Quarta-feira, 26 de fevereiro, é o Dia Mundial do Pistache, caso você não saiba. Tudo bem, eu também não sabia até a semana passada.
Por que dia do pistache exatamente nessa data? Qual a história da comemoração? Aparentemente não há respostas para essas perguntas. O site National Day Calendar, que arrola homenagens do tipo nos Estados Unidos, informa que a origem é desconhecida.
O 26 de fevereiro também é, por sinal, Dia de Mandar uma Carta para um Idoso, Dia de Dar um Bom Exemplo e Dia de Contar um Conto de Fadas.
Sei que sou repetitivo –já reclamei algumas vezes dessas datas estapafúrdias e da tsunami de pistache–, mas o caso sinaliza uma voracidade comercial tremenda dos americanos, além da passividade ovina dos brasileiros. Algo de que só me dei conta no fim do ano passado, ao ler uma ótima reportagem da BBC (publicada também na Folha).
Os gringos descobriram um jeito de produzir montanhas de pistache na Califórnia e precisam escoar todo o excedente para quem se dispuser a comprar. O Brasil se dispõe.
Segundo o mesmo artigo, entre 2020 e 2022 as importações rondaram a casa das 200 toneladas, com participação significativa do Irã e dos Emirados Árabes, produtores históricos de pistache.
Em 2023, o volume saltou para cerca de 500 toneladas, 80% oriundas dos EUA. No ano passado, a importação californiana explodiu: o Brasil comprou mais de 900 toneladas só dos americanos.
Que fique claro: eu gosto de pistache. Gosto muito, aliás.
Mas, do jeito que a coisa vai, com pistache até na esfiha do Habib’s, o resultado é o empobrecimento do repertório da confeitaria brasileira –estrago que outros ingredientes alienígenas, como o leite condensado e a Nutella, já fizeram em verões passados.
A culpa não é só do lobby dos plantadores de pistache da Califórnia. É da cambada de paga-pau de gringo que a gente tem por aqui.
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