terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Com o fim da alucinação bolsonarista, é hora de discutir o poder do Supremo, Joel Pinheiro da Fonseca, FSP

 As duas importantes decisões do Supremo desde domingo mostram que, passado o bolsonarismo, ele continuará dando as cartas da vida pública.

A primeira decisão tirou do Executivo a necessidade de uma PEC para gastar acima do teto para viabilizar o auxílio de R$ 600. Mesmo que tudo dê errado na PEC da Transição, a principal promessa do novo governo será cumprida.

Sessão plenária do Supremo Tribunal Federal - Carlos Moura/SCO/STF

A segunda tirou das mãos do Congresso o principal mecanismo de compra de apoio parlamentar. Um dinheiro alocado sem nenhuma transparência, sem critério técnico, para deputados não assinalados, sem isonomia, apenas para garantir apoio de aliados. Não é coincidência que tenha irrigado a corrupção local por todo o território brasileiro.

São decisões muito diferentes, mas juntas constituem um verdadeiro auxílio emergencial para o novo governo, que estava sendo colocado contra a parede na negociação com o centrão. E ambas sedimentam o Supremo como o grande poder moderador da vida nacional, decidindo potencialmente sobre todos os temas sem possibilidade de recurso ou, até agora, contrapeso. O Supremo chega a 2023 como inquestionavelmente o Poder dominante da República.

O conflito entre os Poderes está dado há anos, com o Judiciário cada vez mais influente. A intrusão do bolsonarismo nesse conflito apenas turvou a questão. Em seus ataques abertos e antidemocráticos ao Supremo, acabou por fortalecê-lo.

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Influenciadores pró-governo que veiculavam mentiras perigosas sobre vacinas no meio de uma pandemia. O próprio presidente da República, que insuflou o discurso de que as eleições de 18 foram —e as de 22 seriam— fraudadas, sempre supostas "provas", essas sim fraudulentas. Políticos aliados incitando à violência.

Se o Supremo não desse um basta aos absurdos que vinham do governo ou de seus aliados, quem daria? O Congresso é que não seria, comprado que estava com o orçamento secreto. O Supremo —e o TSE— usaram sim poderes de maneiras inéditas, mas se tratava da defesa mais básica da democracia, da ordem social e mesmo dos direitos humanos.

Bolsonaro entrega o Executivo enfraquecido também em relação ao Congresso: as emendas impositivas deram na mão dos parlamentares o poder sobre recursos que antes dependiam da vontade do Executivo.

É fácil demonizar o "ativismo" do Supremo. Mas se não fosse por ele, estaríamos até hoje negando aos homossexuais o direito a se casarem. Influenciadores extremistas estariam formando milícias armadas em Brasília, a ameaça à vida de ministros e políticos correria livremente, e o respeito às urnas estaria em xeque.

De uma forma ou de outra, voltamos ao Congresso. Aquele que deveria ser o grande representante do povo em sua diversidade e local da discussão da coisa pública, com base em propostas, é um antro de fisiologismo e interesses privados, quando não de fanatismo violento. É tentador para o governo poder evitar a negociação com esse Congresso e ter no Supremo um aliado para decidir em seu favor. Mas essa facilidade custará caro ao país.

Interromper a hipertrofia do Judiciário, porém, exigirá inteligência e diálogo democrático, não mobilização de fanáticos com discursos alucinados.

Os ataques infundados do governo às urnas e suas ameaças quanto a pleitos futuros mataram qualquer discussão racional sobre formas de melhorar o sistema. Da mesma maneira, os ataques tresloucados ao Supremo —alimentando inclusive os pedidos de intervenção militar que se tornaram comuns— apenas serviram para legitimar a extensão de seus poderes.


Haddad escolhe presidente da SP Parcerias para equipe do Ministério da Fazenda, FSP

 Guilherme Seto

SÃO PAULO

O auditor de carreira Rogério Ceron, que atualmente é diretor-presidente da SP Parcerias, órgão vinculado à prefeitura e que desenvolve projetos de concessão, privatização e PPPs (parcerias público-privadas), aceitou o convite de Fernando Haddad (PT) e fará parte da equipe do Ministério da Fazenda.

Como adiantou o Painel, o futuro ministro tem procurado quadros que trabalharam com ele na Prefeitura de São Paulo para ajudar em sua gestão e Ceron, que foi secretário de Finanças na administração petista, era um dos alvos.

Nesta segunda-feira (19), Ceron avisou a gestão Ricardo Nunes (MDB) de que foi chamado pelo ministro e que decidiu aceitar o convite. Ele não informou a posição que ocupará, e a prefeitura decidiu liberá-lo. O ex-secretário da Fazenda Guilherme Bueno de Camargo deve assumir o comando da SP Parcerias.

Haddad anunciou nesta segunda a subprocuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, para o comando da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional).

Rogério Ceron, ex-secretário de Finanças e presidente da SP Parcerias
Rogério Ceron, ex-secretário de Finanças e presidente da SP Parcerias - Divulgação-5.out.2016/Prefeitura de SP