terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Deirdre Nansen McCloskey - Os advogados são o problema?, FSP

 Ambos os nossos países são governados principalmente por advogados. É melhor do que se fossem governados por soldados, como o Egito. Os soldados não gostam de diálogo ou discussão. Os advogados adoram. Um governo de diálogo é muito melhor para o florescimento humano do que um governo de ordens.

Os seres humanos evoluíram no sudeste da África em pequenos bandos de caçadores-coletores com menos de 20 pessoas. Os caçadores-coletores prezam a liberdade de expressão e de ação. Para usar o vocabulário de três itens do grande Albert Hirschman, num pequeno grupo é fácil dar "voz" às opiniões ou, se isso não funcionar, "sair". Isso é liberdade.

Mas os humanos também desenvolveram uma "lealdade" contrária a um líder carismático, o sujeito que gosta de comandar sem discutir. Agora mesmo, nos EUA, Donald TrumpElon Musk e companhia estão testando o modelo de comando. Reze para que o porrete de comando, o Exército, não se envolva. Os brasileiros sabem como isso funciona.

Donald Trump com boné onde se lê "Trump estava certo sobre tudo" - Jim Watson/AFP

Mas e os economistas? Certamente meus amados colegas são a solução para equilibrar os advogados faladores e talvez até os generais fortões, hein? Teremos engenharia social, que há um século os economistas afirmam que podem entregar em detalhes.

Você sabe o que vou dizer: depende de quais economistas. Muitos, desde Keynes, acreditam que uma sociedade de 211 milhões ou 335 milhões de almas é facilmente estruturada por economistas especializados. Eles são os parceiros perfeitos para os generais, ou pelo menos para os chefes eleitos. É por isso que a economista estatista Mariana Mazzucato é tão popular entre os políticos brasileiros. E é por isso que o economista estatista Joseph Stiglitz elogiou durante tanto tempo a destruição de cima para baixo da Venezuela por Chávez e Maduro.

É melhor recrutarmos os economistas que não acreditam em milagres de previsão e controle —milagres alegremente assumidos como fatos diários no Banco Central ou na divisão antitruste do Ministério da Justiça. Os poucos economistas liberais-essenciais acreditam, em vez disso, que a maior parte do conhecimento sobre o que você quer comer no almoço, ou qual computador é melhor para seu escritório, ou que quantia e tipo de dinheiro você prefere, está localizada onde você está, não em Brasília ou Washington. Quando esse tipo de economista começa a trabalhar, como o grupo de desregulamentação de Milei na Argentina, a liberdade de falar ou sair se expandirá, e os perigos autoritários da lealdade ao Estado, como as tentativas prepotentes de fazer os brasileiros se calarem, diminuirão.

Os advogados, quando não estão trabalhando para os autoritários, falam sobre justiça. Justiça é uma virtude que olha para trás, retrospectiva. Ela pergunta: é justo que Jair Bolsonaro seja preso por seu comportamento passado? A prudência é uma virtude prospectiva. Ela pergunta: como podemos impedir futuras ameaças a "Ordem e Progresso"? Os economistas são especialistas em prudência. Você não pode entender a economia se não perceber que ela tem tudo a ver com o futuro, não com o passado.

Mas precisamos de justiça e prudência. Precisamos de advogados e economistas não autoritários.

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