quarta-feira, 20 de setembro de 2023

São Paulo recebe 50 ônibus elétricos para frota do transporte público, EPBR

 

 

 

BRASÍLIA – A cidade de São Paulo recebeu, nesta segunda (18/9), 50 ônibus elétricos a bateria que vão integrar a frota do transporte público municipal. As operações terão início ainda este mês. 

É um passo para cumprir a nova legislação de mudanças climáticas da capital, que prevê a substituição de cerca de 15 mil veículos a diesel por ônibus elétricos. Até 2024, a prefeitura de São Paulo pretende ter 20% da frota (2,6 mil ônibus) composta por eletrificados. 



Os dois modelos que entrarão em operação em setembro são produzidos pela brasileira Eletra, com baterias da WEG e carrocerias da Caio, também nacionais.

Como parte dos esforços para a descarbonização de São Paulo, os veículos também deverão ter uma autonomia de 250 quilômetros. Isso possibilita que eles percorram a distância necessária para cumprir suas rotas e sejam recarregados apenas na volta à garagem, em período de pausa.

A responsável pela infraestrutura de carregamento e soluções para o monitoramento dos veículos será a Enel X, que está investindo aproximadamente R$ 160 milhões nesta primeira fase do projeto.

A empresa está negociando com diversos parceiros, incluindo operadores e fabricantes autorizados pela SPTrans, a ampliação da frota de ônibus elétricos na cidade até o final do ano que vem.

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Transição na mobilidade urbana

Para Francisco Scroffa, executivo responsável pela Enel X Brasil, eletrificar a frota de ônibus na maior metrópole do Brasil é um passo “fundamental para criar um modelo de cidades mais sustentáveis no país”.

Segundo estimativas da Enel X, a adoção de ônibus elétricos pode gerar economias consideráveis, com redução de pelo menos 50% nos custos de manutenção e 65% nos gastos com combustível, se comparados aos veículos movidos a óleo diesel.

O grupo também calcula que cada ônibus elétrico em operação reduzirá as emissões de CO2 em cerca de 118 toneladas por ano, além de contribuir para a redução da poluição sonora nas áreas urbanas.

A Enel X gerencia mais de 50% das soluções para ônibus elétricos da Colômbia e do Chile, e 20% no México. 

No Brasil, a empresa tenta emplacar a eletrificação em outras cidades, firmando parcerias com governos locais. Curitiba (PR), São José dos Campos (SP), Angra dos Reis (RJ) e Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, já testaram a viabilidade da tecnologia.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

PEC que amplia imunidade tributária a igrejas e sindicatos avança na Câmara, FSP

 João Gabriel

BRASÍLIA

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (19), uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que concede imunidade tributária a uma série de segmentos, dentre eles templos religiosos e partidos políticos.

Também estão no escopo do benefício as entidades sindicais e as instituições de educação ou de assistência social que não tenham fins lucrativos.

Durante a votação, congressistas de esquerda tentaram retirar o tema de pauta ou adiar a deliberação, mas foram derrotados. No fim, dos 40 membros presentes, apenas 3 votaram contra a matéria: Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Patrus Ananias (PT-MG) e Flávio Nogueira (PT-PI).

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara - Vinicius Loures - 16.mai.2023/Câmara dos Deputados

A votação ocorreu enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e integrantes da cúpula da Casa estão nos Estados Unidos para a cúpula da ONU (Organizações das Nações Unidas).

A proposta amplia os benefícios tributários dados a partidos políticos e templos religiosos, que atualmente já são isentos de pagar uma série de impostos, mas relacionados às atividades finalísticas destas entidades.

A proposta amplia isso também para aos serviços prestados, às atividades relacionadas ao crescimento de patrimônio e até a produtos.

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Por exemplo, caso uma entidade deseje construir uma nova igreja, pode ser isenta de pagar IPTU sobre o terreno, mesmo se alugado, e impostos sobre o material de construção, por exemplo, a depender do caso.

Agora, a PEC vai para uma comissão especial que irá debatê-la. Se aprovada novamente, vai ao plenário.

Exame de sangue para diagnóstico de Alzheimer chega ao Brasil, FSP

 


RIBEIRÃO PRETO

O Brasil passa a oferecer nesta semana um exame inédito de sangue capaz de oferecer um diagnóstico de Alzheimer nas fases iniciais. O teste norte-americano PrecivityAD2 detecta proteínas que indicam se há presença de placas amiloides cerebrais, uma característica da doença.

O exame custa cerca de R$ 3.600 e precisa ser solicitado por um médico —o procedimento ainda não é disponibilizado por meio de planos de saúde nem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A testagem é feita no Brasil pela marca Fleury Medicina e Saúde em parceria com a fabricante C2N Diagnostics e não é um exame de triagem, ou seja, não é indicado para check-ups, e sim para pessoas que apresentam quadros de declínio cognitivo.

Cientista analisa exames de paciente com Alzheimer em hospital de Genebra, Suíça - Denis Balibouse/Reuters

As amostras são coletadas e preparadas na central técnica do Fleury e enviadas para análise nos Estados Unidos. O resultado é liberado em cerca de 20 dias.

A marca Fleury deve ofertar o teste em sua rede de forma gradual, começando por São Paulo e expandido para as unidades localizadas no Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal, bem como pelo Atendimento Móvel de São Paulo.

De acordo com nota do laboratório brasileiro, a avaliação ocorre por "espectrometria de massa (EM) de alta resolução e pela dosagem das proteínas que provocam alterações cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer".

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A promessa é de um exame menos complicado e com qualidade, capaz de excluir a doença de Alzheimer diante de "outras causas de comprometimento cognitivo, como depressão, apneia do sono, demência vascular e problemas metabólicos". Também seria uma opção mais segura de diagnóstico que outros testes, por não usar métodos invasivos ou radioativos no paciente.

No caso do mais conhecido deles, o PET-amilóide cerebral, é necessário fazer punção lombar, que é a inserção de uma agulha nas costas do paciente para captação de líquido da medula espinhal. Além disso, os biomarcadores do líquido contém radiação e o exame custa R$ 9.124.

Aurélio Pimenta Dutra, neurologista do Fleury Medicina e Saúde, afirma que os estudos sobre o exame feitos em países como Canadá e Coreia do Sul apontam uma economia importante no processo do Alzheimer. A utilização dos testes em soro, segundo ele, reduz não só o tempo necessário para diagnóstico e tratamento adequado, mas também de investigação e terapêutica, permitindo a seleção de indivíduos que se beneficiarão de um tratamento que modifique a evolução da doença.

Se o PrecivityAD2 apontar resultado positivo para Alzheimer, a indicação é de que se faça a seguir um exame confirmatório com biomarcadores em liquor ou o PET amiloide, uma vez que o novo teste não compõe ainda as formas de diagnóstico aceitas no país. "Considerando os critérios diagnósticos atuais, diante de um quadro clínico de comprometimento cognitivo e um exame em plasma positivo é recomendado confirmar com outro estudo, uma vez que os exames de plasma ainda não estão nos critérios diagnósticos para doença de Alzheimer", reforça Dutra.

A validação clínica do PrecivityAD2 envolveu duas coortes (conjunto de pessoas com características em comum) independentes e avaliou um total de 583 pacientes com comprometimento cognitivo usando PET-amiloide como padrão de referência.

Segundo o estudo da fabricante, o teste alcançou 88% de precisão.

Uma pesquisa independente, feita pela Universidade de Lund, na Suécia, com outras quatro coortes e cerca de mil pacientes, também teria destacado a alta precisão do exame, configurando-o com um marco importante na questão do Alzheimer.

Para o médico Luiz Roberto Ramos, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva e coordenador do Centro de Estudo do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apesar de ainda ter um custo elevado e não estar coberto pelo SUS ou por convênios, o exame é um reforço diagnóstico positivo. "Simplifica sabermos se alguém com déficit cognitivo está acumulando beta amiloide sem precisar do PET, e permite estimar a [proteína] tau", afirma Ramos.

ALZHEIMER NO BRASIL

Cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil vivem com a doença de Alzheimer, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Ainda não há cura, mas o diagnóstico precoce permite tratamento farmacológico e de cognição por terapia individual ou em grupo, reduzindo a velocidade da progressão da doença.

Uma alimentação saudável, tratar comorbidades pré-existentes (como hipertensão e obesidade), praticar atividades físicas e exercícios regularmente também contribuem para o controle da doença.