sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Desapropriação do Jockey Club para virar parque público ganha força em São Paulo, FSP

 


SÃO PAULO

A desapropriação do terreno do Jockey Club pela Prefeitura de São Paulo para a construção de um parque ganhou impulso.

O projeto de lei que autoriza a operação passou por primeira votação na Câmara Municipal nesta quarta-feira (7) e deve ser aprovado em definitivo nas próximas semanas.

O projeto é de Milton Leite (União), um dos principais aliados do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

"O Jockey tem uma grande dívida com a prefeitura. Assim, na defesa do interesse da cidade, uma opção para recebermos, como qualquer imóvel, é desapropriar. Se for adiante, a cidade terá também um grande ganho em ter mais um parque público", afirma o prefeito ao Painel.

Somente em IPTU, o Jockey de São Paulo deve mais de R$ 310 milhões à prefeitura. O terreno do Jockey fica localizado na marginal Pinheiros, zona oeste da capital, e tem 586 mil metros quadrados.

Vista da tribuna de honra do Jockey Club, que fica ao lado dos salões nobres
Vista da tribuna de honra do Jockey Club, que fica ao lado dos salões nobres - Leo Eloy-5.ago.2015/Estúdio Garagem

Demétrio Magnoli - Cheque do Presidente, FSP

 


"Bolsa esmola" –era assim que, 20 anos atrás, Lula qualificava o programa Bolsa Escola de FHC. Depois, no poder, o tal "bolsa esmola" tornou-se o Bolsa Família, até Bolsonaro transformá-lo no Auxílio Brasil, que agora recupera o rótulo de identificação lulista. Sugiro, no lugar disso, um rebranding definitivo: Cheque do Presidente. A operação publicitária justifica-se duplamente: no campo do marketing, estabiliza a imagem de marca; no das políticas públicas, garante transparência de objetivos.

O Lula oposicionista de 2002 não criticava os valores do Bolsa Escola mas o conceito de transferência direta de renda, inspirado nas propostas de combate à pobreza do Banco Mundial. A conversão ideológica do Lula presidente assinalou, ao lado do abandono das ambições petistas de reforma econômica estrutural, a descoberta de uma mina de ouro eleitoral. De larva a borboleta: assinando o cheque, o líder dos trabalhadores metamorfoseava-se em pai dos pobres.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva no CCBB, sede do governo de transição - Pedro Ladeira/Folhapress

A pobreza extrema declinou sem parar entre 2003 (12,6%, segundo o Banco Mundial) e 2014 (3,3%). No percurso, o Bolsa Família desempenhou papel significativo, mas não determinante. O fenômeno da redução da pobreza verificou-se nos mais diversos países em desenvolvimento, da China à Turquia e do México ao Peru, sem vultosos programas de transferência de renda. O longo ciclo internacional marcado por fluxos abundantes de investimentos e valorização das commodities fazia o serviço.

Mas um cheque é um cheque. Lula nunca incrustou o programa de transferência de renda no rochedo da Constituição, evitando conferir-lhe o estatuto de política de Estado. O cheque do presidente deveria ser uma benesse de governo. "Meu adversário, que odeia os pobres, terminará o Bolsa Família" –a ameaça assombrou as disputas eleitorais de 2006, 2010 e 2014. No ano mais difícil, quando Dilma Rousseff disputava a reeleição, o valor real do cheque atingiu o ápice: R$ 245,10. Sob o lulismo, o Bolsa Família tornou-se sinônimo de política social.

Bolsonaro aprendeu a executar a mágica, mas de modo desajeitado. Na pandemia, criou o auxílio emergencial; no ano eleitoral, o Auxílio Brasil de R$ 600. A ação tardia, interrompida em 2021, obteve efeitos eleitorais limitados. Serviu, porém, para expor as entranhas perversas do mecanismo fabricado pelo lulismo: cada novo governo precisa elevar o valor do cheque que chega a mais de 21 milhões de famílias. Lula escolheu R$ 600 para empatar com Bolsonaro –e o suplemento de R$ 150 por filho pequeno para derrotá-lo. O número escrito no cheque deriva de imperativos de concorrência política, não de um cálculo de eficiência na alocação de recursos públicos.

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Programas de transferência de renda aliviam temporariamente a pobreza –e ocultam suas raízes profundas. A depressão econômica gerada pela folia dilmista levou a pobreza extrema a 5,3% em 2018, mas o auxílio emergencial a comprimiu à menor taxa histórica, em 2020, no auge da pandemia (1,9%). Em 2021, sem o auxílio, a taxa saltou a 8,4% –e certamente experimentará forte redução em 2022, assegurada pelos R$ 600. O cheque faz milagres efêmeros.

As raízes da miséria só podem ser erradicadas por políticas econômicas responsáveis e políticas sociais universalistas. As primeiras dinamizam o mercado de trabalho, elevando os salários. As segundas ampliam a oferta de bens públicos de qualidade (educação, saúde, saneamento, transportes) e impulsionam a reforma urbana (moradia em áreas centrais). Nada disso, contudo, tem o poder sedutor de um cheque assinado pelo presidente –ainda mais quando ele contém a senha do cofre do crédito consignado.

A PEC da Transição é o passaporte para Lula alcançar e ultrapassar Bolsonaro. Seu custo é o congelamento da pobreza estrutural, sempre disfarçada pelo Cheque do Presidente. "Uma mão lava a outra".

Com derrota do Brasil na Copa, como fica a imagem de Neymar daqui pra frente?, Tony Goes, FSP

 9.dez.2022 às 15h41

Tivemos dois dias sem nenhum jogo da Copa do Mundo, e a crise de abstinência bateu forte em muita gente. As redes sociais se encheram de reclamações: "como assim?", "sem jogo eu não sou ninguém", "não vou sobreviver".

E, aí, bastou uma única partida para lembrarmos que a Copa também pode ser um sofrimento indizível. Os 90 minutos regulamentares de Brasil x Croácia foram uma tortura, que terminou no abominável 0 a 0.

Os internautas, sempre tão buliçosos, ficaram estranhamente quietos. O único meme digno de nota que surgiu antes da prorrogação exaltava a semelhança entre o juiz britânico Michael Oliver, que deixou passar várias faltas contra o Brasil, e o presidente Jair Bolsonaro. Dois inimigos da nação, diziam algumas legendas.

A perspectiva de uma prorrogação sem gols e a partida decidida nos pênaltis apavorou o coração dos brasileiros. Aí Neymar marcou no finalzinho do primeiro tempo complementar, e o país voltou a sorrir. "Pode sonegar, menino Ney", brincou a internet.

É realmente impressionante a reabilitação instantânea do craque do PSG, que passa por um momento delicado em termos de imagem. Meio Brasil parece ter perdido a paciência com seu baixo rendimento em campo, seus falsos chiliques, seu apoio ao governo que ora finda. Mas um gol espetacular e potencialmente salvador o alçou novamente ao panteão dos heróis pátrios.

O gol demorou tanto que ninguém se lembrou de fazer dancinha. A comemoração foi a mais tradicional possível, com pulos e abraços. Pelo menos, Neymar se esqueceu novamente de dedicar o gol a Bolsonaro.

Nossa alegria durou pouco. Aos 11 minutos do segundo tempo, faltando meros quatro minutos para carimbarmos nosso passaporte para a semifinal, Petkovic igualou o placar. Os deuses do futebol talvez não tenham gostado, pois mandaram um cartão amarelo para o atacante croata logo em seguida.

Então vieram os famigerados pênaltis. Rodrygo errou a primeira cobrança brasileira, numa prova definitiva de que os astros selecionaram o dia 9 de novembro de 2022 para nos atazanar. E a desgraça se completou com o pênalti perdido por Marquinhos. Brasil fora da Copa.

Esta sexta-feira vai entrar para o rol de datas sombrias do futebol brasileiro. Mais uma vez, tombamos nas quarta de final, e da pior maneira possível. Porque não jogamos mal, e merecíamos seguir adiante bem mais do que a Croácia.

Em meio às lágrimas, surgem algumas questões. O que será da reputação de Neymar? Se tivéssemos ganho, tudo já estaria perdoado. Mas perdemos, não por culpa dele. Seu "descancelamento" será suficiente para a recuperação de sua imagem?

Pelo menos, os internautas não esqueceram o sarcasmo. Mal acabou o jogo, e já tinha meme comparando o árbitro Michael Cooper a outro juiz supostamente "do mal": Sergio Moro.

Em quem vamos jogar a culpa por mais esse vexame? Nos dois jogadores que erraram seus pênaltis? No Fábio Porchat, o "Mick Jagger brasileiro", que assistiu ao jogo sozinho para minimizar a potência de seu pé-frio? No gato Hexa, que pode ter rogado uma praga contra nós depois de ter sido arremessado por um assessor da CBF?

É uma pena que o último jogo do Brasil numa Copa narrado por Galvão Bueno tenha terminado de maneira triste. Pelo menos, o veterano locutor ainda terá uma despedida em grande estilo: ele anunciou que irá narrar a grande final, no dia 18 de dezembro.