quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Moraes mandou prender empresário bolsonarista após pedido da segurança de Lula, FSP

 

BRASÍLIA

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão do empresário Milton Baldin, que convocou atiradores e caminhoneiros a participarem de atos antidemocráticos em apoio a Jair Bolsonaro (PL), com base em um pedido do delegado Andrei Passos Rodrigues.

O policial é coordenador da equipe de segurança do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um dos cotados para ser o diretor-geral da Polícia Federal e não atua em nenhum dos casos relatados pelo ministro.

Bolsonaristas em ato antidemocrático em frente ao quartel-general do Exército em Brasília - Pedro Ladeira-15.nov.22/Folhapress

Baldien foi preso na noite da terça (6) no acampamento bolsonarista montado em frente ao QG do Exército, em Brasília, e levado para a superintendência da PF, onde está detido desde então.

Em vídeo publicado nas redes sociais em 26 de novembro, o empresário chama apoiadores do presidente para o acampamento cujos manifestantes defendem a atuação das Forças Armadas para evitar a posse do presidente eleito.

"Gostaria de pedir ao agronegócio, a todos empresários, que deem férias aos caminhoneiros e mandem os caminhoneiros vir para Brasília, que nós estamos precisamos de peso e de força aqui", disse ele, em vídeo divulgado nas redes sociais no último dia 26 de novembro.

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"São só 15 dias, não vai fazer diferença. E também queria pedir aos CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores), que têm armas legais, hoje nós somos, inclusive eu, 900 mil atiradores, venham aqui mostrar presença."

Em cima de um palco improvisado próximo ao quartel, ele questionou o que ocorreria no próximo dia 19 —data limite para a diplomação de Lula.

O chefe da segurança do petista relatou os fatos ao ministro em um documento que ao final trazia o pedido de prisão.

Segundo a Folha apurou, Andrei Rodrigues cita sua condição de coordenador da segurança e aponta para a necessidade de garantir a segurança do presidente eleito.

Após a decisão de Moraes, a ordem de prisão foi cumprida por uma equipe da Coordenação de Inquéritos Especiais, setor localizado na sede da PF onde tramitam casos que tramitam no STF.

O mesmo setor já cumpriu outras ordens do ministro no contexto dos atos antidemocráticos, como a de ouvir os proprietários dos caminhões que também acamparam QG do Exército na capital federal após a derrota de Bolsonaro.

Apoiadores de Bolsonaro cobram as Forças Armadas para que promovam um golpe que impeça a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro teve uma inédita derrota para um presidente que disputava a reeleição no país.

Em Brasília, parte deles está acampada em barracas e trailers na Praça dos Cristais, em frente à entrada do quartel-general do Exército.

Como revelou a Folha, até mesmo um militar da Marinha, lotado no GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), participou dos atos.

Ronaldo Ribeiro Travassos aparece em áudios e vídeos enviados em um grupo de mensagens incentivando os atos antidemocráticos em frente aos quartéis das Forças Armadas e afirmando que o presidente eleito não tomará posse em 1º de janeiro.

Nas mensagens, o militar também defende o assassinato de brasileiros eleitores de Lula. O militar, atualmente, está lotado no GSI, chefiado pelo general Augusto Heleno, um dos aliados mais fiéis de Bolsonaro

O GSI, por meio de nota, disse que não é sua competência "autorizar servidores para que participem de qualquer tipo de manifestação" e que "as supostas declarações demandadas são de responsabilidade do autor em atividade pessoal fora do expediente".

Durante a campanha presidente, em setembro, a equipe da Polícia Federal que atua na segurança do ex-presidente Lula deu voz de prisão a um homem de 50 anos sob acusação de ter xingado o petista de ladrão, safado e sem vergonha, em Minas Gerais.

A equipe que acompanhava o presidenciável alegou que o homem incorreu no crime de injúria (atribuir palavras ou qualidades ofensivas que atinjam a honra e moral de alguém). A pena é de detenção, de um a seis meses, ou pagamento de multa.

Rodrigues, que coordena a equipe da PF, ganhou confiança do presidente eleito e hoje atua ainda em dois grupos da transição: o de inteligência e o de segurança pública.

Os dois guardam discussões sensíveis, como, por exemplo, a retirada da segurança presidencial e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) do guarda-chuva do GSI, antiga Casa Militar.

Integrantes da equipe de Lula se incomodam com a militarização da inteligência, que assessora o mandatário. A avaliação é a de que se trata de um resquício do período da ditadura militar e que em outros países tanto esta área quanto a de segurança do chefe do Executivo estão sob a tutela de civis.

Atualmente, a pasta está sob o comando de Augusto Heleno, aliado próximo de Bolsonaro, e já gerou impasse com a equipe do petista, que desconfia e não quer dividir a coordenação da segurança do presidente eleito na posse com eles, como é de hábito.

A cerimônia já é caso de disputa também, com o GSI e os militares de um lado, e integrantes da transição e a PF, de outro.

A REALIDADE PARALELA DE GRUPOS ANTIDEMOCRÁTICOS

  • A ideia difundida é que o artigo 142 da Constituição Federal serviria para apoiar uma intervenção federal, solicitada por Bolsonaro para acalmar os ânimos da população. Para juristas, esse artigo serve justamente para impedir um golpe
  • Protestos teriam que durar no mínimo 72 horas para que as Forças Armadas atuassem
  • Bolsonaro estaria impedido de falar publicamente que apoia intervenção, portanto emitiria códigos, como o brasão do Exército em uma live e um erro proposital de português que gerou um SOS
  • É preciso inundar as redes oficiais das Forças Armadas com pedidos de ajuda, assim elas estão aptas a agir
  • A mídia internacional estaria ciente da fraude eleitoral no Brasil
  • A eleição teria sido fraudada, seja por problema nas urnas ou pelo suposto conluio político das autoridades e do PT
  • Alexandre de Moraes teria sido preso três dias depois do segundo turno
  • Relatório sobre fraude atribuído às Forças Armadas durante a semana passou a ser ligado a uma consultoria de direita argentina

GEOLOGIA DE ENGENHARIA: ESSÊNCIAS Geol. Álvaro Rodrigues dos Santos - dez 2022

 Faz-se ciência com fatos, como uma casa com pedras; porém, uma acumulação

de fatos não é ciência, como um montão de pedras não é uma casa. (Henri Poincaré 1854-1912)


Ao longo de meu percurso para conceber e divulgar os princípios conceituais e

metodológicos que julgo intrinsecamente vinculados ao exercício da Geologia de

Engenharia, acredito que produzi alguns pensamentos que, uma vez reunidos em sua

indissociabilidade, podem compor um fiel e, Deus queira, útil retrato dos resultados a

que cheguei. Aí seguem.

“O sucesso de uma atividade técnica depende intimamente dos princípios

conceituais e metodológicos adotados como premissas básicas para sua execução.

Uma atividade técnica que não se encontre assim apoiada e orientada tenderá a

perder-se em questões menores e alheias às suas reais responsabilidades.”

“Tudo o que vemos na natureza geológica são estágios, paisagens que não foram

assim no passado e não serão assim no futuro. Sob a ação da energia telúrica e da

energia solar, e tendo a própria Vida como um de seus agentes geológicos

modificadores, a natureza é assim mutante, mantendo permanente o sentido maior

de suas mutações: a busca de novas posições de equilíbrio. É nessa equação

dinâmica que o Homem, com seus variados empreendimentos, interfere. Há, pois,

que tê-la em conta. Por sagrado respeito e por um ato de inteligência.”

“Mesmo com a abdicação do consumismo tresloucado e do crescimento

populacional, a epopéia civilizatória de chegarmos a uma sociedade onde todos os

seres humanos tenham uma vida materialmente digna e espiritualmente plena

exigirá, sem dúvida, a multiplicação de empreendimentos humanos no planeta:

energia, transportes, mineração, indústrias, cidades, agricultura, pecuária, disposição

de resíduos... A Geologia de Engenharia, Geociência Aplicada intimamente

associada ao conjunto de esforços civilizatórios voltados a assegurar o bem estar da

Humanidade, é um dos ramos tecnológicos sobre os quais recai a enorme

responsabilidade de tornar essa maravilhosa utopia tecnicamente possível para as

sucessivas gerações sem que a própria possibilidade da vida humana no planeta seja

comprometida.”

“De uma forma concisa, podemos entender a Geologia de Engenharia como a

Geociência Aplicada responsável pelo domínio tecnológico da interface entre a

atividade humana e o meio físico geológico.”

“A Geologia de Engenharia só conseguirá cumprir cabalmente sua

responsabilidade, e assim, ser útil à Engenharia e à Sociedade em um sentido mais


amplo, na medida em que não se descole de suas raízes disciplinares, de sua ciência-

mãe, a Geologia, o que significa exercitar e priorizar como seu principal


instrumento de trabalho, o raciocínio geológico. Essa decisão a fará ter sempre


como ponto de partida a consciência que qualquer ação humana sobre o meio

natural interfere, não só, limitadamente, em matéria pura, mas, significativamente,

em matéria em movimento, ou seja, em processos geológicos, sejam eles menos ou

mais perceptíveis, sejam eles mecânicos, físico-químicos ou de qualquer outra

natureza, estejam eles temporariamente contidos ou em pleno desenvolvimento.

Será somente o raciocínio geológico que permitirá à GE analisar os problemas que

lhe são colocados sob a ótica do movimento, da relação entre processos, do

confronto entre esforços ativos e reativos no contexto de uma dinâmica temporal.

Será somente esse “olhar geológico” que permitirá ao geólogo de engenharia chegar

às leis comportamentais de um determinado local ou região a partir da leitura e

tradução das feições, evidências e demais sinais que a Natureza lhe propicia (é

preciso conversar com a Terra...)”.

“Geologia, Geografia, Geomorfologia, Hidrologia, Climatologia, Pedologia,

Biologia..., são ciências indispensáveis para a Geologia de Engenharia bem

conhecer e interpretar a Terra e com ela interagir de forma inteligente, respeitosa e,

especialmente, sagrada.”

“Não há intervenção humana no meio físico geológico natural do planeta que não

provoque algum tipo de desequilíbrio: o corte em uma encosta, o peso de uma

barragem, o vazio provocado pela escavação de um túnel, a impermeabilização do

solo causada pela cidade, um rebaixamento forçado do lençol d’água subterrâneo, o


desmatamento de uma região... Enfim, ao modificar as condições naturais pré-

existentes o homem está interferindo em um estado de equilíbrio dinâmico natural.


Como resposta à ação do desequilíbrio há uma mobilização de forças naturais

orientadas, como reação, a buscar um novo estado de equilíbrio. Caso esse

empenho de busca de um novo equilíbrio se dê isoladamente pela própria Natureza

as consequências para o homem costumam ser catastróficas: deslizamentos,

rompimentos de barramentos, acidentes em fundações, recalques de terrenos,

colapso de obras subterrâneas, patologias estruturais, violentos processos erosivos e

assoreadores, inundações, etc.

Para que essas consequências reativas de caráter espontâneo e destrutivo estejam

sob seu controle, ou seja, que tenha sob seu comando técnico o embate entre os

esforços ativos e reativos, é indispensável que o homem entenda perfeitamente as

características e processos naturais do meio geológico em que está interferindo, de

tal forma a corretamente adequar seus projetos e aplicar as ações executivas

compensatórias que se façam necessárias. (Nature to be commanded must be obeyed. F.

Bacon - 1620).”

“Nas Ciências Naturais, e na Geologia em especial, o primeiro e essencial passo

está em descobrirmos e assimilarmos as leis básicas da Natureza. Isso feito, as

cortinas se abrem e a compreensão dos fenômenos naturais ou induzidos pelo

Homem surge clara à nossa frente.”

“A abordagem da Geologia de Engenharia é essencialmente fenomenológica. Ou

seja, a missão maior da Geologia de Engenharia está em produzir um quadro


completo dos fenômenos geológico-geotécnicos que podem ser esperados da

interação entre as solicitações típicas do empreendimento que foi ou será

implantado e as características geológicas (materiais e processos) dos terrenos por

ele afetados. A partir da identificação dos fenômenos potenciais ou ocorrentes em

uma dada relação solicitação/características geológicas, caberá à Geologia de

Engenharia e à Engenharia Geotécnica decidir sobre as soluções de engenharia

mais adequadas. Nesse contexto, o geólogo de engenharia deverá ter toda sua

atenção voltada ao zelo por uma perfeita aderência entre solução e fenômeno.”

“Sempre no âmbito de um trabalho permanentemente solidário e colaborativo

entre a Geologia de Engenharia e a Engenharia Geotécnica, importante considerar

que será de total responsabilidade da GE todo e qualquer problema que venha a

acontecer e que decorra de fenômeno geológico-geotécnico que não tenha sido

previsto ou corretamente descrito em sua análise fenomenológica. Como será de

total responsabilidade da EG todo e qualquer problema que ocorra pelo fato do

projeto e/ou do plano de obra não ter levado em devida conta algum fenômeno

relatado pela GE.”

“O caminho para se chegar a diagnósticos seguros passa por um contínuo processo

de adoção de hipóteses fenomenológicas e de aferição destas, através do empenho

observativo e experimental, ou seja, da investigação orientada de dados que para

tanto se mostrem sugestivos ou se façam necessários. Do ponto de vista da

formação de um novo conhecimento, pode-se afirmar que a formulação de uma

nova hipótese se dá através de um raciocínio indutivo e de uma lógica dedutiva

subsidiada por esforço observativo e experimental; atributos que ressaltam a

enorme importância da experiência absorvida e vivenciada e do espírito de

observação dos geólogos de engenharia.”

“A natureza sempre nos avisa, nunca nos pega desprevenidos. Claro, se para tanto

temos bons olhos, ouvidos e demais sentidos educados e atentos ao bom diálogo

geológico com a Terra. (É preciso conversar com a Terra...)”.


Finalizando, e mais uma vez ressaltando a enorme importância dos geólogos de

engenharia empenharem-se em discutir e ter presentes os fundamentos conceituais de

sua maravilhosa profissão, lembro um pensamento de Leonardo da Vinci: “A pessoa que

gosta de agir sem teoria é qual marinheiro que sobe a bordo de um navio sem leme e bússola e nunca

saberá onde aportar”.

Agradeço a Deus e a todas as circunstâncias que me levaram a escolher a Geologia como

formação e profissão.

Geol. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

 Ex-Diretor da Divisão de Minas e Geologia Aplicada e Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT - Instituto

de Pesquisas Tecnológicas

 Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do

Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”,