terça-feira, 22 de agosto de 2023

ESTADÃO / ECONOMIA 3,3 bilhões de itens até US$ 50 entraram no País, 40% vindos da China; veja o que mais foi comprado, OESP

 BRASÍLIA - Nos sete primeiros meses do ano, o Brasil recebeu uma enxurrada de itens importados baratos, com preço médio de até US$ 50: foram 3,3 bilhões de produtos, uma alta de 11,4% na comparação com o mesmo período de 2022 - a maior parte vinda da China. Os dados integram um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtido com exclusividade pelo Estadão.

Essa lista vultosa é composta, por exemplo, por 232 milhões de meias-calças e pares de meia, 82 milhões de mochilas, quase 50 milhões de brinquedos e mais de 10 milhões de blusas femininas.

Para realizar o estudo, que serve como um termômetro da atividade de varejistas internacionais no País, a CNC se baseou em microdados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No total, foram analisados 10 mil tipos de bens de 145 países.

A entidade pondera que não é possível saber qual parcela desses produtos entrou no País sem pagar impostos. “O volume de importados é gigantesco, mas ainda não temos a dimensão exata do problema, de quantos itens chegaram ao Brasil de maneira fraudulenta”, afirma Fabio Bentes, economista da CNC e responsável pelo levantamento.

Ele afirma, porém, que, antes da mudança nas regras tributárias (leia mais abaixo), muitas varejistas internacionais aplicavam “rasteiras fiscais” no governo, se passando por pessoas físicas para não pagarem os tributos.

Fabio Bentes, economista da CNC, afirma que muitas varejistas internacionais aplicavam 'rasteiras fiscais' no governo, se passando por pessoas físicas para não pagarem os tributos.
Fabio Bentes, economista da CNC, afirma que muitas varejistas internacionais aplicavam 'rasteiras fiscais' no governo, se passando por pessoas físicas para não pagarem os tributos. Foto: CNC

Continua após a publicidade

“Tinha pacote que chegava com nome de artista de Holywood e até empresa que enviava primeiro um pé do tênis e depois o outro, para se enquadrar, indevidamente, na isenção de até US$ 50″, diz Bentes, que frisa que a legislação atual ainda precisa de ajustes para garantir isonomia tributária aos empresários nacionais.

A avaliação é corroborada pelo vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Anderson Trautman: “A tendência é que grande parte desses itens não tenha sido tributada nem pela União e nem pelos Estados”.

A CACB se reúne nesta quarta-feira com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, para tratar exatamente desse tema. “Há uma concorrência desleal, mesmo com a mudança nas regras, e ainda não temos uma perspectiva de quando os ajustes serão feitos”, afirma Trautman.

China na liderança

Dentre as 145 nações pesquisadas, a China lidera com folga: é responsável por praticamente 40% de todos os produtos até US$ 50 que entraram em território brasileiro nos sete primeiros meses do ano. O país asiático - conhecido por marketplaces populares como Shein AliExpress- vendeu 1,3 bilhão de itens aos consumidores nacionais, uma alta de 38% na comparação com 2022.

A Argentina aparece em segundo lugar, mas com números bem mais modestos: nosso vizinho exportou 331,3 milhões de unidades, um quarto do montante dos chineses.

Continua após a publicidade

“Essa alta nas importações, principalmente da China, foi puxada pela valorização do real frente ao dólar, que deixou os importados mais acessíveis, e pela iminência de mudanças na tributação desse tipo de compra”, explica Bentes, da CNC.

A China, conhecida por marketplaces populares como Shein e AliExpress, vendeu 1,3 bilhão de itens aos consumidores nacionais no primeiro semestre do ano.
A China, conhecida por marketplaces populares como Shein e AliExpress, vendeu 1,3 bilhão de itens aos consumidores nacionais no primeiro semestre do ano. Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

Em abril, o ministério da Fazenda chegou a anunciar que acabaria com a isenção até US$ 50 do Imposto de Importação no envio de itens entre pessoas físicas. O objetivo era elevar a arrecadação, em meio a um cenário fiscal desafiador, e coibir a sonegação, já que parte das varejistas se aproveitava indevidamente do benefício e deixava de pagar o tributo federal -- que tem alíquota salgada, de 60%. O anúncio, porém, foi mal recebido nas redes sociais e a equipe econômica recuou devido à pressão da ala política.

Mudanças na tributação

Em meio a esse imbróglio, a Receita Federal colocou de pé um plano que ainda deve sofrer ajustes. Batizado de Remessa Conforme, ele dá isenção de Imposto de Importação nas compras até US$ 50 para as varejistas internacionais que cobrarem os tributos de forma antecipada, no momento em que o produto é adquirido. Hoje, essa cobrança só ocorre quando a mercadoria chega ao País.

O benefício, porém, não se estende ao ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), que é estadual e passou a ter alíquota padrão de 17% nessas operações.

O desenho do programa irritou as varejistas nacionais, que cobram isonomia tributária e pressionam por mudanças. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pasta estuda ajustes, mas não deu prazos.

Continua após a publicidade

“Pensa no varejo de rua, que comercializa esses mesmos itens que chegam sem Imposto de Importação aqui ao Brasil. É um setor que está sofrendo enormemente. E uma coisa é sofrer porque esses marketplaces ofecerem praticidade nas vendas. A outra é concorrência desleal, já que esses sites não pagam os mesmos tributos que as empresas nacionais”, diz Trautman, da CACB.

Além do foco na sonegação, o programa da Receita Federal também busca agilizar o fluxo das mercadorias e a entrega final aos consumidores. Isso porque os itens que estiverem em conformidade com as novas regras seguirão, após serem escaneados, para o chamado canal verde da Receita Federal, o qual dispensa exame de documentos e verificação física da mercadoria. De lá, são enviados ao endereço do destinatário.

Já as mercadorias fora dos parâmetros são encaminhadas ao canal vermelho, e passam por fiscalização mais detalhada. A depender do resultado da inspeção, podem ser apreendidas, devolvidas ou liberadas.

Lançamento de livro de Ilan Goldfajn produz ‘clique’ histórico entre economistas; veja aqui, OESP

 


Por Paula Bonelli

22/08/2023 | 09h30

1 min

de leitura

Mais que uma foto, um registro histórico. Exatos 16 economistas que participaram da trajetória do País desde 1980 compareceram na Livraria da Travessa no Shopping Iguatemi, em São Paulo, para o lançamento do livro “A Arte da Política Econômica: Depoimentos à Casa das Garças”, de Ilan Goldfajn, na última quarta-feira.


Foto histórica no lançamento do livro de Ilan Goldfajn

Foto histórica no lançamento do livro de Ilan Goldfajn Foto: Samuel Chaves


Na ocasião, foi feito o clique com Pérsio Arida, Paulo Hartung, Cristiane Schmidt, Edmar Bacha, Claudia Costin, Maílson da Nobrega, Ana Carla Abrão e Pedro Parente - todos sentados.


Já na fila, em pé, estão Pedro Malan, Gustavo Franco, Joana Monteiro, José Augusto, Amaury Bier, Sérgio Werlang, Ana Paula Vescovi e Murilo Portugal.


O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung analisa o livro que traz depoimentos pessoais de economistas: “É um apanhado de tudo que foi pensado e implementado em termos de política econômica desde a democratização do Brasil até hoje. Por isso, é muito útil para a sociedade e jovens estudantes, principalmente de economia, e para os operadores de políticas públicas, porque mostra o que foi feito e o que precisa ser realizado para transformar o imenso potencial do nosso País em oportunidades para o nosso povo”.


Dentre os presentes estavam ainda o apresentador Luciano Huck e a cantora Vanessa da Matta.

ESTADÃO / LIFE/STYLE J Pintura que teve jovem negro apagado do quadro será exposta no Met com desenho original

 


Por Alexandra Eaton

21/08/2023 | 20h00

Atualização: 22/08/2023 | 10h10

7 min

de leitura

THE NEW YORK TIMES - LIFE/STYLE - Por muitos anos, uma pintura do século 19 de três crianças brancas em uma paisagem da Louisiana manteve um segredo. Por baixo de uma camada de tinta que pretendia parecer o céu: a figura de um jovem escravizado.


Num díptico de imagens cedidas por Selina McKane (à esquerda) e Christies, a pintura 'Bélizaire and the Frey Children', atribuída a Jacques Amans, após restauro, e como ficou depois de pintada a figura de um jovem escravo negro por volta de 1900.

Num díptico de imagens cedidas por Selina McKane (à esquerda) e Christies, a pintura 'Bélizaire and the Frey Children', atribuída a Jacques Amans, após restauro, e como ficou depois de pintada a figura de um jovem escravo negro por volta de 1900. Foto: Selina McKane/Christies/The New York Times

Nigeriano usa palavras como ativismo ao publicar seu primeiro romance sobre o amor entre dois homens

Leia também


Nigeriano usa palavras como ativismo ao publicar seu primeiro romance sobre o amor entre dois homens


Encoberta por motivos que ainda não foram especificados, a imagem do jovem afrodescendente foi apagada da obra por volta da virada do século passado e definhou por décadas em sótãos e no porão de um museu.


Mas uma restauração de 2005 o revelou, e agora a pintura tem um novo lugar muito proeminente no Metropolitan Museum of Art.


“Há dez anos venho querendo adicionar uma obra dessas à coleção do Met”, disse Betsy Kornhauser, curadora de pinturas e esculturas americanas que cuidou da aquisição, “e esta é a obra extraordinária que apareceu”.


Kornhauser disse que o museu adquiriu a obra, conhecida como Bélizaire and the Frey Children, este ano, como parte de seu esforço maior para reformular o modo com o qual a história da arte americana é contada. A pintura, atribuída a Jacques Amans, um retratista francês da elite da Louisiana, ficará exposta na ala americana neste outono e novamente no ano que vem, durante a celebração do centenário da ala.



NEWSLETTER

Life/Style

Receba as melhores reportagens e artigos da seção The New York Time Life/Style, todas as terças.


 EXCLUSIVA PARA ASSINANTES

INSCREVER

Ao se cadastrar nas newsletters, você concorda com os Termos de Uso e Política de Privacidade.

A peça 'Bélizaire and the Frey Children', atribuída ao retratista francês Jacques Amans, no estúdio de conservação do Metropolitan Museum of Art.

A peça 'Bélizaire and the Frey Children', atribuída ao retratista francês Jacques Amans, no estúdio de conservação do Metropolitan Museum of Art. Foto: Elliot deBruyn/The New York Times

Continua após a publicidade



Uma das razões pelas quais Bélizaire and the Frey Children chamou a atenção é a representação naturalista de Bélizaire, o jovem afrodescendente que ocupa a posição mais alta na pintura, encostado em uma árvore logo atrás das crianças Frey. Embora permaneça separado das crianças brancas, Amans o pintou em uma postura poderosa, com bochechas coradas e uma espécie de interioridade incomum para a época.


Jeremy Simien, um colecionador de arte de Baton Rouge, Louisiana, passou anos tentando encontrar Bélizaire depois de ver uma imagem da pintura online em 2013, após sua restauração, que apresentava todas as quatro figuras. Intrigado, ele continuou procurando, apenas para encontrar uma imagem anterior de 2005, depois que a pintura havia sido removida do Museu de Arte de Nova Orleans e colocada para leilão na Christie’s. Era a mesma pintura, mas faltava o jovem negro. Ele havia sido escondido.


“O fato de ele estar encoberto me assombrou”, disse Simien em uma entrevista.


Durante anos, Simien procurou a pintura em antigos registros de leilão, catálogos e arquivos de fotos. Ele perguntou a amigos se alguém a tinha visto e alguém tinha, em uma loja de antiguidades na Virgínia. De lá, Simien rastreou a pintura até uma coleção particular em Washington e acabou comprando-a por um valor não revelado.


Na época, ele não sabia quem eram as pessoas no retrato. Mas ele foi atraído pela história do jovem negro e pela tentativa de apagá-lo.


“Sabíamos que precisávamos descobrir quem ele era, como um filho da Louisiana”, disse Simien, “e como alguém digno de ser lembrado ou conhecido”.


Detalhe do quadro do século 19. 

Detalhe do quadro do século 19.  Foto: Elliot deBruyn/The New York Times

Continua após a publicidade



A história por trás da pintura

Simien contratou Katy Morlas Shannon, uma historiadora da Louisiana que pesquisa a vida de indivíduos escravizados. Ela descobriu a identidade de todos no retrato e usou registros de propriedade e censo para chegar ao nome do jovem que havia sido encoberto: Bélizaire.


A partir daí, Shannon juntou os detalhes da vida de Bélizaire. Ele nasceu em 1822 no French Quarter. Sua mãe se chamava Sallie. Seu pai é desconhecido. Bélizaire tinha outros irmãos e irmãs - todos, exceto um, foram vendidos.


Quando ele tinha 6 anos, Bélizaire e sua mãe foram vendidos para Frederick Frey, um banqueiro e comerciante que, com sua esposa, Coralie e sua família, morava em uma grande casa no French Quarter na Royal Street e possuía vários escravos.


Bélizaire está listado como doméstico e sua mãe como cozinheira, funções que os manteriam próximos da família.


Os registros sugerem que o retrato foi pintado por volta de 1837, quando Bélizaire tinha 15 anos. Ele foi a única pessoa na pintura a sobreviver até a idade adulta. Duas irmãs Frey, Elizabeth e Léontine, morreram no mesmo ano, provavelmente de febre amarela. Seu irmão Frederick morreu alguns anos depois.


Jeremy K. Simien, um colecionador de arte de Baton Rouge, que resgatou 'Bélizaire and the Frey Children' da obscuridade.

Jeremy K. Simien, um colecionador de arte de Baton Rouge, que resgatou 'Bélizaire and the Frey Children' da obscuridade. Foto: Bron Moyi/The New York Times

Continua após a publicidade



Quase 20 anos mais tarde, depois que os negócios do velho Frederick Frey fracassaram e ele morreu, sua viúva vendeu Bélizaire para a Evergreen Plantation. Shannon, que trabalhava na plantação na época de sua pesquisa, disse que ele é a única pessoa escravizada na plantação da qual existe uma imagem.


Bélizaire foi listado em inventários até 1861, quando a Guerra Civil começou. Logo depois, Nova Orleans caiu nas mãos do Exército da União.


“Ele sobreviveu à Guerra Civil e viveu o suficiente para experimentar a liberdade?” disse Shannon. “Não sabemos porque a trilha para por aí.”


O retrato permaneceu na família Frey por mais de um século. Não está claro quando Bélizaire foi retirado da pintura, mas Craig Crawford, um conservador que fez trabalhos de restauração adicionais no ano passado, estima que, com base no padrão das fissuras, o encobrimento provavelmente aconteceu por volta de 1900. Quem fez isso e o porquê é desconhecido, mas sabe-se que a segregação se aprofundou na virada do século em Nova Orleans. Shannon disse sobre a época: “Nenhuma pessoa branca de qualquer posição social em Nova Orleans naquela época gostaria que uma pessoa negra fosse retratada com sua família em sua parede”.


Na década de 1950, Eugene Grasser, tataraneto de Coralie Frey, lembra-se de pegar a pintura no sótão de uma tia idosa com seu pai e prendê-la no teto do carro (junto com outro retrato de família mais tarde identificado como obra de Jacques Amans). Eles o guardaram em uma garagem atrás da casa de seus pais.


Em 1971, a mãe de Grasser ofereceu-lhe a obra, mas a pintura não combinava com sua decoração modernista. Por isso, foi doada ao Museu de Arte de Nova Orleans.


Katy Morlas Shannon, historiadora da Louisiana que usou registros de propriedades e do censo para encontrar um nome para o jovem negro que foi encoberto em uma pintura do século 19, em Nova Orleans.

Katy Morlas Shannon, historiadora da Louisiana que usou registros de propriedades e do censo para encontrar um nome para o jovem negro que foi encoberto em uma pintura do século 19, em Nova Orleans. Foto: Bron Moyi/The New York Times

Continua após a publicidade



As fotografias da pintura, então chamadas de Três Crianças em uma Paisagem, mostram uma quarta figura aparecendo como um fantasma. Segundo documentos do museu, o retrato continha “o escravo que cuidava das crianças”.


O museu de Nova Orleans não limpou ou restaurou a pintura e a guardou por 32 anos até que o museu removesse a obra.


Em leilão, a pintura foi vendida por US$ 6.000 para um negociante de antiguidades da Virgínia que estava interessado no que poderia estar sob a pintura. Ele pediu a uma conservadora, Katja Grauman, para fazer um teste de limpeza.


Ela tratou pequenas áreas onde a figura parecia estar e primeiro revelou um casaco e depois um rosto. “Restauramos muitos retratos americanos de crianças e muito raramente você vê um negro neles”, disse ela.


O negociante posteriormente vendeu a pintura para um colecionador particular em Washington, onde Simien a encontrou em 2021.


Nem o Met nem Simien divulgaram quanto o museu pagou pelo retrato da família Frey. Mas os retratos do século 19 de pessoas de ascendência africana, mesmo com pessoas não identificadas, atraíram preços altos. Em janeiro de 2023, um retrato de duas meninas, uma branca e uma afro-americana, foi vendido na Christie’s por pouco menos de US$ 1 milhão. Em maio de 2022, em um leilão na Carolina do Norte, um retrato de uma mulher não branca livre foi vendido por $ 984.000 para o Museu de Belas Artes da Virgínia em Richmond.


O Met planeja investigar a pintura da família Frey para saber mais sobre a vida de Bélizaire. O que levou à sua inclusão em um retrato de família tão íntimo? Ele sobreviveu à Guerra Civil? Há descendentes?


Continua após a publicidade



Mas a identificação de Bélizaire, propositalmente apagada, já é uma descoberta surpreendente. Funcionários do Met disseram que a pintura é na verdade o primeiro retrato naturalista na ala americana de um sujeito negro nomeado em uma paisagem do sul.


Ter “todas as informações documentadas sobre esse jovem que aparece no retrato é realmente extraordinário”, disse Kornhauser.


Isso foi crucial para que o Met decidisse adquirir a obra. Sem os esforços de Simien e Shannon para descobrir sua identidade, a pintura provavelmente ainda estaria em uma coleção particular, fora de vista, esperando para ser conhecida. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES


The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times