|
|
|
|
|
|
|
|
BRASÍLIA - Passava das 22 horas da terça-feira, 15, quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou ao restaurante na área central de Brasília. Nesse exato momento tocava a música principal do filme “O Poderoso Chefão”. O ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro sentou-se numa das mesas reservadas para jantar à luz de velas com aliados do Centrão. Agora, é homem forte na oposição a Luiz Inácio Lula da Silva.
Quando se ouviam os últimos acordes da trilha sonora do mais famoso filme sobre mafiosos dos EUA, apareceu Luciano Cavalcante, ex-assessor do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O pivô do escândalo dos kits de robótica investigado pela Polícia Federal andava sumido das rodas públicas desde que sofreu busca e apreensão em sua casa.
:quality(80)/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/4U7WOPRTAREOXN22UBOOCWRE3Q.jpg)
Luciano sentou-se à mesa, jantou acompanhado de uma mulher e, antes da sobremesa, ao ver o ex-ministro no fundo do restaurante foi a seu encontro. Ciro Nogueira estava com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro, e o deputado Hugo Motta (PB), líder do Republicanos. Os quatro conversaram rapidamente. Faria hoje trabalha para o BTG Pactual e Motta faz parte da tropa de choque de Lira.
De volta a sua mesa, o ex-assessor de Lira teve seu jantar romântico interrompido por diversas vezes pelos políticos que entraram e saíram do restaurante. Foi um “beija-mão” só reservado aos influentes em Brasília.
Luciano, afinal, não é apenas braço direito de Lira, mas também é presidente do União Brasil em Alagoas e tem parentes empregados na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) de Maceió, controlada pelo poderoso presidente da Câmara. No site oficial do partido, é identificado erroneamente como “deputado federal”. No restaurante, foi o que pareceu mesmo.
Continua após a publicidade
Ele também era até junho assessor da liderança do Progressistas da Câmara. Foi exonerado após ser acusado de operar o esquema de compra de kits de robótica superfaturados com dinheiro de emendas de Arthur Lira, que nega envolvimento. Luciano reaparece no momento em que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou as provas da investigação.
No caminho até sua mesa, Ciro Nogueira cruzou com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB). Parou para cumprimentar jornalistas que a rodeavam, mas ignorou a presença da tucana. Raquel sorriu com a gafe do senador - que é líder na Casa que representa os estados no Congresso.
Em meio a vinhos e massas, havia uma avaliação em comum sobre o governo Lula. Com muito dinheiro e projetos parados, a coisa só deve andar após a reforma ministerial e a votação do novo arcabouço fiscal na Câmara. Só que a votação vai ter que esperar mais, após as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A conclusão de quem estava no jantar é que Haddad, até então bem avaliado pelo Centrão frente à articulação política falha do Planalto, pisou na bola ao dizer que a Câmara está com “um poder muito grande”. Agora, o compromisso de votar o arcabouço antes de 31 de agosto, prazo para Lula enviar o projeto de Orçamento de 2024, já não vale mais. Resultado: a comida esfriou.
Ex-assessor de Lira e alvo da PF é visto em restaurante com Ciro Nogueira e outros aliados
Restaurante em Brasília atraiu ex-ministros, parlamentares e governadora para o mesmo lugar.
Continua após a publicidade
Por volta de meia-noite o restaurante fechou. Na saída, Ciro e os demais parlamentares do Centrão pararam na mesa de Luciano, formaram fila para se despedir, entraram em seus carros oficias e foram embora.
As noites de Brasília merecem um capítulo à parte na história da articulação política do País. São em restaurantes espalhados pela capital com suas mesas reservadas que ocorrem muitas discussões que vão decidir o futuro dos brasileiros. Acordos, negociações e até conspirações são selados em restaurantes.
Na época da Constituinte, o então deputado Ulysses Guimarães era acompanhando por uma turma que ia até altas horas tomando licor de pera, falando e fazendo política no mezanino de um estabelecimento que não existe mais, o Piantella. Até fechar as portas em definitivo, em 2020, o local mantinha preservada a mesa preferida do emedebista.
Na gestão Bolsonaro, com oficiais militares em postos civis de comando no Poder Executivo, o hábito noturno foi deixado de lado e a noite brasiliense ficou carente de encontros entre parlamentares e ministros noite a dentro. Com a chegada de Lula, a cidade voltou a se agitar.
A Sabesp anunciou que a cidade de São Paulo assinou o termo de adesão às chamadas Unidades Regionais de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (URAE).
"O Estado de São Paulo e o Município de São Paulo reafirmaram o compromisso de manutenção dos investimentos, atingimento das metas e repasse para o Fundo Municipal, nos termos contratuais atualmente vigentes, bem como concordaram em buscar soluções colaborativas e construtivas relacionadas ao Contrato de Prestação de Serviços Públicos de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário, firmado em 23 de junho de 2010", afirmou a Sabesp em fato relevante ao mercado na noite de quarta-feira (16).

A adesão é considerada um passo importante pelo mercado para prosseguir com o processo de privatização da empresa. Horas antes do anúncio, o governo de São Paulo publicou decreto no qual altera a legislação de 2021 da URAE e estipula o prazo de 180 dias para que os municípios assinem a adesão.
O decreto assinado pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concede maior representação às regiões metropolitanas no sistema de governança do saneamento básico.
O texto anterior da norma tratava do número de vagas para os conselhos deliberativos das URAE, enquanto o decreto publicado na quarta-feira estabelece que "o representante do Estado terá participação nas deliberações assegurada mediante a atribuição de voto com peso proporcional a 50% da população residente em regiões metropolitanas, microrregiões e aglomerações urbanas, em relação à população total do estado".
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Carregando...
Enquanto isso, representantes da sociedade civil terão participação de 6%, e o da "cidade que integra região metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, de 50% da sua população, em relação à população total da URAE", segundo o decreto, que ainda faz outros ajustes na legislação anterior.
Após a divulgação do decreto, as ações da Sabesp fecharam em alta de 5,5%, a R$ 57,80, nessa quarta-feira.
Analistas do Itaú BBA afirmaram em relatório a clientes na véspera que as mudanças "foram um marco importante para o processo de privatização da Sabesp, pois a potencial adesão da cidade de São Paulo às URAE tornaria mais fácil para o Estado negociar os termos da privatização com os municípios".
A URAE dividiu o estado em regiões diferentes, com cada uma delas podendo estabelecer planos próprios para a prestação dos serviços de saneamento, conforme previsto na legislação do Marco do Saneamento.
A Sabesp divulgou nesta semana alta de 76% no lucro líquido do segundo trimestre, impulsionada em parte por ganhos financeiros com câmbio e tarifas maiores.
Com informações da Reuters