sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Juízes ganham R$ 28 mil em média, 7 vezes acima de outros, e reclamam de salário e carreira, FSP

 Luany Galdeano

RIO DE JANEIRO

Insatisfação com um salário médio de R$ 28 mil, episódios de abuso de autoridade e acúmulo de penduricalhos ajudam a explicar por que especialistas afirmam que muitos juízes não se consideram servidores, mas uma classe à parte no setor público.

No Judiciário federal, por exemplo, magistrados ganham, em média, até sete vezes mais do que os demais funcionários. A remuneração dos servidores vai de R$ 4.124, salário inicial de auxiliares jurídicos, a R$ 19,8 mil, valor mais alto para analistas.

Já entre os juízes, a média salarial é de R$ 28 mil, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de setembro.

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Sala do júri no Palácio da Justiça de São Paulo - Eduardo Knapp - 11.out.19/Folhapress

A média não inclui possíveis indenizações, adicionais por tempo de serviço e outros ganhos extras que aumentam o salário dos juízes.

Mesmo recebendo valores maiores, magistrados estão mais insatisfeitos com a remuneração. Para aproximadamente 74%, o salário que recebem não condiz com o trabalho. Entre os servidores, a taxa é de 46%.

Os dados são do censo do CNJ divulgado neste ano. As respostas foram coletadas por formulário eletrônico. Participaram 63,2 mil servidores e 6.100 magistrados.

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Em nota, a Associação dos Magistrados Brasileiros diz que a categoria enfrenta desvalorização e, por isso, mais juízes deixam a carreira em busca de melhores condições no mercado privado.

Segundo a entidade, a falta de correção dos subsídios afeta a qualidade de vida dos magistrados e o acesso à Justiça só vai ser garantido com investimentos na prestação jurisdicional.

"Juízes não se veem como servidores, mas como uma categoria especial que enseja prerrogativas próprias, para além daquelas dos funcionários públicos", afirma Vitor Rhein Schirato, professor da Faculdade de Direito da USP.

Diferentemente dos outros servidores, magistrados têm direito a duas férias por ano. Muitos também recebem valores consideráveis em benefícios, incluindo auxílios-moradia e adicionais por acúmulo de função, que são acrescidos à remuneração. Em setembro, 226 juízes federais receberam acima do teto constitucional (R$ 41.650,92).

Casos como o protagonizado pela juíza Kismara Brustolin, da Vara de Trabalho de Xanxerê, em Santa Catarina, escancaram a maneira como os magistrados veem a própria autoridade. No fim de novembro, Brustolin gritou com uma testemunha, exigindo ser chamada de "excelência'’. O CNJ apura a conduta da juíza, que pediu afastamento por motivos de saúde.

Mesmo a perda de cargo e penalidades é diferente entre magistrados e servidores. Isso porque profissionais públicos e membros de Poder, como juízes e promotores, são regidos por artigos distintos da Constituição, segundo Wallace Corbo, professor de direito constitucional da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A estabilidade, por exemplo, é dada a servidores após três anos de estágio probatório. Para magistrados, é dada a vitaliciedade depois de dois anos.

Por essa diferença, um juiz ou um desembargador só deixa o cargo por ação judicial, enquanto o servidor pode ser exonerado por processo administrativo interno. No geral, a penalidade máxima dada aos magistrados é a aposentadoria compulsória, em que eles continuam recebendo salário.

"Isso explica por que magistrados, muitas vezes, não se veem como servidores, e sim como membros de poder que de fato tem um tratamento diferenciado na Constituição, mas que não justifica a visão elitista", afirma Corbo.

Vitor Rhein Schirato, da USP, atribui essa percepção ao fato de a magistratura ser historicamente ocupada por classes mais altas, o que tornou a carreira elitizada.

O censo do CNJ não apresenta informações sobre a renda da família de origem dos juízes, mas mostra que em torno de 45% têm pai e mãe com ensino superior completo. Entre os outros funcionários do Judiciário, a mesma taxa cai para aproximadamente 29%.

Além disso, a magistratura é pouco diversa, composta principalmente por homens (60%) e brancos (82%), o que a torna ainda mais elitizada. Apenas 15% dos juízes são negros.

Entre os outros servidores do Judiciário, a cifra de pretos e pardos sobe para 26,5%. Mulheres são maioria, cerca de 54%.

Segundo Juliana Teixeira Esteves, professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, a falta de representatividade afasta os magistrados da função de atender à população.

"No passado, o acesso ao ensino superior teve problemas ligados a questões de raça e gênero. Por isso, a magistratura hoje não reflete o perfil da sociedade brasileira e perpetua estruturas prévias, muitas vezes preconceituosas. Alguns juízes reproduzem essas desigualdades", afirma.

Ela diz ainda que, embora a responsabilidade dos magistrados seja maior, o acúmulo de trabalho é constante em todos os níveis do Judiciário. De acordo com a professora, a sobrecarga entre técnicos, auxiliares e analistas jurídicos aumentou nos últimos anos, devido à redução de concursos públicos.

Mas a satisfação com a carreira é diferente para juízes e demais funcionários. Os dados do CNJ mostram que 91% dos servidores estão felizes em trabalhar no Judiciário, cifra que cai para 69% entre magistrados. Aproximadamente 47% dos juízes estão insatisfeitos com a carreira.

Mesmo em desacordo com a situação da magistratura, juízes não pensam em mudar de carreira. Quase 88% não querem prestar concurso para outras áreas, segundo o censo do CNJ.

CARREIRA TERÁ MAIS UMA ETAPA

Exame Nacional da Magistratura, aprovado em novembro pelo CNJ, visa mudar o paradigma da carreira. A prova, de caráter eliminatório, tem como um dos objetivos tornar a carreira mais diversa, o que romperia com a elitização.

Após aprovado, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ, disse que o exame vai acabar com suspeitas de favorecimento, em que membros de Judiciários locais influenciam resultados do concurso para privilegiar amigos e parentes.

Depois da prova, os candidatos ainda vão passar pelas fases seguintes dos tribunais regionais. O exame terá exigência de pontuação menor para pessoas negras e indígenas, de 50%, enquanto os demais candidatos deverão ter uma taxa de acertos de 70%.

Segundo Wallace Corbo, professor da Uerj e da FGV, adicionar uma etapa no concurso pode elevar os obstáculos para pessoas mais vulneráveis. Ele diz que, ao mesmo tempo, a prova pode fazer com que tribunais locais simplifiquem as fases seguintes.

"Se não for associado a um projeto mais amplo, como por exemplo bolsas para cursos preparatórios para candidatos negros, como pretende o ministro Barroso, o exame pode complicar a vida de quem mais tem dificuldade de acesso ao poder Judiciário."

Veja quais são os países que mais contratam trabalhadores brasileiros, OESP

 Mais de 4,5 milhões de brasileiros vivem em países estrangeiros, segundo dados do Ministério de Relações Exteriores. O movimento da comunidade brasileira para outras regiões do mundo é o maior desde 2009. A corrente de atração acontece, principalmente por três motivos: aspecto cultural, clima e adaptação/comportamento.

“Não é todo mundo que quer enfrentar as barreiras culturais. Isso conta demais quando o assunto é recrutamento internacional, porque não são todos que se adaptam. Então quanto mais similaridade de cultura houver, mais facilidade vai existir”, avalia Octavio Pott, especialista em recrutamento internacional.

Segundo o profissional, nos últimos três anos, alguns países modificaram as normas na hora de contratar profissionais estrangeiros. Em Portugal, por exemplo, por causa do excesso de facilidades para a entrada de brasileiros o país começou a criar mais etapas burocráticas para que esse fluxo não se tornasse exorbitante.

Por outro lado, a Alemanha seguiu o sentido contrário. Com o objetivo de desburocratizar a inserção de estrangeiros, abriu algumas brechas para aumentar o número de imigrantes.

Atualmente, os cinco países com maior número de brasileiros são:

  1. Estados Unidos: 1,9 milhão
  2. Portugal: 360 mil
  3. Paraguai: 254 mil
  4. Reino Unido: 220 mil
  5. Japão: 207 mil

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Os dados do Ministério de Relações Exteriores são referentes a 2022. Embora o contingente seja considerável, não significa que estes sejam os países que mais contratam brasileiros no atual cenário.

“Esses continuam recrutando brasileiros, mas a principal fonte de contratação são aqueles países que já têm uma similaridade maior. Por exemplo, a Irlanda”, ressalta o especialista.

Agora, outras nações entram na disputa pela mão de obra estrangeira.

Itália representa meio termo na contratação de brasileiros

Cerca de 157 mil brasileiros trocaram o país de origem pela Itália. O país, segundo Octavio Pott, vem despertando o interesse de estrangeiros devido a alguns fatores do mercado, como a documentação para trabalhar. Profissionais da área de saúde, em especial enfermeiros e médicos, encontram mais facilidade na Itália do que em Portugal.

Itália abriga aproximadamente 157 mil brasileiros, segundo dados do Ministério de Relações Exteriores.
Itália abriga aproximadamente 157 mil brasileiros, segundo dados do Ministério de Relações Exteriores.  Foto: Leonid Andronov - stock.adobe.com

No entanto, os brasileiros não são os únicos a concorrerem a vagas no exterior. Trabalhadores de Albânia, Índia e Romênia também disputam espaço no mercado de trabalho.

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Ainda assim, os profissionais detêm uma vantagem competitiva no que diz respeito ao aspecto cultural. “É muito mais difícil, culturalmente, o enfermeiro da Índia se adaptar e ficar na Europa do que o enfermeiro brasileiro”, afirma Pott.

Alemanha tenta atrair profissionais de outros países

Assim como a Itália, a Alemanha têm investido para atrair profissionais de diferentes áreas, em especial do setor de enfermagem. Hoje, para trabalhar legalmente no país, que abriga 160 mil brasileiros, é necessário ter pelo menos conhecimento básico do idioma alemão, três anos de experiência profissional e diploma universitário (para algumas vagas).

Em um passado não muito distante, cidadãos não europeus enfrentavam mais obstáculos para adentrar no território. Com a escassez da mão de obra, o país decidiu afrouxar as políticas de imigração para estrangeiros.

Para Octavio Pott, estes devem ser os destinos mais atrativos para brasileiros nos próximos anos:

  • Irlanda
  • Itália
  • Alemanha
  • Estados Unidos
  • Espanha
  • Canadá
  • Bélgica
  • Luxemburgo
  • Portugal

No caso de Portugal, existe uma especificidade. “Talvez com o tempo, Portugal suba (de posição), se houver uma organização melhor para um recrutamento mais apurado. Além disso, Portugal e Brasil têm algumas questões não resolvidas com relação ao relacionamento: as duas culturas precisam se entender e se respeitar”, estima o recrutador internacional.

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Antes de escolher se mudar definitivamente, o especialista chama atenção para algumas características do país estrangeiro. É preciso levar em consideração o idioma, a cultura da cidade e o estilo de vida da localidade.

“Quem é de São Paulo e tem uma vida noturna vai ter dificuldade de ir para uma cidade onde tudo fecha antes das 22h. Mas há gente que acha isso maravilhoso. Quem tem um comportamento mais agitado ou quem gosta mais da vida noturna pode se incomodar”, alerta.

Sobre a remuneração, Alemanha é a nação europeia que oferece a maior renda e pode ser uma boa opção para quem procura salários mais altos, apesar de os impostos serem maiores em comparação a outros países.

ESTADÃO / ECONOMIA Quais os municípios mais ricos do Brasil? Veja o ranking do IBGE

 io - Apenas 11 municípios ainda detinham quase um quarto (24,4%) da economia brasileira em 2021, de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios, divulgado nesta sexta-feira, 15, pelo IBGE. A maior fatia fica com a cidade de São Paulo, que concentrava 9,2% do PIB brasileiro. Mas, segundo o instituto, tem havido uma desconcentração da riqueza.

“Os resultados do PIB dos Municípios mostram que municípios das capitais e demais agregações municipais de maior participação no PIB brasileiro, por concentrarem as atividades de serviços presenciais, foram os mais afetados pelas medidas restritivas de isolamento decorrentes da pandemia de covid-19, ao longo de 2020, apresentando queda nominal (na atividade econômica), entre 2019 e 2020″, diz o IBGE.

De acordo com o instituto, “estes grupos de municípios, entre 2020 e 2021, tiveram aumento nominal (no PIB); porém, em termos de participação não conseguiram retomar ao patamar de 2019, apesar da recuperação econômica verificada no âmbito nacional e regional, alavancada pelos serviços. Portanto, a tendência de desconcentração econômica municipal identificada ao longo da série histórica e intensificada em 2020, foi mantida”.

Em 2021, de acordo com o IBGE, os maiores geradores de riqueza foram: São Paulo (com uma fatia de 9,2% do PIB brasileiro), Rio de Janeiro (4,0%), Brasília (3,2%), Belo Horizonte (1,2%), Manaus (1,1%), Curitiba (1,1%), Osasco/SP (1,0%), Maricá/RJ (1,0%), Porto Alegre (0,9%), Guarulhos/SP (0,9%) e Fortaleza (0,8%).

Quando somados os 25 municípios brasileiros mais ricos, chegava-se a 33% do PIB brasileiro. Se considerados os 87 municípios mais ricos, chegava-se à metade (50%) do PIB nacional, mas somente 36,7% da população residente do País. Os 100 municípios mais ricos somavam 52,2% do PIB do Brasil em 2021.

Por outro lado, os 1.306 municípios com as menores economias detiveram cerca de 1% do PIB nacional, mas respondiam por 3,1% da população brasileira.

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Capital paulista detinha 9,2% do PIB brasileiro em 2021
Capital paulista detinha 9,2% do PIB brasileiro em 2021 Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Há pouco mais de duas décadas, em 2002, apenas quatro municípios somados já representavam cerca um quarto do PIB nacional: São Paulo perdeu 3,5 pontos porcentuais de participação entre 2002 e 2021; Rio de Janeiro perdeu 2,3 pontos porcentuais; Brasília, -0,4 ponto porcentual; e Belo Horizonte, -0,4 ponto porcentual.

Em relação ao ano anterior, ou seja, na passagem de 2020 para 2021, as cinco maiores quedas de participação foram registradas por São Paulo, - 0,6 ponto porcentual; Rio de Janeiro, -0,4 ponto porcentual; Brasília, -0,3 ponto porcentual; Belo Horizonte, -0,1 ponto porcentual; e Porto Alegre, -0,1 ponto porcentual. O município de Maricá/RJ contabilizou o maior ganho de participação no PIB em 2021, alta de 0,5 ponto percentual; seguido por Saquarema/RJ, 0,3 ponto porcentual; Niterói/RJ, com 0,2 ponto porcentual; São Sebastião/SP, 0,1 ponto porcentual; e Campos dos Goytacazes/RJ, 0,1 ponto porcentual.

Os cinco maiores avanços de participação no PIB são explicados pelo setor de extração de petróleo e gás. “A indústria extrativa explica muito do ganho de participação no PIB dos municípios com expansão”, disse Luiz Antonio de Sá, técnico do IBGE.

Já as cinco maiores perdas estiveram atreladas aos serviços, incluindo atividades financeiras, administração pública e atividades profissionais científicas e técnicas.

Capitais têm menor participação no PIB

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O IBGE lembrou ainda que 15 capitais figuraram entre as maiores perdas de participação no PIB nacional, incluindo as cinco primeiras posições. As capitais registraram em 2021 a menor participação no PIB desde o início da série histórica. Em 2002, as capitais respondiam por 36,1% do PIB, descendo a 29,7% em 2020, diminuindo ainda mais em 2021, a 27,6%.

O IBGE ressaltou que houve também manutenção da tendência de redução relativa da importância econômica dos grandes centros urbanos no PIB de 2021. Em 2020, as duas maiores Concentrações Urbanas do País, Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP, somaram 23,6% do PIB nacional, mas essa participação desceu a 23,2% em 2021. A concentração urbana de São Paulo/SP saiu de uma fatia de 16,2% em 2020 para 15,4% do PIB brasileiro em 2021, queda de 0,8 ponto porcentual. O Rio de Janeiro/RJ, por outro lado, aumentou sua participação de 7,4% para 7,8% do PIB brasileiro, alta de 0,4 ponto percentual.

“Ademais, é possível verificar que o agregado das 10 maiores Concentrações Urbanas brasileiras apresentou também redução em sua participação relativa na economia nacional. Em 2020, essas Concentrações Urbanas somaram 40,5% do PIB e, em 2021, essa participação caiu para 39,5% (redução de 1,0 ponto porcentual)”, apontou o IBGE.

Das 185 concentrações urbanas existentes no Brasil, 132 perderam participação no PIB nacional entre 2020 e 2021, enquanto 53 aumentaram.