sexta-feira, 27 de março de 2026

São Caetano do Sul (SP) lidera ranking de desenvolvimento sustentável no país, FSp

 Amanda Mota

São Paulo (SP)

São Caetano do Sul (SP), no ABC paulista, alcançou a melhor classificação no Índice de Ecossistemas de Impacto (Indei), que analisou 139 municípios segundo aspectos econômicos, ambientais e socioculturais.

Lançado neste mês, o estudo mapeia como municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes oferecem condições para que iniciativas de impacto socioambiental prosperem, a partir de 63 indicadores públicos.

Desenvolvido pelo Impact Hub —rede global de apoio a empreendedores de impacto— em parceria com o Instituto Sabin, que fomenta inovação social, o índice analisa oportunidades e fragilidades em cada território.

Bairro Santa Paula localizado no município de São Caetano do Sul (SP) - Eduardo Knapp/Folhapress

"Estamos em 14 estados, além do Distrito Federal. Fazemos trabalhos para comunidades, por exemplo, de Blumenau (SC) e Boa Vista (RR), com contextos e desafios socioambientais completamente diferentes. Então, precisamos nos adequar à necessidade de cada território", afirma Gabriel Cardoso, gerente executivo do Instituto Sabin.

A proximidade com a capital paulista, a dimensão territorial compacta e serviços públicos catapultaram São Caetano do Sul para o primeiro lugar do ranking.

"Com território totalmente urbanizado, o município oferece bons serviços de educação e cultura e apresenta soluções para desafios como coleta de resíduos, saneamento básico e transporte público", explica Gabriela Werner, presidente do Impact Hub.

São Caetano do Sul tem 165 mil habitantes e alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,862. "O município transforma proximidade física em acesso a oportunidades, educação e qualidade urbana", completa Werner.

Também se destacaram nos três eixos da pesquisa capitais como Florianópolis (SC), com IDH de 0,847 e 587 mil habitantes, e Vitória (ES) com IDH de 0,845 e 343 mil habitantes, além de cidades como Maricá (RJ), com IDH de 0,765 e 212 mil habitantes, e Nova Lima (MG), com IDH de 70,02 e população de 120 mil habitantes, segundo dados do IBGE.

A metodologia do estudo utiliza indicadores de órgãos públicos —como do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica)MEC (Ministério da Educação)InepPIB IDSC (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades)— para medir aspectos econômicos, ambientais e socioculturais.

O PIB, por exemplo, corresponde apenas a 14% da composição do Indei. "O desenvolvimento de um território não se explica por um único indicador. Há outros fatores que pesam e que muitas vezes são negligenciados", afirma Werner.

A análise é guiada pelo Índice de Prosperidade, que mede a capacidade de um território equilibrar os três eixos. As notas variam de zero a dez.

A metodologia do estudo adota como referência o melhor desempenho obtido entre os municípios —ou seja, aquele que recebe a nota máxima—, e os demais são avaliados proporcionalmente. "Ao invés de considerar um ideal inatingível, consideramos a melhor prática existente no Brasil", afirma Werner.

Municípios com os maiores índices de prosperidade

Notas de 0 a 10, parametrizada pelo melhor desempenho registrado

  1. São Caetano do Sul (SP)

    4,34

  2. Florianópolis (SC)

    4,28

  3. Vitória (ES)

    4,25

  4. Maricá (RJ)

    4,20

  5. Nova Lima (MG)

    4,12

  6. Curitiba (PR)

    4,06

  7. Barueri (SP)

    4,05

  8. Erechim (RS)

    4,03

  9. Lavras (MG)

    4,01

  10. Botucatu (SP)

    4,00

Os resultados do Indei apontam que municípios de porte médio, com população entre 300 mil e 1 milhão de habitantes, tendem a apresentar maior equilíbrio entre os indicadores.

"A gente vê essa tendência na escolha de pessoas que, cada vez mais, vão morar em municípios médios", acrescenta a presidente do Impact Hub.

O estudo também traça um panorama regional. Nenhum município do Nordeste lidera o eixo econômico-empresarial, embora a região se destaque no âmbito sociocultural, ao lado de Centro-Oeste e Norte.

Já Sul e Sudeste concentram os melhores resultados no eixo econômico-empresarial, mas apresentam os piores desempenhos na categoria sociocultural.

PANORAMA GERAL DO ÍNDICE POR GRANDE REGIÃO

Notas de 0 a 10, parametrizada pelo melhor desempenho registrado

  1. Centro-Oeste

    3,47

  2. Sul

    3,46

  3. Sudeste

    3,44

  4. Nordeste

    3,23

  5. Norte

    3,18

Além do diagnóstico, o índice permite a comparação entre municípios com características semelhantes, o que pode orientar a implementação de políticas públicas eficazes.

"É uma ferramenta para que gestores públicos tomem decisões baseadas em evidências, mas também para que investidores e empreendedores possam criar soluções que ajudem esses municípios a avançar nas áreas que eles mais precisam."

O Indei será atualizado a cada dois anos, com a proposta de acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo. A ferramenta é pública e gratuita, disponível para qualquer município e instituição interessada.

Bolsonarismo afunda seu próprio berço, o Rio de Janeiro, Alvaro Costa e Silva, FSP

 

Que coincidência, não? No julgamento do TSE que condenou Cláudio Castro por abuso de poder político, econômico, irregularidades em gastos de campanha e conduta proibida a agentes públicos no período eleitoral de 2022, Nunes Marques votou a favor do réu. E André Mendonça divergiu da maioria, rejeitando a aplicação de inelegibilidade ao ex-governador. Os dois ministros foram indicados por Bolsonaro.

"As irregularidades abundam", resumiu o ministro Floriano Azevedo Marques, referindo-se à utilização da máquina pública, que no Rio de Janeiro está nas mãos do bolsonarismo há quase oito anos. Clientelista e corrupta, a gestão Castro foi um desastre geral e letal. Deixa como legado a chacina no Alemão e na Penha, 121 mortos —exploração midiática e eleitoreira que não abalou o poder das facções criminosas. Cerca de 4 milhões de pessoas vivem em territórios dominados.

Três homens vestidos com ternos escuros e gravatas apertam as mãos e sorriem em ambiente interno. Ao fundo, uma tela exibe as cores da bandeira do Brasil em amarelo, verde e azul.
Flávio Bolsonaro anuncia apoio ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e ao deputado Douglas Ruas, em evento realizado na sede do PL, em Brasília - Gabriela Biló - 24.fev.26/Folhapress

Castro foi um fracasso longevo. Ficou mais de 2.000 dias no Palácio Guanabara. Renunciou ao cargo como o primeiro governador eleito em mais de três décadas que não inaugurou uma única estação de metrô. Na saúde, produziu o escândalo dos transplantes, em que seis pacientes receberam órgãos contaminados com o vírus HIV. O banco Master não poderia faltar em seu currículo. O Rioprevidência é investigado pela PF por investimentos de R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao banco. Para 2026, a previsão do déficit orçamentário é de R$ 18,9 bilhões, o maior em cinco anos. No total, o Rio deve R$ 238 bilhões (84% à União).

Espelhando a tática dos governos de direita e de extrema direita, o Rio sob Castro viveu da propaganda enganosa de combater o crime. A operação Anomalia, da PF, revelou que policiais civis e militares usavam a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho. O ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar —candidato do capitão ao governo fluminense— foi denunciado pela PGR por vazar informações ao CV.

É um caso especial de brutalidade: o bolsonarismo destruindo seu próprio berço, o Rio de Janeiro.


6 motivos para assistir ‘A Graça’, novo filme de Paolo Sorrentino, Rolling Stones

 Depois de render a Toni Servillo (A Mão de Deus) a Copa Volpi de Melhor Ator na 82ª edição do Festival de Veneza, o longa A Graça, do italiano Paolo Sorrentino (A Grande Beleza), chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), em um lançamento que assinala a parceria inédita entre a MUBI e a Pandora Filmes.

Mais de 20 cidades brasileiras recebem a estreia – entre elas Belém, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, Vitória, Curitiba e Florianópolis. Saiba mais sobre a história a seguir e confira 6 motivos para assistir à sétima parceria entre Toni e Paolo:

Qual é a história de A Graça?

A Graça é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

1. Trilha sonora impactante

Paolo Sorrentino mergulha na cena eletrônica italiana – e põe um hino do rap ecoando em pleno Palazzo del Quirinale – antiga residência papal e hoje morada oficial do Presidente da República, um dos símbolos do Estado em Roma. Algumas outras faixas que estão no filme:
  • 5 mins df Acid (DJ KI/KI)
  • “Surf Rider” da dupla francesa de música eletrônica Il Est Villaine
  • “Le Bimbe Piangono” de Gué Pequeno
  • Delta (Sounds from air), de Max Casacci (Subsonica)

2. A Graça é um filme sobre amor

Aquele motor inesgotável que dá origem à dúvida, ciúme, ternura, emoção, compreensão das coisas da vida e responsabilidade. O amor e todos os seus intrincados desdobramentos são vistos e vividos através dos olhos de Mariano De Santis, um Presidente da República Italiana inteiramente fictício, mas credível. Mariano De Santis ama a sua falecida esposa, ama a sua filha e o seu filho e a lacuna geracional que os separa dele. Ele ama o direito penal, que estudou toda a sua vida. Por trás da sua postura séria e austera, Mariano De Santis é um homem de amor.

3. A Graça é um filme sobre a dúvida

E a necessidade de abraçá-la. Isto é especialmente verdade na política e ainda mais hoje, num mundo onde os políticos apresentam demasiadas vezes um pacote contundente de certezas que só causam danos, atritos e ressentimentos. Isto mina o bem-estar coletivo, o diálogo e a harmonia geral. Mariano De Santis é um homem movido pela dúvida.

4. A Graça é um filme sobre responsabilidade

Outra qualidade que deveria pertencer a todos nós, mas que, acima de tudo, deveria definir os políticos, aqueles que representam os outros e guiam ou moldam as decisões. A responsabilidade é também algo de que sentimos a ausência; uma evasão quase intencional que hoje dá lugar a exibições vazias e a posturas musculosas: prejudiciais, para não dizer totalmente perigosas. Mariano De Santis é um homem responsável.

5. A Graça é um filme sobre paternidade

Os políticos são dignos do nome apenas se incorporarem a qualidade nobre e tranquilizadora da parentalidade, e não se caírem no papel, tão caro a certos políticos hoje, do filho rebelde. Mariano De Santis é um pai nobre. Mas, como um homem inteligente guiado pela dúvida, ele sabe quando é hora de se tornar filho novamente. À medida que a idade avança e o presente começa a parecer incompreensível, em vez de o desprezar ou se perder em ataques fúteis de nostalgia, ele se abre ao presente através dos seus filhos, que estão mais bem equipados para compreender o mundo que os rodeia. E ele confia neles. Mariano De Santis é um pai notável.

6. A Graça é um filme sobre um dilema moral

Se deve ou não conceder clemência a dois indivíduos que cometeram assassinato, embora talvez em circunstâncias que pudessem ser perdoadas. Se deve ou não, como católico, assinar um projeto de lei problemático sobre eutanásia.