quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Öresund: de “ponte impossível” a ícone da engenharia , Massa Cinzenta



Öresund: de “ponte impossível” a ícone da engenharia

Literatura da construção civil cita a estrutura como uma “aula de engenharia” em todos os seus aspectos


Ponte de Öresund
Ponte de Öresund: obra que liga a Dinamarca à Suécia é um ícone da engenharia moderna. Crédito: Öresundsbron
Dezoito anos depois de sua inauguração, a ponte de Öresund segue ganhando prêmios. Também frequenta uma série de livros que listam recordes. A obra que liga a Dinamarca à Suécia é um ícone da engenharia moderna. De “ponte impossível”, transformou-se em modelo de projeto. Uma das lições que a megaobra deixa é que ela é fruto dos erros. Equívocos em outras superobras realizadas pelo mundo serviram para orientar os engenheiros que atuaram na Öresund de como não repeti-los.
A execução da ponte cumpriu rigorosamente o cronograma. Começou a ser construída em 1995 e foi inaugurada em junho de 2000. Antes do canteiro de obras ser efetivamente instalado, o projeto foi estudado por quatro anos. Todas as variáveis foram levadas em consideração para que o empreendimento atingisse a perfeição. Até a manutenção da ponte foi planejada antes que ela saísse do papel. Não é à toa que na literatura da construção civil a ponte de Öresund é citada como uma “aula de engenharia” em todos os seus aspectos.
Öresund tem 16 quilômetros de extensão, incluindo o trecho de ponte estaiada e o túnel submarino. Ela cruza o mar Báltico e liga Copenhague, na Dinamarca, a Malmö, na Suécia. A estrutura atende o fluxo de veículos e de trens. A parte superior é uma autoestrada pavimentada com concreto e destinada ao tráfego rodoviário, ao longo de suas 6 pistas – quatro para a circulação de carros, motocicletas e caminhões e duas que só são liberadas em situação de emergência. A parte inferior da ponte atende duas vias férreas.
O túnel submarino acoplado à ponte percorre 4 quilômetros debaixo do mar Báltico. Já o tabuleiro da ponte tem 8 quilômetros, sendo um quilômetro suspenso pelos estais. O vão central mede 490 metros, com altura de 57 metros acima do nível do mar, para possibilitar o tráfego marítimo. As torres que sustentam os estais estão a 240 metros de altura, equivalente a um edifício com mais de 60 andares. O projeto complexo ainda exigiu a construção de uma ilha com 4 km2, e que ficou pronta em 14 meses.

Estrutura consumiu trilhões de quilos de rocha e de concreto para viabilizar a ilha e o túnel

A construção da ponte de Öresund tem números superlativos. Para viabilizar a ilha, foram consumidos quase 2 trilhões de quilos de rocha, areia retirada do fundo mar e entulhos de construção que vieram de várias partes da Europa. Na ponte e no túnel submarino foram usados 280 mil m³ de concreto estrutural, 82 mil toneladas de aço estrutural e 60 mil toneladas de aço corrugado para protensão. Com exceção do concreto usado nos tabuleiros, todos os outros elementos foram pré-fabricados na Suécia.
Os elementos para o túnel são, até hoje, os maiores já produzidos pela indústria de pré-fabricados de concreto em todo o mundo. Cada uma das 20 peças tem 75 metros de comprimento, 38 metros de largura e 8,5 metros de altura, consumindo o equivalente a 8 trilhões de litros de concreto. Um único elemento possui tamanho semelhante a dois campos e meio de futebol e pesa aproximadamente 55 mil toneladas. Todos foram instalados com perfeição milimétrica, possibilitando que a ponte de Öresund se tornasse realidade. Atualmente, a estrutura recebe tráfego de 25 milhões de pessoas por ano, que transitam entre a Dinamarca e a Suécia.
Veja vídeo sobre a construção da ponte de Öresund

O liberalismo é uma via estreita no Brasil, Fernando Schüler, FSP (definitivo)

Fala de Guedes sobre AI-5 não pode vir de quem ocupa posição de Estado

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ministro Paulo Guedes misturou as palavras “AI-5”, “Lula”, “povo na rua” em sua entrevista de Washington. É evidente que nada disso faz sentido. Não há ninguém quebrando nada pelas ruas, a retórica de Lula serve para animar sua base militante, o país tem uma pauta imensa de reformas a fazer no Congresso e há sinais claros de retomada econômica.
A fala de Guedes, como seria previsível, serviu como prato cheio a nossa algazarra digital. Qualquer fala sugerindo, ou aventando a hipótese absurda de um ato de exceção no Brasil deve ser repudiada como uma irresponsabilidade. Há menções desse tipo todos os dias, aos milhares, nas redes sociais. Mas elas não podem vir de quem ocupa posições de Estado.
O ministro Paulo Guedes durante entrevista à imprensa na embaixada do Brasil em Washington - Olivier Douliery-25.nov.19/AFP
Diria que a leitura política do país feita por Guedes é equivocada (não há uma “ameaça chilena” no Brasil), assim como sua menção a uma época que o país soube superar, a duras penas. Além disso, há o dito popular: não se fala em corda em casa de enforcado.
A fala de Guedes incomoda por uma razão peculiar: nosso ministro é um liberal e comanda a economia em um governo que não faz mistério de suas simpatias pelo ciclo autoritário na América Latina. Imagino que tenha sido isso que levou um analista a sugerir que Guedes se mostrava cada vez mais como um pinochestista.
Descontando o óbvio exagero, há um ponto interessante aí. Pinochestista é alguém que preza a liberdade de mercado, mas dispensa a democracia política. Por estranho que pareça, há muita gente que simpatiza, nos dias de hoje, com variantes dessa tese. Ela foi alimentada, à direita e à esquerda, pelo sucesso econômico do modelo chinês. 
Jason Brennan e sua epistocracia, isto é, o governo dos que “sabem”, em vez de um sistema refém da irracionalidade da multidão, navegam por essas águas. A tese é estranha à grande tradição liberal, por muitas razões. A ideia de que um ditador benevolente e racional serviria para garantir nossos direitos e uma vida tranquila no mercado não responde a uma questão muito simples: como fazemos para mandar embora o ditador quando ele perde sua racionalidade e benevolência?
James Madison matou essa charada à época da formação americana. É porque os homens não são anjos que precisamos de uma engenharia complexa de freios e contrapesos para garantir nossos direitos. O Brasil, entre idas e vindas, vem construindo uma engenharia desse tipo. Ela ainda é tremendamente falha, mas (como diz o próprio ministro Guedes) somos uma “democracia vibrante”, e seria muita burrice abrir mão do caminho que já percorremos.
Há uma razão mais profunda que torna o liberalismo e a democracia irmãos siameses. O exercício da palavra e da política expressam, em si mesmos, um direito individual. Vale o mesmo para as demais esferas da liberdade humana. Não faz sentido determinar (a partir de que lugar?) que a liberdade de empreender é mais importante do que a liberdade de opinar, criar uma obra de arte ou professar esta ou aquela religião.
É isto, no fundo, que define uma sociedade liberal: um delicado respeito aos infinitos modos de realização humana. Isso inclui o cidadão que deseja “mudar o mundo”, a jovem empreendedora da pet shop e um casal, não importa o sexo, que deseja criar os filhos de uma certa maneira. Infinitos modos de vida capazes de se expressar sem que as pessoas se matem pelas ruas.  
É por ai que dançam tanto a esquerda como certo conservadorismo de costumes, muito em moda por aqui. Este último tem um problema com a ideia de “diversidade”. Bolsonaro expressa isso quando sugere que o governo deveria financiar apenas filmes compatíveis com nossa “tradição judaico-cristã”.
À esquerda, o problema congênito é aquele que John Tomasi chama de “excepcionalismo econômico”. Em resumo: liberdades são importantes, desde que elas não envolvam a palavrinha “mercado”. Tipo particular de conservadorismo que põe à sombra uma esfera “não relevante” da liberdade individual. E não me refiro às distopias socialistas, que seriam um alvo fácil, mas ao que se vê no dia a dia do debate público e nas votações no Congresso.
A verdade é que o velho e bom liberalismo é uma via estreita no Brasil. Sua recusa simultânea do autoritarismo político, do mandonismo econômico e da tutela do Estado sobre a cultura faz de seus simpatizantes aves raras por estes trópicos. Se somarmos a isso certa disposição para o diálogo e aversão à gritaria política, a imagem que surge é a de um quase deserto.
Fernando Schüler
Professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento. Foi diretor da Fundação Iberê Camargo.

26.11.19 | Usina solar fotovoltaica em universidade está em fase de testes, Procel Info


Mato Grosso do Sul – A usina de energia solar fotovoltaica da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, está desde meados de outubro funcionando em fase de testes. Todas as 16 unidades de 70,35 kWp (quilowatt pico) estão em operação, totalizando uma potência instalada de 1.125,6 kWp, o que a torna uma das maiores usinas entre os setores públicos do Brasil.

A concessionária Energisa já efetuou a vistoria e aprovou a instalação. De acordo com o engenheiro eletricista e fiscal do contrato, Alessandro da Paixão, "o desempenho da geração está acima do esperado, graças ao minucioso trabalho da equipe de gestão e fiscalização da Prefeitura Universitária e à qualidade dos serviços prestados pela contratada".

Todas as informações de geração já podem ser acompanhadas em tempo real na TV instalada na Prefeitura Universitária. A partir de fevereiro de 2020, esses dados sobre a economia na conta de energia serão contabilizados e divulgados para o público. O evento para a inauguração da usina ainda não tem data definida.

Sobre o usina
A usina é composta por 16 unidades de 70,35 kWp (quilowatt-pico) cada, 12 postos estão nas coberturas dos blocos da Unidade 2 (2.520 placas em teclados) e quatro diretamente no solo (840 placas em solo), logo na entrada na UFGD, ao lado do Auditório Central, destacando-se como um cartão de boas-vindas para quem chega na universidade.

Atualmente a UFGD gasta cerca de R$ 2,6 milhões por ano com a conta de energia elétrica da Unidade 2. A previsão é de que os painéis solares proporcionarão uma economia na conta de energia que pode chegar a R$ 915 mil em 12 meses, através da produção de 1.705.000 quilowatt-hora, alcançando 30% de economia e com o custo de manutenção anual de apenas R$ 18 mil.

O montante de energia gerado no equivale à capacidade de retirada de carbono da atmosfera de 1.411 árvores pelo mesmo período, evitando a emissão de 17,6 toneladas de CO2 por mês.

Sob a responsabilidade da Prefeitura Universitária, o sistema recebeu R$ 4,5 milhões investidos por meio Termo de Execução Descentralizada (TED), via Secretaria de Educação Superior (SESU-MEC), no ano de 2018. O projeto contempla ampliação para atingir 100% do consumo de toda universidade, incluindo a Unidade 1, FADIR e Fazenda. Além da economia no custo com energia elétrica, a usina solar poderá ser utilizada para pesquisas acadêmicas de graduação e pós-graduação, gerando novos conhecimentos na área.

*Com informações da UFGD