quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Picape Ford F-1000 do ator Lima Duarte tem 'um milhão de km' com motor original, Jornal do Carro OESP

 Atingir a marca de um milhão de quilômetros rodados em um veículo é coisa rara, ainda mais com o motor em estado original. Isso já seria suficiente para uma homenagem. Mas não se trata de um modelo qualquer. A Ford F-1000, um clássico da marca do oval azul, voltou a chamar a atenção quase quatro décadas depois de aparecer na novela Roque Santeiro (TV Globo), um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira, que foi ao ar em 1985.

picape voltou a ser assunto, mas não por causa de polêmicas com atores e tampouco pela censura que a novela sofreu uma década antes da estreia (em 1975, foi substituída por uma reprise de Selva de Pedra). É que o exemplar da Ford F-1000, usado na trama pelo personagem Sinhozinho Malta, vivido por Lima Duarte, protagonizou um vídeo do ator em seu perfil pessoal no Instagram. "Essa caminhonete era do Sinhozinho Malta", diz o veterano, de 92 anos, no vídeo (veja aqui).



De presente

O curioso é que a relação de Lima Duarte com a picape ultrapassou o período das gravações - realizadas na fictícia cidade de Asa Branca. "Quando terminou a novela (em fevereiro de 1986), a Ford me deu a caminhonete dele (do personagem)", conta o ator no vídeo, que já tem milhares de curtidas. "Tô certo ou tô errado?", brinca, imitando o bordão do personagem que, segundo Duarte, surgiu por acaso, durante conversa com o operador de áudio em uma gravação.


Ford
Instagram/Reprodução

E é justamente com o fim da trama - que reuniu artistas consagrados como Regina Duarte (Viúva Porcina) e José Wilker (Roque Santeiro), entre tantos outros nomes de peso - que a história começa. De acordo com o ator "Ela (a F-1000) rodou 1 milhão de km, sem mexer no motor", conta.

"Não estou fazendo propaganda, até mesmo porque a MWM faliu", refere-se Duarte à empresa que fabricava o motor da picape. Em tempo, cabe salientar que a fabricante não faliu, mas - após trocar de mãos duas vezes - pertence ao grupo Tupy. Hoje, produz motores e geradores em São Paulo e em Córdoba (Argentina), bem como possui um centro de distribuição de peças em Jundiaí (SP).


No vídeo, o artista com mais de 70 anos de carreira revela que, nestes 1 milhão de km, estão duas idas a Manaus (AM). "Só à Manaus eu fui duas vezes, 6 mil quilômetros. Eu e Armando Bogus, querido!", conta, relembrando o amigo (morto em 1993) que interpretou o comerciante Zé das Medalhas em Roque Santeiro. À época das viagens, Lima Duarte morava no Rio de Janeiro (RJ), afinal, vários atores residem na cidade a fim de manter proximidade com os Estúdios Globo durante as gravações de novelas. Hoje, o trecho entre Rio de Janeiro e Manaus é feito em pouco mais de 4.200 km, de acordo com o Google Maps.

Ford
TV Globo/Reprodução

Detalhes da Ford F-1000

Mesmo guiando também um limusine Ford Landau, com enorme par de cifres no capô, o carro de Sinhozinho Malta que fazia sucesso, mesmo, era a Ford F-1000. É tanto que Duarte legendou o vídeo postado com a seguinte frase: "Sempre me perguntam se eu ainda tenho a caminhonete do Sinhozinho Malta. Olha ela aí!".


Mas, se você acompanhou a novela, deve ter estranhado a diferença entre as picapes. Mas, calma! Não se trata de mais uma das brilhantes interpretações de Lima Duarte. O ator, de fato, ganhou o exemplar da montadora. Entretanto, ele preferiu deixa-la, digamos, mais incrementada.

Ford
TV Globo/Reprodução

Desse modo, a Ford F-1000 SSS (Super Série Special) marrom metálica com detalhes em vermelho e cabine simples deu lugar a um modelo com carroceria pintada em azul e cabine dupla. A dianteira também foi toda retrabalhada. Com nova grade e faróis mais modernos que os redondos da picape original. À época, a Souza Ramos fazia parceria com a Ford e, desse modo, realizava modificações nos mais variados modelos. Por isso a sigla SR na grade do exemplar exibido por Duarte.


Motorização e breve histórico

O motor, entretanto, como comentou o ator no vídeo, se mantém original. A rival da Chevrolet D20 à época, ostentava o propulsor MWM 3.9 movido a diesel que desenvolvia 86 cv e 25,5 mkgf de torque máximo. Assim, chegava a velocidade máxima de 125 km/h. Afinal, só no começo da década de 1990 chegou a opção turbodiesel, de 119 cv. O modelo tinha capacidade de carga de 1 tonelada.

Voltando um pouco na história, a F-1000 nasceu em 1979, ficando acima da irmã menor F-100 no portfólio da Ford. Em uma época que o segmento de picapes no Brasil se concentrava em território rural, o modelo inovou com a adoção do motor diesel. Afinal, estourava a crise do petróleo e era preciso economizar com combustível.

De início, a procura foi tanta que a F-1000 passou a ter vendas com cobrança de ágio. Entretanto, com o passar dos anos - e o lançamento de diversas configurações e motorizações -, a picape grande da Ford já não cabia no cenário nacional. Em 1999, chegava ao mercado a moderna F-250. Ainda assim, 20 anos de história não é para qualquer um.

LOFT DEMITE MAIS 312, Painel FSP

 A Loft comunicou nesta quarta (7) a demissão de mais 312 funcionários. O corte corresponde a 12% do quadro de 2.600 empregados.

  • Essa é a terceira onda de cortes da startup do setor imobiliário. Em abril, foram 159 funcionários, e em maio, mais 384. Ao todo, a empresa demitiu 815 trabalhadores neste ano.

Segundo a Loft, os cortes fazem parte do plano de reestruturação da companhia depois da compra de plataformas que atuam no mesmo segmento.

  • Nas demissões de abril, a startup informou que a decisão era parte do processo de integração com a CrediHome, empresa de crédito imobiliário adquirida em 2021.

Além da CrediHome, a Loft fez uma série de aquisições desde 2021: CredPago, de aluguéis, sem fiança; Vista, software para imobiliárias; 123i, portal de condomínios; Foxter, uma imobiliária gaúcha; e a TrueHome, que virou Loft México.

A Loft disse que os ex-funcionários terão extensão do plano de saúde por dois meses, apoio ao processo de recolocação profissional, entre outros benefícios.

Onda de demissões: os anúncios de cortes em massa entre os unicórnios (startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais) brasileiros ficaram concentrados no primeiro semestre do ano, quando a alta de juros nos EUA bateu no mercado e o dinheiro para investir em startups ficou escasso.

  • Na segunda metade do ano, foi a vez dos cortes nas big techs, caso de Meta (dona do Facebook), Twitter e Microsoft.

Revitalização, higienismo e barata-voa, É logo ali, FSP

 Cresci morando no centro de São Paulo. Meu quintal eram as ruas do entorno da praça da República, do largo do Arouche, do então jardim e hoje Parque da Luz. A vida me levou por outras latitudes, longitudes e destinos, até que, há seis anos, reneguei as ruas chiques dos Jardins e mudei de mala, cuia e marido, para a efervescente Praça Roosevelt. A lógica era simples: além do custo de vida ser bem menor, havia o diferencial de a praça estar sempre cheia de gente atraída pelos teatros, bares, e pelo clima descolado do pedaço, passar uma sensação de maior segurança que a escuridão das alamedas elegantes do lado de lá da avenida Paulista.

Aí veio a pandemia de Covid-19.

Espiar pela janela a praça deserta era uma tristeza, mas pior era ter que sair para alguma compra básica e perceber que aumentava exponencialmente, a cada excursão mascarada, o número de moradores em situação de rua para os quais o isolamento social tinha um significado bem diferente do que pregavam as autoridades. Eles eram (e são) os grandes isolados, isolamento raiz, mesmo: os excluídos.

Enquanto a prefeitura instala grades na praça Marechal Deodoro, na região central de São Paulo, morador de rua dorme no banco
Enquanto a prefeitura instala grades na praça Marechal Deodoro, na região central de São Paulo, morador de rua dorme no banco - Mathilde Missioneiro - 1.dez.22/Folhapress

Findas as restrições, voltamos às ruas e, de alguma forma, nada mais foi o mesmo. Ainda não é. Provavelmente não será. Porque, aproveitando que estávamos todos ainda desnorteados, tendo que reaprender tateando os caminhos de nossas roças antes tão familiares, as gestões municipais aproveitaram para ampliar o apartheid urbano, um tipo de passa-boiada citadino, lembrando aquele um que um dia foi ministro.

O primeiro front, em nome da sempre invocada e nunca implementada revitalização do centro, botou para correr, do único modo que as autoridades conhecem, ou seja, na porrada, as tristes almas penadas que se aglomeravam na cracolândia, nas imediações da praça Princesa Isabel. O pretexto era pegar uns traficantes e, de passagem, meter grades no que passou a se chamar parque Princesa Isabel —a diferença, para a administração, entre praça e parque é, principalmente, o gradeamento que fecha o acesso aos espaços depois de determinado horário.

Desde que promoveram o barata-voa da cracô, o fluxo de dependentes químicos tem se mudado periodicamente pelas ruas da vizinhança, tocando terror entre moradores, comerciantes e transeuntes, sem que alguém pare para pensar que a política de enxugar gelo não funcionou até agora e não vai funcionar nunca como medida social. Resultado: como a grande população que ali se reunia não consegue se fixar em um único local mais, por causa dos também compreensíveis protestos dos quarteirões afetados da vez, acabaram surgindo várias mini-cracolândias. Contra elas, vêm na calada da noite as grades da municipalidade.

Na semana passada, foi a vez da praça Marechal Deodoro, em Santa Cecília, que segue o caminho já percorrido pela praça (será que já chama parque?) Princesa Isabel há dois meses e a 1,5 quilômetro de distância dali. E já começou também na quinta-feira (1), a reforma da praça do Patriarca, em frente à Prefeitura, que a gestão Ricardo Nunes (MDB) diz que vai incluir a sinalização turística do triângulo histórico, entre a praça da Sé, o largo São Bento e o largo São Francisco. Por enquanto, só estão lá tapumes tirando os sem-teto de sob a cobertura (de resto bem esquisita, totalmente dissonante do entorno) que protege as escadas rolantes da galeria Prestes Maia.

Com os tapumes que interditam a praça do Patriarca, em frente à Prefeitura de São Paulo, os sem-teto se amontoam nas laterais
Com os tapumes que interditam a praça do Patriarca, em frente à Prefeitura de São Paulo, na região central da cidade. moradores de rua se amontoam pelas laterais - Luiza Pastor/Folhapress

A teoria, nos projetos da burocracia urbanista, sempre vem acompanhada de belos discursos das melhores intenções, daquelas de que o inferno anda abarrotado. Mas o verniz de melhorias não sobrevive à realidade representada pelos números de pessoas sem-teto, que, pelas últimas contas da própria Prefeitura, passou de 24.344 para 31.884 nos últimos dois anos. Que se saiba, não houve um programa eficaz de realocação desse contingente brutal de desvalidos. A informação formal da administração passada à Folha divulga que "somente no mês de novembro, as equipes de Seas que atuam na região realizaram 1.687 abordagens, que resultaram em 955 encaminhamentos para serviços de acolhimento, 87 encaminhamentos para serviços da rede socio-assistencial e 645 orientações". Tá, e os outros 30 mil, onde ficam? Se não ficam, para onde vão?

Enxotados de praça em praça, banidos para debaixo dos viadutos (um deles, o Minhocão, outro espaço que finge ser um parque e sonha com a High Line novaiorquina), eles esfregam na cara de cada cidadão, cotidianamente, que esse planejamento não funciona. De quebra, bane também quem tem saudades das praças do centro, do luxo de ir, vir e caminhar tranquilamente pelas ruas de nossa cidade. Saudades que só serão sanadas no dia em que a municipalidade olhar para todos e buscar, efetivamente, uma solução não cosmética nem higienista, sem tiro, porrada ou bomba, mas cidadã.