terça-feira, 24 de maio de 2022

'Rei do lixo' em Portugal enriqueceu com coleta em Lisboa e construiu castelo, FSP

 Catarina Reis

MENSAGEM DE LISBOA

Lixo, essa palavra que acarreta todos os maus sentidos. Se o sentido for literal, repugna, diz-nos o dicionário. Se for figurado, é ralé. E nem como verbo significa sentimento bom.

O lixo pode também ser controverso quando chamado à discussão sobre uma cidade: a gestão da coleta em Lisboa sempre deu azo a polêmica. Mas há um homem para quem significou riqueza e a quem valeu o nome escrito na história: Manuel Martins Gomes Júnior, conhecido pela comunidade que o viu crescer como "o rei do lixo".

Quem passa numa das retas da estrada Nacional 10, na freguesia de Coina, na cidade de Barreiro, vê-a ali, pousada sobre um terreno baldio, de sobreiros largados ao acaso: uma torre, com ar de castelo de outros tempos, altiva, vazia de gente e de janelas.

Foi uma paisagem elogiada em tempos, mas, vendo agora, a Torre de Coina (ou Torre do Inferno, como também ficou conhecida) não faz adivinhar que foi palco de uma das histórias mais enigmáticas partilhadas entre Lisboa e a margem vizinha. E casa deste homem, Manuel Martins Gomes Júnior.

Torre de Coina, ou Torre do Inferno, localizada na cidade portuguesa de Barreiro - Miguel/Adobe Stock

O aspecto faz adivinhar anos de degradação, e a presidente da União de Freguesias de Palhais e Coina, Naciolinda Silvestre, avança um número: este edifício encontra-se "ao abandono há cerca de 40 anos".

Sobre a sua origem já cá andam poucos para contar. Os que "tinham bastante conhecimento do assunto e apreço" já não podem explicar como se tornou esta torre o castelo de Manuel Júnior.

Mas um estudo realizado pelo pesquisador Vitor Manuel Adrião, da Universidade de Lisboa em História e Filosofia, imortaliza esta história, que terá tido início ali "nas primeiras décadas do século 20". E tudo terá começado com a compra de um moinho de água.

Nascido em Santo Antônio da Charneca, em 1860, "de uma família humilde", Manuel Júnior teria crescido com a ambição de inverter a sua condição socioeconômica. Não bastava conquistar uma vida mais estável. Prometeu a si mesmo "tornar-se rico", conta o pesquisador.

"Como marçano" em Lisboa, ocupou o seu tempo e guardou todo o dinheiro para, mais tarde, investir. Chamaram-lhe visionário, porque decidiu com esse dinheiro comprar um moinho de água. Um moinho entretanto destruído por um incêndio de cuja responsabilidade foi acusado pelo povo da terra. Tudo porque o contrato com a seguradora lhe terá permitido, após a destruição, amealhar elevada indenização.

Qual a relevância deste capítulo da sua vida? É que foi precisamente com esta quantia que ele adquiriu "uma pequena propriedade e se entregou à especulação agrícola, emprestando dinheiro, sob pesados juros, aos proprietários vizinhos de Coina para cultivarem os seus terrenos", lê-se no documento do pesquisador Vitor Manuel Adrião.

A mesma propriedade onde, depois de uma "época em que as colheitas foram más", obrigando os agricultores a endividar-se, Manuel teria acabado por unir parcelas (dos devedores) e formado a sua quinta de 300 hectares. A quinta onde nasceria a Torre de Coina.

Num ápice, saltou de uma vida modesta para a de um grande proprietário. Escolheu a suinicultura e se tornou um rico exportador de carnes. Do outro lado da margem, encontrou um segundo negócio e com potencial para o ajudar no primeiro: ele "atingiu o auge ao assegurar o controle da coleta dos lixos em Lisboa", então composto apenas por matéria orgânica, que servia de alimento para os porcos que criava.

O transporte foi garantido por meio das suas cinco fragatas que percorriam o Tejo de uma ponta para a outra. Cada uma batizada com um nome, num exercício de ironia: Mafarrico, Lúcifer, Belzebu, Demônio e Satanás. Na verdade, conta o pesquisador Vitor Manuel Adrião, foi "uma provocação desaforada ao regime eclesiástico secular que a recente Revolução de 5 de Outubro depusera". Foi, aliás, assim que ficou com fama de antiteísta obstinado.

Fama já ele a tinha —acabou chamado de "rei do lixo"—, mas faltava tirar um verdadeiro usufruto dela. Por isso, construiu o tal edifício que ainda hoje chama a atenção na paisagem: à medida das suas posses e ambições, nasce a Torre de Coina, também conhecida como Torre do Inferno. Ali teria permanecido vários anos, até a data da sua morte, em 1943, com 83 anos. Morreu sob "circunstâncias estranhas cujas causas nunca foram apuradas", diz o pesquisador.

A morte, no entanto, não significou o desaparecimento do seu nome. Na verdade, foi eternizado numa rua na sua localidade natal, Santo António da Charneca: rua Manuel Martins Gomes Júnior.

Hoje não haveria lugar para um "rei do lixo". Não só porque o município de Lisboa é atualmente a entidade responsável pela coleta e transporte dos resíduos, sejam eles de lixo comum ou materiais recicláveis. Mas também porque Manuel Gomes Júnior viveu em tempos em que os resíduos eram apenas orgânicos e só por isso conseguiu fazer deles alimento para os seus animais.


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Ameaça de Doria de judicialização de prévias acelerou fim da candidatura; leia bastidores, OESP

 

Após renunciar à candidatura presidencial nesta segunda-feira, 23, o ex-governador João Doria vai sair de cena por uma semana antes de se pronunciar novamente, mas já decidiu, segundo aliados, que não vai reivindicar cargos no PSDB ou espaço na pré-campanha da terceira via.

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Para amigos, Doria disse, porém, que ainda não sabe se volta para o Lide (Grupo de Líderes Empresariais), já que seu filho, João Doria Neto, estaria se saindo bem no comando da organização fundada pelo tucano.

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Como o comitê de sua pré-campanha, uma casa Avenida Brasil, está alugada até o fim do ano, o local pode ser cedido para a pré-campanha do governador e pré-candidato à reeleição, Rodrigo Garcia.

Isolamento e debandada de aliados

Aliados de Doria perceberam que estavam mais isolados do que imaginavam na cúpula partidária após uma reunião da executiva nacional realizada na última terça-feira em Brasília. No encontro, dois deputados federais paulistas que eram considerados leais ao pré-candidato mudaram de lado: Carlos Sampaio e Samuel Moreira.

Como representante jurídico do partido, Sampaio, que é advogado, disse que poderia fazer um parecer e rebater o documento enviado por Doria na semana anterior – com o timbre de um escritório de advocacia – no qual o ex-governador ameaçava judicializar a disputa interna caso a legenda não respeitasse o resultado das prévias realizadas no ano passado.

Esse lance foi considerado no entorno de Doria um erro capital, pois a ameaça teria unido a executiva contra ele e dado munição para o presidente do PSDB, Bruno Araújo, ampliar o movimento de sufocar a pré-campanha.

Sampaio iria argumentar que a convenção se sobrepõem às prévias. Aliados de Doria classificaram a reunião como um massacre, apesar do grupo do deputado Aécio Neves ter se insurgido contra a tese do PSDB apoiar a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

O ex-governador João Doria durante anúncio de que iria desistir da corrida presidencial; sigla deve apoiar o nome de Simone Tebet (MDB) na disputa ao Planalto
O ex-governador João Doria durante anúncio de que iria desistir da corrida presidencial; sigla deve apoiar o nome de Simone Tebet (MDB) na disputa ao Planalto Foto: Werther Santana/Estadão

Mas havia ainda uma esperança: a de que Garcia se posicionasse contra o que Doria chamava de golpe e defendesse que o PSDB tivesse uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.

A decisão de renunciar foi tomada após Garcia dizer em entrevista ao Estadão que apoiaria o candidato da terceira via e sinalizar que esse nome seria o de Simone Tebet.

Doria então convocou um jantar com sua equipe em sua casa no sábado e marcou uma reunião com Garcia no domingo. No encontro com seu entorno estavam presentes Marco Vinholi, presidente do PSDB e coordenador da pré-campanha, o ex-ministro Antonio Imbassahy, o tesoureiro do PSDB, César Gontijo, a assessora Letícia Bragaglia e o marqueteiro Lula Guimarães.

O grupo começou ali a discutir as linhas gerais do pronunciamento de segunda-feira, que foi escrito por Lula Guimarães. No dia seguinte, Doria reuniu-se com Garcia e comunicou sua decisão. Ficou combinado que parte do seu entorno voltaria para o governo ou para a pré-campanha estadual.

Lula Guimarães foi sondado para assumir a pré-campanha do bolsonarista Tarcísio de Freitas, o que desagradou aos tucanos. O martelo ainda não foi batido.

Maiores empregadores mantêm equipes em home office e trabalho híbrido, fsp

 


SÃO PAULO

Impulsionados pelas medidas de distanciamento tomadas em razão da pandemia, o home office e o trabalho híbrido permanecem sendo adotados por algumas das maiores empregadoras do país, e a expectativa é que sejam mantidos, mesmo com o avanço da vacinação.

A decisão de seguir com a opção de trabalho remoto, ao menos por algumas vezes por semana, está em linha com o que apontam levantamentos recentes, em que os trabalhadores dizem querer aproveitar a experiência de trabalho que tiveram nos últimos anos e preferem não estar no escritório todos os dias.

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Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Previdência, fazem parte dos maiores empregadores formais do país instituições bancárias (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco e Itaú), os Correios, empresas do setor de alimentação (BRF e Seara), de teleatendimento (Atento) e de saúde (Raia-Drogasil).

Depois do home office, empresas passaram a adotar esquemas de trabalho rotativos, sem mesas fixas - Eduardo Knapp-30.jul.21/Folhapress

Pelos critérios da Rais, o topo do ranking antes da pandemia, em 2019, era dos Correios e do Banco do Brasil. De acordo com os dados atuais de número de funcionários fornecidos pelas empresas à Folha, o primeiro lugar em 2022 pode ficar com o Itaú Unibanco.

Com quase 100 mil colaboradores hoje, o Itaú Unibanco chegou a migrar metade de seu quadro para o modelo remoto, com o início da pandemia, em 2020.

Em fevereiro deste ano, já com a vacinação em estágio mais avançado, o banco passou a adotar três modelos de trabalho nos escritórios administrativos: presencial, para os colaboradores cujas funções demandam presença no banco todos os dias; híbrido, para times que precisam trabalhar nos escritórios com frequência ou em situações predefinidas; e flexível, que prevê mais autonomia.

No caso dos Correios, atualmente com 88,5 mil empregados, 2% (cerca de 1.770) estão em trabalho remoto. Segundo a empresa, mesmo antes da pandemia, a partir da reforma trabalhista de 2019, o teletrabalho é uma opção para parte do quadro de funcionários, "observando as condições legais, bem como a conveniência na prestação dos serviços".

No Bradesco, há a expectativa de manter cerca de 30% do quadro de funcionários no sistema híbrido para as áreas administrativas com atividades elegíveis.

"O aprendizado com o trabalho remoto permitiu que, por meio de acordo coletivo com o movimento sindical, fôssemos o primeiro banco de grande porte a assumir o compromisso de adotar essa forma de trabalho após a pandemia", diz a instituição, que tem cerca de 87,5 mil funcionários.

Eles também têm a avaliação de que, em algumas áreas, essa modalidade de trabalho passou a ser relevante para a atratividade e a retenção de talentos.

A Caixa chegou a ter mais de 56 mil empregados (35,6% do total) trabalhando de casa, em razão da pandemia, e teve um retorno positivo por parte dos que atuaram remotamente, sobretudo pela maior autonomia e possibilidade de conciliação entre trabalho e família.

"Com isso, considerando o cenário atual, estudam-se a implantação e percentuais aplicáveis para manutenção do trabalho remoto na empresa", diz a assessoria do banco.

Depois de usar a modalidade durante a pandemia, o Banco do Brasil implantou o trabalho de formato híbrido, com até dois dias na semana fora do escritório. Atualmente, são cerca de 4% dos 86,3 mil funcionários alternando entre o trabalho remoto e o presencial.

A instituição diz acompanhar a tendência das novas modalidades de trabalho desde 2015, quando criou um projeto-piloto para alguns funcionários, e a necessidade de adotar o trabalho remoto durante a pandemia reforçou as vantagens dessas modalidades.

No fim de março, o governo editou uma medida provisória que regulava o trabalho híbrido. Especialistas em direito do trabalho ainda se dividem sobre a possibilidade de as novas regras virem a incentivar mais empregadores a ofertar essa modalidade de trabalho.

Dos 70 mil colaboradores da Atento, cerca de 35% estão em home office —​o restante se divide entre os modelos híbrido e presencial.

"O sistema tem se mostrado benéfico para todos. Esse formato de trabalho ampliou as possibilidades de contratação e movimentação interna de profissionais que, por algum motivo, priorizam o modelo remoto", diz Ana Marcia Lopes, vice-presidente de Pessoas e Responsabilidade Social da Atento no Brasil.

Moradora de Sorriso (MT), a consultora Vanessa Marquiafavel, 42, é um exemplo disso. Formada em letras e na Atento desde o começo do ano, ela ajuda a desenvolver interfaces para assistentes virtuais, que deixam mais humanizado o atendimento feito por robôs em call centers.

"Sou linguista computacional e trabalho em home office desde 2007. Antes, a vida de quem trabalhava de casa era um pouco mais complicada, mas a pandemia acabou deixando as empresas mais preparadas", diz.

Em casa, ela consegue aproveitar melhor o tempo com o marido, que é agrônomo, e o filho, de cinco anos. "Ainda não encontrei uma desvantagem no home office."

Já a Raia-Drogasil decidiu manter os cerca de 3.000 funcionários da área corporativa no modelo híbrido. "Levamos em conta todos os aprendizados extraídos ao longo dos últimos dois anos", diz Patricia Vasconcelos Giacomo, diretora na empresa.

Quando iniciou o retorno ao presencial, a rede de farmácias, que tem 50 mil colaboradores, optou por fortalecer a independência das equipes. "O estar junto agora tem outro significado, muito mais profundo que o cumprimento de uma tarefa. Os times têm liberdade de definir quando faz sentido estar presente", diz ela.


MAIORES EMPREGADORES DO PAÍS

  • ​Em 2019 (antes da pandemia):
  1. º | Correios: 109,6 mil
  2. º | Banco do Brasil: 104,5 mil
  3. º | Caixa: 91 mil
  4. º | BRF: 87,6 mil
  5. º | Bradesco: 86,7 mil
  • Em 2022*:
  1. º | Itaú Unibanco: 99,6 mil
  2. º | Correios: 88,5 mil
  3. º | BRF: 96 mil
  4. º | Caixa e Bradesco: 87,5 mil (cada um)
  5. º | Banco do Brasil: 86,3 mil

*Até o primeiro trimestre; dado mais recente da BRF é de 2021
Fontes: Empresas e Rais (Ministério do Trabalho e Previdência)


TRABALHADOR PREFERE SER HÍBRIDO, DIZEM LEVANTAMENTOS

Uma consulta feita com mil pessoas pela Edelman América Latina em março aponta que os brasileiros estão satisfeitos com seus empregos atuais, percepção que aumentou com o trabalho remoto. Para 61%, o home office fez crescer a satisfação com o emprego, enquanto apenas 16% disseram que diminuiu.

Além disso, o estudo —que foi encomendado pela plataforma de suporte tecnológico para empresas ServiceNow— diz que 7 em cada 10 estão trabalhando de casa ao menos em dois dias na semana, ante 52% no pré-pandemia.

Antes da crise sanitária, 21% nunca haviam trabalhado em home office, e agora há apenas 1% nessa situação.

"Foram várias descobertas e ganhos com o trabalho remoto, e a maioria não quer abrir mão disso. O que se observa é uma tendência de o funcionário negociar um modelo híbrido com a empresa, sempre que possível", diz Katia Ortiz, executiva da ServiceNow no Brasil.

Amanda Sena, que foi trabalhar em home office na pandemia - Ronny Santos/Folhapress

Entre os aspectos positivos do home office apontados pelos entrevistados, estão a economia de tempo de deslocamento (51%), a economia de dinheiro (43%) e o maior tempo com a família (41%). Por outro lado, 28% se sentem mais desconectados do trabalho, e 27% dizem que é mais fácil se distrair.

Ortiz complementa que a própria empresa percebe que é importante tornar os funcionários mais satisfeitos. "Nos Estados Unidos, há um movimento forte de empregados pedindo demissão, também por terem sido obrigados a voltar ao escritório. Para reter talentos, a empresa acaba tentando ofertar modelos alternativos e aumentar o investimento em tecnologia."

Outro estudo recente, da Eaesp/FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas) e em parceria com o PageGroup e a PwC Brasil, apontou que 72% dos executivos dizem acreditar que a chefia se adaptou ao trabalho remoto, e 71% dos colaboradores têm expectativas de mudanças no ambiente de trabalho, rumo a uma maior flexibilização.

Em empresas de menor porte, a decisão também tem sido manter dias de trabalho fora do escritório.

"Ao adotarmos o home office como modelo oficial, percebemos vantagens tanto em termos de satisfação dos colaboradores quanto na atração de talentos. Mais de 40% estão fora do eixo Rio-São Paulo", diz Bruno Pereira, executivo da Cortex, plataforma de big data que vende soluções para vendas e comunicação, onde o trabalho é totalmente remoto para os 300 colaboradores.

Entre eles está Amanda Sena, 40, gerente do time de atendimento e marketing. Após trabalhar por três meses no começo de 2020 no sistema presencial, ela migrou, como o restante da empresa, para o home office e não pretende voltar à antiga rotina.

"Quando precisava me deslocar para o escritório, na zona sul de São Paulo, tudo era mais complicado: o trânsito caótico, o transporte público não ajudava. Agora, consigo conviver mais com meu marido, que é músico, e o nosso cachorro. A empresa também só ganhou ao ter mais pessoas de fora."

"Antes da pandemia, nossos times ficavam concentrados em São Paulo e Curitiba. Hoje, temos gente espalhada por seis estados. O home office também facilitou as contratações de profissionais de tecnologia", diz Tayara Simões, diretora-executiva da plataforma de criação de conteúdo digital NZN.

A empresa tem 30% de seus 117 funcionários em trabalho remoto e 70% em sistema híbrido, indo ao escritório duas vezes por semana.