terça-feira, 31 de maio de 2022

Carne vegetal e o futuro do agro, Ronaldo Lemos, FSP

 Se existe uma área em que o Brasil é claramente competitivo globalmente é o agronegócio. No entanto, seria irresponsável acreditar que o sucesso econômico atual do agro brasileiro vai durar para sempre. Mudanças geopolíticas, tecnológicas, de inovação e preferência do consumidor ameaçam a aposta que o Brasil faz no setor.

Primeiro, vale lembrar que o sucesso do agro acontece em correlação direta com a ascensão econômica da China. Em 1980 a China importava 16,4% da soja que consumia. Em 2020 esse volume chegou a 84,1% de acordo com dados da FAO. Não é pouca coisa. A China precisa alimentar hoje 18% da população mundial, mas possui apenas 6,5% das terras aráveis. O Brasil aproveitou essa oportunidade para se estabelecer como fornecedor, aplacando parte dessa demanda.

Hambúrgueres a base de planta em fábrica de São Paulo - Gabriel Cabral - 7.jul.2021/Folhapress

No entanto, desde 2021 o tema da independência alimentar vem crescendo rapidamente na China. Nesse sentido, o plano quinquenal lançado em 2021 é leitura obrigatória para todo o setor de agro brasileiro.

O plano coloca em prática quatro estratégias essenciais. A primeira é preservar as terras aráveis e aumentar a produção local de grãos. A segunda é investir fortemente em ciência e tecnologia agrícola e em agricultura "smart". A terceira é maior controle e investimento em sementes e variedades de plantas. A quarta é promover a diversificação de fontes de importação, evitando a dependência de qualquer país. Não por acaso o presidente Chinês fez diversas afirmações em 2021 no sentido de reduzir qualquer tipo de dependência, por exemplo, afirmando que "nunca podemos permitir que outros controlem nossa capacidade de alimentação, que é uma questão básica de sobrevivência".

Além disso, afirmou que a China precisa "obter calorias e proteínas a partir de plantas". Essa frase sinaliza em direção ao mercado crescente de proteínas vegetais e de "carne" feita a partir de plantas.

A projeção do Good Food Institute (GFI) é de que a demanda por proteína de plantas será crescente ao longo da década, chegando anualmente à necessidade de produzir 30 milhões de toneladas métricas até 2030. De acordo com o mesmo instituto, esse setor hoje tem mais demanda do que a oferta é capaz de suprir.

Olhando para os preços, é uma área em que a China poderá ser competitiva. Um quilo de concentrado proteico feito a partir de plantas custa hoje naquele país de US$ 2,5 a US$ 5,5 (pureza menor de 90%). Já no Canadá, um quilo do mesmo produto custa cerca de US$ 15, dando sinais de inversão de competitividade em favor da China quando se trata de proteína vegetal.

Um dos problemas é que esse mercado de proteína vegetal é altamente incerto do ponto de vista de padronização. Falta ainda uma definição clara do que vem a ser "carne de planta" e diretrizes para rótulos e publicidade. No entanto, olhando para a quantidade de capital de risco ingressando nesse setor (US$ 3,1 bilhões, ou R$ 15,8 bilhões, só em 2020) é de se esperar um crescimento contínuo. O Brasil tem de ficar de olho.

P.S. Agradeço aos alunos do Schwarzman College, Muhammad Sidiqui, Petrie, Chatha, Han e Hu pela excelente pesquisa.


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Já é A febre do Beach Tennis, que vem tirando espaço de outros esportes

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Despedida da Folha de Marcia Dessen

 Tenho o hábito de agradecer antes de pedir, agradecer pelas graças alcançadas e pelas que espero alcançar.

Assim, começo pelos agradecimentos. À Folha, que me proporcionou este espaço tão valioso para ajudar as pessoas a encontrar um propósito para cuidar das finanças e entender a importância do planejamento financeiro em suas vidas.

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Aos leitores, que me incentivaram e inspiraram muitas das histórias que contei, deixando claro que as pessoas importam e estão em primeiro lugar. As finanças e, por fim, os produtos e serviços financeiros que nos ajudam a resolver e a evitar problemas completam o elenco.

Sim, é uma despedida, hoje deixo a coluna da Folha, não sem antes compartilhar com vocês uma última história que me emocionou e me incentiva a continuar fazendo o que eu faço.

Moedas - Gabriel Cabral - 24.jan.2019/Folhapress

Caio e Telma, 51, casados há 16 anos, pais de Estela, 14, e Bento, 11. Ambos são médicos e construíram o patrimônio da família trabalhando muito, sempre no setor privado de saúde, sem vínculo empregatício no setor público.

Inesperadamente, Telma teve um AVC, chegou a ser levada ao hospital, mas morreu no mesmo dia do acidente vascular cerebral.

Caio, de repente, foi forçado a assumir o controle e a se responsabilizar por todas as despesas do orçamento familiar, antes compartidas com a esposa. Muito além dos números, se preocupa também em dar o suporte emocional de que os filhos precisam diante da perda prematura da mãe.

Caio e Telma se entendiam bem, não tinham dívidas e se responsabilizavam, ambos, pela gestão do orçamento familiar. Mantinham contas bancárias separadas. Ele não tem acesso às senhas da conta da esposa, estima mas não sabe ao certo o valor dos investimentos em nome dela e só saberá ao término do inventário, que será via judicial, modalidade obrigatória quando há herdeiros menores, como nesse caso.

A renda familiar, até então proveniente de duas fontes, passará a ser proveniente exclusivamente da renda de Caio. O controle dos gastos precisa ser aprimorado, o orçamento familiar é elevado, e sua maior preocupação é a de ser capaz de prover a educação dos filhos até que conquistem sua independência financeira.

De onde virá o dinheiro para substituir a renda antes proveniente do trabalho de Telma? Será que o casal foi previdente e buscou uma forma de proteção contra o risco da morte prematura de um ou de ambos os provedores da família com dois filhos menores para criar e educar?

Sim, felizmente, graças à leitura frequente desta coluna, há cerca de quatro anos procuraram uma planejadora financeira certificada para um planejamento financeiro que, entre outras providências, incluía a recomendação da compra de um seguro de vida com cobertura suficiente para prover a educação dos filhos. Bendito seguro!

Caio está agora analisando as alternativas para investir adequadamente os recursos que receberá da seguradora, com o objetivo de garantir o custeio dos estudos dos filhos até que estejam preparados para ingressar no mercado de trabalho.

A experiência gratificante de ter dado o apoio que ele precisava para tomar decisões importantes nesse momento de vida tão delicado só fortalece minha decisão de continuar fazendo o que faço, usando a voz e as letras para simplificar o que é complicado e compartilhar meu conhecimento e minha experiencia com as pessoas que precisam de orientação.

A gente se vê por aí. Forte abraço a todos vocês.

marcia.dessen@gmail.com


Elize Matsunaga, condenada por matar o marido, ganha liberdade condicional e deixa a prisão, OESP

 SÃO PAULO – A Justiça concedeu na tarde desta segunda-feira, 30, liberdade condicional a Elize Matsunaga, condenada a 16 anos de prisão por matar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga. O caso ocorreu em 2012 e o julgamento, em 2016. Elize ainda deixou a Penitenciária Feminina de Tremembé, no interior de São Paulo, nesta segunda.

Elize Matsunaga
Elize Matsunaga durante o julgamento em dezembro de 2016 Foto: Werther Santana/Estadão

Advogada de Elize, Juliana Fincatti Moreira Santoro disse que a notícia foi recebida com surpresa. "A gente está satisfeito porque a decisão finalmente saiu, mas não sabíamos exatamente quando isso aconteceria", afirmou ao Estadão.

Segundo ela, Elize ainda não deixou a Penitenciária Feminina de Tremembé, mas a expectativa é que irá sair ainda hoje. "Falta só resolver alguns trâmites para a liberação", explicou. Por questão de segurança, não foi divulgado o local para onde ela será levada.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirmou que, após decisão judicial, a direção da Penitenciária Feminina "Santa Maria Eufrásia Pelletier" de Tremembé deu cumprimento às 17h35 desta segunda ao alvará de soltura em favor de Elize Matsunaga, em virtude de livramento condicional.

Relembre a condenação de Elize

Em dezembro de 2016, Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos e 11 meses de prisão em regime fechado por ter matado e esquartejado o marido, em 2012. O crime aconteceu no apartamento do casal, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Após ser baleado na cabeça, o executivo teve o corpo cortado em sete partes, jogadas à beira de uma estrada em Cotia, na Grande São Paulo.

Ré confessa, Elize foi presa semanas após cometer o assassinato. A pena máxima prevista para os crimes cometidos por ela era de 33 anos de reclusão, mas o Conselho de Sentença eliminou duas das três qualificadoras no homicídio. Apesar de comemorar o entendimento dos jurados, a defesa de Elize recorreu.

A pena, então, foi recalculada para 18 anos e nove meses, em razão do tempo de Elize na prisão e trabalhos realizados na penitenciária. Depois, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu para 16 anos e três meses.