sábado, 19 de junho de 2021

Ministério Público denuncia homem preso por furto de bicicleta no Leblon, FSP (demorou)

 Nicola Pamplona

RIO DE JANEIRO

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), apresentou denúncia contra Igor Martins Pinheiro, 22, preso na quinta-feira (17) por furto de bicicleta em episódio que ganhou repercussão esta semana porque os donos do veículo acusaram falsamente um jovem negro pelo crime.

Igor possui 28 anotações criminais, sendo 14 por furtos a bicicletas. Ele foi denunciado por furto, crime sujeito a pena inicial de dois a oito anos de reclusão e multa. A denúncia foi feita na quinta-feira (17), mesmo dia da prisão do acusado, e divulgada na noite de sexta (18).

Imagens de câmeras de segurança,  flagram a ação de  Igor Martins Pinheiro, de 22 anos, levando o veículo na tarde do dia 12 de junho, a ação demorou menos de dois minutos. A bicicleta pertence a Mariana Spinelli e Tomás Oliveira, e estava presa com cadeado na porta do Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio
Imagens de câmeras de segurança, flagram a ação de Igor Martins Pinheiro, de 22 anos, levando o veículo na tarde do dia 12 de junho, a ação demorou menos de dois minutos. A bicicleta pertence a Mariana Spinelli e Tomás Oliveira, e estava presa com cadeado na porta do Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio - Reprodução

"O denunciado, no dia dos fatos, ao passar pela calçada movimentada onde a bicicleta estava estacionada em um bicicletário, logrou romper a corrente e o cadeado que travavam o veículo e, em seguida, evadiu-se do local", diz o Ministério Público, em nota.

Quando foi abordado por policiais, na quinta, Igor carregava em sua mochila um alicate de pressão, instrumento usado para romper as correntes de bicicletas. Após a prisão, a Polícia Civil afirmou que "imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar o suspeito".

O furto ocorreu no dia 12 de junho, em frente a um shopping no Leblon, zona sul do Rio. O instrutor de surfe Matheus Ribeiro, 22, esperava a namorada em frente ao local com sua própria bicicleta elétrica quando foi abordado pela professora de dança Mariana Spinelli e pelo designer Tomás Oliveira, que são brancos.

Ribeiro afirma ter tentado provar que a bicicleta era dele, com fotos antigas e a chave do cadeado. O casal só recuou depois de não ter conseguido abrir o cadeado da bicicleta com a chave que tinha. Tomás então pede desculpas diversas vezes e alega que “não estava acusando, só estava perguntando”.

“São coisas que encabulam o racista. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove", escreveu Ribeiro, que denunciou o casal por racismo. “Ela não tem ideia de quem levou sua bicicleta, mas a primeira coisa que vem à sua cabeça é que algum neguinho levou."

A filmagem da câmera de segurança analisada pela polícia mostra Igor, que é branco, parado na esquina, disfarçando e olhando em volta antes de arrombar o cadeado, subir na bicicleta e sair pedalando entre os carros, em ação que dura pouco mais de um minuto.

Mariana e Tomás foram demitidos de seus empregos após a repercussão do caso e até o momento não se manifestaram publicamente. Ela trabalhana no estúdio de dança Espaço Vibre e ele era designer na papelaria Papel Craft.

Hélio Schwartsman A reforma que não faremos, FSP

 Em vez de piorar a qualidade da democracia brasileira com a introdução do chamado distritão, os parlamentares deveriam discutir formas de aprimorá-la. Fugindo um pouco à tradição jornalística de só criticar, ouso hoje fazer uma sugestão.

Numa época em que tanto se fala em igualdade, o sistema eleitoral brasileiro cria uma injustificável distinção entre cidadãos. Habitantes de cidades com mais de 200 mil eleitores podem tentar exercer seu poder de veto em eventuais segundos turnos de pleitos para prefeito, enquanto aqueles que vivem em municípios menores estão privados disso. Até onde sei, tal recorte foi estabelecido apenas por uma questão de custos.

A boa notícia é que existe uma medida simples que não só poria fim a essa iniquidade eleitoral como também permitiria ao poder público economizar bastante dinheiro, eliminando as despesas operacionais com os returnos e reduzindo a conta do financiamento público de campanhas.

Falo do voto preferencial, adotado esparsamente em vários lugares e que fará sua estreia em Nova York na eleição deste ano para prefeito. A vantagem desse sistema é que ele permite obter resultados semelhantes aos de um segundo turno com apenas uma visita às urnas.

Existem vários modelos de voto preferencial. No mais fácil de explicar (e entender), o eleitor ordena os candidatos segundo sua preferência. Caso nenhum dos postulantes seja a primeira escolha de mais de 50% dos votantes, procede-se a um returno virtual em que o candidato que ficou em último lugar é eliminado de todas as cédulas (em qualquer posição em que estivesse) e elas são recontadas. O processo segue até que alguém obtenha a maioria absoluta.

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Embora os cientistas políticos ainda não tenham chegado a um consenso, especula-se que o voto preferencial estimule os candidatos a exercer a moderação, já que precisam não só conquistar preferências mas também evitar rejeições.