sexta-feira, 25 de junho de 2021

Lula tem 49% das intenções de voto e Bolsonaro, 23%, aponta pesquisa Ipec, OESP

 Com 49% das intenções de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece, neste momento, como favorito para a próxima disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo pesquisa do instituto Ipec, Lula tem mais que o dobro da taxa do presidente Jair Bolsonaro (23%). Com esse desempenho, e se as eleições fossem hoje, o petista venceria no primeiro turno.

Como ainda faltam 16 meses para as eleições, e o quadro de candidatos não está definido, a pesquisa está longe de antecipar resultados. A leitura dos números, porém, deixa claro que Lula é o nome da oposição que mais se fortalece com o desgaste de Bolsonaro, cujo governo está cada vez mais mal avaliado.

Atrás dos dois primeiros na corrida eleitoral estão Ciro Gomes, do PDT, com 7%, e João Doria, do PSDB, com 5%. Luiz Henrique Mandetta (DEM), que foi ministro da Saúde no início da pandemia, até ser demitido por Bolsonaro, tem 3%.

Lula lidera em todos os segmentos do eleitorado. No recorte geográfico, seu principal reduto continua sendo o Nordeste, onde tem 63% das preferências, com vantagem de 48 pontos porcentuais sobre Bolsonaro. A menor vantagem do petista ocorre no Sul (35% a 29%). No Sudeste, região que concentra o maior número de eleitores, o ex-presidente tem 47%, e seu principal rival, 24%.

Lula e Bolsonaro
O ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro; Ipec entrevistou, presencialmente, 2.002 eleitores em 141 cidades, entre 17 e 21 de junho Foto: : AMANDA PEROBELLI / REUTERS-10/3/2021 - GABRIELA BILO / ESTADÃO-17/12/2020

Além de aparecer com taxa de intenção de votos superior à soma dos outros quatro potenciais candidatos testados na pesquisa, Lula teve ganho significativo em seu capital político nos últimos quatro meses.

O Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria, novo instituto da estatística Márcia Cavallari, ex-Ibope), não fez levantamentos de intenção de voto no passado. Em fevereiro e agora, porém, o instituto avaliou o potencial de votos de possíveis concorrentes ao Planalto. É esse indicador que demonstra a melhora de Lula e o recuo de Bolsonaro.

A pesquisa de potencial de votos estima o piso e o teto de cada candidato. Funciona assim: o entrevistador cita um nome de cada vez e pergunta se o eleitor votaria nele com certeza, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece suficientemente para responder. A soma das duas primeiras respostas – “votaria com certeza” e “poderia votar” – é o potencial de votos de cada presidenciável.

Em fevereiro, Lula aparecia com potencial de conquistar 50% do eleitorado. Na época, porém, o petista estava impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, pois tinha duas condenações penais proferidas por órgão colegiado. Em março, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações e restabeleceu a elegibilidade do ex-presidente. Desde então, o teto de votos de Lula subiu: seu potencial passou de 50% para 61%, segundo o Ipec.

Esse avanço coincidiu com uma deterioração das chances eleitorais de Bolsonaro. Nos últimos quatro meses, o potencial de votos do presidente caiu de 38% para 33%, enquanto a rejeição disparou. Nada menos que 62% dos eleitores afirmam que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum (eram 56% há quatro meses). No caso de Lula, essa taxa é de 36%.

Ciro Gomes também teve avanço em seu potencial de votos, mas em termos mais modestos: passou de 25% para 29% desde fevereiro. A rejeição ao ex-governador do Ceará caiu quatro pontos porcentuais, mas segue em patamar elevado: 49% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Já o potencial de votos de Doria passou de 15% para 18%. O governador de São Paulo tem como obstáculo o fato de 56% do eleitorado afirmar que jamais o escolheria como presidente.

O Ipec entrevistou, presencialmente, 2.002 eleitores em 141 cidades, entre 17 e 21 de junho. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.


VICTOR PY-DANIEL (1951 - 2021) Mortes: Dedicou-se à ciência e à vida dos povos amazônicos, FSP

 

SÃO PAULO

Biólogo e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e professor da Universidade de Brasília, Victor Py-Daniel era profundo conhecedor da Amazônia, onde, ao longo da vida, fez muitas expedições com a equipe de trabalho.

Ele desenvolveu estudos de epidemiologia e etnoepidemiologia com destaque para a transmissão de doenças tropicais causadas por piuns e borrachudos, vetores da oncocercose e várias filarioses tropicais. Com a mesma intensidade, envolveu-se nos estudos das culturas indígenas, principalmente Yanomami.

Para Noemia Kazue Ishikawa, pesquisadora do Inpa, ele é uma das poucas pessoas que viajou pela Amazônia e conheceu de fato dezenas de etnias indígenas.

“Era um pesquisador de raiz que ia ao campo e fazia a interface com a comunidade científica e a secretaria da saúde. Foi a minha primeira escola de Amazônia”, conta Ishikawa.

O pesquisador Victor Py-Daniel, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
O pesquisador Victor Py-Daniel, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) - Youtube / Reprodução

Victor nasceu em Rio Grande (RS), mas sempre quis viver e trabalhar na Amazônia.

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“Deixa como legado o conhecimento acumulado que foi repassado para vários profissionais espalhados em várias instituições do Brasil que tiveram oportunidade de trabalhar com ele”, afirma Jansen Medeiros, diretor da Fiocruz Rondônia.

Colegas o consideravam uma pessoa bondosa e disposta a ajudar, principalmente os mais necessitados e as comunidades indígenas. Sempre que diziam o quanto era humano respondia com a frase “ser humano não é mérito, é obrigação”.

“Custa acreditar e também custa se libertar do condicionamento social que nos obriga a entristecer. Afasto a tristeza e imagino o meu amigo como quando, em nossas expedições na floresta, nas maiores dificuldades, sorríamos, fazíamos piadas e dissolvíamos ameaças de perigos e dificuldades. Há de vir o tempo que eu também irei e sei que nos encontraremos para outras expedições e aventuras. Somos eternos. E há muito tempo estamos vivendo, pesquisando, conhecendo, achando graça, se xingando e se perdoando”, diz Leonide Principe, amigo havia 30 anos.

Victor Py-Daniel morreu dia 21 de junho, aos 69 anos, em decorrência de Covid-19.

Em foto com Bolsonaro, operários fazem L com os dedos e web associa a Lula, FSP

 Um grupo de operários que posou para foto ao lado de Jair Bolsonaro (sem partido), em Jucurutu, Rio Grande do Norte, fez o símbolo de "L" com os dedos. Todos estavam sem máscaras.

A fotografia foi publicada pelo próprio Ministério do Desenvolvimento Regional em seu perfil no Instagram (veja abaixo). A imagem circulou nas redes sociais nesta quinta-feira (24) e está sendo interpretada como apoio ao ex-presidente Lula (PT). Depois da repercussão, a pasta apagou a imagem.

Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro em visita na quinta (24) em Jucurutu (RN) - Reprodução Instagram

O gesto dos operários também pode significar uma "arma" para o alto, símbolo que é marca de Bolsonaro e de seus apoiadores.

Um integrante da comitiva presidencial afirmou à coluna que o "L" não significa nenhuma das duas coisas.

Os trabalhadores estariam, na verdade, apontando para o céu. Segundo o mesmo integrante, eles atenderam a um pedido do presidente para que apontassem "para Deus", já que a barragem em que estavam começou a ser construída em 1952. E até hoje não foi concluída.

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Segundo texto compartilhado no perfil do ministério, o presidente Bolsonaro estava em visita acompanhado do ministro Rogerio Marinho. Eles estão em Jucurutu (RN) para liberar mais de R$ 38,2 milhões para obras da barragem de Oiticica.

De acordo com a pasta, o empreedimento, que deve ser concluído até o fim de 2021, vai atender "cerca de 330 mil pessoas de oito cidades potiguares".

"A barragem, que vai receber as águas do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, tem, até o momento, 90,81% de execução e deve estar totalmetne concluída até dezembro de 2021. O investimento total é de R$ 657,2 milhões, sendo R$ 638,2 milhões do governo federal", segue texto que acompanha a fotografia.