segunda-feira, 25 de julho de 2016

Despoluição do Tietê já custou R$ 8,1 bilhões e está longe de acabar, O Globo

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Governo ainda terá que gastar R$ 4 bilhões nos próximos dez anos para limpar o maior rio de São Paulo; água poderia ser usada contra seca

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PA Bariri SP 05/08/2014. Obra paralisada no Rio Tiête: custos elevados e prazos estendidos - Marcos Alves / Marcos Alves/ Agência O Globo
SÃO PAULO - O projeto de despoluição do Rio Tietê, que corta quase todo o estado de São Paulo, começou há 23 anos e já consumiu US$ 2,65 bilhões (o equivalente a R$ 8,1 bilhões, em valores atuais), entre investimentos do governo do estado e de organismos internacionais. Para que o rio deixe de ser considerado morto em um trecho que atravessa a capital paulista e parte da Grande São Paulo ainda serão necessários 10 anos de obras e um investimento de cerca de R$ 4 bilhões.
Inicialmente, o projeto de despoluição terminaria em 2022, mas o prazo foi estendido em três anos. Em setembro de 2012, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a anunciar que o rio estaria sem cheiro e seria habitado por algumas espécies de peixes em 2015. Mas basta uma volta de carro pela congestionada Marginal Tietê para concluir que isso não aconteceu: o rio continua sujo e, em alguns trechos com cheiro forte.
A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) afirma que os objetivos do ProjetoTietê foram alcançados dentro do cronograma. A mancha de poluição do rio recuou 70% desde que o programa de poluição teve início, segundo a ONG SOS Mata Atlântica, que monitora a qualidade do rio mensalmente. Ainda de acordo com a Sabesp, a empresa vai universalizar o tratamento de esgoto no interior até o fim do ano.
Especialistas dizem que projetos de despoluição de rios costumam mesmo demorar décadas, embora reconheçam que há atrasos no cronograma paulista. Ambientalistas lembram que o projeto é importante, principalmente para que o estado enfrente a crise de falta d’água que começou ano passado. Se o Tietê estivesse limpo, sua água poderia ser bombeada pelo Rio Pinheiros, também poluído, para a Represa Billings.
- Mudou a lógica da sociedade em relação à década de 1990, quando o projeto começou. Antes, era uma questão de deixar de ter vergonha do rio. Depois, passou a ser de ter integração do rio com a cidade. E agora é algo à frente: São Paulo precisa da água do Tietê para beber. Não dá para dizer que São Paulo não tem água. São Paulo não tem água de qualidade - afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Rede de Águas da SOS Mata Atlântica.
Para alcançar sucesso, os responsáveis pelo projeto precisam articular suas ações com projetos de coleta de lixo e tratamento de esgoto de diferentes municípios da Grande São Paulo, segundo Malu. Até hoje, indústrias e residências da Grande São Paulo jogam seus esgotos sem tratamento direto no Tietê.
A degradação do rio começou na década de 1940, devido ao crescimento populacional de São Paulo e da instalação de indústrias que não tratavam esgoto na Zona Norte da capital e em municípios da Região Metropolitana. A utilização do rio como um espaço de lazer e disputa de regatas perdeu espaço definitivamente após 1957, quando foram inaguradas as avenidas marginais.
A primeira fase do projeto Tietê, entre 1992 e 1998, consumiu US$ 1,1 bilhão. A segunda etapa, entre 2000 e 2008, custou outros US$ 500 milhões. A fase seguinte, de 2009 a 2015, foi orçada em US$ 1,05 bilhão. O objetivo desta etapa é elevar a coleta de esgotos na região metropolitana de 85% para 87% e ampliar o serviço de tratamento de esgotos de 78% para 84%. A quarta fase é orçada em R$ 4 bilhões e deve acabar em 2025, segundo a Sabesp.


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