quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Brasil precisa de um plano para os minerais da transição, EPBR

 

Com a demanda crescente por matérias-primas para fabricação de turbinas eólicas, placas fotovoltaicas e baterias de lítio, entre outras tecnologias de transição energética, os investimentos globais em mineração precisarão aumentar para até US$ 4 trilhões até 2030 – isto é, cerca de US$ 300 bilhões a US$ 400 bilhões por ano, de acordo com um levantamento da McKinsey.
 
Nos próximos 20 anos, a demanda por lítio, por exemplo, deve crescer mais de 40 vezes, estima a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês). Grafite, cobalto e níquel terão uma demanda entre 20 e 25 vezes maior, na comparação com o mercado atual.
 
“Não vamos fazer transição energética sem mineração, sem ampliar a oferta desses minerais críticos”, observa Julio Cesar Nery Ferreira, diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Ibram.
 
Em entrevista à agência epbr, o executivo defende que o Brasil desenvolva uma política nacional para estimular a produção de minerais críticos para a transição energética.
 
“Os países da Europa já identificaram isso. E eles estão trabalhando fortemente em políticas públicas para incentivar essa produção”, comenta Ferreira.
 
Representando empresas que respondem por 85% da produção mineral do Brasil, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) cobra do governo federal investimentos para fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB) – organizações que atuam na criação de regras e incentivos para o setor.
 
Além da política de minerais estratégicos, as mineradoras aguardam o anúncio do Plano de Transição Ecológica e a revisão do Plano Nacional de Fertilizantes, que devem incluir políticas para a mineração.
 
“Nossa expectativa é conseguir avanços rápidos nesses planos. Para que possamos  pelo menos ter um posicionamento e começar a chegar no estágio que já está nos países mais avançados (…) Trabalhamos para ver se isso tem um direcionamento bom até o final deste ano”, diz o diretor do Ibram. Leia na cobertura de Gabriel Chiappini

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Nos planos do governo brasileiro. A pesquisa mineral é um dos sete subeixos do grupo Transição e Segurança Energética do novo PAC. Lançado na última sexta (11/8), o programa vai monitorar R$ 540,3 bilhões em investimentos públicos e privados relacionados à transição.
 
Recentemente, governo e BNDES formaram um grupo de trabalho para avaliar áreas estratégicas para financiamento nesse contexto. 
 
Entre elas, a criação de uma cadeia de suprimentos e produção de painéis fotovoltaicos e minerais críticos à transição energética, dentro da própria região de extração no Brasil.
 
Em destaque está o lítio. O país marcou sua entrada nesse mercado global em maio, com o lançamento da iniciativa Lithium Valley Brazil, na bolsa de valores de Nova York, Nasdaq.
 
A iniciativa tenta atrair investimentos internacionais para exploração do lítio no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, que concentra a maior reserva desse mineral no Brasil.
 
Já são R$ 750 milhões em investimentos previstos para exploração de matéria-prima essencial à fabricação de baterias na região.
 
No final de julho, a canadense Sigma Lithium realizou a primeira exportação do mineral produzido com zero carbono no Vale.
Terras raras. Também em Minas Gerais, a mineradora australiana Meteoric Resources NL assinou, na última quarta-feira (9/8), um protocolo de intenções com o governo estadual para investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão na extração de argila iônica – do grupo das terras raras – em Poços de Caldas (MG).
 
As terras raras são elementos vitais para a fabricação de turbinas eólicas e veículos elétricos.
 
Hoje, Congo e China são responsáveis ​​por cerca de 60% da produção global desses minerais. Já seu processamento está altamente concentrado na China, que responde por 90% das operações.
 
Os estudos sobre a qualidade e a quantidade das reservas de terras raras em Poços de Caldas são feitos há 12 anos pela Togni, que atua na exploração de argilas na região. Segundo os ensaios, o material possui um alto potencial mercadológico.
 
“O projeto é o único do mundo que sobrevive com os preços atuais de terras raras fora da China”, conta o diretor executivo da Meteoric, Marcelo de Carvalho.

O encontro fortuito de Ciro Nogueira e o assessor investigado de Lira ao som de ‘Poderoso Chefão’, Por Roseann Kennedy -OESP

 BRASÍLIA - Passava das 22 horas da terça-feira, 15, quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou ao restaurante na área central de Brasília. Nesse exato momento tocava a música principal do filme “O Poderoso Chefão”. O ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro sentou-se numa das mesas reservadas para jantar à luz de velas com aliados do Centrão. Agora, é homem forte na oposição a Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando se ouviam os últimos acordes da trilha sonora do mais famoso filme sobre mafiosos dos EUA, apareceu Luciano Cavalcante, ex-assessor do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O pivô do escândalo dos kits de robótica investigado pela Polícia Federal andava sumido das rodas públicas desde que sofreu busca e apreensão em sua casa.

Ex-assessor de Lira e alvo de operação da PF, Luciano Cavalcante tem jantar romântico em restaurante que atraiu outros políticos na mesma noite.
Ex-assessor de Lira e alvo de operação da PF, Luciano Cavalcante tem jantar romântico em restaurante que atraiu outros políticos na mesma noite. Foto: Estadão

Luciano sentou-se à mesa, jantou acompanhado de uma mulher e, antes da sobremesa, ao ver o ex-ministro no fundo do restaurante foi a seu encontro. Ciro Nogueira estava com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro, e o deputado Hugo Motta (PB), líder do Republicanos. Os quatro conversaram rapidamente. Faria hoje trabalha para o BTG Pactual e Motta faz parte da tropa de choque de Lira.

De volta a sua mesa, o ex-assessor de Lira teve seu jantar romântico interrompido por diversas vezes pelos políticos que entraram e saíram do restaurante. Foi um “beija-mão” só reservado aos influentes em Brasília.

Luciano, afinal, não é apenas braço direito de Lira, mas também é presidente do União Brasil em Alagoas e tem parentes empregados na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) de Maceió, controlada pelo poderoso presidente da Câmara. No site oficial do partido, é identificado erroneamente como “deputado federal”. No restaurante, foi o que pareceu mesmo.

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Ele também era até junho assessor da liderança do Progressistas da Câmara. Foi exonerado após ser acusado de operar o esquema de compra de kits de robótica superfaturados com dinheiro de emendas de Arthur Lira, que nega envolvimento. Luciano reaparece no momento em que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou as provas da investigação.

Tinha uma governadora no meio do caminho

No caminho até sua mesa, Ciro Nogueira cruzou com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB). Parou para cumprimentar jornalistas que a rodeavam, mas ignorou a presença da tucana. Raquel sorriu com a gafe do senador - que é líder na Casa que representa os estados no Congresso.

Em meio a vinhos e massas, havia uma avaliação em comum sobre o governo Lula. Com muito dinheiro e projetos parados, a coisa só deve andar após a reforma ministerial e a votação do novo arcabouço fiscal na Câmara. Só que a votação vai ter que esperar mais, após as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A conclusão de quem estava no jantar é que Haddad, até então bem avaliado pelo Centrão frente à articulação política falha do Planalto, pisou na bola ao dizer que a Câmara está com “um poder muito grande”. Agora, o compromisso de votar o arcabouço antes de 31 de agosto, prazo para Lula enviar o projeto de Orçamento de 2024, já não vale mais. Resultado: a comida esfriou.

Ex-assessor de Lira e alvo da PF é visto em restaurante com Ciro Nogueira e outros aliados

Restaurante em Brasília atraiu ex-ministros, parlamentares e governadora para o mesmo lugar.

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Por volta de meia-noite o restaurante fechou. Na saída, Ciro e os demais parlamentares do Centrão pararam na mesa de Luciano, formaram fila para se despedir, entraram em seus carros oficias e foram embora.

Reuniões pós-expediente fazem parte da história política do País

As noites de Brasília merecem um capítulo à parte na história da articulação política do País. São em restaurantes espalhados pela capital com suas mesas reservadas que ocorrem muitas discussões que vão decidir o futuro dos brasileiros. Acordos, negociações e até conspirações são selados em restaurantes.

Na época da Constituinte, o então deputado Ulysses Guimarães era acompanhando por uma turma que ia até altas horas tomando licor de pera, falando e fazendo política no mezanino de um estabelecimento que não existe mais, o Piantella. Até fechar as portas em definitivo, em 2020, o local mantinha preservada a mesa preferida do emedebista.

Na gestão Bolsonaro, com oficiais militares em postos civis de comando no Poder Executivo, o hábito noturno foi deixado de lado e a noite brasiliense ficou carente de encontros entre parlamentares e ministros noite a dentro. Com a chegada de Lula, a cidade voltou a se agitar.

Sabesp e cidade de São Paulo assinam termo que pode acelerar privatização, FSP

 A Sabesp anunciou que a cidade de São Paulo assinou o termo de adesão às chamadas Unidades Regionais de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (URAE).

"O Estado de São Paulo e o Município de São Paulo reafirmaram o compromisso de manutenção dos investimentos, atingimento das metas e repasse para o Fundo Municipal, nos termos contratuais atualmente vigentes, bem como concordaram em buscar soluções colaborativas e construtivas relacionadas ao Contrato de Prestação de Serviços Públicos de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário, firmado em 23 de junho de 2010", afirmou a Sabesp em fato relevante ao mercado na noite de quarta-feira (16).

Limpeza de pinceis de maquiagem
Sabesp assina termo que pode acelerar privatização da empresa - Adobe Stock

A adesão é considerada um passo importante pelo mercado para prosseguir com o processo de privatização da empresa. Horas antes do anúncio, o governo de São Paulo publicou decreto no qual altera a legislação de 2021 da URAE e estipula o prazo de 180 dias para que os municípios assinem a adesão.

O decreto assinado pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concede maior representação às regiões metropolitanas no sistema de governança do saneamento básico.

O texto anterior da norma tratava do número de vagas para os conselhos deliberativos das URAE, enquanto o decreto publicado na quarta-feira estabelece que "o representante do Estado terá participação nas deliberações assegurada mediante a atribuição de voto com peso proporcional a 50% da população residente em regiões metropolitanas, microrregiões e aglomerações urbanas, em relação à população total do estado".

Enquanto isso, representantes da sociedade civil terão participação de 6%, e o da "cidade que integra região metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, de 50% da sua população, em relação à população total da URAE", segundo o decreto, que ainda faz outros ajustes na legislação anterior.

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Após a divulgação do decreto, as ações da Sabesp fecharam em alta de 5,5%, a R$ 57,80, nessa quarta-feira.

Analistas do Itaú BBA afirmaram em relatório a clientes na véspera que as mudanças "foram um marco importante para o processo de privatização da Sabesp, pois a potencial adesão da cidade de São Paulo às URAE tornaria mais fácil para o Estado negociar os termos da privatização com os municípios".

A URAE dividiu o estado em regiões diferentes, com cada uma delas podendo estabelecer planos próprios para a prestação dos serviços de saneamento, conforme previsto na legislação do Marco do Saneamento.

A Sabesp divulgou nesta semana alta de 76% no lucro líquido do segundo trimestre, impulsionada em parte por ganhos financeiros com câmbio e tarifas maiores.

Com informações da Reuters