sábado, 23 de novembro de 2019

Morre Gugu Liberato, dono de uma das mais brilhantes trajetórias da TV, FSP

SÃO PAULO
​Gugu Liberato, 60, teve a morte anunciada nesta sexta-feira (22). Ele morreu em um hospital em Orlando, no estado americano da Flórida, onde estava internado desde quarta (20). O apresentador, que morava em um condomínio nos arredores da cidade, caiu de uma altura de quatro metros, quando fazia um reparo no ar-condicionado instalado no sótão.
Gugu foi encaminhado a um hospital Orlando Health Medical Center. Devido à gravidade de seu estado, não foi indicado qualquer procedimento cirúrgico. Durante o período de observação, foi constatada a ausência de atividade cerebral, segundo a nota de falecimento, que não especifica a data exata da morte.
"Nosso Gugu sempre viveu de maneira simples e alegre, cercado por seus familiares e extremamente dedicado aos filhos. E assim foi até o final da vida, ocorrida após um acidente caseiro", escreveu a família, em nota. Ainda não há detalhes sobre o traslado do corpo para o Brasil. 
[ x ]
O desfecho trágico encerra uma das trajetórias mais fulgurantes da história da TV brasileira. O paulistano Antônio Augusto Moraes Liberato começou a carreira ainda muito jovem. Na adolescência, escrevia tantas cartas para Silvio Santos sugerindo ideias, que acabou sendo contratado pelo apresentador.
Aos 14 anos, já era assistente de produção de programas comandados por Silvio na Record e na extinta Tupi. Em 1981, seguiu o patrão, rumo ao recém-fundado SBT. Na nova emissora, teve suas primeiras chances em frente às câmeras, participando do humorístico “Alegria 81” ou como jurado do “Programa Raul Gil”.
Naquele mesmo ano, estreou como apresentador, fazendo entradas ao vivo ao longo dos filmes exibidos pela Sessão Premiada e distribuindo brindes aos telespectadores.
O sucesso veio no ano seguinte. A pedido de Silvio, a produtora e diretora argentina Nelly Raymond criou o programa de auditório “Viva a Noite”: um amontoado de quadros de variedades que iam da música ao ocultismo, transmitido ao vivo às terças. Gugu foi escalado para comandar a nova atração, ao lado de Ademar Dutra e do pai de santo Jair de Ogum.
Em março de 1983, o programa foi transferido para os sábados, sob a direção de Roberto “Magrão” Manzoni e com Gugu Liberato como único apresentador. Não demorou para que o “Viva a Noite” começasse a bater a Globo.
Gugu se tornou popularíssimo, muito por causa de sua disposição a encarar qualquer coisa. Ele cantava, dançava, fantasiava-se de coelho da Páscoa. Marcou época com a “Dança do Passarinho”, gravada na memória de quem viveu o começo da década de 1980: “passarinho quer cantar/ porque acaba de nascer...”.
Acabou sendo convocado pela própria Globo, que tinha um rombo em sua programação vespertina dominical desde que Silvio Santos deixou a emissora, em 1976.
Gugu assinou contrato com o canal carioca em agosto de 1987 e chegou a gravar alguns pilotos, mas não entrou no ar. Silvio não o deixou ir embora.
O dono do SBT pagou uma imensa multa rescisória e Gugu ganhou um upgrade em sua antiga emissora: salário multiplicado, a promessa de maiores valores de produção e o título semioficial de herdeiro de Silvio Santos.
A Globo então acionou um plano B: tirou da Band um apresentador ainda pouco conhecido, Fausto Silva, e o transformou em seu novo rei das tardes de domingo.
As duas décadas seguintes foram marcadas pelo embate semanal entre o “Domingão do Faustão”, da Globo, e o “Domingo Legal”, do SBT, comandado por Gugu Liberato. A mídia dava enorme destaque para os índices de audiência de cada um dos programas, que se revezavam no primeiro lugar.
Uma concorrência tão acirrada que gerou alguns episódios lamentáveis. Como o do sushi erótico (famosos comiam sushis dispostos sobre o corpo de uma modelo nua), protagonizado por Faustão, ou o embuste do PCC, por Gugu.
Ao longo da década de 1990, Gugu Liberato também acalentou o sonho de ter sua própria TV. Àquela altura, já era um empresário bem-sucedido, cuidando da carreira de diversos cantores e vendendo suco de banana para Portugal, terra natal de seus pais. Comprou estúdios na região do Alphaville, na Grande São Paulo, e produziu programas como “Escolinha do Barulho”, exibido pela Record.
Este sonho não foi adiante, assim como o de suceder a Silvio Santos. Em 2009, Gugu recebeu uma proposta da Record e, dessa vez, pôde deixar o SBT. Mas, na nova casa, o “Programa do Gugu” não alcançou o êxito esperado. Em 2013, apresentador e emissora desfizeram o contrato.
Gugu ainda voltaria à Record, em esquema de temporadas. Entre 2015 e 2017, comandou por lá “Gugu”, que combinava variedades com reportagens.
Em 2018, acabou se rendendo à onda de formatos que varre a televisão do planeta. Comandou primeiro o “Power Couple Brasil”, uma competição entre casais, e depois o concurso de calouros “Canta Comigo”, cuja segunda temporada, já gravada, ainda está no ar.
Gugu Liberato deixa a mãe de seus filhos, Rose Miriam, e três filhos: João Augusto, de 18 anos, e as gêmeas Marina e Sophia, de 15. Sua morte acontece em um momento de transição na maneira como consumimos TV. A era dos grandes apresentadores, da qual ele foi um dos expoentes, parece estar chegando ao fim.

LEIA MAIS:

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Sinais de melhora na economia, mas é cedo para comemorar, Celso Ming, OESP

Celso Ming, O Estado de S.Paulo
21 de novembro de 2019 | 19h40

Depois de longa temporada de baixo-astral, espraia-se pelo País a sensação de que a economia está em recuperação, um tanto lenta, mas, digamos, consistente.
Há boas indicações que justificam esse estado de espírito. Um dos medidores da pulsação, o Monitor do PIB, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que, até setembro, o ritmo dos negócios em 12 meses aumentou 0,9%, graças ao “bom desempenho na agropecuária, indústria (exceto transformação) e serviços (exceto transportes e intermediação financeira)”.
O consumo das famílias avançou 1,9% no terceiro trimestre em comparação com o terceiro trimestre de 2018. As projeções do mercado, medidas pela Pesquisa Focus, do Banco Central, indicam avanço da renda de 0,92% em 2019. Há uma apreciável melhora no crédito, cujo estoque na rede bancária cresceu 5,8% em 12 meses (dados de setembro). Até mesmo os caminhoneiros, há alguns meses tão insatisfeitos com o comportamento de sua renda, mostram confiança com o aumento da procura por transporte de carga, meses antes do início das safras de grãos.
O agronegócio é o setor produtivo mais dinâmico. Deve entregar aumento de cerca de 1,8% nas safras de grãos, como atestam os últimos levantamentos da Conab. E, apesar do fiasco dos dois últimos leilões de áreas do pré-sal, o setor do petróleo aponta para forte aumento da produção em 2020, dos atuais 2,9 milhões de barris diários para alguma coisa em torno dos 3,7 milhões.
São sinais gratificantes que ganham bom reforço com a queda consistente da inflação e dos juros, mas que ainda não garantem firmeza porque sobre ele ainda pesam fatores contra.
A indústria de transformação, por exemplo, continua endividada e patina no negativo, tanto porque a Argentina, importante parceiro comercial do Brasil, está mergulhada na crise, como porque a economia mundial vem sendo esgarçada pela guerra comercial. Como mostram os dados do Ibre, o investimento interno aumentou 2,5% em bases anuais do terceiro trimestre, em todos os seus segmentos, principalmente em máquinas (+3,7%) e construção (+1,3%). Mas continua de breque puxado pelas incertezas. 
O mercado do trabalho emite certos sinais de melhora. Mas ainda há 25 milhões de brasileiros atolados no desemprego, no subemprego e no desalento, um passivo econômico que emperra o crescimento. É um universo que tolhe o aumento de renda, o consumo e, na ponta da corda, a produção.
Os prognósticos de quem põe a mão na massa são de que em 2020 o avanço do PIB será superior a 2,0%, como também indica a Pesquisa Focus. Mas é preciso cuidado. Os quatro últimos anos, inclusive este, começaram com promessas alvissareiras logo desidratadas porque a economia não entregou o prometido. E isso pode acontecer de novo.
Emprego
Fila em mutirão de emprego no centro de São Paulo. Foto: Felipe Rau/Estadão - 17/9/2019
É que investimentos e avanço nos negócios exigem um mínimo de previsibilidade, artigo hoje escasso. A economia mundial evolui muito devagar. As tensões entre as maiores potências do mundo podem refluir em alguma coisa graças ao início da temporada eleitoral nos Estados Unidos, mas apontam mais para acirramento do que para solução dos conflitos.
É verdade que por aqui algumas reformas andaram, como a da Previdência, o que não deixa de ser um alento para as contas públicas no longo prazo. Mas outras, como a tributária e administrativa, estão emperradas por falta de coordenação ou por excesso de protagonismo.
E há o esparramo produzido pelas incertezas da política. Sobram dúvidas sobre a sustentabilidade do governo Bolsonaro, que tem uma agenda confusa e não consegue definir prioridades.
Por isso, um brinde e mais outro aos fatores que têm ajudado na recuperação. Mas cuidado com comemorações antecipadas.

Como o 5G reflete a encrenca brasileira, PEDRO DORIA, OESP


Imagem Pedro Doria



5G é prioridade de desenvolvimento econômico. Já passou a hora de fazer o leilão. 
21/11/2019 | 19h37
 Por Pedro Doria - O Estado de S. Paulo