quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Núcleo do PT indica a Lula nomes do partido para Ministério da Segurança Pública, FSp

 O Setorial de Segurança Pública do PT enviou uma carta ao presidente do partido, Edinho Silva, na qual sugere que ele indique a Lula três nomes de petistas para comandar o Ministério da Segurança Pública, após o presidente sinalizar que a pasta pode ser recriada neste ano.

A carta, datada desta terça-feira (6), é assinada por Abdael Ambruster, coordenador nacional do Setorial de Segurança Pública do PT. Os nomes sugeridos são o do ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, o da deputada federal e delegada de polícia Adriana Accorsi e o de Benedito Mariano, ex-ouvidor da Polícia de SP e secretário de diversas Prefeituras do PT.

Homem idoso com barba branca veste colete verde e camisa branca, segurando microfone na mão direita e apontando com a esquerda. Fundo desfocado com bandeiras coloridas.
Presidente Lula em abertura de conferência sobre assistência social em Brasília - Lucio Tavora - 8.dez.25/Xinhua

No documento, ele afirma que a direita e a extrema direita se apropriaram da agenda de segurança pública. "Hoje, a extrema direita, liderada pelo bolsonarismo, deu significado ideológico, mobilizou segmentos significativos das corporações policiais, propôs o armamento da população", indica.

O texto propõe ao governo federal uma mobilização para "implementar um pacto nacional capaz de reduzir a violência, enfrentar o crime organizado e viabilizar uma segurança cidadã".

A carta prossegue e ressalta que o tema de segurança pública será um dos principais da disputa eleitoral.

O setorial defende a criação da pasta como uma forma de materializar as diretrizes previstas na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, no projeto de lei Antifacção e de novos programas nacionais para enfrentar as facções criminosas e o crime comum.

Também argumenta que a segurança pública seja pautada na inteligência policial, na prevenção e na repressão qualificada para "asfixiar as facções criminosas, dentre as quais estão as milícias".

Saída de Vera Magalhães do Roda Viva é movimento de renovação, diz presidente de fundação, FSP

 Victória Cócolo

saída da jornalista Vera Magalhães do programa Roda Viva, após seis anos no comando da atração, faz parte de um "movimento de renovação" da emissora. A afirmação é de Maria Angela de Jesus, presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a TV Cultura.

"O Roda Viva é o programa mais longevo da Cultura. Em 40 anos, já teve 14 apresentadores. Essa oxigenação faz parte do perfil da atração", disse ela, rebatendo declaração do ex-diretor de jornalismo da emissora, Leão Serva, que disse, tanto em post nas redes sociais quanto à coluna, que o ato era "uma burrice".

A jornalista Vera Magalhães - Tv Cultura

Serva foi diretor de jornalismo da emissora entre 2019 e 2023. Ele assumiu o posto com a chegada de José Roberto Maluf à presidência da fundação, durante o governo João Doria. A partir de março de 2023, deixou o posto para ser diretor internacional de jornalismo, acumulando a função com a de correspondente em Londres. Em julho do ano passado, ele foi desligado da empresa.

Segundo Serva, logo após a posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em janeiro de 2023, circulou uma lista com nomes de profissionais que seriam demitidos, entre eles o seu e o de Vera Magalhães. À época, diz, José Roberto Maluf renovou contratos por mais três anos, até o fim de 2025 para conter as demissões. Essas renovações foram divulgadas pela própria TV na ocasião.

"O que está acontecendo agora parece uma profecia que se autorrealiza", afirma Serva. "Mais do que servilidade política, é uma burrice", diz ele, sobre a saída de Vera nesta semana. O jornalista associou as demissões a uma interferência do governo na gestão da emissora. A TV Cultura e o governo estadual negam que haja qualquer ingerência.

Maria Angela disse que, ao assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta, em junho do ano passado, encontrou uma "situação financeira bastante delicada" e que o seu compromisso foi adotar medidas para conseguir um cenário mais saudável. Uma dessas ações foi o desligamento de Serva, por corte de custos.

"Nós temos toda uma proposta de crescer cada vez mais a emissora dentro do Brasil. Temos que ganhar força financeira para revigorar a marca TV Cultura. Naquele momento, ter um correspondente internacional com custo fixo mensal não era a nossa prioridade —e isso não é uma crítica à gestão anterior, cada uma tem o seu caminho", diz ela.

"Nesse momento de polarização, você ter uma bancada plural e ter um debate rico é a grande missão do Roda", acrescenta. Ainda não há uma definição sobre quem substituirá Vera —até o final deste mês serão exibidos programas que já estavam gravados.

Os repasses do governo de São Paulo representam 55% do orçamento da TV Cultura. Em nota, a assessoria de imprensa da gestão Tarcísio afirmou que a emissora atua com plena autonomia editorial e que questões relativas à contratação ou renovação de profissionais são de responsabilidade exclusiva da Fundação Padre Anchieta, sem qualquer participação da administração pública.

Trump antropófago, Ruy Castro - FSP

 Presentearam Donald Trump com uma tradução do "Manifesto Antropófago", de Oswald de Andrade. Ele leu: "Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente". Trump gostou. Mais adiante: "Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago". Trump fez hmmm de aprovação. Segundo o autor, ao literalmente comer o inimigo, o antropófago devora as qualidades deste e, deglutindo-as à sua maneira, fortalece-se.

Trump se empolgou. Se abocanhasse, digamos, a Venezuela, os EUA poderiam engolir as fabulosas reservas de petróleo do país e degluti-las em gasolina, diesel, querosene, lubrificantes, asfalto, plásticos, pesticidas, metanol e sabe-se lá. Não por acaso, neste fim de semana, lá se foi a Venezuela para o papo.

Se não fosse tão ignorante, Trump saberia que os americanos já praticam a antropofagia há muito tempo. Grande parte da escalada dos EUA no mundo se deu pela ingestão das boas coisas não só dos inimigos, mas, idem, as dos amigos. E, como manda o "Manifesto", deglutindo-as, adaptando-as ao seu jeito e tornando-as criações de sua autoria.


Foi assim com inúmeros produtos que, inventados alhures, tornaram-se tão americanos que ninguém discute sua origem: o cachorro-quente, o hambúrguer, o ketchup, o próprio sanduíche, a torta de maçã, o chiclete, o automóvel, o rádio, o cinema, a televisão, o jeans, a capa de chuva, o colete à prova de balas, o automóvel, o avião, o pára-quedas, a secretária eletrônica, o K7, o CD, o DVD, o GPS, o wi-fi. Claro que tudo isso só se difundiu depois de deglutido pelos EUA.

O maior antropófago da história pode ter sido o americano Thomas Edison. De guardanapo no pescoço, ele devorou, deglutiu e comercializou a lâmpada, o fonógrafo, o raio-X e outras 30 criações alheias. Não que não fosse um grande inventor. Mas sê-lo-ia sem seu poder de deglutição?

O ladino Trump vibrou e se identificou também com outro curioso trecho do "Manifesto" oswaldiano: "A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls".

Duas páginas impressas do Manifesto Antropófago estão sobre uma superfície escura. A página da frente contém texto em colunas e uma ilustração estilizada de uma figura humana sentada ao lado de um cacto, com três trechos do texto destacados por círculos vermelhos. A página de trás está parcialmente visível, com texto em colunas, mas sem destaques.
O "Manifesto Antropófago", de Oswald de Andrade, publicado na Revista de Antropofagia, em 1928 - Heloisa Seixas