sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Geração 'amaldiçoada' de Neymar segue de mãos vazias, FSP

 


Jean DecotteRodrigo Almonacid
DOHA (QATAR) | AFP

A sexta estrela tornou-se inatingível. O Brasil caiu para a Croácia nesta sexta-feira (9) nos pênaltis nas quartas de final da Copa do Mundo do Qatar, encerrando o ciclo de Tite e dando um golpe na geração de Neymar, que não tem conseguido se aproximar de seus ilustres antecessores.

A seleção chegou ao Qatar com todos os ventos a seu favor para pôr fim a vinte anos sem conquistar o maior troféu do futebol: uma defesa sólida, um ataque devastador com um Ney em grande forma e um treinador de pergaminho respeitado pelo grupo.

O bom início do time no torneio despertou esperança, mas também marcou o início de uma tendência negativa que afetou peças-chave: Neymar e o lateral Danilo, principal titular de Tite, machucaram os tornozelos e só voltaram até o jogo contra a Coreia do Sul, nas oitavas.

Neymar chora abraçado a Raphinha após a eliminação brasileira na disputa de pênaltis das quartas de final da Copa
Neymar chora abraçado a Raphinha após a eliminação brasileira na disputa de pênaltis das quartas de final da Copa - Hannah Mckay/Reuters

Eles foram seguidos pelos laterais esquerdos Alex Sandro e Alex Telles e pelo atacante Gabriel Jesus. Os dois últimos saíram permanentemente.

Para aumentar a dor, ao cair nas quartas de final contra a Croácia, a equipe de Neymar não conseguiu superar o desempenho na Rússia-2018. E sua melhor atuação nos últimos tempos, a semifinal de 2014 em casa, foi marcada pela humilhação diante da campeã Alemanha (7 a 1).

CARREGAR O PESO

Tantos anos de seca para um time que só aceita a vitória acumularam expectativas imensas nos ombros de alguns jogadores que brilham na Europa, mas que há um ano e meio já haviam recebido um golpe: a derrota na final da Copa América contra a Argentina (1 a 0) de Lionel Messi, nada menos que no Maracanã.

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O tricampeão mundial, Pelé, juntou-se ao coro que reivindicava o título no país árabe: "Traga o troféu para casa!", falou o ex-atacante antes da estreia.

Nos treinos em Doha, percebeu-se o espírito e a comunhão em torno da conquista do hexa. A "garotada" e os jogadores mais experientes desmancharam-se em abraços e gargalhadas perante os olhos dos jornalistas.

O troféu da Copa do Mundo foi a imagem preferida no papel de parede de alguns celulares, inclusive Ney. A decoração do local de treinamento lembrava as conquistas de Pelé (1958, 1962, 1970), Romário (1994) ou Ronaldo (2002).

"Carregamos esse peso como todos os brasileiros", disse o lateral Raphinha antes da estreia. "Desde 2006 todo mundo quer que o Brasil ganhe a sexta estrela."

Mas a nomeação agora foi adiada para 2026, quando Estados Unidos, México e Canadá sediarão o torneio.

A essa altura, pelo menos no papel, os jogadores Thiago Silva (38 anos) e Dani Alves (39) não estarão mais por lá, e a sombra paira sobre Neymar, que em outubro passado garantiu que o Qatar seria seu último Mundial.

"Não sei se tenho força mental para continuar jogando futebol", disse ele em um documentário.

Ney ainda pode mudar de ideia, especialmente porque ele tem apenas 30 anos e tem um longo contrato com o Paris Saint-Germain. Mas o fracasso nas três Copas pode acabar prevalecendo: humilhado em 2014, decepcionado em 2018 e surpreendido em 2022.

O craque corre o risco de encerrar a carreira com apenas as conquistas da Copa das Confederações (2013) e do ouro olímpico (2016) em seu recorde internacional, desde que se machucou em 2019, quando o Brasil de Tite conquistou a Copa América.

O SANGUE FRESCO

A relação com a Canarinha (77 gols em 124 jogos) foi alterada pelas inúmeras lesões e polêmicas dentro e fora de campo, que dificultavam a aproximação de muitos brasileiros à sua figura.

A curto prazo, se continuar na seleção, tem o bálsamo de ter igualado Pelé (77 gols) e poder superá-lo como artilheiro da história do Brasil.

Mas o saldo negativo não oscila apenas para o lado do camisa 10. Ele também aponta para o técnico Tite, de 61 anos, que anunciou antes do torneio que deixaria o cargo após a Copa do Mundo.

"Sei que o futebol é feito de ciclos e tive uma oportunidade única de me encontrar nessa posição", disse o técnico há alguns meses, no comando desde junho de 2016 após a demissão de Dunga.

Adenor Leonardo Bachi, apelidado de Tite, soube endireitar a seleção, que classificou com facilidade por dois Mundiais consecutivos e levou ao título sul-americano em 2019.

Mas o treinador foi regularmente criticado por seu jogo, às vezes considerado defensivo, por um torcedor cujo paladar ainda saboreia o futebol deslumbrante de lendas como Pelé, Ronaldo e Ronaldinho.

Com sua reserva inesgotável de talentos, como os jovens Vinicius Jr, Rodrygo, Antony ou Gabriel Martinelli, os pentacampeões poderão se reinventar, independentemente do novo técnico.

A pressão para voltar a vencer, porém, será mais sufocante.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

ChatGPT. A tecnologia que conquistou 1 milhão de utilizadores em 5 dias

 Filmes de ficção científica têm sido pródigos em fazer-nos sonhar com algumas das aplicações da inteligência artificial e temer as suas consequências naquilo que é a nossa organização enquanto sociedade. Nos últimos anos, as grandes tecnológicas têm cada vez mais recorrido a modelos de inteligência artificial no desenvolvimento dos seus produtos e plataformas, mas agora tecnologia parece estar a dar os primeiros passos rumo ao mainstream e não envolvem necessariamente ter uma Alexa em casa.

OpenAI é uma empresa tecnológica focada em desenvolver inteligência artificial de uma forma segura e benéfica para a sociedade. Foi fundada em 2015 por Sam Altman (ex-Presidente da Y Combinator e CEO) e Elon Musk (ele está de facto em todo o lado), com o objetivo de desenvolver IA amigável que trabalhasse juntamente com os humanos. A OpenAI faz investigação de uma forma transparente e colaborativa e fez avanços significativos em áreas como natural language processing (NLP) e reinforcement learning. A OpenAI também trabalha com parceiros de diversas indústrias e desenvolve os seus produtos comerciais como o GPT3 language model. Que conceitos são estes e como estão a disromper a indústria?

  • O processamento natural de linguagem: É uma área da inteligência artificial que se foca na interação entre humanos e computadores usando linguagem natural. Inclui o desenvolvimento de algoritmos e sistemas que conseguem entender, gerar e manipular a linguagem humana, podendo realizar tarefas como a tradução, o resumo de ideias e a resposta a questões. Está na base dos assistentes virtuais, dos chatbots e dos motores de pesquisa e a OpenAI é líder nesta área com a GPT3, o modelo de linguagem (com diferentes versões) que desenvolveu e que está na base das aplicações que realizam estas tarefas.
  • O reinforcement learning: É um algortimo de machine learningque se foca em treinar agentes a tomar decisões em ambientes complexos e dinâmicos. Funciona numa base de tentativa/erro na qual o agente vai aprendendo sucessivamente com o que correu bem e o que correu mal em cada uma das simulações, bastante útil no desenvolvimento de robôs ou de videojogos.

IA a uma frase de distância

Na semana passada, a OpenAI lançou o ChatGPT, um modelo inovador que nos permite interagir com inteligência artificial através de uma conversa em que esta consegue responder a questões de “follow-up”, admitir erros, questionar premissas erradas e recusar questões inapropriadas.

Porque o seu tempo é precioso.

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Já estive algum tempo a brincar com a plataforma (experimente aqui) e é incrível o número de coisas que permite fazer desde:

  • Escrever guiões (nem sempre bons) para comédias românticas com atores específicos
  • Delinear tópicos essenciais para um texto (utilizei para este)
  • Pedir correções em códigos de programação
  • Pedir ideias para jogos mobile
  • E fazer pedidos nas mais diversas línguas (umas de formas mais eficaz que outras)

Esta foi uma das minhas interações:

E dá, certamente, para muitas mais coisas. Contudo, não é tudo um mar de rosas e muitas das respostas dadas pelo Chat estão só parcialmente corretas devido aos desafios naturais envolvidos numa solução de inteligência artificial.

  • Um deles está associado à forma como o algoritmo é treinado: como não há uma fonte unilateral de verdade, o ChatGPT pode dar respostas a factos históricos, por exemplo, que misturam as informações de diferentes origens, umas mais fidedignas que outras. Outro problema associado pode ser a diferença entre aquilo que o utilizador sabe vs aquilo que o algoritmo sabe: no seu treino pode ter havido parcelas de informação não utilizadas que o levam a fazer inferências erradas sobre alguns acontecimentos.
  • Às vezes é necessário fazer várias iterações do mesmo pedido até que o Chat consiga dar a resposta que procuramos: isto está associado à forma como foi mais treinado com certas palavras em vez de outras. Associado a isto está também problemas de ambiguidade, isto é, quando o utilizador faz pedidos pouco explícitos, idealmente, o algoritmo pediria esclarecimentos, mas, por agora, tenta automaticamente entender o que o utilizador pretende mesmo que seja de forma errada.
  • A prevenção de pedidos mais inapropriados ainda não é 100% eficaz: se perguntarmos diretamente ao Chat qual é o homicídio perfeito, ele vai recusar-se a responder, no entanto, se colocarmos a mesma pergunta no contexto de uma personagem numa história, o algoritmo já é capaz de responder. É o problema de contexto que ainda é apontado à grande maioria destes sistemas.

Apesar de tudo, estar na plataforma não deixou de ser uma experiência recompensadora que sinto que só ficou pela superfície. De acordo com Sam Altman, em poucos dias, já mais de 1 milhão de utilizadores estiveram a interagir com o ChatGPT e a partilha de user cases no Twitter tem sido um dos principais tópicos. A rápida popularidade popularidade impressiona quando a comparamos com o tempo que algumas das principais plataformas demoram a atingir o mesmo número de utilizadores:

  • Netflix: 41 meses
  • Twitter: 24 meses
  • Facebook: 10 meses
  • Instagram: 2.5 meses

Ainda há um longo caminho por percorrer, mas a primeira utilização com uma tecnologia deste gé

Doar órgãos pode diminuir tempo de prisão?, The News

 No final da última semana, o senador Stylvenson Valentim apresentou um projeto de lei que acrescentaria a doação de órgãos às atividades que podem reduzir tempo de pena na prisão.

A medida não valeria para crimes hediondos — os crimes muito violentos — e o preso já deverá ter cumprido 20% da pena. O benefício dado seria cumprir até 50% do total da pena em regime aberto.

A relevância

De um lado: Apesar de ser o segundo país que mais faz transplante — só em 2021, foram +23 mil — ainda há mais de 59 mil pessoas na fila para receber um órgão.

Do outro: O país tem um déficit de 212 mil vagas no sistema prisional, com quase 700 mil detentos para cerca de 470 mil vagas disponíveis.

Na prática, inserir atividades para estimular os detentos a diminuírem suas penas pode trazer um benefício duplo. Em contrapartida, há quem diga que o condenado acaba não cumprindo a pena que o foi destinada pelo crime que cometeu.

Atualmente, as atividades que um detento pode praticar para reduzir sua pena são estudar (12h = -1 dia preso) ou trabalhar (3 dias = -1 dia preso). 

PS: Essa não é a primeira vez que um projeto desse tipo aparece no Congresso — tem um de 2010. Inclusive, em 2018, foi um parlamentar que estava preso quem propôs algo semelhante. Em nenhuma dessas, a proposta avançou.