quarta-feira, 13 de março de 2024

Aliado de Leite retoma comando do PSDB-SP e defende candidaturas próprias desde que competitivas, FSP

 

SÃO PAULO

O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, anunciou que a cúpula do partido decidiu nomear o prefeito de Santo André (SP), Paulo Serra, para comandar a legenda no estado de São Paulo. O prefeito de Ribeirão Preto (SP), Duarte Nogueira, por sua vez, foi nomeado para presidir a federação PSDB-Cidadania no estado.

O cargo estava vago desde sexta (8), quando Perillo interveio no PSDB-SP e destituiu o ex-deputado e ex-secretário Marco Vinholi da presidência estadual. Antes dele, Serra era quem comandava o partido provisoriamente. Procurado pela Folha, Vinholi diz não ter sido informado da nomeação de Paulo Serra nesta quarta-feira (13).

O presidente do PSDB, Eduardo Leite, e o novo presidente da federação PSDB-Cidadania em SP, Paulo Serra (PSDB)
O presidente do PSDB, Eduardo Leite, e Paulo Serra, que foi nomeado presidente do PSDB em SP - Divulgação

Segundo Serra, a nova executiva nomeada por Perillo deve ficar à frente do PSDB-SP ao menos até 2025, sem previsão de uma nova convenção antes disso.

Com a decisão, Perillo pretende colocar fim a mais uma novela que se arrasta no tucanato paulista, dividido entre o grupo de Paulo Serra, que é ligado ao governador Eduardo Leite (PSDB-RS), e Vinholi, ligado aos ex-governadores João Doria e Rodrigo Garcia —agora ambos fora do PSDB.

No último dia 6, Vinholi foi eleito presidente do PSDB-SP em uma reunião do diretório estadual que foi contestada por uma ala do partido com o argumento de que parte dos membros não foi sequer convocado. Para aliados de Vinholi, o que aconteceu foi uma tentativa de Serra de postergar a reunião, que teve quórum apesar disso.

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Perillo, então, acolheu duas representações, uma delas formulada pelo ex-senador José Aníbal, atual presidente municipal do PSDB na capital paulista, e destituiu Vinholi.

Em nota, Perillo diz que as nomeações de Serra e Duarte foram feitas em "comum acordo com a maioria do partido em São Paulo". "Vamos retomar nosso trabalho de reconstrução no partido no estado e tenho certeza que teremos excelentes resultados eleitorais neste ano em São Paulo", completa.

À Folha Paulo Serra afirma não acreditar que Vinholi recorra da decisão, já que houve muito diálogo, inclusive da parte de Perillo, e que o ex-deputado indicou nomes para a composição da executiva. "A construção que foi feita é coletiva", diz.

Como antecipou a Folha, a intervenção de Perillo para destituir Vinholi foi uma das razões que levou o ex-governador Rodrigo Garcia a pedir a desfiliação do PSDB na segunda (11).

Paulo Serra diz que Rodrigo "era um grande quadro, com muito preparo e um grande gestor", mas que sua saída não foi surpresa, dado que ele decidiu se afastar da vida pública para conduzir um escritório de advocacia. "Para mim não causou surpresa, porque ele já havia dito da distância dele da política, então foi só a concretização."

A sete meses da eleição municipal, Serra tem o desafio de organizar um partido diminuído e fragmentado pela derrota eleitoral em São Paulo em 2022 e pela série de conflitos internos. Na capital, o PSDB ainda não decidiu se vai lançar um candidato próprio ou se vai apoiar o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que era vice de Bruno Covas (PSDB), ou a deputada Tabata Amaral (PSB).

"Isso é um tema sensível, que ainda vai ter muito debate e discussão. A regra geral é lançar candidatura nas cidades importantes, que é o que eu vou defender, mas dentro de um critério de competitividade", diz Paulo Serra, acrescentando que Aníbal é que estará à frente da decisão.

"A gente entende que, pelo Ricardo ter sido vice, ele tem uma ligação [com o partido] e a participação de quadros na atual gestão", completa.

Sem nomes competitivos para apresentar, boa parte do PSDB, inclusive a bancada de vereadores, defende a aliança com Nunes, que manteve os quadros do PSDB em sua gestão. Aníbal, porém, é tido no partido como um entusiasta de Tabata.

A respeito das eleições no estado, Serra afirma que o PSDB já tem cerca de 50 a 70 pré-candidatos em diversas cidades. "Nosso prazo é curto, mas estamos criando uma força-tarefa. A perda do governo [em 2022] e esse imbróglio e incertezas que o partido viveu fazem com que não haja mais um vigor quantitativo, mas temos quadros de qualidade."

Serra diz querer dobrar a quantidade atual de prefeitos em São Paulo, que é de cerca de 20. Em 2020, o PSDB elegeu 172 prefeitos e chegou a 238 em 2022.

No longo prazo, ele mira a construção da candidatura presidencial de Leite em 2026. Questionado sobre querer concorrer ao Governo de São Paulo, Paulo Serra responde que é cedo para pensar nisso.

No dia 25 de fevereiro, o PSDB-SP conseguiu um entendimento e apresentou uma chapa única na eleição do novo diretório estadual. Em seguida, porém, começaram as divergências a respeito de quem comandaria a executiva, com Vinholi e Serra cotados para o posto.

Vinholi foi presidente do PSDB-SP de 2019 a novembro de 2023, período em que o partido esteve a serviço do projeto presidencial de Doria, que não deu certo.

Com a ascensão de Leite para o comando do PSDB nacional em 2023, Vinholi acabou sendo retirado do cargo por uma intervenção do gaúcho, que nomeou seu aliado Serra provisoriamente —o que acirrou a divisão no tucanato paulista e levou às disputas atuais após a eleição do novo diretório.

Câmara dos EUA aprova projeto de lei que proíbe TikTok no país, FSP

 A Câmara de Representantes dos EUA aprovou, nesta quarta-feira (13), um projeto de lei que pode proibir o TikTok no país se a rede social não cortar seus laços com sua matriz ByteDance e com a China em geral.

Embora o resultado da votação no Senado seja incerto, o desenvolvimento é de suma importância para a plataforma popular. Um total de 352 legisladores votaram a favor da proposta e 65 contra, em um raro momento de unidade bipartidária em plena campanha eleitoral.

Ilustração fotográfica mostra o logotipo do TikTok refletido em uma imagem da bandeira dos EUA, em Washington, DC
Por ter uma matriz chinesa, o Tik Tok é uma preocupação para os Estados Unidos e outros países, que consideram que a plataforma permite a Pequim espiar e manipular cerca de 170 milhões de usuários - AFP

A iniciativa legislativa é até agora a maior ameaça enfrentada pelo aplicativo de vídeos curtos, muito popular em todo o mundo, especialmente entre os jovens.

Por ter uma matriz chinesa, o Tik Tok é uma preocupação para os Estados Unidos e outros países, que consideram que a plataforma permite a Pequim espiar e manipular cerca de 170 milhões de usuários nos Estados Unidos.

O presidente Joe Biden promulgará a norma, oficialmente conhecida como "Lei de Proteção dos Americanos contra Solicitações Controladas por Rivais Estrangeiros", assim que for aprovada em ambas as câmaras legislativas, anunciou a Casa Branca.

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É tudo culpa da Secom e de Paulo Pimenta? -MEIO

 Por Wilson Gomes

Lulistas, petistas e assemelhados, graúdos e miúdos, com maior ou menor nível de angústia, aparentemente descobriram que a comunicação do governo está ruim. Ou já haviam constatado o fato, mas, agora que apareceu uma pesquisa dizendo que a avaliação do governo Lula declinou, reconheceram a urgência de dizer que a comunicação política do governo tem parte importante nisso.

Se a piora não se deu nos fatos, mas na percepção pública, e quem move a opinião dos cidadãos é a comunicação, no final da cadeia de conclusões é ela quem leva a culpa pelo desastre. E como quem toca a comunicação do governo federal são, afinal, a Secom e o ministro Paulo Pimenta, quem mais precisa ser responsabilizado por isso?

Houve, claro, lulistas influentes a dizer que não era bem assim e a oferecer interpretações alternativas dos fatos. O ator José de Abreu, por exemplo, partilha da ideia de que Lula “está fazendo um governo exemplar” que não se reflete na percepção pública predominante, mas prefere explicá-la com a tese de que “a direita, com a força da mídia, o persegue”. Que é uma das hipóteses mais populares do repertório petista. Na realidade, tudo vai bem, mas ninguém resiste à mídia, unitária e insidiosa, esculpindo, dia a dia, as opiniões e os sentimentos dos cidadãos.

E remata com o que muitos lulistas pensam, mas não publicam; quer dizer, com a sugestão de que tem gente criticando a comunicação simplesmente porque cobiça o cargo. “Compreendo que todos esquerdistas somos inteligentes, cultos, e nos sentimos especialistas em comunicação”, mas é “impossível contratar todos”. Entendedores entenderão a quem se destina essa flecha.

O argumento de que a mídia é adversária e hostil a Lula é um clássico, usado em qualquer situação em que o PT tem dificuldade com a opinião pública. Na verdade, esse argumento pode ser aplicado, com as devidas adaptações, por qualquer governo. Os apoiadores do presidente Bolsonaro, por exemplo, têm recorrido à narrativa de perseguição midiática como uma justificativa para crises em diversas ocasiões. Além disso, soma-se a essa argumentação a tese de que setores progressistas, ao criticarem a comunicação e o comportamento do governo, contribuem para neutralizar as conquistas de Lula e criar uma impressão distorcida e negativa de sua administração. No mínimo, argumentam que esses críticos fornecem munição para os opositores. Nessa perspectiva, as crises de imagem, popularidade e percepção pública são interpretadas não como reflexo da realidade ou falhas na comunicação do governo, mas como resultado de um esforço intencional da mídia e dos críticos.

À parte a linha de zaga tradicional do governo, contudo, muitos verbalizaram uma crítica que vem desde 2013 e que vai se tornando cada vez mais impaciente. O influenciador digital Felipe Neto, um dos mais influentes governistas das quebradas digitais, e que sempre insistiu na hipótese de que o governo está perdido na comunicação, cravou com todas as letras: “O PT precisa entender q a rejeição ao governo é única e exclusivamente por deficiência de comunicação. As notícias são quase todas positivas. Ainda assim, a comunicação não funciona e a massa cai no papo do WhatsApp de q Lula odeia judeus. A esquerda não consegue comunicar”.

O deputado André Janones, que foi importante na campanha de 2022 por enfrentar os bolsonaristas no terreno e na linguagem deles, mesmo em desgraça no campo progressista, mandou mais um recado. E com um exemplo concreto que deveria fazer os petistas pensarem:

“Ei, imprensa e pseudos intelectuais progressistas: a massa (aqueles decidem eleições), estão CAGANDO para os direitos daqueles que são mortos pelos PMs. Toda vez que vocês colocam em letras garrafais em suas manchetes a fala do Tarcísio, onde ele diz que não está “nem aí” para irregularidades cometidas por esses bandidos disfarçados de policiais, vocês pavimentam o caminho dele e de outros nomes da extrema direita em seus projetos de poder. É elementar, é básico, mas quem vive na bolha do mundo de faz de conta das redes parece que não compreende. De nada”. Rá!

A crítica é mordaz e contém uma novidade em relação à linha que teve como alvo direto o ministro da Secretaria de Comunicação do Governo. O objeto da crítica de Janones não é a comunicação do governo, mas a comunicação política da esquerda. Um pouco no sentido da crítica de Felipe Neto, que, compreensivelmente, mistura as duas coisas. Não é apenas que a comunicação governamental está perdendo a batalha da comunicação para quem trabalha contra o governo, é que a comunicação da esquerda é ineficaz e contraproducente. E, ao que tudo indica, não apenas porque não domina as habilidades da comunicação digital nem sabe produzir e distribuir eficientemente a comunicação em redes, é que para se comunicar com eficácia é preciso conhecer a base, os públicos, a massa; e a esquerda não os conhece.

Não é fácil levar as pessoas a concordarem com um diagnóstico das causas quando a popularidade de um presidente cai ou quando o apoio da opinião pública diminui e, aparentemente, nada na ordem da realidade parece autorizar a mudança de humor do público. Realisticamente, como disse o jornalista Renato Rovai esta semana numa live, as coisas tendem de fato a explodir no colo de quem cuida da comunicação, mesmo que a confusão, o desalinhamento, as contradições e as improvisações sejam gerados pelas diversas partes que compõem o governo.

Se o próprio governo não reconhece uma estratégia de comunicação coerente e consistente ou se ninguém dá a mínima para ela, não tem comunicação que dê certo.

Se Lula fala para o público que quer, mas não para quem deveria falar, se adota o tom que quiser e fala o que lhe der na telha, não há estratégia de comunicação que possa sair recolhendo os cacos e as consequências para, a posteriori, consertar o que já se perdeu. Se multiplicarmos isso por ministérios e celebridades governamentais, que as temos muitas, teremos cacofonia e caos, não comunicação governamental.

Na verdade, creio que tenhamos aqui algumas ordens de problema, mesmo admitindo-se que a Secom e o ministro Paulo Pimenta venham de fato enfrentando alguma dificuldade no gerenciamento da comunicação presidencial.

Primeiramente, há que se considerar o “fator Lula” nessa equação e a sua impressionante capacidade de gerar crises e minicrises em moto contínuo. A impressão que se tem é que Lula vem crescentemente aderindo à “estratégia do cercadinho”, de bolsonariana memória, que consiste em falar apenas para os seus seguidores por meio de uma fala direta a públicos íntimos de apoiadores que lhe fornecem imediatamente cumplicidade, paixão e afinidade ideológica. É isso o tal “cercadinho”. Nesse modelo de comunicação, não apenas se ignoram todos os outros públicos, como também se busca, intencionalmente, na adulação dos seus, a provocação do “outro lado”.

Então, não é que Lula atravesse a rua para procurar cascas de bananas em que pisar, como se diz. É que o par “agradar à tribo — enfurecer o outro lado” é a tática posta em ação. Para isso, é preciso ter um círculo íntimo de pessoas com intensa afinidade ideológica, enorme cumplicidade e paixão arrebatadora. Se Paulo Pimenta tem, de fato, um problema, é que ele não parece ser a voz que dissuade, diverge, aponta as armadilhas e os perigos dessa atitude, mas é parte do círculo íntimo de Lula que, depois que explodem as bombas, aparece nas mídias digitais e do jornalismo para dobrar a aposta, justificar o chefe e amigo e, naturalmente, atacar quem o critica.

Em segundo lugar, é incompreensível que os progressistas em geral e os lulistas em particular não assumam a sua própria responsabilidade na comunicação política do governo. Se tem um consenso hoje entre pesquisadores e especialistas em comunicação política é que um modelo de comunicação de cima para baixo não é páreo para a comunicação horizontal. A Secom deveria cuidar de uma estratégia e de um planejamento de comunicação top-down, claro, mas a comunicação horizontal e bottom-up é feita pela base, por influenciadores ou por qualquer um que desça às arenas digitais para discussão política.

Nessa arena, as três tribos políticas mais fortes (lulistas, bolsonaristas e identitários) comunicam não apenas através do que dizem, mas principalmente do que fazem. Dois desses grupos, lulistas e identitários, são a ponta de lança da comunicação política horizontal do governo e são, simultaneamente, uma causa constante dos problemas de imagem e de percepção pública que alcançam o PT e o presidente.

São verdadeiras falanges que passam o dia procurando briga, assediando, importunando, insultando qualquer dissidente ou crítico, publicando barbaridades e, o que talvez seja pior, arrastando Lula e o PT para todas as roubadas, controvérsias e tretas. São o público do cercadinho, mas também infantaria das guerras culturais, os membros das alcateias que passam os dias mordendo e arrancando pedaços, guerreiros da Justiça, os exibicionistas das próprias virtudes, os vigilantes digitais e os matadores de reputações. Quem os suporta? Só membros da própria seita. E se “isso é o PT e o governo” as feições são medonhas e o melhor é guardar distância.

Em terceiro lugar, surge a questão prática e concreta de que tanto os profissionais da comunicação governamental quanto os praticantes da comunicação política horizontal parecem não compreender completamente o que está em jogo nem quem são os jogadores.

Um exemplo ilustrativo é apresentado pelo antropólogo Juliano Spyer em sua coluna na Folha de 11 de março. Ele desmonta o argumento de que a queda de popularidade de Lula entre os evangélicos seria resultado dos ataques feitos por ele a Israel. Spyer sugere, em vez disso, outra explicação. Segundo o antropólogo, entre os evangélicos, ganhou força nos últimos meses uma mensagem disseminada exaustivamente em grupos de WhatsApp e redes sociais. Essa mensagem afirma “que o governo do PT é alinhado com o identitarismo de esquerda e, portanto, é contra os valores da família cristã”, apesar de alegar apoiar os evangélicos. E deu um exemplo da contra-comunicação da esquerda: “A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, mostrou em entrevista recente à TV Brasil o que não fazer em relação a esse tema. Ela reduziu o problema da comunicação entre governo e evangélicos à atuação de pastores ‘mentirosos’ que ‘vão para o inferno’ porque se aproveitam da ‘boa-fé’ (falta de instrução) dos fiéis. É quase uma peça antipetista pronta”. É isso.

Assim, há, de fato, uma comunicação política horizontal mais eficiente da direita conservadora, não apenas porque ela não hesita em adotar notícias falsas e explorar o medo das pessoas, mas também porque compreende os diferentes públicos, direciona suas mensagens especificamente ao seu alvo e entrega mensagens sob medida para produzir os efeitos desejados.

Enquanto isso, os seguidores de Lula e os identitários se envolvem em todas as controvérsias, iniciam brigas e gritam na cara dos outros “vocês vão ter que nos engolir”. Essa é uma questão de comunicação política e governamental, que molda impressões, opinião pública, imagem e percepção. É tudo culpa da Secom?

Wilson Gomes é doutor em filosofia, professor titular da Universidade Federal da Bahia e autor de "Crônica de uma Tragédia Anunciada".

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