terça-feira, 12 de março de 2024

Contratados por um app, Cecília Machado, FSP

 Para a maioria das pessoas, especialmente no Brasil, o conceito de trabalho na "economia gig" tem sido sinônimo de prestação de serviços de transportes ou entrega de comida em plataformas. Mas a rápida velocidade com que os aplicativos estão mudando a forma como vivemos está reconfigurando o mercado de trabalho de forma muito mais ampla.

Se, há mais ou menos uma década, a "uberização" do trabalho poderia parecer um fenômeno restrito ao Uber ou ao iFood, hoje, a "economia gig" já alcança diversos outros segmentos, que vão de reparadores, designers, revisores, enfermeiras e profissionais de saúde a serviços profissionais como os de advogados e consultores. O que estaria então acontecendo no mercado de trabalho para aqueles que passaram a ser contratado por um app?

De um lado, a divisibilidade de um emprego em tarefas traz independência e flexibilidade ao trabalhador, que pode escolher em quais dias trabalha, em quais horários, e por quanto tempo. Além disso, o acesso a um mercado amplo maximiza as oportunidades de negócio.

De outro, uma estrutura de mercado que oferece pouca margem para negociações também pode deprimir agressivamente as condições de trabalho, especialmente para os menos qualificados e com menos alternativas de emprego.

É nesse sentido que as diversas propostas regulatórias que estão surgindo buscam equiparar os trabalhadores da "economia gig" aos arranjos tradicionais, como forma de garantir direitos mínimos que empregados de uma empresa possuem. Mas o ponto de partida na elaboração dessas propostas também deveria levar em conta o efeito desses novos arranjos trabalhistas no bem-estar da população e as implicações de equiparar, regulatoriamente, mercados tão distintos. A evidência, ainda que incipiente, já chega a algumas conclusões importantes.

Alguns estudos já são capazes de documentar ganhos substanciais para compradores e vendedores de serviços nessas plataformas e mostrar que uma regulação mais estrita pode prejudicar mais que ajudar os trabalhadores que oferecem seus serviços através dela, como acontece para trabalhadores do conhecimento (por exemplo, programadores, arquitetos, contadores).

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Nesse segmento, as tentativas de redistribuir o excedente através da imposição de uma regulação tradicional —como impostos sobre a folha e salário mínimo— traz perdas tanto para consumidores quanto para trabalhadores.

Já no caso de motoristas de aplicativos, como o Uber, a evidência é que os ganhos para os trabalhadores nesse arranjo são mais que o dobro em comparação a um arranjo menos flexível. Intuitivamente, a plataforma permite que os motoristas escolham horários quando a demanda (e, por consequência, o preço) dos serviços é mais alta ou evitar corridas quando outras questões (como cuidar de um membro da família) ganham prioridade.

No Brasil, equiparar trabalhadores da "economia gig" aos trabalhadores tradicionais traz ainda mais desafios, já que a informalidade continua sendo a forma através da qual a nossa regulação trabalhista vem sendo flexibilizada.

Uma bem-intencionada equiparação de direitos poderá falhar em redistribuir o excedente gerado nesse novo modelo, ampliar a informalidade e pôr fim a um conjunto de outros ganhos que os serviços fornecidos pelos aplicativos proporcionam à sociedade.

Avançar na garantia de direitos para os trabalhadores da "economia gig" exigirá reconhecer que a flexibilidade pode ser uma vantagem.


Governo traça plano de R$ 12,6 bi de dinheiro público e PPP para porto de Santos, FSP

  

SÃO PAULO

Com o túnel entre Santos e Guarujá como joia da coroa, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), anunciou nesta segunda-feira (11) o plano de investimentos para o porto de Santos entre 2024 e 2028.

Antiga reivindicação de prefeitos da Baixada Santista e promessa de diferentes governos federal e estadual, o túnel vai receber verba de R$ 6 bilhões.

Isso representa quase a metade do investimento público e em PPP (parceria público-privada) dos R$ 12,6 bilhões a serem aplicados no complexo portuário. Mas com projeções de mais R$ 8,68 bilhões em investimentos privados, o governo federal planeja chegar a R$ 21,28 bilhões em cinco anos.

Pelo cronograma apresentado, a concessão do túnel terá início em 2025.

Imagem do canal do porto de Santos, na Baixada Santista
Imagem do canal do Porto de Santos, na Baixada Santista - Eduardo Knapp-15.jan.24/Folhapress

O Ministério de Portos e Aeroportos alterou a previsão no decorrer do dia. No início da tarde, o valor total era de R$ 10,64 bilhões, sem qualquer anúncio de dinheiro privado. Cerca de uma hora mais tarde, foi feita a correção.

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Em solenidade na Autoridade Portuária em Santos, Costa Filho havia estimado que o valor de R$ 21 bilhões seria investido no Porto de Santos "nos próximos 20 anos", não até 2028.

Antes de anunciar o plano de investimentos nesta segunda, ele visitou o aeroporto civil metropolitano no Guarujá (litoral de São Paulo), que está em obras para receber voos comerciais a partir de 2025. Serão gastos R$ 21,3 milhões para a adequação da estrutura.

Homem de terno bate martelo em leilão
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), durante leilão de terminais portuários em dezembro do ano passado - Divulgação B3

"O aeroporto vai ajudar muito a fomentar o turismo de negócios e são investimentos fundamentais para o desenvolvimento da região", afirmou.

Na concessão de dragagem para aumento do calado (profundidade para atracação), serão usados R$ 6,5 bilhões sendo R$ 5,8 bilhões de dinheiro privado. Mas a previsão é que isso aconteça nos próximos 20 anos.

À exceção do túnel e da dragagem, o maior investimento será a PPP (Parceria Público-Privada) para a transferência do Concais, o terminal de passageiros do porto para a área do Valongo, próximo ao centro histórico de Santos: R$ 1,4 bilhão.

Incluídas as obras no bairro da Alemoa, deverão ser destinados R$ 1 bilhão para ferrovia interna do porto.

"Teremos investimentos nas [avenidas] perimetrais, que são fundamentais para o escoamento da produção e em estacionamento para melhoria de acessibilidade do porto de Santos e para dar mais conforto aos caminhoneiros", completou o ministro.

Para as perimetrais em Santos e Guarujá, serão R$ 569,9 milhões no total. Espaço para estacionamento e monitoramento de digital do deslocamento de caminhões tem investimento previsto de R$ 800 milhões.

Outros pontos do plano de investimentos:

  • R$ 324,1 milhões para a drenagem do canal do porto
  • R$ 100 milhões para construção do Parque Valongo
  • R$ 169 milhões para sistema de monitoramento de tráfego de navios
  • R$ 112,3 milhões para berços de atracação na Ilha Barnabé
  • R$ 14,9 milhões para dragagem e aprofundamento dos berços de atracação entre os armazéns 12A e 23
  • R$ 350 milhões para a transferência do terminal da Marimez para o TEVAL (Terminal Marítimo do Valongo)
  • R$ 500 milhões para diversificação da matriz energética da usina de Itatinga