sexta-feira, 25 de junho de 2021

O futuro do etanol se o carro tiver de ser elétrico, Celso Ming - OESP

 Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 20h15

Qual é o futuro do etanol, a solução brasileira para o combustível limpo, se o mundo adotar o carro elétrico?

Em parte empurradas por lei em grande número de países ricos, as montadoras vêm anunciando sua opção pelo carro elétrico. A maioria já avisou que, a partir de 2030 ou, em alguns casos, a partir de 2035, apenas veículos elétricos sairão de suas linhas de montagem. Assim foi anunciado pela Volkswagen, pela VolvoMercedes-BenzFiatFord e General Motors. Nesta semana foi a vez da japonesa Honda.

Em princípio, por uma questão de escala, a tendência deveria ser a de que não sobrasse espaço para o carro a álcool. E seu futuro seria o que foi o do lampião a gás logo depois da invenção da lâmpada elétrica. 

Plantação cana de açucar
Em um dos cenários traçados pelo estudo, a demanda por etanol, que em alguns anos respondeu por mais de 50% de toda a cana moída no Brasil, começará a cair a partir de 2025 e chegará a cerca de 40% até 2035. Na safra 2020/21, o Brasil produziu cerca de 30 bilhões de litros de etanol. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Há duas semanas, reportagem da agência Bloomberg baseada em estudo liderado por Soren Jensen, ex-diretor operacional da Alvean – uma das empresas líderes globais no setor de açúcar –, previu uma inundação de açúcar brasileiro no mundo quando o carro elétrico vier a ser o primeiro da frota mundial, porque as usinas brasileiras terão de fechar ou reduzir a produção nas destilarias de álcool, que hoje produzem 30 bilhões de litros por ano, e canalizar a matéria-prima (o caldo da cana) para as fábricas de açúcar.

O especialista em questões energéticas, consultor e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) Adriano Pires, entende que a opção pelo carro elétrico a bateria não é inexorável nem será homogênea no mundo: “O carro 100% elétrico não deverá prosperar no Brasil, nas proporções que imaginam. Nem sei se vai prosperar no resto do mundo”.

Para ele, o motor elétrico para veículos não terá tanto sucesso e tanta duração como aconteceu com o motor a combustão. A principal razão é a de que nem todos os países terão condições de produzir energia elétrica a partir de fonte limpa para alimentar a frota de elétricos. Se sua população tiver de rodar com carros cuja energia elétrica será obtida pela queima de combustível fóssil poluente (carvão mineral ou derivado de petróleo), não estará cumprindo o pretendido.

E há o problema das baterias. O lítio, principal componente, produz graves danos ambientais na sua exploração, que devem se intensificar com o aumento da demanda. Seguem também sem solução os problemas que envolvem o descarte e reciclagem das baterias. 

Pires entende que o mundo caminhará para matrizes energéticas regionalizadas. No caso do Brasil, o etanol continuará a ter papel importante como combustível no transporte, por outras duas razões: Primeira, porque o atual déficit de energia elétrica tenderá a crescer substancialmente se o Brasil tiver de trocar o carro a combustão pelo carro cuja bateria será alimentada com energia elétrica produzida fora do veículo.

Segunda, porque o reabastecimento do carro exigirá enorme transformação da infraestrutura: disseminação de pontos de recarga das baterias; mudanças profundas nos negócios dos atuais postos de gasolina; substituição de grande parte dos serviços de mecânica pelo de autoelétricos; virtual desaparecimento de refinarias e distribuidoras de derivados, pelo menos na escala atual. E tudo isso exigirá enorme volume de recursos.

Adriano Pires
Adriano Pires, consultor e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), acredita que o mundo adotará matrizes energéticas regionalizadas para lidar com a eletrificação da mobilidade. Foto: Dida Sampaio/ Estadão

O carro elétrico hoje é muito caro, um produto quase só ao alcance de pessoas de poder aquisitivo alto. O mais barato custa hoje em torno de R$ 130 mil. Embora o aumento de escala e avanços tecnológicos possam baratear o modelo elétrico a bateria e seu preço deixar de ser tão proibitivo num país pobre,  Adriano Pires entende que o governo deverá neste momento adotar soluções de longo curso, que levem em conta as vantagens do Brasil.

“A gente precisa parar de adotar soluções de países ricos, que têm uma realidade energética diferente da nossa. No Brasil temos o etanol, que é limpo e gera emprego em sua cadeia produtiva circular, do cultivo da cana à produção de etanol e sua distribuição pelos postos de combustíveis. Vamos jogar isso fora para pegar soluções de países que não têm essa vantagem comparativa?”

O ponto de vista de Adriano Pires faz sentido. Problema a enfrentar é o de convencer as montadoras a produzir veículos a combustão (ciclo Otto ou Diesel) e híbridos elétricos apenas para o Brasil. E ainda haverá que equacionar o problema da circulação de automóveis e caminhões nos países vizinhos, se no outro lado da fronteira não houver condições de reabastecê-los com álcool.

Esta Coluna voltará ao assunto./COM PABLO SANTANA

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA 


Imposto de Renda: Veja como a nova tabela do IR proposta pelo governo afeta quanto você paga, OESP

 BRASÍLIA - O governo divulgou nesta sexta-feira, 25, a proposta de uma nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, com ampliação da faixa de isenção e novos critérios para incidência das outras alíquotas. 

O aumento da isenção do IR das pessoas físicas é uma promessa antiga do presidente Jair Bolsonaro. Ele falava em isentar quem ganha até cinco salários mínimos (atualmente, R$ 5.500), mas a proposta não chegou nem na metade desse valor (R$ 2.500).

imposto de renda receita federal
Proposta do governo aumenta faixa de isenção do IR para R$ 2,5 mil. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Compare a tabela atual com a proposta, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso

 

Tabela atual do Imposto de Renda 

Isento: até R$ 1.903,98

7,5%: R$ 1.903,99 - R$ 2.826,65

15%: R$ 2.826,66 - R$ 3.751,05

22,5%: R$ 3.751,06 - R$ 4.664,68

27,5%: Acima de R$ 4.664,68

 

Nova tabela do Imposto de Renda

Isento: Até R$ 2.500

7,5%: R$ 2.500,01 - R$ 3.200

15%: R$ 3.200,01 - R$ 4.250

22,5%: R$ 4.250,01 - R$ 5.300

27,5% Acima de R$ 5.300,01

 

Entenda como ficará por faixa de renda:

  • Renda: R$ 1.500,00

    Quanto paga hoje: R$ 0,00

    Quanto pagará com a proposta: R$ 0,00

    Redução no imposto: 0%

  • Renda: R$ 2.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 7,20

    Quanto pagará com a proposta: R$ 0,00 

    Redução no imposto: 100%

  • Renda: R$ 2.500,00

    Quanto paga hoje: R$ 44,70

    Quanto pagará com a proposta: R$ 0,00 

    Redução no imposto: 100%

  • Renda: R$ 3.000,00 

    Quanto paga hoje: R$ 95,20

    Quanto pagará com a proposta: R$ 37,50

    Redução no imposto: 60,6%

  • Renda: R$ 3.500,00

    Quanto paga hoje: R$ 170,20

    Quanto pagará com a proposta: R$ 97,50

    Redução no imposto: 42,7%

  • Renda: R$ 4.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 263,87

    Quanto pagará com a proposta: R$ 172,50

    Redução no imposto: 34,6%

  • Renda: R$ 4.500,00 

    Quanto paga hoje: R$ 376,37

    Quanto pagará com a proposta: R$ 266,25

    Redução no imposto: 29,3%

  • Renda: R$ 5.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 505,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 378,75

    Redução no imposto: 25,1%

  • Renda: R$ 6.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 780,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 638,75

    Redução no imposto: 18,2%

  • Renda: R$ 7.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 1.055,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 913,75

    Redução no imposto: 13,4%

  • Renda: R$ 10.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 1.880,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 1.738,75

    Redução no imposto: 7,5%

  • Renda: R$ 15.000,00

    Quanto paga hoje: R$ 3.255,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 3.113,75

    Redução no imposto: 4,4%

  • Renda: R$ 20.000,00 

    Quanto paga hoje: R$ 4.630,64

    Quanto pagará com a proposta: R$ 4.488,75

    Redução no imposto: 3,1%

    Fonte: Ministério da Economia

Cercado, deputado bolsonarista Daniel Silveira tentou pular o muro da casa, diz PF, OESP

 Pepita Ortega e Fausto Macedo

25 de junho de 2021 | 09h34

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Daniel Silveira é transferido para Batalhão Especial Prisional. Foto: Wilton Júnior / Estadão

O deputado Daniel Silveira tentou pular o muro de sua casa após agentes da corporação comparecerem ao local para dar cumprimento à ordem de prisão expedida contra o parlamentar pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, nesta quinta, 24. A informação consta de relatório de diligência da PF. O documento diz que o deputado foi flagrado por um dos agentes que cercavam sua casa, sendo que, ao se deparar com o policial, Silveira ‘retornou prontamente’.

A prisão de Silveira foi restabelecida por Alexandre em razão de o parlamentar não ter pagado a multa de R$ 100 mil estabelecida pelas sucessivas violações à tornozeleira eletrônica. Em sua decisão, Moraes disse que o deputado agiu com ‘total desrespeito à Justiça’.

Silveira está em regime domiciliar desde março, quando publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a destituição dos ministros do STFEm menos de dois meses, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio registrou 36 violações à tornozeleira, incluindo descargas, rompimento da cinta e ausência na área delimitada. Em uma das ocasiões, o equipamento ficou desligado por quase dois dias.

A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a volta do parlamentar à prisão ou a imposição de multa pelas falhas na tornozeleira. No documento, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, disse que Silveira ‘afronta o sistema de Justiça’.

Além da multa, Alexandre de Moraes também determinou a abertura de um inquérito para investigar se o deputado cometeu o crime de desobediência à decisão judicial pelas violações ao equipamento. A defesa do deputado chegou a pedir a reconsideração do valor estabelecido como fiança, mas o ministro entendeu que o recurso se limitou ao ‘mero inconformismo’ do parlamentar.

O advogado Jean Cleber Garcia, que defende o deputado, criticou nesta quinta-feira, a nova ordem de prisão contra seu cliente, sustentando que os problemas na tornozeleira eletrônica são comuns e não significam que o deputado tenha saído da casa onde cumpre prisão domiciliar. O advogado disse aguardar o julgamento de um habeas corpus pelo plenário do STF, ainda sem data para ser analisado, mas já indicou que pretende recorrer a cortes internacionais de Direitos Humanos se a decisão da Corte não for favorável a Silveira.

Em abril, Daniel Silveira virou réu por grave ameaça, crime tipificado no Código Penal, e por incitar a animosidade entre o tribunal e as Forças Armadas, delito previsto na Lei de Segurança Nacional, após os ministros do STF aceitarem a denúncia oferecida pela PGR na esteira do vídeo gravado pelo parlamentar.

A Procuradoria ainda precisa decidir se oferece nova denúncia contra o deputado, desta vez por crime de desacato contra a policial civil que lhe pediu para colocar a máscara de proteção facial quando deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro para passar por exame de corpo de delito ao ser preso em flagrante. A Polícia Federal concluiu que ele desacatou a agente.