Galvão Bueno como garotos-propaganda. Foram R$ 210 milhões gastos.

Somando todos os canais lineares da TV brasileira, a marca que mais apareceu em intervalos foi o site de viagens Trivago, com 168 mil inserções. A Emma Colchões ficou em segundo com 125 mil. Disney+, Globoplay e Claro completam o Top 5 de marcas mais expostas.

O período de maior investimento das empresas ocorreu em novembro, mês da chamada Black Friday, quando empresas fazem promoções com grandes descontos para aumentar as vendas: foram R$ 2,51 bilhões. O mês de menor dinheiro inserido foi junho: R$ 1,7 bilhão.