quarta-feira, 25 de maio de 2022

'Top Gun' é estrelado por caça veterano do arsenal dos EUA; veja fotos, FSP

 Igor Gielow

SÃO PAULO

Quando foi lançado em 1986, "Top Gun" provocou um pequeno fenômeno militar. A Marinha dos Estados Unidos registrou um aumento de 500% na procura por recrutamento para seu braço de aviação —que tem na escola homônima do filme a sua casa de elite.

Naquele ano, o misto de propaganda militarista e romance edulcorado usou o que havia de melhor à disposição dos marinheiros em seus porta-aviões: o caça naval F-14 Tomcat, que protagonizou cenas antológicas para os apreciadores de imagens aéreas.

Trinta e seis anos depois, a sequência também estrelada por Tom Cruise, "Top Gun: Maverick", curiosamente não traz como protagonista voador o caça mais avançado da Marinha, o F-35C Lightning 2. Em seu lugar, o confiável F-18 Super Hornet, veterano de todas as guerras americanas desde 2001, com 598 unidades operadas pela Força.

Tom Cruise na cabine de um caça F-18 em cena de 'Top Gun: Maverick'
Tom Cruise na cabine de um caça F-18 em cena de 'Top Gun: Maverick' - Paramount Pictures/Divulgação

O Super Hornet só não foi comprado pelo Brasil em 2013 porque os americanos resolveram espionar Dilma Rousseff (PT). Ele é um caça posicionado entre a chamada quarta geração, pontificada nos EUA pelo Tomcat, F-15 Eagle e outros, e a quinta simbolizada no país pelo F-22 Raptor e pela mais recente família F-35.

Esses são aviões que incorporam elementos de furtividade ao radar, ganhando o apelido enganoso de "invisíveis", tecnologia de fusão de dados e de voo supersônico sustentado. Os EUA querem comprar 2.456 F-35 em três versões, mas aviões como o F-18 voarão talvez por duas décadas ou mais.

O motivo da escolha do filme pode ser prosaico: como a produção queria cenas aéreas reais e em Imax, precisavam de aviões de dois lugares —Cruise diz que tentou, mas foi proibido de aprender a voar num F-18, brinquedo de US$ 70 milhões a unidade. O F-35C é um avião monoposto, enquanto o Super Hornet vem nas duas configurações.

Mas pode ser também uma adição de realismo, já que o grosso da frota da Marinha é de F-18 —ela só tem 35 F-35C em seus porta-aviões de propulsão nuclear. O modelo teve diversos atrasos de produção devido às suas especificações: é maior e mais pesado do que os irmãos F-35A (Força Aérea) e B (Fuzileiros Navais).

Ele entrou em ação em agosto passado com o porta-aviões USS Carl Vinson, apenas para ver um dos aviões cair no mar no começo deste ano.

Tom Cruise em foto de divulgação do primeiro 'Top Gun', filme de Tony Scott de 1986
Tom Cruise em foto de divulgação do primeiro 'Top Gun', filme de Tony Scott de 1986 - Divulgação

A produção de "Top Gun: Maverick" foi até um desses navios gigantes para filmar cenas que, presumivelmente, terão o novo caça de US$ 100 milhões como coadjuvante. Cruise e seus comandados em missão secreta voarão em F-18 e terão a companhia em dado momento de um velho F-14.

Nos teasers e fotos de divulgação da produção, o Tomcat aparece com uma insígnia de Força Aérea ficcional. Aposentados nos EUA em 2006, eles só são operados pelo arquirrival americano Irã, que tem cerca de 40 voando desde o tempo anterior à Revolução Islâmica de 1979.

Num dos filmetes, contudo, o F-14 aparece abatendo nada menos do que um Sukhoi Su-57 Felon, ou ao menos um avião de efeitos especiais idêntico ao caça mais avançado da Rússia. É um avião de quinta geração, sabe-se lá a serviço de quem na ficção, já que há apenas três deles operacionais. Aparentemente, é pintado como uma grande ameaça, contrariando sua fama de produto problemático.

Outra criação de computação gráfica é o SR-72 Darkstar, projeto secreto de um avião hipersônico. Assim como o Su-57, são modelos realistas: no primeiro filme, o inexistente MiG-28 (na realidade, o Ocidente o conheceria como MiG-29) soviético foi encarnado por pequenos caças táticos F-5 americanos, pintados de preto e com as estrelas vermelhas nas asas. Dava para o gasto para adolescentes nos anos 1980.

Como se vê, há uma mistura de passado e futuro no elenco com asas de "Top Gun: Maverick", e os mais nostálgicos saem vencedores.


Brasil e EUA vivem terça sangrenta, Meio

 

25 de maio de 2022

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Pelo menos 22 pessoas, incluindo uma moradora atingida por bala perdida, morreram numa operação da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal na Vila Cruzeiro, uma das favelas do complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Foi a terceira ação policial mais letal na história do estado. A PM identificou dez dos mortos, incluindo a moradora Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, baleada dentro de casa. Somente quatro deles tinham anotações policiais. A Defensoria Pública do Estado protestou contra ação, justificada pela PM ao Ministério Público pela suposta movimentação de 50 líderes de uma facção criminosa. Após a operação, moradores fizeram um protesto. (UOL)

Para o comando da PM do Rio, a responsabilidade pela violência é do Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou operações em favelas devido à pandemia da covid-19. Os policiais alegam que criminosos de outros estados passaram a se esconder no Rio após a decisão do Supremo. (Folha)

Bernardo Mello Franco: “O governador Cláudio Castro assumiu a cadeira de Wilson Witzel em agosto de 2020. Em 21 meses, sua gestão já é responsável por duas das três maiores chacinas policiais registradas no Rio. Em campanha à reeleição, o bolsonarista parece buscar dividendos políticos no incentivo à violência fardada.” (Globo)

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Armado com uma pistola e um fuzil, um jovem de 18 anos assassinou 18 crianças e uma professora numa escola de ensino fundamental frequentada predominantemente por latinos na cidade de Uvalde, no Texas. Segundo as autoridades, o assassino, que foi morto por policiais, agiu sozinho. Foi o mais mortífero ataque a uma escola fundamental desde 2012, quando um homem matou 20 crianças e seis adultos num colégio de Newton, Connecticut. (New York Times)

No Twitter, o governador republicano Gregg Abbot disse que os texanos estavam “de luto pelas vítimas desse crime sem sentido”. Mas, como na rede nada é esquecido, críticos recuperaram um tuíte dele de 2015 lamentando que o Texas estivesse atrás da Califórnia no número de novas armas de fogo vendidas. (Twitter)

Em pronunciamento na TV, o presidente Joe Biden disse que é hora de agir contra o lobby da indústria armamentista no país. Os EUA colecionam massacres ao longo dos anos. (g1)

David Frum: “Nós já sabemos a resposta para uma pergunta: Quem colocou uma arma de assalto nas mãos de um assassino de 18 anos? A resposta é que as políticas públicas deste país o armaram. Todas as outras democracias se esforçam para manter armas longe de pessoas perigosas e pessoas perigosas longe de armas. Por muitos anos, os EUA puseram mais e mais armas em mais e mais mãos: 120 armas para cada 100 pessoas neste país.” (The Atlantic)