terça-feira, 24 de maio de 2022

Ford contrata 500 engenheiros para centro de desenvolvimento na Bahia para exportar serviços, OESP

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2022 | 17h33

Embora tenha fechado suas fábricas no Brasil, a Ford manteve na Bahia um centro de pesquisa e desenvolvimento e anunciou na tarde desta terça-feira, 24, que contratou 500 engenheiros, elevando para cerca de 1,5 mil o total de profissionais nessa área.

O centro tem atualmente 25% de suas atividades voltadas às adaptações necessárias aos modelos importados pela marca e 75% na cooperação e desenvolvimento de projetos globais.

“O time brasileiro tem uma contribuição importante na engenharia global da Ford, desenvolvendo produtos, patentes, tecnologias e softwares que estão ajudando a moldar o futuro da mobilidade”, afirmou, em nota, o presidente da Ford América do Sul, Daniel Justo. “É uma prova da capacidade e da competitividade do nosso País em exportar projetos e conhecimento”.

Antes instalado na fábrica de Camaçari - que agora esta à venda -, o centro foi transferido para o Cimatec Park, no complexo local do Senai que funciona como um ecossistema de inovação.

A convite da Ford, o governador da Bahia, Rui Costa, visitou hoje o novo centro, que está passando por ampliação, e foi informado das 500 contratações feitas ao longo deste ano. O centro inclui também o campo de provas em Tatuí (SP).

Setor passa por transformação global

Justo destacou o momento de transformação vivido pela indústria automotiva global, com a introdução de novas tecnologias - como a de carros elétricos -, e mudanças de hábito dos consumidores, o que, segundo ele, abre oportunidades para o aproveitamento da especialização e do conhecimento da equipe da Ford brasileira, mesmo que o grupo não mantenha mais produção local de veículos.

Além de parcerias com instituições como a Universidade Federal da Bahia e o Senai, a Ford mantém programas de treinamento, palestras e workshops para atração e desenvolvimento de novos talentos. A empresa oferece ainda um curso de desenvolvimento de software, criado em parceria com o Senai Cimatec, com 80 vagas gratuitas para pessoas de baixa renda.

 

A imunidade e a dor lombar crônica, Luciano Magalhães Melo, FSP

 Arnaldo, se tivesse um pouco mais de energia, seria um ativista da inatividade, mas preferiu seguir sua carreira burocrática, em vez de enfrentar tal paradoxo. Trabalhando sentado, executava um manifesto silencioso contra o movimento. Armando é diferente, carregou sacas de cimento por mais de uma década. Ano passado mudou de emprego, a fim de ter melhor remuneração. Não fosse uma licença médica, estaria operando uma britadeira.

Arnaldo e Armando, embora díspares, não se assemelham apenas no nome, ambos padecem de uma contínua dor lombar, irradiada em choque para a perna direita.

Antes de continuar com o assunto, faço uma breve ressalva: não escrevo aqui sobre causas graves de dores lombares, eventualmente fatais, cujos sintomas podem parecer com os aqui descritos.

Muitas pessoas, donas de vidas e corpos semelhantes aos de Arnaldo e Armando, não enfrentarão este problema crônico, já que o sedentarismo e a exposição contínua ao estresse mecânico, combinados ou não, não são as únicas causas para a lombalgia comum.

Imagem de um homem de costas forçando a cabeça para frente, para alongar as costas
Eduardo Knapp - 24.jul.08/Folhapress

Outros elementos para este curso são impactantes, como perfil psicológico, condições sociais, características biomecânicas e fatores genéticos. Porém, nem sempre conseguiremos entender por que uma pessoa sofre, enquanto outra, com biótipo e ocupação semelhantes, não. Nem importa se tiverem alterações análogas vistas na ressonância de coluna.

Felizmente, novas descobertas trazem uma luz sobre este assunto, e a resposta que se ilumina culpa o sistema imunológico.

Para explicar, retomarei os exemplos de Arnaldo e Armando, mas irei ao princípio, quando o gatilho álgico foi disparado. As rotinas dos dois homens sobrecarregaram e deformaram as estruturas da coluna lombar, por onde passa a raiz do nervo ciático. A dor irradiada para a perna é um sinal clínico de que tal raiz está, ao menos parcialmente, estrangulada.

Este insulto constante modifica profundamente todo o sistema neural encarregado de conduzir as informações de sensibilidade da perna até o cérebro —estas alterações são incrementadas por uma resposta imunológica robusta.

O propósito da ação do sistema imune dentro da raiz danificada é limpar o que, de tão avariado, ficou inútil. Contudo a ação imunológica provoca inflamação, e a atividade inflamatória causa mais dor. Pois excita as estruturas nervosas ainda operacionais a transmitirem mais impulsos álgicos.

Desta forma, a específica parte cerebral encarregada de receber as informações da raiz ciática é abarrotada por um fluxo intenso de dados álgicos e, muito curiosamente, se inflama também. Células do sistema imunológico são recrutadas para estas áreas encefálicas inflamadas, e outros componentes cerebrais são modificados.

Todas estas ações biológicas são importantes para a manutenção do funcionamento cerebral na medida em que restabelecem o equilíbrio após qualquer distúrbio. Entretanto, sua ativação exagerada é uma ameaça e está envolvida na transformação da dor aguda em dor contínua. E dor crônica pode se manter mesmo após seu gatilho já ter sido curado ou cicatrizado. Para isto, basta as inflamações persistirem, por uma falha de seu contrapeso, os mecanismos corporais anti-inflamatórios.

A dor aguda nos protege, pois nos compele a nos afastar do que é nocivo. Por sua vez, a dor crônica não possui uma clara função benéfica, é essencialmente sofrimento. Com um agravante, é difícil sanar este sintoma. A descoberta do papel do sistema imunológico na perpetuação da dor traz esperanças de terapias mais eficientes, uma carência da medicina atual.


REFERÊNCIAS:

1.Calvo M, Dawes JM, Bennett DL. The role of the immune system in the generation of neuropathic pain. Lancet Neurol. 2012 Jul 1;11(7):629–42.
2. Alshelh Z, Brusaferri L, Saha A, Morrissey E, Knight P, Kim M, et al. Neuroimmune signatures in chronic low back pain subtypes. Brain. 2022 Mar 1;145(3):1098–110.
3. Miyamoto K, Kume K, Ohsawa M. Role of microglia in mechanical allodynia in the anterior cingulate cortex. J Pharmacol Sci. 2017 Jul 1;134(3):158–65.
4. Li T, Chen X, Zhang C, Zhang Y, Yao W. An update on reactive astrocytes in chronic pain. J Neuroinflammation. 2019 Jul 9;16(1):140.
5. Hartvigsen J, Hancock MJ, Kongsted A, Louw Q, Ferreira ML, Genevay S, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet. 2018 Jun 9;391(10137):2356–67.

Band e Record são condenadas pela Justiça a reduzir tempo televisivo de igrejas, FSP

 

Culto do bispo Edir Macedo no Rio de Janeiro - Danilo Verpa/Folhapress
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SÃO PAULO

As emissoras Band Rio e Record TV foram condenadas pela Justiça Federal a reduzirem o período total comercializado de sua grade para 25% do tempo diário. Essa determinação também vale para os espaços comercializados a entidades religiosas ou sem fins lucrativos.

As empresas deverão ajustar sua programação e diminuir consequentemente o período total comercializado equivalente a seis horas da sua programação. Procurada, a Band informa que a decisão é de abril de 2021 e que já recorreu e aguarda o julgamento. Já a Record diz que assim que tivesse um posicionamento o daria.​

Segundo o que consta nas ações civis públicas movidas pelo Ministério Público Federal (MPF), "a ultrapassagem do limite de publicidade comercial configura desvio de finalidade das concessões e permissões de radiodifusão e o enriquecimento ilícito dos que comercializam os horários acima dos limites legais".

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Outro trecho do documento relata que "ainda que os programas religiosos comercializados pela emissora de TV não se refiram a publicidade de marca, produto ou ideia, há verdadeira comercialização de grade mediante contratos de caráter sinalagmático e de inegável intuito lucrativo".

As ações também condenaram a União a fiscalizar o cumprimento do limite legal pelas emissoras. O MPF apurou que a Record comercializa 28,19% do tempo e destina 20,83% semanais para programas de responsabilidade da Igreja Universal do Reino de Deus. A Band Rio disponibiliza 25,98%, em média, para fins comerciais, o que burlaria o limite legal.