quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Captura de carbono para hidrogênio eleva consumo de água, EPBR

 

A integração da tecnologia de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCUS, em inglês) a projetos de hidrogênio a partir de combustíveis fósseis aumenta o consumo de água e é menos eficiente energeticamente do que a eletrólise com renováveis (hidrogênio verde), mostra um estudo da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), publicado este mês.
 
A agência recomenda que governos e investidores priorizem projetos de hidrogênio verde, inclusive quando forem aposentar as usinas a combustíveis fósseis em áreas onde a água já é escassa.
 
Para entrar na rota de descarbonização capaz de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C até o fim do século, governos de diversos países estão apoiando a meta de dobrar a produção de hidrogênio até 2030 – tema que ganhou bastante relevância na COP28, prevista para encerrar hoje (12/12) em Dubai.
 
Pelas estimativas da Irena, a produção global de hidrogênio atingiu cerca de 86 milhões de toneladas em 2021, dos quais 68 Mt eram cinza (a partir do gás natural) e 18 Mt eram marrom (carvão). 

Nos cenários da agência em que as economias globais se alinham ao objetivo de 1,5°C, seria necessário produzir globalmente 247 Mt de hidrogênio a cada ano, até 2040, sendo 166 Mt verde 81 Mt azul (gás natural com CCUS). Em 2050, a produção global anual de hidrogênio atingiria 523 Mt, com a rota da eletrólise representando quase 94%.
 
Para atender essa demanda, as retiradas de água doce podem mais do que triplicar até 2040 e aumentar seis vezes até 2050, em relação aos atuais 2,2 bilhões de metros cúbicos (m³) retirados anualmente.
  • Para dar uma dimensão, a produção atual de H2 responde por 0,6% do total de retirada de água do setor de energia; até 2040, pode chegar a 2,4%. 

O hidrogênio é classificado nas seguintes cores:

  • Hidrogênio cinza: obtido a partir de gás natural ou metano
  • Hidrogênio azul: reforma de gás natural, com captura de carbono (CCS)
  • Hidrogênio turquesa: pirólise do metano
  • Hidrogênio laranja: a partir de resíduos
  • Hidrogênio branco: é um hidrogênio geológico natural
  • Hidrogênio branco: é um hidrogênio geológico natural
  • Hidrogênio verde: eletrólise da água, usando eletricidade renovável
  • Hidrogênio rosa: eletrólise da água, mas com eletricidade de usinas nucleares
  • Hidrogênio musgo: produzido de biomassa e biocombustíveis, com ou sem CCUS, através de reformas catalíticas, gaseificação ou biodigestão anaeróbica;
  • Hidrogênio marrom e preto: produzido com a gaseificação do linhito (carvão marrom) feito a partir da gaseificação do carvão preto

População de rua cresce 10 vezes em 10 anos, The News

 

Muito provavelmente esses números só confirmam o que você já está vendo na sua cidade há algum tempo. O Brasil tem quase 230 mil pessoas vivendo nas ruas hoje.

E pode ser ainda mais… Os dados levam em conta a quantidade de pessoas cadastradas no CadÚnico, o sistema para benefícios sociais. Acontece que quem nunca fez cadastro não foi contabilizado nessa pesquisa.

As causas: O principal evento para o aumento da insegurança alimentar grave e da fome foi a pandemia. Depois, vêm a exclusão econômica, questões de saúde e rupturas de laços familiares.

  • Para quem está na rua, problemas na família, desemprego, alcoolismo e abuso de drogas são as principais razões para a situação em que se encontram.

Políticas nacionais. Diante desse cenário, o STF determinou que estados e municípios promovam ações concretas de melhoria das condições de vida da população em situação de rua.

Nesta semana, o governo anunciou quase R$ 1 bi em repasses para serviços específicos de saúde, assistência social e alimentação dessas pessoas.

O que mais é destaque pelo país?

ESTADÃO / SUSTENTABILIDADE COP tem acordo histórico para ‘transição’ de combustíveis fósseis, mas não cita eliminar poluentes

 

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Representantes de quase 200 países aprovaram nesta quarta-feira, 13, o documento final da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-28), em Dubai, que cita a “transição” dos combustíveis fósseis, em um consenso considerado histórico para as conferências contra o aquecimento global. O texto traz linguagem mais forte do que a versão anterior, mas não menciona diretamente a eliminação desses poluentes (principalmente carvão, petróleo e gás natural), como reivindicavam dezenas de países.

Delegados durante rodada de negociações sobre o texto final da COP-28, em Dubai
Delegados durante rodada de negociações sobre o texto final da COP-28, em Dubai Foto: Thaier Al-Sudani/REUTERS

A redação anterior havia contrariado muitos das delegações, incluindo Brasil, ao evitar compromissos mais incisivos na busca por fontes limpas de energia. O novo compromisso evitou incluir a expressão “eliminação gradual” (phase out) dos combustíveis fósseis, mas pela 1ª vez em um documento desse tipo cita a “transição” dos combustíveis fósseis.

Os esforços, segundo o texto, devem ser coordenados de forma que o mundo elimine as emissões de gases com efeito estufa até 2050, com urgência adicional na redução nesta década. Para isso, também aparece a meta de triplicar a capacidade energética renovável até 2030.

As sessões entre os negociadores climáticos ocorreram até altas horas da madrugada. O presidente desta COP, sultão Al Jaber, chamou o acordo de “histórico”. Cientistas, porém, têm alertado que os compromissos assumidos pelos governantes são insuficientes diante da urgência da crise climática, que em 2023 se intensificou com ondas de calor, incêndios, tempestades e ciclones em vários pontos do planeta, incluindo o Brasil.

Os líderes da União Europeia e de muitas das nações mais vulneráveis ao aquecimento global apelavam para incluir a expressão “eliminação gradual” de petróleo e similares. Mas essa proposta enfrentou intensa resistência por parte de grandes exportadores de petróleo, como Arábia Saudita e Iraque, além de economias em crescimento rápido, como a Índia e a Nigéria.

“Aos que se opuseram a uma referência clara a uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis no texto da COP, quero dizer-lhe que, goste ou não, é inevitável. Vamos esperar não chegue tarde demais”, alertou António Guterres, secretário-geral da ONU.

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O fato de a conferência ter sido realizada nos Emirados Árabes Unidos, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, foi alvo de críticas desde a escolha da sede. Esta edição da COP reuniu o maior número de participantes que representavam interesses da indústria do petróleo em três décadas de cúpulas climáticas globais.

Na maioria das economias desenvolvidas ou emergentes, o despejo na atmosfera de gases de efeito estufa oriundos da queima de petróleo ou carvão é o principal causador do aquecimento global. No Brasil, diferentemente, a maior parte das emissões vem do desmate da Amazônia, atividade predominantemente ilegal e sem benefícios para o PIB.

A posição do Brasil sobre o petróleo, no entanto, trouxe constrangimento para a gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A hesitação do governo sobre os planos de exploração de petróleo na Margem Equatorial do Rio Amazonas foram uma sombra sobre as pretensões de Lula de ser uma liderança na agenda climática.

Em Dubai, causou constrangimento o fato de o Brasil ter entrado na OPEP+, grupo que reúne os principais produtores de petróleo e países aliados. O governo disse que vai aproveitar a participação na entidade para convencer os integrantes a reduzirem o consumo de combustíveis fósseis. Para o texto final, a defesa da delegação brasileira era de fixar compromissos diferentes conforme o nível de desenvolvimento dos países, com metas mais ousadas para os ricos.

‘Passamos 30 anos para chegar ao início do fim dos combustíveis fósseis’

“A humanidade finalmente fez o que já deveria ter sido feito há muito, muito, muito tempo”, afirmou o comissário da União Europeia para o clima, Wopke Hoekstra. “Passamos trinta anos para chegar ao início do fim dos combustíveis fósseis.”

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Enviado da Casa Branca para o Clima, John Kerry reconheceu que grande parte dos negociadores gostariam de um texto mais incisivo, mas classificou o resultado como uma “conquista” das discussões multilaterais. “Penso que todos aqui deveriam estar satisfeitos por, num mundo que enfrenta as guerras da Ucrânia e do Médio Oriente, este é um momento em que o multilateralismo realmente se uniu e as pessoas tentaram chegar a um bem comum”, disse.

O objetivo do documento final desta COP é ajudar as nações a alinhar os seus planos climáticos nacionais com o Acordo de Paris, o pacto global de 2015 que busca limitar a alta de temperaturas neste século a até 2ºC na comparação com os níveis pré-Revolução Industrial (1850). A Terra está a caminho de quebrar o recorde do ano mais quente, colocando em risco a saúde humana.

“No geral, é um texto mais forte do que as versões anteriores que vimos”, disse a conselheira sênior de adaptação da Fundação das Nações Unidas, Cristina Rumbaitis del Rio. “Mas não consegue mobilizar o financiamento necessário para atingir essas metas.” A ONU estima que os países em desenvolvimento precisem de US$ 194 a US$ 366 bilhões por ano para se adaptarem a um mundo mais quente.

“A menção no texto da conferência de substituição do uso de combustíveis fósseis é inédita, mas totalmente em desacordo com a realidade de países que projetam um aumento em suas fontes sujas de energia que é 100% maior do que o permitido pelos limites do Acordo de Paris”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. / COM THE NEW YORK TIMES, THE WASHINGTON POST E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS