Este sim seria um princípio ético consistente para críticas, mas foi ignorado. E aqui não só pelos apoiadores de Lula com voz na sociedade, mas também e principalmente no STF e no Congresso. Já os ataques ora em tela nas redes sociais carecem de lógica e fundamento fático.
Ministro Cristiano Zanin participa da sessão plenária do STF no último dia 9 - Carlos Moura/SCO/STF
Primeiro, porque Zanin não enganou ninguém. Em seu périplo que antecedeu à sabatina no Senado definiu-se com todos os efes e erres como um conservador. Segundo, porque ministros do Supremo só devem satisfações à Constituição tendo como guia para interpretações as respectivas convicções aplicadas mediante embasamento jurídico.
Cristiano Zanin não fugiu do preceito nos quatro julgamentos nos quais contrariou a pauta progressista. Votou como achou que deveria contra a descriminalização da posse de maconha e na ação por medidas de proteção à comunidade indígena alvo de violência policial em Mato Grosso do Sul. Tampouco aceitou incluir ofensas a pessoas trans no crime de injúria racial e manteve a condenação de dois homens por furto de valor inferior a R$ 100.
Pode-se discordar dessas decisões e de outras que estão por vir em que Zanin deverá reafirmar sua matriz conservadora, como o aborto. Isso não altera o fato de que a prerrogativa é do julgador.
PUBLICIDADE
Os críticos de agora, lenientes na preliminar de natureza moral, queriam o quê? Aceitaram que pudesse favorecer Lula, blindar o governo, e pelo jeito esperavam que ele fosse se aliar ao pensamento dos que apoiam o presidente. Contra isso se revoltam, e por isso questionam a autonomia do ministro que vem de sapecar à nação um solene conservador sim, e daí?
O clube de empresas bilionárias do varejo não para de crescer. Apesar dosjuros altos, da economia mais fraca e das dificuldades no ambiente de negócios, 17 companhias romperam pela primeira vez a barreira de R$ 1 bilhão em vendas no ano passado. A lista inclui marcas conhecidas do público, comoUsaflex,PetloveeTrack&Field, além de grupos regionais, comoMercadinhos São Luiz, do Ceará.
As novas bilionárias conseguiram criar nichos específicos para seus produtos e turbinar a receita. A Usaflex, por exemplo, agregou moda aos calçados já conhecidos pelo conforto. A Track&Field, por sua vez, investiu em novas experiências e layout diferenciado das lojas para atrair clientes de artigos esportivos, num mercado dominado por marcas globais.
Track&Field investiu em novas experiências e layout diferenciado das lojas Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Com fórmulas diferentes, cada uma delas conseguiu entrar para o seleto grupo de 173 companhias que faturaram no varejo acima de R$ 1 bilhão em 2022. Juntas, as empresas são mais da metade (58%) das 300 maiores varejistas que comercializam produtos no País, revela o ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Desde 2015, quando foi iniciado o levantamento, 64 empresas ingressaram no clube do bilhão.
“Mesmo tendo sido um ano difícil, para os grandes players que faturam acima de R$ 1 bilhão, 2022 foi melhor do que para os demais”, afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC. A prova disso é que as vendas das 300 maiores varejistas em 2022 aumentaram 19,9% (sem descontar a inflação), superando o desempenho do varejo como um todo, que avançou nominalmente 14,1%.
Continua após a publicidade
O estudo mostra também que, nos últimos oito anos, as vendas das 300 maiores companhias cresceram mais do que o varejo como um todo. “Isso indica que escala é relevante para o setor e faz a diferença”, ressalta Terra.
Vantagens de ser bilionário
Romper a barreira de um R$ 1 bilhão em vendas tem desdobramentos positivos, mas também amplia os desafios. Entre as vantagens, o presidente da SBVC aponta o aumento do poder de barganha da varejista nas negociações com os fornecedores. O outro ponto positivo é diluir as despesas.
Além disso, ganhar escala dá mais acesso a linhas de crédito de “gente grande”, diz Terra. Isto é, vendendo mais de R$ 1 bilhão é possível começar a pensar em abertura de capital na Bolsa e na emissão de outros papéis, como debêntures. “Abaixo de R$ 1 bilhão, a perspectiva da companhia é obter linhas de crédito ‘feijão com arroz’, que são mais caras e escassas.”
No entanto, atingir essa marca não quer dizer que a empresa terá vida fácil. Segundo o consultor, há empresas que embalam após faturar R$ 1 bilhão e outras tropeçam. Um dos desafios, por exemplo, é a expansão mais acelerada que normalmente ocorre após atingir R$ 1 bilhão em vendas. Neste caso, a abertura de lojas em praças desconhecidas requer trabalhar com mais gente e criar processos e mecanismos de governança que garantam a sustentabilidade do negócio.
O peso do bilhão para cada um
Das 17 novas bilionárias que despontaram no ranking de 2022, oito são supermercados, três varejistas do ramo de eletroeletrônicos e móveis e três do segmento de calçados e moda esportiva. As demais estão distribuídas entre os segmentos de farmácia, ótica e animais de estimação.
Continua após a publicidade
O forte ingresso de supermercados, sobretudo os regionais, no grupo dos bilionários é explicado pelo fato de a atividade ser marcada por alto volume de vendas e margem pequena. Isso turbina rapidamente o faturamento e abre caminho para as varejistas desse segmento se tornarem bilionárias.
Já no varejo especializado, de calçado e móveis, por exemplo, os volumes de vendas são menores e as margens, maiores. “Faturamento de R$ 1 bilhão para todos os setores não tem o mesmo peso”, observa Terra. Mas ele pondera que faturar mais de R$ 1 bilhão é um divisor de águas importante para todas as companhias.
A ampliação da produção de etanol de milho no Brasil, especialmente em Mato Grosso, mas também em Mato Grosso do Sul e Goiás, surpreendeu muitos especialistas do setor sucroenergético. O produto passou de um “extra” das usinas flex – que aliam cana e milho na fabricação de etanol – para um negócio independente. Dois exemplos são as empresas Inpasa e FS, que utilizam somente o grão em suas indústrias e estão entre as maiores em capacidades produtivas no país,liderando o fornecimento do biocombustível.
De olho neste panorama claramente favorável, o BTG Pactual tem uma perspectiva ainda mais expansionista. Na visão do banco, a cana-de-açúcar poderá ser destronada pelo milho em pouco tempo.
Para defender sua tese, o BTG observa que a produção doméstica do renovável com o grão saiu de quase zero, há apenas cinco anos, para 6 bilhões de litros estimados na temporada vigente. Com isso, representaria cerca de 19% da produção de etanol no Centro-Sul.
PUBLICIDADE
Por outro lado, a fabricação do renovável a partir da cana caiu de 32 bilhões de litros em 2019/20 para 26 bilhões de litros estimados para este ciclo. Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), por sua vez, a produção em 2019/20 foi um pouco maior: 33,26 bilhões de litros.
“Olhando para a economia do negócio, para as usinas que já estão em funcionamento, inclusive as que estão anexadas às de cana-de-açúcar, ficamos impressionados. Um dos aspectos do negócio que equivocadamente ignoramos foram os subprodutos, principalmente o DDG (grãos secos de destilaria)”, enxergam os analistas.
O relatório completa que o DDG cobre boa parte dos custos do milho e mitiga a aparente falta de correlação entre os preços do etanol e do milho.
Outro fator relevante é a simplicidade operacional e financeira do negócio que, segundo os analistas do banco, permite retornos mais rápidos, menos capital empregado e menos riscos operacionais.
“Nossa percepção é que, como a produção brasileira de milho deve continuar crescendo rapidamente, essas vantagens se sustentarão: nos últimos dois anos, o Ebitda pelo capex por litro do etanol de milho foi de R$ 1,27 contra R$ 0,91/L da cana-de-açúcar”, compara o documento.
As análises estão em relatório de julho do banco, assinado pelos analistas Thiago Duarte, Henrique Brustolin e Pedro Soares.