segunda-feira, 18 de setembro de 2023

DAVID WISWELL Elon Musk e o absolutismo da liberdade de expressão, FSP

 Quando o autodenominado "absolutista da liberdade de expressão" Elon Musk comprou o Twitter e mudou seu nome para X, ele se tornou um "X-man" completo, com poderes típicos dos X-Men, como tornar invisíveis US$ 22 bilhões em valor de ações. Desde a aquisição, Musk fez várias mudanças regulatórias controversas, que ele chama de pró-liberdade de expressão, fazendo com que os anunciantes abandonassem a plataforma em massa e o valor do X fosse reduzido em 60%. Musk acaba de oferecer sua própria explicação: a Liga Antidifamação (ADL) relatou um aumento do ódio direcionado ao X e pediu um boicote dos anunciantes.

Elon Musk, CEO da Tesla e X, fala com repórteres ao sair do Fórum de Inteligência Artificial no Edifício do Senado em Capitol Hill, em 13 de setembro de 2023, em Washington, DC
Elon Musk, CEO da Tesla e X, fala com repórteres ao sair do Fórum de Inteligência Artificial no Edifício do Senado em Capitol Hill, em 13 de setembro de 2023, em Washington, DC - Nathan Howard - 13.set.23/Getty Images via AFP

A reação de Musk é típica de todos os mártires da liberdade de expressão da história: ameaçou processar a ADL por dizer isso. Isto surge na sequência de um processo que Musk lançou no mês passado contra outra organização antiódio, a CCDH, que teve conclusões semelhantes sobre sua plataforma. Isso me fez pensar se, quando Musk se autodenominava um "absolutista" da liberdade de expressão, por "absoluto" ele se referia à marca de vodca.

Musk refuta a ideia de que ele aprova o ódio no X. Deixando de lado o fato de que vários grupos antiódio estão tirando a mesma conclusão baseada em dados, e a forte moderação e cortes regulatórios de Musk, há muitos exemplos flagrantes, embora anedóticos, de sua tolerância em relação ao ódio. Quando o X reintegrou Kanye West, após sua fusão antissemita, incluindo postagens carregadas de suásticas e tuítes como "...Vou matar o povo judeu…", Musk tuitou para ele: "Bem-vindo de volta ao Twitter, meu amigo!". Literalmente acolhendo o ódio no X. É como fazer biscoitos para Hitler. Claro, os biscoitos não são racistas, mas passam uma mensagem simbólica sobre a padaria. O símbolo, neste caso… é uma suástica.

Musk enquadrou sua propriedade do X como uma luta pela liberdade de expressão e a democracia e uma "batalha pelo futuro da civilização". Certos defensores da liberdade de expressão dizem que parte da censura no Twitter antes de Musk potencialmente causou um certo ódio. Eles sentem que o banimento em massa de muitos usuários de extrema-direita pela administração anterior do Twitter os forçou a migrar para outras plataformas, onde, cercados apenas por pensadores semelhantes, essas ideias se reproduziam no escuro como um fungo. Na verdade, muitos usaram diretamente esses aplicativos para se organizarem para a insurreição de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos. É esse o pensamento de Musk? Estará ele criando um mercado de ideias blindado, construído com base na noção de que a luz solar é o melhor desinfetante para preservar a democracia? Muitos especialistas dizem que não.

A dedicação de Musk à liberdade de expressão foi testada quando ele concordou com o pedido do presidente turco Erdogan para censurar os tuítes de seus críticos durante a sua disputada eleição presidencial em maio. Alguns acham que a restrição da liberdade de expressão para afetar um resultado democrático é uma forma estranha de promover a liberdade de expressão e a democracia. É como apagar um incêndio com gasolina ou um absolutista da liberdade de expressão processar um grupo antiódio por… falar.

Outro teste surge quando o governo saudita acaba de aplicar a pena de morte a um homem por retuitar críticas contra ele. Alguns dizem que o silêncio de Musk sobre o assunto, apesar de ser uma abominação de seus princípios decorrentes diretamente do uso de sua plataforma, é porque eles estão entre os principais investidores do X.

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Musk também construiu uma reputação empresarial inescrupulosa e manipuladora, tendo sido acusado de tuitar estrategicamente para afetar os mercados e suas transações, de desregular seu serviço de internet para interferir nas forças armadas ucranianas e de fazer afirmações fraudulentas sobre as capacidades da Tesla. Embora eu seja um defensor da liberdade de expressão, no final das contas, tudo isso torna a liberdade de expressão de Musk tão difícil de engolir quanto a vodca.


O velho 'Consenso' ainda funciona, Fernando Dantas. OESP

 Em tempos de forte contestação ao "neoliberalismo", em que tensões geopolíticas travam a globalização e relançam políticas de intervenção estatal em diversos países mundo afora, dois estudos recentes mostram que as velhas receitas do "Consenso de Washington" ainda funcionam.

O primeiro deles, realizado por um grupo de economistas do FMI (os participantes Gabriela Cugat e Carlo Pizzinelli resumiram os achados no Blog do FMI), indica que as reformas pró-mercado funcionam para estabilizar as dívidas e fomentar o crescimento em países emergentes. Na estimativa dos autores, países que fizeram reformas levaram suas relações dívida-PIB a cair em média três pontos porcentuais, ao longo de um período de vários anos (naturalmente comparados aos que não fizeram).

Cugat e Pizzinelli citam, como exemplos de reformas pró-mercado, a redução de barreiras de entrada nos mercados de serviços básicos (o marco do saneamento no Brasil e as tentativas do atual governo de enfraquecê-lo vêm à mente nesse tópico), o estabelecimento de arcabouços regulatórios e de supervisão financeira e a redução de restrições no mercado cambial e aos fluxos de capitais.

Segundo os economistas do FMI, a queda da relação dívida/PIB associada às reformas pró-mercado advém não apenas do crescimento do PIB, mas também da melhora das finanças públicas por meio de maiores receitas tributárias e menores custos financeiros. Eles acrescentam que o efeito que eles estimaram das reformas pró-mercado no endividamento público é de ordem comparável ao impacto de grandes consolidações fiscais que foi analisado em capítulos das últimas edições do Panorama Econômico Global e do Monitor Fiscal, importantes documentos do FMI.

Os resultados encontrados pelos autores provêm da análise da Base de Dados de Reformas Estruturais do FMI, que cobre 90 economias avançadas e emergentes ao longo dos últimos 40 anos, com foco em cinco áreas amplas: política comercial, finanças domésticas, finanças externas, mercado de produtos e mercado de trabalho.

Os autores fazem a ressalva de que, por vezes, algumas reformas pró-mercado podem ter efeito contrário ao desejado nas contas fiscais, como a redução de barreiras comerciais. Por exemplo, reduzir tarifas alfandegárias pode, pelo menos no curto prazo, diminuir a arrecadação tributária e, assim, aumentar a dívida (um ponto válido para países muito dependentes fiscalmente de tarifas de importação, o que não parece ser o caso do Brasil). Mas os economistas acrescentam que aquele efeito negativo pode ser parcialmente anulado no longo prazo pelo aumento da atividade econômica.

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O estudo também encontra que reformas pró-mercado funcionam melhor em países que são competentes em arrecadar impostos (sem dúvida é o caso do Brasil), partem de níveis iniciais de dívida maiores (também o nosso caso) e implementam as reformas durante um período de expansão econômica (que parece estar se iniciando agora no Brasil).

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Os autores finalmente apontam que os países devem levar em consideração fatores como o tamanho das dívidas e a desigualdade para decidir como os ganhos fiscais das reformas devem ser alocados entre redução do endividamento, gastos que estimulem o crescimento e despesas sociais. Já sair gastando de qualquer jeito quando a situação fiscal melhor enfraquece os efeitos benéficos das reformas pró-mercado.

O segundo estudo mencionado na abertura desta coluna é dos economistas Haarom Mumtaz e Franz Ulrich Ruch, do Banco Mundial. O trabalho investiga o efeito da incerteza sobre as políticas que afetam os gastos do governo e as taxas de juros reais em 54 economias avançadas, emergentes e em desenvolvimento. Incerteza, no caso, é a incapacidade de prever os movimentos daquelas políticas públicas.

Com um trabalho econométrico sofisticado, os autores encontram que um choque de aumento de incerteza sobre os gastos de governo correspondente a um desvio-padrão (medida comumente usada em estatística) reduz o PIB cumulativamente em 1 ponto porcentual (pp) e leva a uma aumento marginal da inflação, após dois anos. Já um choque de um desvio padrão de aumento de incerteza sobre a taxa de juro real (mais especificamente, incerteza sobre a política pública que impacta diretamente o juro real, isto é, a política monetária) reduz o PIB em 1,3pp após dois anos, ao mesmo tempo em que eleva a inflação em 0,5pp.

A conclusão que se pode tirar dos dois estudos é que a velha e batida receita de estabilizar a macroeconomia (evitando surpresas na área fiscal e monetária) e tocar uma agenda de reformas pró-mercado pode não parecer a coisa mais original e descolada do mundo, mas ajuda o País a melhorar na prática.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)

O conceito de assistir à TV já não é o mesmo…. The News

 



Novos tempos. O movimento de mudança do que assistimos na TV tem mudado rapidamente nos últimos anos, principalmente pelo surgimento do streaming.

É isso que o último levantamento de dados feito sobre como gastamos tempo na TV mostra, com os streamings representando quase 40% do tempo total.

  • Isso ainda é menos que os 51,4% da soma entre TV aberta e TV a cabo — os formatos que existem desde a época de infância dos seus pais.

O tempo assistindo esses meios tradicionais é de 2h56, bem próximo das 2h48 gastas com vídeo digital, o que inclui o streaming também por computador, tablet e celular. Estima-se que esses números se invertam já em 2024.

📺 “Então é o fim da TV?” Não exatamente… O tamanho do mercado global de Smart TVs foi avaliado em US$ 200 bilhões em 2022 e deve crescer a uma taxa de 11,4% ao ano até 2030.