quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Tarifa dos trens e metrô em SP sobe para R$ 5 em janeiro de 2024, FSP

 

SÃO PAULO

O valor da tarifa dos trens e metrô em São Paulo vai subir para R$ 5 a partir de 1º de janeiro de 2024. A informação foi confirmada pela assessoria da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O valor atual da passagem é R$ 4,40, o que representa um aumento de R$ 0,60.

O anúncio oficial ainda não foi feito, mas, o governo prometeu novas informações em breve com as explicações para a decisão.

Plataforma da estação Bresser da linha 3-vermelha do Metrô - Rubens Cavallari - 24.mar.2023/Folhapress

A informação foi divulgada pelo Bom dia SP, da TV Globo, e confirmada pela Folha em seguida.

Com o reajuste, os passageiros que utilizam apenas o transporte sobre trilhos em dias úteis terá de pagar, em média, R$ 26,40 a mais por mês.

O reajuste da tarifa do transporte público na cidade de São Paulo tem colocado em lados opostos o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O valor de R$ 4,40 é o mesmo desde janeiro de 2020, apesar de a inflação no período ter sido de 26% (R$ 5,55). O reajuste é de 13,6%, metade da inflação.

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A defasagem incomodava Tarcísio, que dizia reiteradamente para os seus secretários que subiria a tarifa no ano que vem. Por outro lado, Nunes calcula que o aumento da passagem trará prejuízos à sua campanha de tentativa de reeleição. Os dois são aliados.

Tarcísio confirmou sua intenção de aumentar o preço da passagem em entrevista no último dia 29 de novembro, após a publicação deste texto. "[A tarifa] Está congelada há muito tempo, a gente tem como fazer conta. Quanto mais tempo congelada, mais subsídio, e eu preciso tirar de alguma política pública. Então tem que por na balança, não tem almoço de graça. Se a tarifa não subiu, o custo subiu", disse o governador.

"As empresas não vão ter solvência sem repasse, e o fato de a tarifa estar congelada vai prejudicando a saúde financeira das empresas", completou Tarcísio.

Na capital, com o sistema de integração, as passagens de ônibus e das linhas férreas seguem o mesmo valor. A gestão Nunes desembolsou R$ 5,3 bilhões em subsídios para as empresas de ônibus até o início de novembro. Responsável pelos gastos com metrô e trens, o governo estadual não informou quanto repassou.

Resta saber, agora, se a prefeitura deverá seguir com o acordo informal firmado com o governo e reajustar a tarifa do ônibus. A medida é uma das situações que Nunes mais evita tomar em seu último ano de mandato.


Funcionários da prefeitura e da SPTrans disseram à Folha nesta manhã que foram pegos de surpresa. A assessoria de imprensa dos dois órgãos não se manifestou em notas, apesar do anúncio por parte da Comunicação de Tarcísio.

Na segunda (11), antes de anunciar o programa tarifa zero aos domingos, Nunes conversou com Tarcísio na tentativa de convencê-lo da ideia. O governador sempre foi contrário tanto à gratuidade quanto ao congelamento da tarifa desde janeiro de 2020.

Neste encontro Nunes e Tarcísio também debateram a possibilidade de subir o preço da passagem. "Ficamos de, a partir desta semana, reunirem os técnicos da SPTrans e do governo para discutir se deve haver o reajuste, acredito que uma decisão deverá ser tomada no final do mês, como é de prática", afirmou o prefeito, na segunda.

Na reunião entre governador e prefeito, Tarcísio disse que seria inevitável o reajuste para o ano que vem. Desde quando assumiu o Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio vive em conflito com lideranças sindicais das linhas férreas e demonstra incômodo pelo fato de o Metrô ser deficitário.

A empresa teve um prejuízo de R$ 651 milhões no primeiro semestre deste ano. Em todo o ano de 2022, havia sido de R$ 1,2 bilhão.

Rafael Calabria, coordenador de mobilidade urbana do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), acredita que o aumento da tarifa afastará ainda mais os usuários e não será suficiente para cobrir o déficit.

Folha questionou a Gestão Nunes se o valor da tarifa subirá para os ônibus da capital e aguarda retorno.

GREVES E PRIVATIZAÇÃO

Neste ano, a gestão Tarcísio enfrentou três greves envolvendo os metroviários. No dia 28 de novembro, houve uma greve unificada do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que contou com adesão da Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado), de professores da rede pública e de servidores da Fundação Casa. Os grevistas pediam a suspensão de projetos de privatização em curso no estado, como a da Sabesp, de linhas da CPTMe do Metrô.

Em outubro, um protesto realizado pela categoria também tinha a concessão de serviços à iniciativa privada como alvo. A primeira paralisação deste ano ocorreu em março e, embora incluísse o fim de terceirizações e privatizações na pauta, também continha argumento diretamente relacionado a direitos trabalhistas.

EVOLUÇÃO DA TARIFA EM SÃO PAULO

2010
R$ 2,70

2011
R$ 3,00

2012
Não teve

2013
Não houve. O então prefeito Fernando Haddad (PT) e o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) recuaram e cancelaram o aumento para R$ 3,20 após os protestos de junho

2014
Não houve

2015
R$ 3,50

2016
R$ 3,80

2017
Apenas a tarifa integrada com o metrô e a CPTM foi reajustada. Em seu primeiro ano de mandato, o então prefeito João Doria (PSDB) havia prometido não aumentar a tarifa dos ônibus em 2017

2018
R$ 4,00

2019
R$ 4,30

2020
R$ 4,40

TARIFA ZERO

A confirmação do reajuste no valor da tarifa nos trens e metrô ocorre logo após a gestão Nunes anunciar que a cidade passará a ter ônibus gratuito aos domingos.

tarifa gratuita começará a valer já a partir do próximo domingo (17), sempre durante todo dia —das 0h às 23h59. Para ter acesso ao benefício, o passageiro que tiver bilhete único deve utilizá-lo, mas nenhum valor será cobrado. Quem não tem, o motorista vai liberar a catraca.

A prefeitura diz que não há previsão de precisar pagar a mais às empresas pelo passe livre. No entanto, a gestão municipal deverá renunciar, pelo menos, uma receita de R$ 240 milhões ao ano. Essa cifra equivale ao que a prefeitura deixará de receber com as catracas livres aos domingos.

Neste ano, a administração municipal deverá custear R$ 6 bilhões dos gastos com os ônibus e, segundo Nunes, há uma ociosidade de 60% da capacidade dos ônibus. "Com isso, não será necessário fazer implementação do subsídio", afirma Nunes.

Ao votar o orçamento da cidade para o ano que vem, a Câmara dos Vereadores aprovou uma reserva de R$ 500 milhões para o Executivo custear o transporte coletivo gratuito no próximo ano.

Deirdre Nansen McCloskey - Os bancos centrais são um erro

 No início deste mês, visitei a fria e úmida Edimburgo, na Escócia, durante alguns dias, para dar uma palestra sobre a ciência econômica e a economia.

Correu tudo bem, obrigada. Um ponto alto foi a visita à casa reconstruída de Adam Smith, onde ele morou na velhice com sua mãe. Outro destaque foi um almoço com uma amiga, Jo Clifford, uma dramaturga, também transgênero, que escreveu em 2010 uma peça hilariante e humana chamada "The Tree of Knowledge" [A Árvore do Conhecimento], sobre Adam Smith e David Hume voltando em trajes do século 18 para a Edimburgo moderna e descobrindo que hoje na Escócia, assim como no Brasil desde que a sodomia foi excluída do código penal em 1830, você pode amar quem quiser.

Há poucas dúvidas de que Smith, assim como Sócrates, Michelangelo, Shakespeare, Immanuel Kant e Paulo Barreto eram gays, ilustrando o que ganhamos com a diversidade liberal que fascistas como Putin, Trump e Bolsonaro detestam.

Ilustração de Adam Smith - João Montanaro

Outro destaque entre muitos sob a chuva foi um seminário sobre o método da economia numa surpreendente Biblioteca de Erros.

A biblioteca, fundada em 2014, é a maior coleção de livros sobre história financeira na Escócia. Por que "erros"? Porque o tema da biblioteca é que a intervenção na economia financeira tem sido, repetidamente, um erro.

A biblioteca, por exemplo, tem muitos livros sobre John Law (1671-1729), um brilhante vigarista escocês que assumiu as finanças do Estado francês, destruindo sua economia, e depois causou a primeira catástrofe financeira moderna, a Bolha dos Mares do Sul, em 1720.

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Curiosamente, o homem mais inteligente do mundo na época, o já então idoso Isaac Newton, investiu na bolha, saiu logo e ganhou uma fortuna; aí percebeu que o preço das ações continuava subindo, voltou e perdeu sua fortuna. Rarará, um dos primeiros casos de como é bobagem pensar que ser esperto, em vez de sábio, pode torná-lo rico.

No entanto, continuamos a pensar que intervenções inteligentes em bancos, em taxas de câmbio, no mercado de ações e na oferta monetária por pessoas inteligentes podem ser tudo menos um erro. Os bancos centrais são um erro. O monopólio estatal do dinheiro é um erro. A indústria de consultoria financeira é um erro.

Vamos parar de cometer erros.