quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Café de SP bate recorde e é vendido por R$ 1.410/kg, FSP

 David Lucena

MACEIÓ

Um lote de café cultivado pela Orfeu em São Sebastião da Grama (a cerca de 250 km de São Paulo) bateu um recorde e foi vendido por US$ 130,30/lb-peso, ou R$ 84,5 mil por saca de 60 kg, o que corresponde a um valor de R$ 1.410 por quilo de café.

Como o lote era composto por três sacas, a venda rendeu um total de R$ 253,5 mil (US$ 51.706,95).

Trata-se do maior valor já pago na história por um café natural brasileiro, superando o recorde anterior (US$ 90,20/ lb-peso), registrado em 2017.

Trabalhador exbie grãos de café verde em suas mãos
Grãos de café são leiloados ainda crus, para posterior industrialização - Yen Duong/Reuters

Esse é o valor do grão verde, que foi adquirido pela empresa japonesa Sarutahiko Coffee, que vai torrar e comercializar o café no Japão.

Parte deste café, contudo, foi mantido no Brasil. Procurada pelo Café na Prensa, a Orfeu disse que o café deve ser ofertado ao consumidor ainda no primeiro semestre de 2024. A empresa, contudo, ainda não informou detalhes, como o preço pelo qual ele será vendido.

O café, cultivado na Fazenda Rainha, foi comercializado durante o leilão realizado na semana passada pela edição brasileira do Cup of Excellence —maior concurso de qualidade do mundo. Na ocasião, foram ofertados os 30 melhores lotes do campeonato, considerado o Oscar dos cafés.

POR QUE É TÃO CARO?

Esse lote recordista foi o campeão do Cup of Excellence Brasil na categoria "Via Seca", que se destina aos grãos naturais (colhidos e secos com casca).

Ele é da valorizada variedade geisha (ou gesha), tipo de café arábica que surgiu no vilarejo de Geisha, na Etiópia –não tem, portanto, nenhuma relação com as gueixas da cultura japonesa.

Foi no Panamá, porém, que esta variedade de fato encontrou solo fértil e alcançou uma qualidade reconhecida mundialmente. Recentemente, ela foi introduzida no Brasil.

Geralmente, esse tipo de café produz uma bebida muito aromática, com notas florais e acidez balanceada —atributos muito valorizados no mercado de cafés especiais.

É também da variedade geisha o recorde de café mais caro do mundo. Ele foi estabelecido em um leilão realizado em setembro de 2022, quando um lote do produtor panamenho Lamastus Family Estates foi arrematado por impressionantes US$ 6.034 (aproximadamente R$ 30 mil) por libra –ou US$ 13.302 (cerca de R$ 65 mil) por quilo.

OUTROS CAFÉS VENDIDOS POR ATÉ R$ 40,7 MIL/SACA

O segundo maior lance do leilão do Cup of Excellence Brasil 2023 foi dado ao campeão da categoria "Via Úmida" (cereja descascado, despolpado ou desmucilado), produzido na Fazenda Rio Verde (Ipanema Agrícola), em Conceição do Rio Verde (MG). Esse café foi adquirido pelo Grupo Cafeza, do Brasil, por R$ 40,7 mil/saca (US$ 62,70 lb-peso), o que rendeu um total de R$ 101,6 mil (US$ 20.734,26) por todo lote.

O terceiro maior lance foi registrado ao campeão da inédita categoria "Experimental" (cafés fermentados). O produto, também cultivado na Fazenda Rainha (Orfeu Cafés), foi adquirido pelo equivalente a R$ 32,7 mil por saca pela empresa Decameron Coffee, da China, o que proporcionou um total de R$ 81,9 mil pelo lote.

Ao final do leilão, os 30 lotes vencedores do Cup of Excellence Brasil 2023 foram adquiridos por empresas da Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, Bulgária, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Noruega.

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‘Mestrão’ de Moro reforça como funciona o político atual: as redes mandam, ele obedece como fantoche, OESP

 


Por Ricardo Corrêa

14/12/2023 | 09h30

Atualização: 14/12/2023 | 09h30

2 min

de leitura

Após abraços e risadas entre o agora aprovado como ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e o senador Sergio Moro (Podemos), veio a mensagem de alerta ao paranaense. No seu celular, pipocou o recado do contato com a sugestiva alcunha de “Mestrão” para avisar: o “coro estava comendo nas redes” e ele não poderia nem pensar em declarar voto favorável ao indicado por Lula. É esse tipo de mensagem, flagrada pelo repórter fotográfico Wilton Junior, do Estadão, que chega a todo momento nos celulares daqueles que hoje nos representam. Com avisos, alertas e estatísticas para que eles nunca se esqueçam de que são reféns das redes sociais. Moro não é diferente de grande parte dos políticos que alçaram voo com a expansão da polarização e que, agora, precisam rezar uma mesma cartilha cada vez mais estreita e radical. Não há espaço para meio-termo.


Mensagem no celular de Sérgio Moro alerta sobre pressão nas redes sociais, com pedido para que ele não declarasse voto favorável a Flávio Dino no STF. 

Mensagem no celular de Sérgio Moro alerta sobre pressão nas redes sociais, com pedido para que ele não declarasse voto favorável a Flávio Dino no STF.  Foto: Wilton Junior/Estadão


Moro é aconselhado a não declarar voto em Dino e promete ficar em silêncio; veja mensagem



Moro é aconselhado a não declarar voto em Dino e promete ficar em silêncio; veja mensagem


O político eleito pelo impulsionamento que ganhou no mundo digital é o menos livre de todos. Ainda que esteja falando de liberdade de expressão aos quatro ventos, sua posição já está dada. Sua sobrevivência política dependerá de como vai reagir a cada fato, no Brasil ou no exterior, de que lado está em uma guerra do outro lado do mundo, se vai usar amarelo ou vermelho, em quem vai votar para o conselho tutelar, quais lugares frequenta, ou qual chocolate anda comendo, se o de direita ou de esquerda. Tudo está sendo monitorado e rotulado. E se ele consegue ser civilizado com seu colega nos cafezinhos do Congresso, quando uma câmera estiver ligada precisa atuar como um animal feroz.


Eis o grande dilema de quem se propõe a ser razoável hoje em dia. As redes sociais, em geral, não são. Quem quiser segui-las a ferro e fogo para não apanhar, vai colher delas tudo o que tem mais radical. E com bolhas cada vez mais formadas, a tendência é que isso piore cada vez mais. Se o representante está submisso a elas, tende a também se tornar alguém incapaz de participar de um debate equilibrado.


Por essas e outras, o Brasil deixou de ser um país de mínimos consensos. Pense aí em um tema que, se proposto para debate hoje na praça levaria a uma posição única, sem qualquer debate que seja ou sem antagonismos políticos. Dos direitos básicos individuais ao conceito de democracia, do direito à vida ao combate ao crime, nada pode ser discutido sem uma guerra de narrativas e versões. Você pode até tentar, mas logo aparecerá um “Mestrão” para lhe avisar do cancelamento que o espera na parte da sociedade (ou das redes) que ainda o apoia. É a senha para dizer: anule-se e sobreviva. Como na brincadeira, ‘o que seu mestre mandou, faremos todos’!


https://www.estadao.com.br/politica/ricardo-correa/mestrao-reforca-como-funciona-o-politico-atual-as-redes-mandam-e-ele-obedece-como-fantoche/


‘Não existe nada sem juros. É o marketing do varejo’, diz presidente das associações comerciais, OESP

 BRASÍLIA - Em meio à disputa entre bancos e maquininhas independentes de cartão de crédito, que já chegou à esfera jurídica, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait, afirma que o parcelado sem juros é vital ao varejo, mas admite que se trata de um “marketing” do setor.

“Nunca foi sem juros. Não existe nada sem juros. Mas é uma questão do comerciante. Ele, ao vender um produto, sabe qual será o custo (para antecipar aquele valor) e qual é o preço para vender. Tem um cálculo da taxa de juros, porque, no dia seguinte, ele vai lá e desconta (o recebível). Já tem um acordo com o cartão”, diz Cotait ao Estadão.

O empresário e ex-senador complementa: “Acontece que, se você falar que quer pagar à vista, ele (comerciante) não dá esse desconto. Porque ele fala: ‘É parcelamento sem juros’. É o marketing dele. Se te der o desconto, irá contra o próprio marketing.”

'Nunca foi sem juros. Não existe nada sem juros', diz Cotait sobre as vendas parceladas.
'Nunca foi sem juros. Não existe nada sem juros', diz Cotait sobre as vendas parceladas.  Foto: Divulgação/CACB

Questionado se não falta transparência na relação com o cliente, Cotait diz que o modelo já está consolidado no País e ajuda a acomodar as compras no bolso do consumidor. “Daqui a pouco vai ser o Pix parcelado”, diz ele, prevendo que, independentemente do meio de pagamento, a prática irá se manter.

“As drogarias fazem três ou seis parcelas. O comércio, principalmente de vestuário, faz em dez parcelas. Tem de tudo: até passagem aérea em 12 vezes. Você acha que não tem juro? O juro já está computado dentro (do preço)”, reforça.

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Cotait foge do tom beligerante adotado por maquininhas e bancos e diz que a saída seria construir um meio-termo. Ele sugere a adoção de um limite de oito parcelas, e afirma que vem conversando com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre o assunto.

“O que pode ser estudado, e eu acho que convém, é o seguinte: em vez de dez parcelas, faça oito. Para que o cliente possa pensar melhor durante a compra. Acho que é saudável para o próprio consumidor”, afirma. Segundo ele, o objetivo é dar maior sustentabilidade ao parcelado sem juros, para não correr o risco de o instrumento ser extinto, o que seria muito prejudicial ao varejo.

Bancos X maquininhas

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 75% das compras realizadas com cartão de crédito no País não preveem o pagamento de juros aos bancos emissores. Mas os varejistas, como explicou Cotait, pagam juros às maquininhas para antecipar os valores parcelados, e embutem isso no preço final.

O problema, alegam os bancos, é que as instituições financeiras ficam com todo o risco de inadimplência sem serem remuneradas por isso, uma vez que o juro embutido nos preços acaba indo para as maquininhas. Algumas delas, as maiores, fazem parte dos mesmos conglomerados dos bancos, mas novos entrantes vêm abocanhando fatias relevantes do mercado e há uma disputa feroz por espaço.

Esse é o pano de fundo do impasse em torno do rotativo do cartão, a linha de crédito mais cara do País, que teve os juros limitados pelo Congresso - a dívida só poderá aumentar 100%, ou seja, dobrar de tamanho. As travas entrarão em vigor em janeiro, caso o setor não se autorregule. Um acordo, porém, ainda está distante de ser alcançado.

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Para os bancos, só é possível reduzir o juro, de forma estruturada e saudável, se houver limitação no parcelado sem juros. As maquininhas, porém, dizem que não há relação direta entre a taxa do rotativo e o parcelado, e veem uma tentativa de restringir a competição.

Parcelado ‘pirata’

Na semana passada, a disputa ganhou contornos jurídicos, com a Febraban denunciando ao Banco Central (BC) e ao Ministério Público a existência de um parcelado sem juros “pirata” - exatamente pelo fato de as maquininhas se apropriarem dos juros do varejo sem correr o risco da inadimplência e sem deixar clara a cobrança das taxas.

O próximo capítulo desse embate está marcado para o dia 21, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne para discutir o tema. O colegiado é formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

A proposta dos bancos, entregue ao BC e rejeitada pelas maquininhas, prevê limitar as vendas sem juros a seis parcelas e, em caso de calote, prevê a possibilidade de consolidação do saldo total da fatura. Ou seja, as parcelas futuras do cartão teriam o vencimento antecipado e seriam reparceladas com juros inferiores aos do rotativo.

Pessoas que acompanham de perto as negociações dizem, no entanto, que a possibilidade de acordo ficou muito distante e admitem que a tendência é a limitação dos juros entrar em vigor no início de 2024, como determina a legislação aprovada pelo Congresso.

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As instituições financeiras, porém, não jogaram a toalha e afirmam, nos bastidores, que há disposição de continuar perseverando para conseguir alguma limitação no parcelado. Para isso, o CMN poderia marcar uma reunião extraordinária ainda em 2023 ou, o mais provável, seguir discutindo o assunto em 2024.