sexta-feira, 25 de junho de 2021

Hélio Schwartsman Agora tem corrupção?, FSP

 “Pelo menos não tem corrupção.” É com esse brocardo que bolsonaristas convictos tentavam racionalizar seu apoio ao governo, depois que o presidente traiu, uma a uma, suas principais bandeiras eleitorais: apoio à Lava Jato (foi ele, e não Temer, quem enterrou a operação), rejeição ao sistema (ele deitou no colo do centrão) e agenda econômica liberal (nem a abertura comercial, que depende basicamente da caneta do ministro, avançou).

É claro que a frase sobre a corrupção tampouco era exata. O núcleo familiar do presidente está envolvido até a medula em esquemas de rachadinhas. A própria primeira-dama recebeu cheques nunca bem explicados do notório Fabrício Queiroz. Família não é governo, dirá o bolsonarista contumaz.

Ricardo Salles, que deixou o Ministério do Meio Ambiente, ao lado de Jair Bolsonaro
Ricardo Salles, que deixou o Ministério do Meio Ambiente, ao lado de Jair Bolsonaro - Evaristo Sá - 9.fev.21/AFP

Talvez, mas Bolsonaro também manteve por mais de um ano Marcelo Álvaro Antônio no posto de ministro do Turismo, apesar de seu envolvimento num esquema de desvio de verbas eleitorais. Há ainda o caso do finalmente exonerado Ricardo Salles, que resistiu por semanas no Ministério do Meio Ambiente mesmo sendo investigado por tráfico, de madeira. Ora, não há governo que não tenha tido um par de ministros sobre os quais recaíram suspeitas, insistirá o fiel sequaz do capitão reformado.

O escândalo da Covaxin complica as racionalizações. Não são mais familiares nem auxiliares que aparecem no turbilhão das suspeitas, mas o próprio presidente. Não estamos mais falando dos “trocados” das rachadinhas, mas de um esquema bilionário, que rivalizaria com os desvios do PT.

Não acredito, porém, que haverá uma debandada nas hostes bolsonaristas. Uma das características mais fascinantes do cérebro humano é sua capacidade para o autoengano. Já posso escutar o bolsonarista obstinado afirmando que prevaricação não é corrupção. Preciosismos jurídicos à parte, num país mais decente, o capitão já teria sido deposto e estaria sendo julgado, com chance de parar na cadeia.


quinta-feira, 24 de junho de 2021

Após pedido da gestão Doria, juíza determina reintegração de posse do sindicato dos metroviários de SP, FSP

 A juíza Luiza Barros Rozas Verotti, da 13ª vara da Fazenda Pública de São Paulo, deferiu pedido de liminar do governo João Doria (PSDB-SP) para determinar reintegração de posse da sede do sindicato dos metroviários de São Paulo, localizado na zona leste da capital.

Ela dá o prazo de cinco dias a partir desta quinta-feira (24) para que deixem o local. Na decisão, a magistrada autoriza o arrombamento do prédio e uso de força policial, caso necessário.

Wagner Fajardo, coordenador-geral do sindicato, diz ao Painel que pretendem resistir.

"Vamos resistir. A ideia é resistir", afirma. "A princípio, não [vão sair se a polícia chegar]. Porque é uma agressão muito grande. É injustificável do ponto de vista político, da ação sindical e até mesmo econômico, já que venderam a preço de banana", completa.

Como mostrou a coluna, o local em que está localizado o sindicato dos metroviários virou motivo de briga entre a categoria e o governador, cuja administração decidiu vender o terreno na rua Serra do Japi.

Sede do Sindicato dos Metroviários de SP, na zona leste de São Paulo
Sede do Sindicato dos Metroviários de SP, na zona leste de São Paulo - Gabriel Cabral/Folhapress

Os metroviários estão desde 1986 no local, cuja concessão tem sido renovada pelos governadores desde então. Eles construíram o prédio do sindicato no espaço, e dizem que o governo do estado colocou o terreno à venda como forma de pressão política sobre os metroviários, que estão em campanha salarial.

Eles acionaram a Organização Internacional do Trabalho apontando violação do direito à liberdade sindical por parte da gestão João Doria.

O governo afirma que a situação financeira do Metrô tem piorado e que a comercialização de terrenos e edifícios tornou-se necessária.

O terreno foi arrematado no final de maio por R$ 14,4 milhões pela empresa UNI 28 SPE, criada por Marco Antonio Melro, da construtora Porte, conhecida pelos altos prédios na região.

Superpedido de impeachment contra Bolsonaro será protocolado na quarta (30) com ato em Brasília, FSP

Líderes de partidos, de movimentos sociais e deputados decidiram em reunião nesta quinta-feira (24) que apresentarão na quarta-feira (30) o chamado superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, que reúne mais de 100 pedidos feitos por siglas e grupos de oposição e parlamentares que se arrependeram de ter apoiado o presidente, como Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP).

Presidentes de PSOL, PT, PC do B, PDT, PSB, Rede, UP, PV e Cidadania têm liderado as discussões. A expectativa é a de que por se tratar de iniciativa supraideológica o pedido tenda a ganhar força e elevar a pressão para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), analise as acusações.

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A entrega dos pedidos contará também com um ato na Câmara dos Deputados, em Brasília, programado para as 14h30, com a presença de entidades que fazem parte da mobilização pelo superpedido, como UNE (União Nacional dos Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), além de parlamentares.

Reunião de lideranças sobre o superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro
Reunião de lideranças sobre o superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro - Reprodução

"Vamos presencialmente. Ainda que o sistema seja remoto, todas as entidades e partidos queremos que o ato seja de unidade nacional. É preciso que a voz das ruas ecoe no parlamento. Não é possível que o presidente Arthur Lira (PP-AL) silencie frente a essa voz das ruas que se avoluma. A crise se amplia, as denúncias se agravam, e o Congresso não pode ficar surdo. Os fatos da semana falam por si sós", diz o deputado José Guimarães (PT-CE).

Para os envolvidos, o ato e a entrega do pedido vão dar início a um período decisivo de mobilização contra Bolsonaro. A campanha Fora, Bolsonaro, que encabeça os protestos nacionais contra o presidente, marcou para 24 de julho as próximas manifestações.

"Esse novo pedido é muito importante, primeiro porque vem com a força e mobilização permanente das ruas contra Bolsonaro, e também porque agora reúne todos pedidos anteriores, movimentos sociais e partidos e deverá reforçar ainda mais os próximos protestos", diz Iago Montalvão, presidente da UNE.

Como mostrou a Folha, o superpedido deverá apontar mais de 20 tipos de crimes contra a lei de responsabilidade.​

Para Fernanda Melchionna (RS), deputada do PSOL, autora de um dos primeiros pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o superpedido mostra unidade de ação entre forças distintas e fortalece as mobilizações nas ruas —e também ganha força com elas.

"Nenhum governo cai de podre, é preciso derrotá-lo. O novo calendário de mobilizações é fundamental para que ande a luta política para derrotar o Bolsonaro", afirma.

Sobre as investigações a respeito de indícios de irregularidades no acordo de compra de doses da vacina indiana Covaxin pelo governo federal, Melchionna afirma que nada impede que um novo pedido relativo ao caso seja adendado posteriormente, mas que o grupo preferiu consolidar o superpedido com o material que já havia sido debatido e estava mais maduro para agilizar a mobilização.