segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Conservador, e daí?, Dora Kramer, FSP

 Parte estridente da esquerda cancela Cristiano Zanin por delito de ação e pensamento no exercício de sua ainda iniciante função de ministro do Supremo Tribunal Federal. Isso depois de não ter visto nada demais na indicação do advogado pessoal do presidente da República para a corte constitucional.

Este sim seria um princípio ético consistente para críticas, mas foi ignorado. E aqui não só pelos apoiadores de Lula com voz na sociedade, mas também e principalmente no STF e no Congresso. Já os ataques ora em tela nas redes sociais carecem de lógica e fundamento fático.

Ministro Cristiano Zanin participa da sessão plenária do STF no último dia 9 - Carlos Moura/SCO/STF

Primeiro, porque Zanin não enganou ninguém. Em seu périplo que antecedeu à sabatina no Senado definiu-se com todos os efes e erres como um conservador. Segundo, porque ministros do Supremo só devem satisfações à Constituição tendo como guia para interpretações as respectivas convicções aplicadas mediante embasamento jurídico.

Cristiano Zanin não fugiu do preceito nos quatro julgamentos nos quais contrariou a pauta progressista. Votou como achou que deveria contra a descriminalização da posse de maconha e na ação por medidas de proteção à comunidade indígena alvo de violência policial em Mato Grosso do Sul. Tampouco aceitou incluir ofensas a pessoas trans no crime de injúria racial e manteve a condenação de dois homens por furto de valor inferior a R$ 100.

Pode-se discordar dessas decisões e de outras que estão por vir em que Zanin deverá reafirmar sua matriz conservadora, como o aborto. Isso não altera o fato de que a prerrogativa é do julgador.

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Os críticos de agora, lenientes na preliminar de natureza moral, queriam o quê? Aceitaram que pudesse favorecer Lula, blindar o governo, e pelo jeito esperavam que ele fosse se aliar ao pensamento dos que apoiam o presidente. Contra isso se revoltam, e por isso questionam a autonomia do ministro que vem de sapecar à nação um solene conservador sim, e daí?

Clube do bilhão: conheça as 17 empresas que pela primeira vez atingiram R$ 1 bi em vendas em 2022, OESP

 O clube de empresas bilionárias do varejo não para de crescer. Apesar dos juros altos, da economia mais fraca e das dificuldades no ambiente de negócios, 17 companhias romperam pela primeira vez a barreira de R$ 1 bilhão em vendas no ano passado. A lista inclui marcas conhecidas do público, como Usaflex, Petlove e Track&Field, além de grupos regionais, como Mercadinhos São Luiz, do Ceará.

As novas bilionárias conseguiram criar nichos específicos para seus produtos e turbinar a receita. A Usaflex, por exemplo, agregou moda aos calçados já conhecidos pelo conforto. A Track&Field, por sua vez, investiu em novas experiências e layout diferenciado das lojas para atrair clientes de artigos esportivos, num mercado dominado por marcas globais.

Track&Field investiu em novas experiências e layout diferenciado das lojas
Track&Field investiu em novas experiências e layout diferenciado das lojas Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Com fórmulas diferentes, cada uma delas conseguiu entrar para o seleto grupo de 173 companhias que faturaram no varejo acima de R$ 1 bilhão em 2022. Juntas, as empresas são mais da metade (58%) das 300 maiores varejistas que comercializam produtos no País, revela o ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Desde 2015, quando foi iniciado o levantamento, 64 empresas ingressaram no clube do bilhão.

“Mesmo tendo sido um ano difícil, para os grandes players que faturam acima de R$ 1 bilhão, 2022 foi melhor do que para os demais”, afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC. A prova disso é que as vendas das 300 maiores varejistas em 2022 aumentaram 19,9% (sem descontar a inflação), superando o desempenho do varejo como um todo, que avançou nominalmente 14,1%.

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O estudo mostra também que, nos últimos oito anos, as vendas das 300 maiores companhias cresceram mais do que o varejo como um todo. “Isso indica que escala é relevante para o setor e faz a diferença”, ressalta Terra.

Vantagens de ser bilionário

Romper a barreira de um R$ 1 bilhão em vendas tem desdobramentos positivos, mas também amplia os desafios. Entre as vantagens, o presidente da SBVC aponta o aumento do poder de barganha da varejista nas negociações com os fornecedores. O outro ponto positivo é diluir as despesas.

Além disso, ganhar escala dá mais acesso a linhas de crédito de “gente grande”, diz Terra. Isto é, vendendo mais de R$ 1 bilhão é possível começar a pensar em abertura de capital na Bolsa e na emissão de outros papéis, como debêntures. “Abaixo de R$ 1 bilhão, a perspectiva da companhia é obter linhas de crédito ‘feijão com arroz’, que são mais caras e escassas.”

No entanto, atingir essa marca não quer dizer que a empresa terá vida fácil. Segundo o consultor, há empresas que embalam após faturar R$ 1 bilhão e outras tropeçam. Um dos desafios, por exemplo, é a expansão mais acelerada que normalmente ocorre após atingir R$ 1 bilhão em vendas. Neste caso, a abertura de lojas em praças desconhecidas requer trabalhar com mais gente e criar processos e mecanismos de governança que garantam a sustentabilidade do negócio.

O peso do bilhão para cada um

Das 17 novas bilionárias que despontaram no ranking de 2022, oito são supermercados, três varejistas do ramo de eletroeletrônicos e móveis e três do segmento de calçados e moda esportiva. As demais estão distribuídas entre os segmentos de farmácia, ótica e animais de estimação.

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O forte ingresso de supermercados, sobretudo os regionais, no grupo dos bilionários é explicado pelo fato de a atividade ser marcada por alto volume de vendas e margem pequena. Isso turbina rapidamente o faturamento e abre caminho para as varejistas desse segmento se tornarem bilionárias.

Já no varejo especializado, de calçado e móveis, por exemplo, os volumes de vendas são menores e as margens, maiores. “Faturamento de R$ 1 bilhão para todos os setores não tem o mesmo peso”, observa Terra. Mas ele pondera que faturar mais de R$ 1 bilhão é um divisor de águas importante para todas as companhias.

NovaCana - BTG Pactual crê que etanol de milho pode destronar o de cana nos próximos anos

 A ampliação da produção de etanol de milho no Brasil, especialmente em Mato Grosso, mas também em Mato Grosso do Sul e Goiás, surpreendeu muitos especialistas do setor sucroenergético. O produto passou de um “extra” das usinas flex – que aliam cana e milho na fabricação de etanol – para um negócio independente. Dois exemplos são as empresas Inpasa e FS, que utilizam somente o grão em suas indústrias e estão entre as maiores em capacidades produtivas no país, liderando o fornecimento do biocombustível.

De olho neste panorama claramente favorável, o BTG Pactual tem uma perspectiva ainda mais expansionista. Na visão do banco, a cana-de-açúcar poderá ser destronada pelo milho em pouco tempo.

Para defender sua tese, o BTG observa que a produção doméstica do renovável com o grão saiu de quase zero, há apenas cinco anos, para 6 bilhões de litros estimados na temporada vigente. Com isso, representaria cerca de 19% da produção de etanol no Centro-Sul.

Por outro lado, a fabricação do renovável a partir da cana caiu de 32 bilhões de litros em 2019/20 para 26 bilhões de litros estimados para este ciclo. Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), por sua vez, a produção em 2019/20 foi um pouco maior: 33,26 bilhões de litros.

“Olhando para a economia do negócio, para as usinas que já estão em funcionamento, inclusive as que estão anexadas às de cana-de-açúcar, ficamos impressionados. Um dos aspectos do negócio que equivocadamente ignoramos foram os subprodutos, principalmente o DDG (grãos secos de destilaria)”, enxergam os analistas.

O relatório completa que o DDG cobre boa parte dos custos do milho e mitiga a aparente falta de correlação entre os preços do etanol e do milho.

Outro fator relevante é a simplicidade operacional e financeira do negócio que, segundo os analistas do banco, permite retornos mais rápidos, menos capital empregado e menos riscos operacionais.

“Nossa percepção é que, como a produção brasileira de milho deve continuar crescendo rapidamente, essas vantagens se sustentarão: nos últimos dois anos, o Ebitda pelo capex por litro do etanol de milho foi de R$ 1,27 contra R$ 0,91/L da cana-de-açúcar”, compara o documento.

As análises estão em relatório de julho do banco, assinado pelos analistas Thiago Duarte, Henrique Brustolin e Pedro Soares.