domingo, 22 de março de 2026

Contra seu tempo, Ian McEwan confronta mal-estar do presente em livro, FSP

 

Faz duas semanas, num voo entre Porto Seguro e São Paulo, um homem teve uma parada cardíaca fulminante e morreu antes de podermos pousar em Vitória. Eu estava na frente do avião e demorei a entender por que alguns passageiros corriam para o fundo, com os celulares na mão e as câmeras ligadas, depois de um dos tripulantes invocar, pelo alto-falante, a presença de um médico.

Como se não bastasse o horror da realidade irreversível, a imagem dos passageiros gravando com seus celulares a morte de um homem contribuiu com uma dimensão ao mesmo tempo patética e sinistra para a leitura que eu vinha fazendo desde que embarquei.

"O Que Podemos Saber", de Ian McEwan, sai em março pela Companhia das Letras. É um livro sobre o mal-estar do presente. Num futuro pós-apocalíptico, um professor universitário busca um poema supostamente genial, perdido cem anos antes (nos dias atuais), quando os piores prognósticos do aquecimento global e de uma guerra nuclear ainda não se concretizaram.

Homem maduro com pele clara e cabelos grisalhos, vestindo camisa branca, olhando diretamente para a câmera com fundo preto.
O escritor Ian McEwan - Joel Saget - 2.out.23/AFP

Por meio do deslocamento da narrativa para depois da catástrofe, quando a humanidade já está reduzida à metade e o peso dos anos envolve o desaparecimento do poema numa mística de especulações, McEwan faz referência à negação suicida do que é evidente, do que está diante de nós, mas que não podemos (ou não queremos) ver na transparência do presente. É uma reflexão admonitória sobre o que se perdeu quando já não é possível voltar atrás.

Como explicar que está tudo errado a passageiros com celulares na mão, gravando e exibindo a morte de um homem, se eles não conseguem entender isso por conta própria? Se são capazes de fazer o mesmo, diariamente, com suas próprias vidas?

"O Que Podemos Saber" é um romance sobre a literatura e o presente. A certa altura, surge a questão da responsabilidade do escritor e do que pode o realismo diante da cegueira suicida do mundo. Por um momento parece que o autor, por meio do debate entre seus personagens, vai pôr em dúvida o realismo que ele acredita praticar. Não dura muito tempo.

É natural que, assim como, apesar da nossa consciência, não conseguimos nos livrar do modo de vida que nos mata, tampouco um autor consiga levar a cabo o questionamento do próprio romance como representação do tempo em que ele vive.

Mais de uma vez, por intermédio de uma personagem secundária, professora de literatura francesa, McEwan recorre, como paradigma moral, à conferência "O Artista e Seu Tempo", proferida por Albert Camus, na Suécia, em 14 de dezembro de 1957, dias depois da cerimônia de entrega do prêmio Nobel.

Com base numa frase fora de contexto ("A arte vive de limites e morre de liberdade"), a professora conclui que "talvez Camus estivesse rejeitando a experimentação literária". A conclusão capciosa na verdade endossa um lugar-comum que o romance já havia manifestado ao ironizar os clichês de outra personagem, uma escritora minimalista e "demasiado intelectual", cujo sucesso acabou reduzido a um punhado de acadêmicos.

Na crítica fácil do que parece difícil, a professora de francês (não dá para saber quanto desse juízo é compartilhado pelo autor) confunde realismo com kitsch, com o estilo mais adequado às convenções e ao gosto do seu tempo. Na sua leitura preconceituosa dos "experimentalismos", ela propõe uma literatura mais direta e mais simples para tempos difíceis.

Não é o que Camus diz em sua conferência de 1957. Em meio à gritaria dos mandamentos e das normas, encurralado entre a ordem do realismo socialista e a irresponsabilidade da arte pela arte, o escritor louva o risco contra todas as igrejas. A conferência é sobre coragem, não sobre regras, convenções e preconceitos: "Criar hoje é criar perigosamente".

Camus faz o elogio da ruptura, de RimbaudNietzsche e Strindberg, da literatura contra os juízes do seu tempo: "Somente no risco se encontra a liberdade da arte. (...) O artista livre, não menos que o homem livre, não é o homem do conforto. O artista livre é aquele que, sob grande pena, cria a sua própria ordem".


Marcus André Melo - Master: entre a punição de malfeitos e o conluio generalizado, FSP

 Há perplexidade generalizada diante da estrutura tentacular e de dimensões colossais do affair Master. Sobra (quase) ninguém! A mais recente revelação: o filho de um ministro do STF e a nora do líder do governo no Senado teriam recebido somas milionárias do banco. O envolvimento de um número estarrecedor de atores —de autoridades dos três Poderes a empresários—, para além de qualquer clivagem ideológica, suscita uma questão central: quanto maior e mais diverso o número de implicados, maior a probabilidade de emergirem denúncias cruzadas que alimentem uma dinâmica de incriminação recíproca? A resposta otimista é: sim!

Fachada de vidro de agência do Banco Master com logo azul e branco e nome em letras metálicas fixadas na parede externa.
Fachada da sede do Banco Master, no bairro da Vila Olímpia, zona sul de São Paulo - Rafaela Araújo - 29.dez.25/Folhapress

O primeiro a formular essa intuição foi Madison, nos "Federalist Papers". Para ele, o arranjo institucional mais eficaz no controle dos governantes é aquele baseado no controle recíproco entre interesses rivais. A ambição, dizia, deve ser colocada contra a ambição. Não se trata de confiar na virtude dos governantes, mas de estruturar instituições e incentivos de tal forma que interesses em competição se vigiem mutuamente.

O caso Master exibe grande complexidade, pois envolve uma estrutura em dois níveis interligados. O primeiro diz respeito ao ambiente externo ao Supremo. Aqui a pluralidade está associada a custos reputacionais impostos pela imprensa independente e agências semi autônomas (Polícia Federal, por exemplo). E clivagens entre setores empresariais (bancos grandes e pequenos, etc.) ou agentes políticos rivais. O segundo refere-se ao ambiente interno do Supremo (divisões nas turmas e plenário). O caso é absolutamente singular: as denúncias atingem diversos membros da corte. A questão central remete aos desdobramentos do caso após eventual delação do controlador do Banco: as delações no caso serão apreciadas pelos próprios implicados?

Madison é guia para compreender a interação entre instituições —sobretudo entre os três Poderes—, mas suas intuições também se aplicam aos indivíduos. Basta considerar o contrafactual: se o relator sorteado não fosse André Mendonça, qual seria o desfecho? E se os ministros do STF tivessem sido nomeados por um único presidente ou por uma mesma facção político-partidária? A conclusão é clara: o pior arranjo para a accountability democrática ocorre quando há controle hegemônico de um único grupo. Ou seja, o número elevado de interesses contrariados geraria problemas de coordenação suficientes para inviabilizar uma reação consertada.

Mas a resposta à pergunta inicial pode também ser: não! Quando muitos interesses são afetados —ainda que rivais— e o grau de comprometimento ultrapassa certos limiares, o resultado é o conluio geral. Aqui é terra arrasada: o grau de comprometimento dos principais atores políticos é tal que aumentariam brutalmente as chances de um acordo tácito entre as partes —mesmo com clivagens múltiplas (governo/oposição; esquerda/direita)— para garantir impunidade recíproca. Mesmo teoricamente rival do Executivo, setores majoritários do Senado alinham-se com a impunidade no Executivo e na corte.

A experiência da Lava Jato, no entanto, sugere a ocorrência de acertos de contas pós-julgamento. A revelação de transferências da J&F para compradores do Taiaia é mais um indício. Desta vez será diferente?


Brasil ganha parque marinho de um milhão de hectares e 160 km de praia; veja como é, OESP

 Uma área equivalente a 1 milhão de campos de futebol, que se estende por 160 km de praia no extremo sul da costa brasileira, no Rio Grande do Sul, foi transformada em parque marinho para proteger baleias, tubarões e espécies ameaçadas de extinção, como a toninha. O Parque Nacional do Albardão, criado no último dia 6, tem 1.001.480 hectares, área quase 100 vezes maior que o parque marinho de Fernando de Noronha (PE), 73 vezes o das Ilhas dos Currais e 11 vezes o de Abrolhos (BA), os três que já existiam no país.

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Pesquisadores e ambientalistas dizem que a unidade de conservação é essencial para a proteção de espécies ameaçadas de extinção e para o repovoamento de estoques pesqueiros, reduzidos pela pesca industrial intensiva.

Moradores da região avaliam impactos negativos na economia. Um projeto protocolado na Câmara dos Deputados tenta derrubar o decreto que criou o Albardão, alegando falta de discussão prévia e prejuízos para a população local.

Para você

O sindicato que representa os pescadores da região Sul afirma que a criação do parque vai afetar o setor pesqueiro nacional sem garantir a preservação do Albardão, que ficará exposto a barcos pesqueiros do exterior.

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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) diz que a criação das unidades foi precedida de audiências públicas e que o uso indireto dos recursos naturais por meio de atividades de ecoturismo e visitação é um dos objetivos de criação de unidades da categoria Parque Nacional.

Para o pesquisador Eduardo Secchi, do Instituto de Oceanografia da Universidade de Rio Grande (FURG), o parque barra a pesca industrial predatória que está causando a morte de 2 mil a 4 mil toninhas por ano, o que pode conduzir a espécie à extinção. “A espécie é a única representante viva da família Pontoporiidae. A extinção da toninha representaria o fim de uma linhagem evolutiva”, diz.

A reportagem entrou em contato com o Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Sul e do Vale do Itajaí (SC) e aguarda retorno.

Além do parque marinho, que avança da praia, mar adentro, até cerca de 180 km, foi criada uma Área de Proteção Ambiental (APA) com 55.983 hectares para proteger a região costeira, no litoral sul do Rio Grande do Sul. As unidades de conservação ficam no município gaúcho de Santa Vitória do Palmar. Conforme o pesquisador, a região tem biodiversidade singular, marcada pela influência do mar patagônico.

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O decreto presidencial foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União no dia 6 de março, mas os estudos para a criação do parque começaram há mais de 30 anos. Duas audiências públicas foram realizadas em abril de 2024, na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e no campus da FURG em Santa Vitória do Palmar.

O projeto final do ICMBio estabeleceu um mosaico de áreas de proteção integral e de uso sustentável – nestas, são permitidas atividades econômicas de baixo impacto, como a pesca artesanal. Estudos da FURG e do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) subsidiaram a criação do parque.

No último ano, a SOS Oceano – coalizão formada por organizações como o próprio Nema, Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, Projeto Golfinho Rotador, Divers for Sharks, Cátedras Unesco e Tubarões e Raias de Noronha – intensificou o diálogo com os governos estadual e federal, além de mobilizar a sociedade civil pela criação do parque. “A região tem relevância internacional por sua conexão com o mar patagônico, influenciando populações de fauna que chegam até a Antártica. A proteção da área também pode gerar renda com o turismo e fortalecer a pesca no entorno, ao recuperar os estoques dentro do parque e repovoar áreas vizinhas”, diz Ângela Kuczach, articuladora da aliança SOS Oceano.

Para Maria Carolina Weigert, bióloga e diretora do Nema, o Albardão chegou ao seu limite e a criação do parque já não podia mais esperar. “Agora começa uma nova etapa, que é garantir a efetiva implementação e proteção dessa área”, diz. Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil, diz que o parque é um avanço importante, mas não encerra os desafios da conservação marinha no país. “A luta pela proteção dos oceanos continua – hoje, menos de 3% do oceano brasileiro está protegido de forma integral”, diz.

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Aplaudida por ambientalistas e pesquisadores, a criação do parque é vista com preocupação por quem mora e trabalha na região. O prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Salarayan (MDB) diz que a economia do município pode ser prejudicada.

“Quando o pessoal do ICMBio nos apresentou o projeto, foi dito que o parque marinho e a APA iriam estimular atividades turísticas. Nós temos 160 km de praia, é a maior praia do Brasil e já exploramos o turismo off-road. Mas o parque está criado e essas atividades só serão reguladas no plano de manejo, que ninguém sabe como vai ser. É como se tivéssemos assinado um cheque em branco”, diz.

Segundo o prefeito, a região tem grande potencial para parque eólicos e há incerteza quanto à garantia de que podem ser instalados. “O projeto deixa a possibilidade de ter pás eólicas em corredores que estão fora da área protegida, mas o investidor pode optar pelo Nordeste, onde não há restrições como vamos ter”, diz. Ele afirma que a grande maioria da população é contra o projeto, mas não teve oportunidade de se manifestar porque a audiência pública tinha um número limitado de assentos.

No último dia 9, o deputado federal Alceu Moreira (MDB) protocolou proposta na Câmara dos Deputados para impedir a criação do parque. Segundo o parlamentar, a reserva de 1 milhão de hectares “impõe severas restrições ao uso de um vasto território, afetando de forma drástica e imediata a vida de milhares de cidadãos gaúchos”. Ele aponta impacto na pesca, nos projetos de energia eólica e no direito de propriedade dos moradores da área. O pedido de urgência – que dispensaria passar pelas comissões – ainda é analisado.

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Secchi diz que a região do Albardão é considerada uma área oceânica estratégica para proteger golfinhos, tartarugas e raias da pesca de emalhe – onde grandes redes retangulares são suspensas verticalmente na água, prendendo peixes e animais marinhos em suas malhas – que a criação da unidade vai resguardar. “O problema é a pesca industrial por frotas de barcos que vêm de portos catarinenses, como Itajaí e Navegantes, atrás de cardumes de corvinas. Como o Albardão se conecta com o Uruguai, onde o esforço de pesca é pequeno, vamos ter um santuário para dar um alívio às espécies.”

A mais ameaçada é a toninha (Pontoporia blainvillei), do grupo dos golfinhos de rios, que é o menor golfinho do Atlântico Sul, conhecido como “franciscana”, classificado como “criticamente em perigo” na lista nacional de espécies ameaçadas. Estudos da FURG apontam que a maioria das mortes ocorre após elas ficarem presas nas redes de emalhe.

Apenas em dezembro de 2025, 139 toninhas foram encontradas mortas ao longo da Praia do Cassino, faixa costeira que se estende do município de Rio Grande até a divisa com o Uruguai. No mês anterior, outros 82 indivíduos já haviam sido registrados.

Segundo Secchi, que pesquisa as toninhas há mais de 20 anos, apenas 10% dessas mortes no mar chegam a ser registradas porque os corpos chegam nas praias. Com base nesses estudos, estima-se que entre 2 e 4 mil toninhas morram por ano no litoral gaúcho devido à captura acidental em redes de pesca. A mortalidade chega ao dobro da natalidade, o que pode levar a espécie à extinção em poucos anos.

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Para ele, as toninhas ainda não foram extintas na região porque a população é compartilhada com o Uruguai, de onde parte dos animais migra para o litoral brasileiro – são apenas 40 mil indivíduos da espécie nos dois territórios. “Hoje o Uruguai é uma fonte e o Brasil é um sumidouro de toninhas”, diz.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram encontradas também quase 400 tartarugas marinhas encalhadas ao longo da costa, na região do Albardão, além de outras espécies ameaçadas, como tubarões e arraias. Em um único dia de pesca, cerca de 300 embarcações operam na região, estendendo 3.500 km de redes.

O pesquisador explica que isso acontece porque o Albardão funciona como uma área de concentração de fauna marinha, provavelmente associada à maior disponibilidade de alimento, o que torna a região ainda mais vulnerável aos impactos da pesca. “A criação do parque não vai solucionar todos os problemas, mas se excluirmos a pesca industrial dessa região sensível, criamos um espaço de proteção que pode funcionar como um pequeno santuário para espécies ameaçadas e que se concentram ali”, afirma.

O Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), maior entidade do setor no país, sediada em Santa Catarina, manifestou “total desacordo” com o decreto que criou o Parque Nacional do Albardão. “A medida, embora sob o pretexto da conservação ambiental, ignora a realidade socioeconômica da pesca brasileira e impõe uma barreira intransponível à continuidade de uma atividade histórica e vital para o país.”

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Segundo a entidade, a criação do parque sob a categoria de proteção integral exclui completamente a pesca da região. “Existem outras formas de proteção e manejo que permitem a conservação do ecossistema sem a necessidade de expulsar a frota nacional. A proibição total coloca em risco imediato milhares de empregos diretos e indiretos, prejudicando o sustento de famílias que dependem da biodiversidade local de forma sustentável.”

O Sindipi destaca que o setor pesqueiro participou ativamente das duas audiências públicas realizadas sobre o tema. “No entanto, o que se viu foi a utilização dessa participação apenas como um instrumento de legitimação burocrática. Isto porque as recomendações técnicas enviadas pelo setor foram solenemente ignoradas, não houve, por parte dos órgãos proponentes, qualquer retorno ou justificativa sobre o aceite (ou a recusa) das sugestões apresentadas.”

O sindicato, que tem mais de 500 barcos de pesca associados, respondendo por 80% do atum e 92% da sardinha que abastecem o país, nega que a pesca industrial seja responsável pela morte das toninhas. “Espécies como toninhas, por exemplo, vivem a uma distância de até 5 milhas (9 km) da costa, onde a pesca industrial é terminantemente proibida de atuar. Ou seja, o impacto relacionado à mortalidade desses animais não é causado pelas embarcações industriais brasileiras, que são rastreadas e legalizadas.”

Ainda segundo o Sindipi, um ponto crítico ignorado pelo decreto é a localização estratégica do Albardão. “Por ser uma área limítrofe com outro país, a proibição da presença da frota brasileira cria um vácuo de ocupação. Sem a presença dos pescadores brasileiros — que atuam como verdadeiros ‘sentinelas’ do mar — a área ficará vulnerável à exploração ilegal e predatória por embarcações de bandeira externa, ferindo a soberania nacional.”

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O Sindipi acrescenta que defende a sustentabilidade, mas entende que ela não se faz com a simples exclusão da pesca. “As consequências imediatas são as de alta concentração das frotas nas áreas permitidas, com efeitos social e ambiental muito mais danosos e maiores que os pretensos benefícios ambientais da medida. Pedimos a revisão do modelo de proteção adotado para que a conservação ambiental caminhe lado a lado com a segurança alimentar e a economia do Brasil.”