domingo, 12 de setembro de 2021

Qual o tamanho da ameaça terrorista?, FSP

 Vinte anos atrás, em 11/9, a rede Al Qaeda lançou uma série de ataques aos EUA, que responderam declarando guerra ao terror. Para vingar as 2.977 vítimas e prevenir novos atentados, os americanos invadiram o Afeganistão e, depois, o Iraque, dando lugar a duas longas ocupações que deixariam centenas de milhares de mortos. Os custos dessas duas intervenções se contam em trilhões de dólares e pode-se argumentar que os EUA saíram derrotados em ambas.

A guerra ao terror também introduziu novas medidas de segurança que complicaram a vida de milhões em todo o mundo, de passageiros de avião a imigrantes. Por estímulo ou exigência dos EUA, vários países ficaram mais perto de tornar-se Estados policiais, relativizando as garantias fundamentais e o direito à privacidade. A própria geopolítica dos EUA foi reorientada, o que, segundo alguns analistas, abriu caminho para Pequim converter-se na potência que hoje rivaliza com Washington.

Não são efeitos pequenos. Tudo em nome de conter a ameaça terrorista. Mas qual o tamanho dessa ameaça? Objetivamente, é pequena. Considerando-se dados do período entre 1975 e 2016, que inclui o anômalo 11/9, a chance anual de um americano morrer num ataque terrorista em solo pátrio foi de uma em 3,2 milhões. No mesmo período, a probabilidade de morrer num ataque animal foi de uma em 1,5 milhão, com abelhas e cães liderando com folga sobre bichos de que temos mais medo, como cobras e tubarões.

É claro, porém, que não devemos tratar terroristas como abelhas. O terror, afinal, comporta eventos extremos, ainda que raros. Se um Bin Laden põe as mãos num artefato nuclear ou agente biológico, o número de mortos num ataque pode chegar à casa dos milhões, condenando as estatísticas prévias à irrelevância. Sempre fará sentido vigiar redes terroristas. Mesmo com esse "caveat", parece lícito concluir que a reação dos EUA ao 11 de Setembro foi exagerada.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Quarentena para militares, policiais e juízes é excluída do novo Código Eleitoral Fonte: Agência Câmara de Notícias

 Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Discussão e votação de propostas. Presidente da Câmara, dep. Arthur Lira PP-AL
Sessão do Plenário da Câmara dos Deputados

A determinação de que magistrados, integrantes do Ministério Público, militares e policiais só pudessem ser candidatos a cargos eletivos cinco anos após deixarem a função gerou polêmica em Plenário durante a análise do novo Código Eleitoral (PLP 122/21). A quarentena foi alvo de múltiplas votações pelos deputados nesta quinta-feira (9) e acabou saindo do texto final.

Para o deputado Capitão Wagner (Pros-CE), a determinação inviabilizaria direitos iguais na candidatura de policiais, juízes, militares e promotores. A quarentena, segundo ele, só seria justa se atingisse todos os servidores públicos. “Acredito que, para se matar o carrapato, estão querendo matar a vaca. Eu acho que isto é muito ruim para a nossa democracia: tolher o direito de todos esses cidadãos de se candidatar em condição de igualdade em relação aos demais servidores públicos”, declarou.

Líder do PSL, o deputado Vitor Hugo (GO) também criticou a medida. “Na nossa visão, traz para dentro da legislação eleitoral a previsão de criar cidadãos de classes diferentes: aqueles que podem se candidatar e aqueles que têm graves restrições para se candidatar – justamente aqueles que arriscam as suas vidas, que estão à frente para nos proteger: os policiais, os militares, os juízes, os promotores”, disse.

Para a deputada Renata Abreu (Pode-SP), impor a quarentena deixaria os futuros candidatos sem empregos. “Como dar um tratamento diferenciado para determinada categoria? Exigir que a pessoa saia do seu cargo por cinco anos, fique sem emprego, sem renda, para poder se candidatar”, criticou. Ela ressaltou que há profissões com mais visibilidade que não tiveram quarentena imposta, como radialista e apresentadores de televisão.

Carreiras de Estado
Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defendeu a quarentena estendida a todas as carreiras de Estado. “O PT tem a visão de que as carreiras de Estado devam ter quarentena: carreira do Ministério Público, de membros do Judiciário, a carreira da Receita Federal, todas aquelas que exerçam poder de polícia. É o que acontece no mundo”, explicou.

No entanto, diante da queda da quarentena para juízes e promotores, o partido mudou de posição em nome da isonomia para derrubar a regra imposta também para militares e policiais.

Para o líder da Minoria, deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ), a discussão sobre a quarentena ainda precisa ser ampliada no Parlamento. “Esse debate da quarentena precisa ser feito com muito mais calma, com muito mais fôlego”, disse. Ele lembrou que há uma preocupação sobre o uso político de policias.

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) defendeu a inclusão do tema em outro projeto de lei, a ser discutido por comissão especial e outras esferas de debate, especialmente por determinar um afastamento por cinco anos. “Mesmo com a correção que a relatora [deputada Margarete Coelho (PP-PI)] fez para que essa regra valesse apenas a partir de 2026, nós entendemos que ela deve ser retirada do texto e que essa discussão seja feita de outra maneira, em outro projeto de lei”, afirmou.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei complementar

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Maior usina de captura de gás carbônico do mundo é inaugurada na Islândia, Financial Times , FSP

 Leslie Hook

FINANCIAL TIMES

A startup por trás da maior usina mundial de captura direta de gás carbono anunciou que nos próximos anos vai construir uma usina muito maior para remover permanentemente milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.

Na inauguração do projeto Orca de “captura aérea direta”, como é chamada a técnica, na Islândia, na quarta-feira (8), o coexecutivo-chefe da Climeworks, de Zurique, responsável pelo projeto, disse ao Financial Times que a empresa já começou a projetar uma usina dez vezes maior. Ela deve ser completada nos próximos anos.

Uma instalação para captura de CO2 do ar da Swiss Climeworks AG é colocada no telhado de uma incineração de resíduos em Hinwil, na Suíça, em 18 de julho de 2017 - Arnd Wiegmann/Reuters

A Orca vai capturar cerca de 4.000 toneladas anuais de CO2 e armazená-las no subsolo. É uma parte minúscula dos 33 bilhões de toneladas do gás que a AIE (Agência Internacional de Energia) prevê que serão emitidos em todo o mundo este ano, mas é uma demonstração da viabilidade da tecnologia.

“É a primeira vez que fazemos a extração comercial de CO2 do ar e a combinamos com armazenagem no subsolo”, disse Wurzbacher.

A usina Orca vende a compensação de carbono mais cara do mundo. Com ela, a remoção de uma tonelada de CO2 custa até £1.000 (cerca de R$ 7.200). A usina tem o fundador da Microsoft, Bill Gates, entre seus clientes.

Wurzbacher disse que a demanda comercial é tão alta que os créditos que pode vender em seus 12 anos de vida útil estão quase esgotados. Foi o que levou ao desenvolvimento acelerado da usina muito maior que usará a mesma tecnologia.

Entre os outros clientes da Orca estão a Swiss Re (companhia de seguros), que recentemente firmou com a usina um contrato de US$ 10 milhões de remoção de carbono, além da Audi (empresa automobilística) e da Shopify (serviço de e-commerce).

Alguns modelos energéticos indicam que, para poder alcançar a meta de zero emissões, até meados do século o mundo precisará tirar bilhões de toneladas anuais de dióxido de carbono da atmosfera. Críticos da captura aérea direta dizem que a tecnologia é cara demais e consome energia demais para poder ser usada em escala significativa.

Mas o perfil dela vem subindo. O projeto de lei de infraestrutura proposto recentemente pelo presidente americano Joe Biden inclui US$ 3,5 bilhões para a construção de quatro centrais de captura aérea direta.

A Carbon Engineering, startup rival da Climeworks sediada perto de Vancouver, está construindo com a Occidental Petroleum uma usina no Texas que visa extrair até 1 milhão de toneladas anuais de CO2.

Como apenas 0,04% da atmosfera é composta de dióxido de carbono, a extração do gás pode ser um esforço que demanda tempo e consome muita energia.

Wurzbacher disse que a usina Orca, movida a energia geotérmica, é mais eficiente e utilizou menos materiais que a tecnologia anterior da Climeworks. “Ela realmente representa o próximo passo.” A Orca usa dezenas de grandes extratores para puxar o ar, que passa por um coletor no qual o CO2 se liga a outras moléculas. Em seguida, a substância de ligação é aquecida, liberando o gás dióxido de carbono.

Para anunciar a inauguração da usina, na quarta-feira, um tanque cheio de dióxido de carbono colhido do ar foi injetado no subsolo. Lá ele vai se misturar à água e, com o tempo, à medida que reagir com uma formação basáltica, se converterá em rocha, onde o carbono ficará preso.

Tradução de Clara Allain