segunda-feira, 4 de maio de 2026

Siga Sua Doação rastreia R$ 10 milhões em um ano, FSP

 Roberta Faria

Jornalista, CEO da MOL Impacto e vencedora do Prêmio Empreendedor Social

Imagine adquirir um livro no caixa de uma loja e saber exatamente qual criança foi beneficiada com aquela compra —em qual cidade, por qual organização, com qual história. Isso já existe. E completou um ano.

É a história do Anthony, que passou a ter acesso a fisioterapia, terapias e equipamentos que ampliaram sua autonomia com a ajuda da Associação Mineira de Reabilitação. E da Zélia Duncan, uma cachorrinha idosa resgatada de negligência que encontrou um novo lar graças ao Instituto Hope.

Casos diferentes, mas com algo em comum: só existem porque houve generosidade de quem doou, capacidade técnica de distribuir os recursos e, principalmente, comunicação do impacto.

Esses são apenas dois exemplos entre mais de 190 histórias documentadas pelo Siga Sua Doação, plataforma criada pela MOL Impacto para mostrar, de forma simples e acessível, o caminho completo da doação, e que em seu primeiro ano de funcionamento rastreou mais de R$ 10 milhões destinados a organizações sociais, somando R$ 93 milhões ao longo de 18 anos.

Livro colorido com figurinhas aberto sobre superfície com grama e chão azul. Há um cachorro amarelo deitado sobre as figurinhas
Produto da Editora MOL e Panini, disponível nos caixas da rede Petz, se torna um dos mais vendidos do Brasil - Divulgação

A iniciativa nasce de uma constatação difícil: a desconfiança é hoje uma das maiores barreiras para a doação no Brasil. Segundo a pesquisa Doação Brasil 2024, feita pelo Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), apenas 30% dos brasileiros acreditam que a maioria das ONGs é confiável.

PUBLICIDADE

Só 33% dizem que essas organizações deixam claro o que fazem com o dinheiro, e quase metade dos doadores (49%) já deixou de contribuir depois de ler notícias negativas sobre o tema.

Como a pesquisa também revela, 45% dos brasileiros preferem doar diretamente para quem precisa, sem a intermediação de organizações sociais.

Esse comportamento ignora o papel fundamental das ONGs no ciclo virtuoso da doação: são elas que concentram estrutura, conhecimento técnico e capacidade de aplicar os recursos de forma estratégica e sustentável.

Um dos principais fatores por trás dessa desconfiança é a falta de transparência, que ainda representa um gargalo tanto para ONGs quanto para empresas que mobilizam doações.

E talvez esse seja o ponto central: enquanto a prestação de contas continuar sendo tratada como obrigação burocrática, difícil de acessar e pouco conectada com a experiência do doador, a confiança não será uma realidade.

Por meio do Siga Sua Doação, quem compra produtos sociais feitos pela MOL —disponíveis em grandes varejistas do país como Petz, Raia, Drogasil, Ri Happy e PBKids— consegue entender para onde foi o recurso, quais organizações foram apoiadas, em quais regiões do país e, principalmente, quais histórias de vida foram transformadas por aquela doação.

Quando a transparência funciona, ela muda a lógica da relação. O doador deixa de ser alguém que apenas contribui e passa a ser alguém que acompanha, entende e se envolve, e quem entende o impacto tende a doar novamente.

Do outro lado, as organizações sociais ganham mais do que prestação de contas: ganham narrativa, vínculo e visibilidade contínua, sem depender apenas de campanhas pontuais.

O maior desafio do setor sempre foi transformar transparência em linguagem, e dados em credibilidade. Transparência não é só relatório. É a história do Anthony chegando até quem comprou um produto no caixa de uma farmácia.

Nenhum comentário: