sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Palmeiras vende joia de 16 anos ao Real Madrid por € 72M, The News

 

(Imagem: ge | Reprodução) 

Mais um indo pra Europa. Ontem, o Palmeiras oficializou a venda do Endrick, jogador de 16 anos, para o Real Madrid por 72 milhões de euros — quase 410 milhões de reais.

Tirando os tributos, o valor deve ficar em € 60M, sendo € 35M fixos e outros € 25M por metas — que são bem atingíveis.

Com esses valores, Endrick vira a segunda maior venda da história do futebol brasileiro, só atrás da ida de Neymar ao Barcelona. As top #5 maiores vendas:

  1. Neymar | € 88M | Santos — Barcelona | 2013
  2. Endrick | € 72M | Palmeiras — Real Madrid | 2022
  3. Rodrygo | € 45M | Santos — Real Madrid | 2017
  4. Vinícius Jr. | € 45M | Flamengo — Real Madrid | 2018
  5. Lucas Moura | € 43M | São Paulo — PSG | 2012

da negociação já ter sido concretizada, o menino continua jogando pelo Palmeiras até o meio de 2024, quando completa 18 anos.

PS: vivendo um sonho. Em um vídeo de 2017, no auge dos seus 11 anos, Endrick fala da sua meta de ir jogar no Real Madrid. Clique pra ver.


Ruy Castro - Só e mal-acompanhado, FSP

 Os grandes líderes sempre deixaram grandes frases para seus povos. Winston Churchill, primeiro-ministro inglês na Segunda Guerra: "Só posso prometer-lhes sangue, trabalho, lágrimas e suor." Getulio Vargas, pouco antes do tiro no peito: "Deixo a vida para entrar na história." Juscelino: "Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro." John Kennedy, presidente dos EUA: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por ele." E De Gaulle, premiê francês: "Como se pode governar um país que tem 246 espécies de queijo?". Já Jair Bolsonaro será lembrado por seus bordões: "Chega, porra! Acabou! Ponto final! Caso encerrado! Cala a boca!".

O homem que levou quatro anos fazendo-se de Super-Homem em comícios, discursos e lives para sua turma revelou-se um covarde. Vê-se agora que sua estupidez, empáfia e autossuficiência, todas cavalares, emanavam apenas da faixa presidencial. Sem esta, é como se estivesse de cueca.

Derrotado na eleição e em breve despojado da imunidade que o cargo lhe garantia, Bolsonaro terá de explicar-se nos tribunais pelos crimes que cometeu. Sabendo disso, deixa-se ficar debaixo da cama no Alvorada, mudo, assustado e chorando, abandonado até pelos que ele favoreceu, subornou ou corrompeu.

Bolsonaro já foi cancelado pelo centrão, ao qual repassou bilhões. Políticos que ele considerava fiéis estão se pondo na órbita de Lula, um deles Ratinho Jr., governador do Paraná. Líderes religiosos subitamente sem acesso a barras de ouro começam a apagá-lo de suas orações. Canais de TV até há pouco a seu soldo demitem os profissionais identificados com ele. E imagino sua ira ao ver, em ágapes recentes em Brasília, seu juiz de estimação Kassio Nunes Marques abraçado festivamente a seu arqui-inimigo ministro Alexandre de Moraes e ao próprio Lula.

Bolsonaro está só e, ao mesmo tempo, mal-acompanhado.

Hélio Schwartsman - Zebrofilia, FSP

 A melhor fase da Copa, a da profusão de jogos que frequentemente opõem seleções campeãs às de países fora do mapa futebolístico, acabou. Não teremos mais muitas oportunidades de ver uma Arábia Saudita derrotando a Argentina, entre outras zebras. O fenômeno interessante a analisar aqui é por que, quando o escrete de nossa preferência não joga, invariavelmente nos pegamos torcendo pelo selecionado mais fraco.

A ilustração de Annette Schwartsman, publicada na Folha de São Paulo no dia 6 de novembro de 2022, mostra, sob o céu azul, uma equipe de canoagem formada por quatro remadores de diferentes etnias que deslizam sobre uma lagoa azul esverdeada, cercada por montanhas verdes. Os quatro homens alternam os lados em que mantêm seus remos; primeiro e o terceiro, do lado direito, enquanto o segundo e quarto, do esquerdo. Todos vestem uniformes pretos: calção e camiseta regata. A canoa é vermelha e os remos são cinzas.
Annette Schwartsman /Folhapress

Há precedentes bíblicos para a predileção. Pensem em Davi e Golias. E há evidências empíricas de que essa preferência se manifesta em campos tão distintos como negócios, política, artes e, é claro, esportes. A coisa é tão saliente que podemos classificá-la como um viés cognitivo. Em inglês, ele leva o nome de "underdog effect" (efeito azarão ou efeito zebra).

Num experimento dos anos 90, J. Frazier e E. Snyder, mostraram que 80% dos estudantes testados preferiam, entre dois times hipotéticos, torcer pelo que tinha menos chance de conquistar o campeonato. Mas, quando informados de que o azarão vencera as primeiras três partidas de uma melhor de sete, metade deles virou casaca e passou a apoiar o favorito.

Há várias explicações para o fenômeno. Por uma delas, temos prazer intrínseco no "Schadenfreude", a alegria em ver terceiros, em especial os poderosos, quebrando a cara. Um outro viés, a falácia do mundo justo (a ideia de que o Universo busca sempre o equilíbrio), complementa essa explicação. Numa linha mais individualista, pode-se dizer que, quando não temos um claro envolvimento emocional, procuramos maximizar nosso prazer. E resultados inesperados tendem a ser mais hedônicos do que os já precificados.
Basicamente, adoramos ser surpreendidos por narrativas em que o mais fraco vence o mais forte. Isso, é claro, desde que não tenhamos envolvimento direto. Se tivermos, vale o meu pirão primeiro.

PS – Dou dez dias de férias ao leitor.

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