domingo, 24 de maio de 2026

O segredo dos 103 anos do médico mais velho do mundo, The News

 

(Imagem: Reprodução)

Imagine que por mais de 70 anos sua vida se resume a mesma coisa todos os dias: entrar em um hospital, examinar pacientes e desvendar os mistérios do cérebro humano.

Essa foi a rotina do Dr. Howard Tucker, um neurologista americano que trabalhou ativamente até os 100 anos de idade e entrou para o Guinness World Records como o médico mais velho de todos os tempos.

Antes de falecer, aos 103 anosele deixou o que chamaram de ‘’receita médica’’ para uma vida mais longa e saudável. Diferente de ideias mirabolantes ou dietas restritivas, o segredo dele era simples:

1. A mente é um músculo 🧠

O primeiro grande pilar do Dr. Tucker era a recusa em parar de aprender. Para ele, a aposentadoria precoce é uma das maiores armadilhas para o cérebro.

  • Aos 60 anos, ele decidiu cursar Direito à noite, logo após os plantões médicos. Passou no exame da Ordem dos Advogados aos 67 anos, apenas pelo prazer de exercitar a mente.

Quando o hospital onde trabalhava fechou, ele não parou. Passou a fazer revisões médico-legais e até aprendeu a mexer nas redes sociais para continuar conectado com o mundo.

Para ele, se você não usa a mente, ela enfraquece. É como deixar de treinar braço na academia por 2 meses e esperar que ele continue crescendo.

2. O preço físico do ressentimento

Quando as pessoas perguntavam sobre exames de sangue ou rotinas de exercícios, o médico preferia falar sobre a saúde emocional. Para ele, carregar amargura é um veneno biológico.

A ciência médica hoje comprova o que o Dr. Tucker aplicava no dia a dia: a raiva crônica e o ressentimento aumentam a pressão arterial, disparam os hormônios do estresse e elevam drasticamente o risco de doenças cardíacas.

No fim das contas, o ódio consome uma energia preciosa que o corpo precisa para se regenerar. O segredo não é esquecer os problemas, mas simplesmente escolher seguir em frente.

3. Aprecie tudo com moderação

Sabe aquele papo de que você precisa se privar para viver melhor? Para Dr. Tucker, a lógica não funcionava bem assim. Ele disse não abrir mão de “um bom bife e de seu martini no final do dia”.

Ao lado de sua esposa, com quem foi casado por 68 anos, a regra de ouro na cozinha e na vida era o equilíbrio. O excesso desgasta o corpo, mas a restrição absoluta tira o prazer de viver. Para ele, a moderação é a única ferramenta capaz de tornar o prazer sustentável a longo prazo.

  • A longevidade, afinal, depende tanto da biologia quanto da nossa perspectiva diante dos dias.

No fim das contas, a receita do homem que venceu o tempo envolve manter a mente ocupada, o coração leve e a mesa equilibrada. Um plano simples o suficiente para qualquer um começar a praticar a partir de hoje.

Privatização da Eletrobras tem R$ 3,7 bi encalhados em fundos para rios e saneamento, FSP

Brasília

Mais de R$ 3,7 bilhões da privatização da Eletrobras estão parados em quatro fundos que deveriam ir para projetos de saneamento básico, revitalização de bacias hidrográficas e redução de custos de energia.

Os recursos estão encalhados em fundos alimentados pela Axia Energia —sucessora da estatal—, também responsável pela implementação dos empreendimentos.

A imagem apresenta o logotipo da Eletrobras em um fundo escuro. O logotipo é composto por um símbolo estilizado em forma de gota, com cores verde e azul, ao lado do nome 'Eletrobras' escrito em letras brancas.
O logo da Eletrobras exibido em uma bolsa de valores em Nova York - Brendan McDermid - 9.abr.2019/Reuters

Esses mecanismos foram criados para atender regiões como a Amazônia Legal, Furnas ou a Bacia do Rio São Francisco, e os rios Madeira e Tocantins. Eles começaram a funcionar em 2023, mas na prática estão sem uso.

Até agora foram executados pela empresa R$ 662,2 milhões, menos de 20% do total. Apenas 5 dos 247 projetos contemplados pelo mecanismo já foram concluídos até aqui, e mais da metade (145) sequer começou a ser realizado.

Parte do valor pago acaba retornando para a própria Axia, como forma de ressarcimento por tributos como PIS/Cofins ou por serviços administrativos. Esse montante soma R$ 40 milhões.

A empresa registrou um lucro líquido de R$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

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Procurada, a companhia disse que a destinação dos recursos "envolve etapas técnicas, ambientais e operacionais que exigem maturação prévia, detalhamento e cumprimento de requisitos legais para viabilizar a contratação e a implantação com segurança".

Segundo a empresa, muitas propostas chegam até ela ainda "em estágio inicial de estruturação", ainda com problemas formais, "o que demanda ajustes e complementações antes do início da execução."

"A Axia Energia tem atuado para dar maior agilidade a esse processo, com estrutura dedicada, equipe especializada, gestão de projetos e acompanhamento permanente", completa a companhia.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que participa da gestão desses recursos, disse que o processo "segue rigorosos critérios técnicos e de conformidade, com aprovação de projetos realizada por comitês interministeriais e monitoramento quinzenal".

"A implementação e o fluxo financeiro ocorrem de forma escalonada, conforme a disponibilização anual dos recursos pela Axia Energia e o cumprimento de normas de compliance nacionais e internacionais para a contratação dos empreendimentos", completou a pasta.

COMO FUNCIONA

A Eletrobras foi privatizada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Ela se tornou uma empresa privada de capital aberto, com controle pulverizado e, em 2025, acabou rebatizada de Axia Energia.

Uma das contrapartidas desse processo foi a criação de quatro fundos, alimentados com repasses anuais da companhia: o da bacia hidrográfica dos rios São Francisco e Parnaíba, o da região de Furnas, o da Amazônia Legal e o de Navegabilidade —voltado a obras de melhorias dos rios Madeira e Tocantins.

O dinheiro alocado nesses mecanismos fica sujeito a rendimentos e tem modelos de gestão diferentes entre si.

O fundo do São Francisco e Parnaíba, por exemplo, já recebeu R$ 1,5 bilhão da Axia, mas até agora executou apenas R$ 54,4 milhões. Ele atende 144 projetos em 740 municípios.

Se somados os rendimentos e descontado o que já foi gasto, o mecanismo acumula um saldo de R$ 1,7 bilhão que ainda não foi destinado a ações de revitalização das bacias hidrográficas mais importantes do Nordeste, com quase 640 mil km².

Quem seleciona os projetos aptos a receber o dinheiro é o governo federal, por meio de um comitê gestor comandado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mas a implementação dos empreendimentos é de responsabilidade da Axia.

O orçamento total das propostas já validadas pelo Executivo soma mais de R$ 3 bilhões para o fundo do São Francisco. Por outro lado, só R$ 545 milhões já passaram pela etapa de contratação, que é realizada pela empresa e precede a execução.

Em abril, o governo Lula (PT) decidiu cancelar R$ 250 milhões em projetos de saneamento nessa bacia hidrográfica que estavam aprovados, e realocar essa verba para outras áreas, como a revitalização de rios.

A justificativa para a decisão foi de que ela atingiu locais onde o serviço de esgoto havia sido privatizado.

O fundo da Amazônia já recebeu R$ 630 milhões até aqui e executou mais da metade disso, R$ 369 milhões —a maior parte, R$ 224,4 milhões, com a modicidade tarifária do estado do Amapá, ação para reduzir a conta de luz do estado.

Já o fundo para Navegabilidade está praticamente estagnado: nenhum edital foi publicado desde 2023 para seleção de empreendimentos de melhoria dos rios Madeira e São Francisco. O resultado é um acúmulo de R$ 446 milhões estacionados.

Ele só não está absolutamente parado porque registrou uma execução de R$ 6 milhões, mas dos quais R$ 5,9 milhões foram como ressarcimento para a própria Axia —do restante, R$ 50 mil foram para auditorias e R$ 20 mil são referentes a diárias de viagens de um integrante do comitê.

Ou seja, nada foi gasto com projetos de recuperação da navegabilidade dos rios Tocantins ou Madeira.

No caso do fundo do São Francisco, quase um quarto de todo o valor executado foi por ressarcimento à empresa —R$ 12,7 milhões de R$ 54 milhões.

Os mecanismos de transparência também apresentam problemas. Há divergência de dados, por exemplo, entre diferentes páginas que deveriam mostrar a destinação desses recursos.

No site oficial da Axia, consta que foram executados R$ 369 milhões do fundo da Amazônia Legal.

Já em outra plataforma (um PowerBI, também administrado pela empresa, mas com fontes de dados diferentes), consta uma realização de apenas R$ 1,3 milhão.

Para os cálculos desta reportagem, a Folha decidiu usar o maior valor, por constar na tabela de prestação de contas junto com a relação de todos os projetos contemplados com os pagamentos.

A Axia foi reiteradamente questionada, desde a última segunda (18), sobre as divergências. Ela respondeu apenas de forma genérica.

Efêmeros, mas eternos, Ruy Castro ,FSP

 Eu sei, é besteira lutar contra a tecnologia —por que andar a pé se inventaram a roda?, dirão alguns—, mas não somos obrigados a aplaudir tudo, somos? Uma das coisas que a tecnologia aposentou há tempos, e de que poucos se deram conta, foram os flyers, aqueles volantes impressos anunciando o lançamento de um filme, a abertura de uma exposição, a estreia de uma peça. Eram panfletos coloridos que nos chegavam às mãos, cumpriam sua humilde função de nos informar e, em seguida, eram deixados de lado, esquecidos, jogados fora. Às vezes, anos depois, alguns ressurgiam dentro de um livro ou gaveta, e despertavam boas lembranças.

Os flyers eram pôsteres em miniatura. Reproduziam a programação visual do evento ou do objeto que anunciavam. Sua variedade gráfica era um show. Havia-os de inúmeros estilos, designs, cores, fontes, letterings, tudo no formato perfeito de um cartão-postal. Não quer dizer que, hoje, tenham deixado de existir. Continuam a ser produzidos, só que para o celular ou para o computador, chamados de "cards", e, assim que lidos, desaparecem no turbilhão de mensagens recebidas. Se, em papel, já eram uma mídia efêmera, agora nascem e morrem no espaço e quase ao mesmo tempo.

Há muitos livros ilustrados, luxuosos, pesados, de coffee table, dedicados aos pôsters. Aos flyers, nunca vi nenhum. E, se já tiverem sido feitos, qual foi o critério para selecioná-los? Por país, por época, por especialidade? Eu escolheria todas essas possibilidades.

Por acaso, e sem nenhuma intenção definida —apenas os achava bonitos e tinha pena de atirá-los fora—, dediquei-me nos últimos 30 anos a jogar numa caixa os flyers que recebia. Lotada aquela, providenciei outra. E outra. Há dias, vasculhando um armário, achei aquelas caixas com pilhas de flyers. Anunciavam livros, filmes, peças, shows, coquetéis, exposições e palestras que, nesses anos todos, já foram para o limbo.

Ou não. Revolvendo-os ao acaso naquelas caixas, era como se descobrisse uma eternidade em sua arte tão humilde e tão útil.

Apanhado de antigos flyers anunciando eventos artísticos e literários no Rio - Heloisa Seixas