terça-feira, 29 de junho de 2021

Todos os homens de Bolsonaro, Alvaro Costa e Silva - FSP

 Uma expressão em inglês, significando o melhor caminho que se deve tomar para chegar à verdade, passou a ser citada em 11 entre 10 comentários políticos. “Follow the money” (siga o dinheiro) ganhou popularidade no filme “Todos os Homens do Presidente”, que reconstitui a investigação jornalística do caso Watergate até a renúncia de Richard Nixon. O conselho sugere que, num esquema de corrupção, a grana deixa pegadas que conduzem aos porões do poder, seja em Washington ou em Brasília.

A frase está na ordem do dia da CPI da Covid —que encontrou um trilho de sujeira levando à compra da Covaxin— e pode explicar as ações do governo e de quem gravita em torno dele só para se dar bem. Quem são os homens de Bolsonaro?

Siga o cascalho e você encontrará um empresário vestido de verde e amarelo cujas lojas têm o custo maior que o faturamento. Um milagre econômico que dispensa sócios e investidores e, segundo a Abin, possui uma “fonte oculta de recursos”. Siga a gaita e você baterá na porta da Precisa, que fez um acordo para faturar R$ 1,6 bilhão com o rolo da vacina.

Siga o tutu e você entenderá por que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, está sentado em cima de mais de 130 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, e por que ele acha (acha ou torce?) que a comissão encarregada de investigar o enfrentamento da pandemia não dará em nada. Siga o arame e você saberá por que é mais importante para Lira negociar um orçamento secreto, aprovar reformas para lá de polêmicas e privatizar a Eletrobras, com a conta de luz ficando mais cara.

Siga o dindim e você descobrirá por que o deputado federal Ricardo Barros conseguiu ser líder na Câmara no mandato de FHC, vice-líder nos de Lula e Dilma, ministro de Temer e é o atual líder do governo Bolsonaro. Segundo os irmãos Miranda, o presidente sabia da ligação de Barros com o vacinagate —e deixou rolar.


Hélio Schwartsman - Bolsonaro nas cordas, FSP

 O escândalo da Covaxin é a peça que faltava para deflagrar o impeachment de Bolsonaro? É cedo para dizer, mas acho seguro afirmar que a situação do presidente é hoje muito mais precária do que era duas semanas atrás, e o risco de destituição tornou-se palpável.

Como venho dizendo aqui com certa insistência desde maio do ano passado, abrir um processo de impeachment contra Bolsonaro é um imperativo moral. Mesmo que a deposição não se concretize, é uma satisfação devida aos pósteros, a sinalização de que ao menos parte da sociedade tentou dar uma resposta institucional ao festival de horrores que é o atual governo.

Bolsonaro já correu risco de impeachment antes e, a fim de evitá-lo, renegou uma de suas principais promessas de campanha e lançou-se no colo do centrão, do qual se tornou refém. A novidade que o caso Covaxin introduz é que ele desalinha os interesses desses atores.

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), alvo de investigação na CPI da Covid
O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), alvo de investigação na CPI da Covid - Pedro Ladeira/Folhapress

O centrão, como se sabe, não se move por ideologia nem se pauta pelo excesso de lealdade. Pragmáticos, os parlamentares do grupo emprestam seu apoio a qualquer governante, desde que este lhes entregue as verbas e os cargos acordados, e não hesitam em abandoná-lo, se julgarem que o arranjo não irá muito longe ou que trará danos de imagem capazes de comprometer a renovação de seus mandatos.

A popularidade de Bolsonaro, que já não vinha bem, tende a sofrer ainda mais com as suspeitas que agora surgem. O presidente até poderia tentar livrar-se de parte da carga rifando um dos líderes do centrão, o deputado e ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (Progressistas-PR), e buscando preservar o apoio dos demais, mas essa é uma operação política arriscada, que, se mal executada, pode precipitar o rompimento.

E, se Bolsonaro fica quieto e aceita a pecha de protetor de corruptos, arrisca-se a acelerar ainda mais o derretimento de sua popularidade, o que também pode levar o centrão a abandoná-lo.


Concessionária dá o pontapé para obras de reforma no Pacaembu; conheça pontos do projeto, OESP

 Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 05h00

A obra da reforma do complexo esportivo do Pacaembu deve ser iniciada nesta terça-feira, 29, pela Concessionária Allegra Pacaembu. A Prefeitura de São Paulo deve autorizar o início da reforma, que terá a remoção da área conhecida como tobogã, construída em 1970, e uma renovação geral do sistema de arquibancadas do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho.

A autorização para a reforma foi publicada nesta terça no Diário Oficial do Município. A concessionária detém a outorga desde 25 de janeiro do ano passado, por um prazo de 35 anos, e a obra deve durar de 24 a 28 meses, num investimento de cerca de R$ 400 milhões.

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A concessionária detém a outorga desde 25 de janeiro do ano passado, por um prazo de 35 anos Foto: DANIEL TEIXEIRA/ ESTADAO

“Nosso desejo é manter viva a história do Pacaembu e essa obra será executada com todo zelo e respeito ao patrimônio, orientada para o futuro, iniciando uma nova fase desse ícone de São Paulo”, afirma Eduardo Barella, CEO da concessionária, ao detalhar o projeto.

Em entrevista ao Estadão, Barella disse que a ideia da reforma é reverter a lógica atual concentrada no futebol e ampliar o uso do espaço para outras atividades que tenham a cultura e outros esportes como objetivo. “O projeto entregará aos paulistanos um espaço público mais democrático, plural e acessível, resgatando os pilares originais de cultura e lazer, além de potencializar o seu uso esportivo”, defende Barella. 

De acordo com o vereador Adilson Amadeu, que integra o Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp), a reforma deve ser iniciada logo. Ele argumentou que o processo foi aprovado na Câmara Municipal e já obteve aprovação nos órgãos de conservação e no TCM. "A cidade vai se modernizando, como já ocorreu com outros locais, como a Avenida Paulista, por exemplo", afirmou Amadeu. "Veja, o Pacaembu só dava prejuízo para a cidade. Os próprios moradores já se deram conta dessa necessidade, desde que fosse feita dentro das regras", argumentou o vereador. 

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No lugar do tobogã, será construído um edifício multifuncional que terá cafés, restaurantes, escritórios, espaços multifuncionais e um grande centro de convenções e eventos Foto: Concessionária Allegra Pacaembu

Receita

“O que a gente quer é reverter a lógica de pouco uso do espaço”, argumentou o CEO da concessionária. “Eu nunca parti da premissa de que o Pacaembu é um campo de futebol, mas sim de que é um espaço público que pode trazer conteúdo para a população”, afirma.

"Se você pensar, um time de futebol joga 40 ou 50 jogos no ano, metade em casa, metade fora. E o que eu faço com os outros dias do mesmo ano? Hoje, o futebol é 8% da nossa receita”, justifica. “O que a gente está fazendo hoje é concedendo um novo espaço para a cidade”, sustenta Barella.

“O Pacaembu se transforma num local de destino, onde as pessoas terão experiências culturais”, defende. Segundo a concessionária, a Prefeitura já recebeu cerca de R$ 80 milhões pela outorga.

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O térreo (nível do clube) será permeável, com áreas cobertas interligadas a uma esplanada, ao ar livre Foto: Concessionária Allegra Pacaembu

Patrimônio

O estádio, inaugurado em 27 de abril de 1940, passará por uma recuperação e modernização de instalações, respeitando a área de preservação do patrimônio histórico. O nome é uma homenagem ao advogado e empresário brasileiro que foi chefe da delegação brasileira nas vitoriosas campanhas mundiais de 1958 na Suécia e de 1962 no Chile.

O CEO da Allegra explica ainda que a reforma não incluiu a área tombada pelo patrimônio histórico e na qual está instalado, por exemplo, o Museu do Futebol. “Tudo foi feito com a aprovação dos órgãos de Patrimônio Histórico da cidade”, ressalta. O projeto teve aprovação dos órgãos de proteção do patrimônio histórico da cidade, o Conpresp, e do Estado (Condephaat), emenda.

A estrutura do tobogã, que será alterada, não faz parte do projeto original do estádio. Ela foi construída em 1970 no lugar da antiga concha acústica. Naquele espaço será erguido o prédio para abrigar cafés, restaurantes, escritórios, espaços multifuncionais e um centro de convenções e eventos, além de um novo espaço para até 8,5 mil pessoas no subsolo do Pacaembu. “Esse é um local adicional para eventos e festas", prevê Barella.

No novo térreo, segundo o projeto, está prevista uma esplanada com vistas para o gramado do estádio, interligando a área interna do complexo esportivo das piscinas e o ginásio poliesportivo. Na cobertura deste novo prédio haverá ainda uma praça elevada com acesso lateral para as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis, que cercam todo o complexo e a praça Charles Miller.

Parceria

Uma parceria da Allegra com o BBL, grupo de entretenimento, de games e esportes, para o funcionamento de um espaço para até cem pessoas em competições numa arena chamada Battle Royale. Essa parte será construída na área da arquibancada laranja, com possibilidade de abertura para o campo.

“Ali haverá espaço para 2 mil pessoas sentadas, podendo esse espaço ser aberto para chegar a um público de até 25 mil pessoas dentro do estádio”, conta Barella. Ele argumenta ainda que os modernos telões de LED já estão no País. “O Brasil é hoje o terceiro maior mercado de games do mundo, um setor que está crescendo muito”, explica Barella.

De acordo com os organizadores, a Prefeitura tem atualmente prejuízo com a gestão do Pacaembu. A economia prevista será de cerca de R$ 200 milhões, avaliam os organizadores do projeto. O novo espaço permitirá ainda uma arrecadação de cerca de R$ 87 milhões com impostos sobre a concessão do espaço.

Competições

Os demais equipamentos do complexo esportivo, como a piscina olímpica e o Centro Esportivo, permanecerão sendo de uso público com acesso gratuito, dizem os organizadores do projeto.

Desde o início da concessão, aponta o dirigente da Allegra, o número de pedidos de novos associados subiu cerca de 10 mil, com o complexo hoje atingindo quase 90 mil associados no sistema.

Segundo a Allegra, o Pacaembu deve ser também transformado na casa do futebol feminino na cidade, além de atender competições das categorias de base de clubes locais e de esportes amadores. A organização prevê ainda espaços para montagem de arenas móveis de outros esportes, como competições de vôlei de praia e MMA, evento que já está sendo negociado com empresários do primeiro campeonato brasileiro da modalidade.

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Parceria com empresa BBL, grupo de entretenimento de games e eSports, criará arena de eSports Battle Royale  Foto: Concessionária Allegra Pacaembu

Cultura

Além do projeto do novo espaço, as novidades no Pacaembu já começam em 2021 com a realização de pelo menos duas iniciativas na área cultural: uma feira de design (MADE), programada para outubro, e uma Feira de Artes, que deve ocorrer entre 17 e 21 de novembro.

De acordo com a Allegra, esse evento cultural será realizado anualmente sempre no segundo semestre, resultado da parceria entre a concessionária Allegra Pacaembu, a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT), a Associação de Galerias de Arte do Brasil (AGAB) e 70 galerias brasileiras que integram as duas entidades.

Quando a obra toda estiver concluída, o espaço do novo Pacaembu deverá abrigar também uma galeria internacional de artes. “A nossa ideia é transformar o complexo esportivo agregando a ele essa preocupação cultural”, afirma Barella.

Associação é contrária à demolição do Tobogã

De acordo com Sérgio Livovschi, diretor-jurídico da associação Viva Pacaembu Por São Paulo, que tenta impedir a obra, há um processo judicial para barrar a intervenção no Pacaembu. Essa ação ainda não teve o julgamento definitivo no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ele argumenta que decisão do Tribunal, do último dia 16, suspendeu a decisão de 31 de março de 2021, que impedia a demolição. Mas o processo continua correndo na Justiça de São Paulo e não tem data prevista de julgamento final, alerta o diretor da entidade. Pelo argumento contrário à obra, que tenta impedir a derrubada do tobogã, aquela parte do complexo, construída em 1970, também faz parte do tombamento do estádio.

A Secretaria Municipal de Cultura confirma a aprovação das mudanças no Conpresp. "A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, informa que as reformas no estádio do Pacaembu foram aprovadas pelo Conpresp. Diante da necessidade de alterações no projeto da passarela, o Conpresp aprovou as mudanças apresentadas."

Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que o "interessado atendeu às considerações solicitadas no comunique-se e sanou todas as pendências". "Dessa forma, o Alvará de Aprovação e Execução de Reforma foi expedido e será publicado no Diário Oficial."

Entenda os pontos programados para reforma do Pacaembu

- Tobogã: Principal mudança, será removido. No lugar do tobogã, será construído um edifício multifuncional que terá cafés, restaurantes, escritórios, espaços multifuncionais e um grande centro de convenções e eventos (arena indoor), construído no subsolo junto ao novo estacionamento. O térreo (nível do clube) será permeável, com áreas cobertas interligadas a uma esplanada, ao ar livre, com vista para o gramado e para o boulevard, que será criado no local onde hoje fica o estacionamento em frente ao ginásio poliesportivo. Na cobertura será criada uma praça pública elevada (rooftop), que irá conectar as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis. Nos demais andares (acima da esplanada) poderão ser implantados: áreas de gastronomia, economia criativa, escritórios, entre outros;

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Na cobertura será criada uma praça pública elevada (rooftop), que irá conectar as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis Foto: Concessionária Allegra Pacaembu

- Arquibancadas e gramado: Serão reformados;

- Fachada preservada: A fachada preservada, que dá para a Praça Charles Miller, não será alterada;

- Arena de eSports: Parceria com empresa BBL, grupo de entretenimento de games e eSports, criará arena de eSports Battle Royale na qual uma centena de jogadores podem competir simultaneamente; 

- Concessão: O Complexo Pacaembu (estádio e centro esportivo) foi concedido por 35 anos. Allegra Pacaembu, que ofereceu a melhor proposta: R$ 111 milhões (a outorga fixa mínima era de R$ 37 milhões);

- Investimento: além do pagamento das outorgas fixa e variável, a Allegra Pacaembu investirá cerca de R$ 400 milhões na recuperação e modernização do complexo e na construção de um novo edifício, no lugar onde encontra-se, hoje, a arquibancada Sul também conhecida como “Tobogã”.

- Prazo da obra: 24 a 26 meses;

- Piscina e Centro Esportivo: Continuam de uso público, com acesso gratuito, exceto quando houver reserva para eventos ou locação. Para frequentar esses equipamentos, basta ser sócio do Pacaembu;

- Futebol: O objetivo é que o Pacaembu seja a segunda casa de todas as torcidas, o melhor campo neutro da América Latina. A Concessionária Allegra Pacaembu pretende que o complexo seja a casa do futebol feminino e das categorias de base de diversos clubes; da Taça das Favelas e diversas outras competições amadoras;

- Museu do Futebol: não integra a concessão, porém é outro importante parceiro da Concessionária Allegra Pacaembu.