quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Guerra na Ucrânia: O que o envio de mísseis Patriot pelos EUA pode significar, BBC NEWS FSP

 

Chris Partridge
BBC NEWS BRASIL

Ucrânia receberá o avançado sistema de mísseis de defesa Patriot construído nos Estados Unidos para tentar conter os ataques russos, confirmou a Casa Branca antes da visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a Washington na quarta-feira (21).

Desde o início da guerra, em fevereiro, muitas defesas aéreas ocidentais foram enviadas —desde mísseis portáteis Stinger, lançados a partir do ombro, até sistemas mais avançados guiados por radar e detecção de calor. Todos fornecem um nível abrangente de proteção contra diferentes ameaças.

Os mísseis Patriot são outro passo nesse mesmo caminho —e um que vai desafiar Moscou.

Sistema de mísseis Patriot dos EUA usado em uma missão de treinamento conjunto com Israel em 2018
Sistema de mísseis Patriot dos EUA usado em uma missão de treinamento conjunto com Israel em 2018 - Getty Images

Eles não são uma bala de prata, mas são extremamente eficazes e caros. Um míssil Patriot custa cerca de US$ 3 milhões (R$ 15,6 milhões) —três vezes o custo de um míssil em um NASAMS (sistema avançado de mísseis superfície-ar). Dois desses equipamentos estão em operação na Ucrânia há várias semanas.

A nova bateria de mísseis Patriot "será um recurso crítico para defender o povo ucraniano contra os ataques bárbaros da Rússia à infraestrutura crítica da Ucrânia", disse a Casa Branca em comunicado à imprensa.

Os Patriots foram usados contra os mísseis Scud de fabricação russa no Iraque durante a primeira Guerra do Golfo e têm sido continuamente desenvolvidos desde então pela Raytheon Technologies. Eles vêm em baterias que incluem um centro de comando, uma estação de radar para detectar ameaças e lançadores.

Os alcances do alvo variam entre 40 km e 160 km, dependendo do tipo de míssil usado. E eles são chamados de sistemas de "defesa de ponto": geralmente projetados para defender áreas específicas, como cidades ou infraestruturas importantes —em outras palavras, são ativos valiosos.

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Nenhuma tropa dos Estados Unidos ou da Otan, a aliança militar ocidental, pode operar esses sistemas dentro da Ucrânia, então, como com outras armas ocidentais, as forças ucranianas terão que ser treinadas para usá-los —e esse treinamento ocorrerá fora do país.

Isso já pode estar em andamento, e os militares americanos disseram que expandirão para as forças ucranianas na Alemanha a partir de janeiro.

Moscou chamou qualquer plano de enviar Patriots de uma provocação e uma expansão do envolvimento militar dos Estados Unidos na Ucrânia. A Rússia indicou que os mísseis se tornariam o que chamou de "alvos legítimos" para ataques, algo que já foi dito antes nesta guerra.

É difícil dizer exatamente qual efeito os sistemas Patriot terão. Eles certamente fornecerão uma camada adicional de proteção, mas seu tamanho e custo significam que poucas unidades poderão ser enviadas.

O que está claro é que os envelhecidos sistemas de mísseis terra-ar da Ucrânia, construídos na Rússia, estão sendo gradualmente substituídos por armas mais modernas fornecidas pelo Ocidente, e isso proporcionará conforto para Kiev, mas fará soar um alarme em Moscou.


Celso Rocha de Barros Marina, Simone, Izolda e Nísia, FSP

 Marina Silva, Simone Tebet, Izolda Cela e Nísia Trindade são quatro nomes de peso que aumentariam a representatividade feminina no ministério Lula, trariam bagagem de competência e sinalizariam que a Frente Ampla que o elegeu estará presente no novo governo.

Marina Silva é uma gigante da história política brasileira. Como ministra de Lula, comandou a maior redução de desmatamento da Amazônia da história. Sua indicação para o Ministério do Meio Ambiente teria efeito diplomático imediato, pois seu prestígio internacional é imenso. Sua reconciliação com o PT na campanha de 2022 foi festejada pelos melhores quadros da esquerda. Trabalhou ativamente por Lula na campanha, apesar dos ataques bisonhos que sofreu do PT em 2014.

Lula ao lado de Simone Tebet e Marina Silva
Lula ao lado de Simone Tebet e Marina Silva durante caminhada com o povo em Teófilo Otoni, em Minas Gerais - Ricardo Stuckert - 21.out.2022

Izolda Cela, atual governadora do Ceará, é a principal responsável pelas mudanças da educação cearense que deram aos estudantes do estado notas excelentes nos exames nacionais. Dilma Rousseff tentou generalizar essa experiência para o Brasil todo quando nomeou Cid Gomes ministro da Educação em 2016, mas Eduardo Cunha abortou o experimento. É muito difícil pensar em um bom argumento contra a indicação de Cela.

Simone Tebet foi a grande surpresa da campanha de 2022. Engajou-se na campanha do segundo turno com muito mais entusiasmo, por exemplo, do que o candidato do PDT, historicamente muito mais próximo dos petistas. Arriscou capital político, pois vem de um estado fortemente bolsonarista. Se Tebet não receber um ministério de respeito, a sinalização para potenciais aliados do PT no futuro será muito ruim. Além do mais, Tebet pode atrair quadros técnicos que antes orbitavam no PSDB e a direita fez muito mal em desprezar na era Bolsonaro.

Nísia Trindade é a presidente da Fundação Oswaldo Cruz, um dos berços ideológicos do SUS e instituição importante no combate à pandemia de Covid-19. Sua indicação —que é disputada com o PP de Arthur Lira— daria uma mensagem de clara ruptura com a política de assassinato em massa e negação da ciência promovida por Jair Bolsonaro.

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Petistas importantes ambicionam ganhar esses ministérios no lugar de algumas das mulheres citadas acima. É uma disputa política, não é o fim do mundo, mas aviso os petistas que eles estão correndo dois riscos.

O primeiro é o de dificultar uma federação com a centro-esquerda cuja liderança parece ser o futuro mais provável para o PT após a minirreforma política de 2017. Se o PT não der espaço aos aliados de centro no governo, eles se federarão sob outra liderança.

O segundo é que há alto risco de que tudo que o PT ganhar sacrificando a representatividade feminina e a identidade da Frente Ampla seja depois perdido para o Centrão anabolizado que Bolsonaro deixou de herança para Lula.

Na última semana, afinal, a turma do Lira lhes deu um baile. Conseguiu apoio do partido para um projeto que altera o orçamento secreto, mas ainda preserva muitas de suas características ruins. E conseguiu jogar nas costas de Aloizio Mercadante a mudança da Lei das Estatais que permite a nomeação de políticos. Concordo com o senador Tasso Jereissati: Mercadante não precisava disso e quem precisa não é gente boa.

Vale a pena ao menos começar o governo com a Frente Ampla. Quanto mais o PT puder evitar ficar sozinho com a turma do Lira, eu acho melhor.