quinta-feira, 26 de maio de 2022

O CAMINHO DA PROSPERIDADE, 26 de março de 2019 no Instituto Millenium

 Dada a centralidade do tema e a retomada das atividades após o feriado de Carnaval, este é um bom momento para rememorarmos e renovarmos os princípios que nortearão a política econômica da corrente administração, bem como definirmos as suas prioridades e esboçarmos aquele que será o seu legado na área.

Nos primeiros 3/4 do século XX, o Brasil foi um dos países que mais cresceu no mundo. Dos anos 80 para cá, no entanto, o crescimento brasileiro foi pífio. A figura do nosso fracasso é patente quando se analisa a evolução da produtividade. Em 1985, um trabalhador brasileiro produzia o equivalente a 30% do seu par americano, e mais ou menos o mesmo que um trabalhador coreano.

Em 2015, o trabalhador brasileiro produzia apenas cerca de 25% do resultado de um trabalhador americano. Ilustrativamente, o trabalhador coreano progrediu e passou a gerar perto de 60% do resultado de um americano. Em graus variados, uma coleção extensa de países emergiram e convergiram nas últimas décadas, como Coréia, Chile e, mais recentemente, China e Índia. Em poucas palavras, ficamos para trás. O fato é que enquanto o mundo se aproximou do que há de melhor, da chamada fronteira tecnológica, nós nos afastamos dela.

Outro prisma desse fracasso trilhado é o nosso incessante desajuste fiscal. Nos últimos trinta anos, a carga tributária subiu de 24% para cerca de 32% do PIB. Adicionando-se os déficits escabrosos, chegamos a um grau asfixiante de intervenção estatal na vida do país. A verdade é que ignoramos as prescrições certeiras feitas por economistas como Paulo Guedes e Thomas Sargent, este último posteriormente agraciado com um prêmio Nobel, e nos prendemos à armadilha social-democrata por mais de três décadas.

Conscientemente ou não, optamos por uma vereda de substancial aumento da carga tributária e de baixo crescimento. Logramos diminuir a inflação de preços para um nível tolerável, com um equilíbrio fiscal muito duvidoso, erigido sobre uma expressiva elevação da tributação. Esgotamos o processo de permanente crescimento da arrecadação. Chegou a hora de finalmente endereçarmos os gastos públicos e promovermos as reformas que implicarão em elevação contínua e pronunciada do crescimento econômico.

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Recentemente, o Presidente da República entregou nas mãos do Congresso Nacional o primeiro e principal passo neste sentido. Trata-se da Nova Previdência, cujo impacto fiscal nos próximos dez anos será superior a um trilhão de reais. O conjunto de medidas propostas, ao atacar os enormes e crescentes déficits previdenciários, garantirá a sustentabilidade do sistema.

Dito isso, a Nova Previdência não é somente o principal mecanismo de sustentação das contas públicas. A proposta também traz um sistema mais justo e igualitário que o atual, onde os mais ricos passarão a se aposentar na idade em que os mais pobres o fazem. Como exemplo, hoje, 95% dos que se aposentam por idade ganham menos de 2 salários mínimos. Outra característica fundamental da Nova Previdência é que quem ganha menos, pagará menos. Qual seja, a progressividade das alíquotas foi calculada de maneira que os mais pobres contribuirão com menos do que fazem hoje em dia. Mantendo o compromisso de campanha de sempre governar pensando nas futuras gerações, incorporamos, também, a opção pela capitalização, que será posteriormente detalhada em lei complementar. Em suma, a proposta de Nova Previdência é moderna e fraterna. Conjuga a substancial e necessária economia fiscal, com o amparo aos que mais necessitam, separando Previdência de assistência, ao mesmo tempo em que combate privilégios e fraudes.

Com a evolução na tramitação da Nova Previdência, novas frentes florescerão. Uma delas é o programa de privatizações, que possui objetivos claros: a diminuição da dívida pública e o decorrente aumento da produtividade.

Os dados disponíveis acerca do custo relacionado ao pagamento de impostos no Brasil são perturbadores. Nos estudos internacionais mais reconhecidos, o Brasil aparece vergonhosa e repetidamente como aquele no qual mais recursos são gastos para se cumprir obrigações tributárias. Com o intuito de auxiliar aqueles que querem empreender, investir e gerar empregos, avançaremos fortemente na simplificação tributária.

Diversas medidas expõem o Brasil como um país excessivamente fechado. De maneira estudada e paulatina, inseriremos o país no comércio internacional, destarte colhendo os múltiplos benefícios advindos da maior atuação global.

Mais Brasil, Menos Brasília! Este profundo e sintético lema remete a um fundamento no qual acreditamos intensamente. A descentralização do poder avançará, com o intuito de resgatar a verdadeira noção de federação. Os recursos devem seguir para os estados e municípios, que é onde o cidadão de fato vive. Um novo pacto federativo, que desconcentre poderes, deve ser conjugado com aumento na flexibilidade orçamentária, movimento que teria a capacidade de reidratar a nossa classe política. De fato, diversas lideranças políticas já mostraram interesse neste tema.

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Em suma, é evidente que a agenda listada acima é extensa e desafiadora. Desamarrar o país da armadilha social-democrata instalada nas últimas décadas não é uma proposição trivial. Especialmente após o colossal desastre econômico provocado pelos governos petistas, onde o cume dos desatinos de política pública foi atingido, lançando milhões de brasileiros na angústia do desemprego. Estamos convictos de que podemos e iremos reverter o rumo do país, ensejando um ciclo virtuoso de menor endividamento, mais investimentos, crescimento acentuado e muitos empregos. Logrando, assim, o legado econômico da administração Bolsonaro: o Brasil avançado no caminho da prosperidade.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Sérgio Rodrigues - Entrevista com o general do povo, FSP

 


Num desses cruzamentos virtuais em que a literatura e a realidade se espelham e se desafiam, calhou de eu estar esta semana conversando com um dos maiores militares progressistas da história do Brasil, o general Patrício Macário.

Esta semana, bem entendido: aquela em que um grupo de militares liderado pelo general Villas Bôas —aquele que intimidou o STF em 2018 pelo Twitter— divulgou "em um ambiente eivado de patriotismo" (sic) seu "projeto de nação".

Macário é um outro tipo de milico. Inimigo mortal de todos os valores antipovo que o bolsonarismo transformou em bandeiras, só chegou ao topo da carreira na reforma.

General Villas Bôas discursa no Senado
Um grupo de militares liderado pelo general Villas Bôas divulgou "em um ambiente eivado de patriotismo" (sic) seu "projeto de nação" - Jefferson Rudy - 15.jun.16/Agência Senado

Herói de guerra na juventude, tipo por todos como destinado a um futuro brilhante, acabou prejudicado por sua consciência histórica e sua retidão, sofrendo por "testemunhar covardia, duplicidade, corrupção e venalidade impunes, recompensadas mesmo, assistir às dificuldades dos bons e às vitórias dos maus".

Macário se notabilizou como um crítico feroz da atuação do Exército como "instrumento repressor" do próprio povo, empregado para "garantir o poder de facções políticas que não passavam de aparências diversas da mesma coisa, em seus jogos de confronto e equilíbrio".

E que coisa seria essa, sob a ilusão das aparências diversas? O pequeno conjunto dos donos do poder, uma elite que despreza o próprio país. Dirigindo-se a eles, o velho general se exalta: "Pilhadores, piratas, saqueadores, encaram esta terra como uma coisa que não tem nada a ver com vocês, não querem dar nada, só querem tirar!".

Pois é, Patrício Macário é um general peculiar. Para ele a ética militar, com seus esteios de honra, bravura e disciplina, só se justifica quando empregada em favor dos "brasileiros pobres, mantidos na miséria e na vida servil, brasileiros tornados estrangeiros para os que, nas cidades, bradavam pelo seu extermínio e os odiavam e temiam como se odeia e teme o diabo".

A princípio, ouvindo Macário falar, a gente tende a achar que ele se refere aos indígenas assassinados por garimpeiros ilegais sob a omissão incentivadora do Estado. Ou aos moradores de favelas chacinados pela Polícia Militar a mando do Estado. Ou a qualquer dessas notícias rotineiras num país primitivo que envergonha profundamente todos os que aqui nasceram.

Sim, o general fala mesmo dessas desgraças, mas só porque são atemporais aqueles cruzamentos em que a literatura e a realidade se espelham e se desafiam. Na verdade, o grande responsável por sua desilusão com o Exército foi o massacre de Canudos.

Condecorado na Guerra do Paraguai, Patrício Macário foi um republicano de primeira hora que, como tantos outros, viu a República se transformar "no veículo para (...) ganharem mais dinheiro, mais poder, mais se locupletarem" os "ladrões do próprio país, traidores do próprio povo".

O velho militar anda amargo, e com excelentes razões, mas não perdeu a esperança. Se nós chegamos a esse encontro na esquina vindo da avenida realidade, ele vem de outro lugar, onde tem todo o tempo do mundo para esperar que a maré histórica vire. E acredita que ela vai virar.

Ao contrário da gente humilhada e massacrada que faz seu coração sangrar, o general do povo não morre. Os melhores personagens de ficção são assim. Sempre que um leitor se lançar às páginas mágicas de "Viva o Povo Brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro, lá estará Patrício Macário a nos lembrar que um outro país é possível.

Aos 90, FHC passa a se dedicar a compromissos privados e deve evitar eventos públicos, FSP

 O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) decidiu retirar-se quase que totalmente da vida pública a partir deste ano. Ele completa 91 anos no mês que vem.

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em cena do documentário "O presidente improvável" - Divulgação

Segundo sua assessoria, FHC vai se dedicar apenas a compromissos de caráter pessoal, reuniões privadas e excepcionalmente algum evento relacionado à fundação que leva seu nome. Atos maiores a princípio estão descartados.

No final de abril, ele já havia anunciado que passava a presidência da Fundação FHC para o ex-chanceler Celso Lafer. FHC será agora presidente de honra da entidade.

O tucano também pretende reduzir o ritmo de entrevistas e a participação em atos políticos. Isso significa que ele deve ter presença bem menor nesta eleição do que em pleitos anteriores.

Recentemente, o ex-presidente quebrou o fêmur, mas recuperou-se bem, de acordo com assessores. A decisão por uma aposentadoria quase completa tem relação principalmente com a idade.