segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

FABIO WAJNGARTEN O ano de 2018, a comunicação e a mídia, FSP

Veículos de mídia fortes garantem a democracia

Debate sobre mídia realizado na Folha, em outubro de 2018 - Reinaldo Canato - 3.out.18/Folhapress
Fabio Wajngarten
O ano de 2018 chega ao fim marcado pelas tensões mundiais, Copa do Mundo e eleições, dentre outros momentos marcantes. Em todos eles, a cobertura da mídia se fez pilar principal. 

Nada é mais brasileiro do que reunir a família, amigos e assistir na televisão a jogos de futebol na sala de casa ou em bares. Nada é mais costumeiro do que abrir o jornal de papel junto com o café da manhã. 

Em toda roda de convivência, independente de classe social, sexo, idade, o tema das eleições era central. O consumo de informação política se dava por jornais, revistas, rádio, internet, redes sociais e televisão. Veículos de comunicação fortes garantem a tão falada e desejada democracia. 

Estes vivem de anúncios publicitários e/ou modelo de assinatura de conteúdo. Anúncios podem ser públicos e privados, todos eles tecnicamente definidos e justificados por critérios que suas competentes agências de publicidade determinam. Cada real investido tem uma razão de ser e um retorno absolutamente claro e definido. 

Imagine uma família vivendo no interior de uma cidade pequena da região Centro-Oeste, que tenha uma campanha de vacinação e ou doação de sangue promovida pelo governo. Como o governo fará chegar àquela população referida iniciativa? 

A mídia de massa tem papel social fundamental, imprescindível e insubstituível. Quer seja com a televisão impactando 200 milhões de uns, quer sejam jornais físicos de papel ou digitalizados, quer seja nas rádios locais, o alcance é bombástico e faz a diferença no dia a dia da população. 

É bem verdade que, com o avanço tecnológico, qualquer pessoa com um celular na mão passa a ter o poder de comunicar o que desejar, sem nenhum cuidado com conteúdo, forma e principalmente a verdade. 

Surge, nesse momento, um novo instrumento: as fake news e as fake olds. As fake news são mentiras revestidas de "maquiagens" que lhe fazem ter a aparência de verdade. Já as fake olds são menos famosas do que a irmã fake news, porém tão importantes e relevantes quanto.

Estas ocorrem quando temas do passado, junto com artigos e posicionamentos de uma determinada época, são trazidos absolutamente descontextualizados para o presente. É tão inconsequente quanto as fake news.

O ano de 2018 foi marcado por uma enorme crise no Brasil: investimentos tímidos, 13 milhões de desempregados, quase 15 milhões na pobreza, e o mercado consumidor voltou a patamares de cinco a dez anos atrás, dependendo do setor.

Comunicar assertivamente virou questão de sobrevivência para quem ainda teve a oportunidade de arriscar. Com a crise, tivemos um fenômeno de "juniorização" nas cadeiras que sempre foram ocupadas por profissionais mais experientes. No ímpeto de se fazer brilhar, este profissional inexperiente escorrega nos princípios básicos da ética jornalística. 

Exemplos de figuras públicas usando peças de vestuário de X mil reais nem de perto são notícia e passam a explodir nas manchetes. Há um desespero completo em detrimento da notícia. Vale tudo pela audiência? Vale tudo pelo clique? 

Certamente, veículos sem ética, sem investimento nos seus profissionais, sem curadoria de conteúdo e sem a preocupação com a verdade não terão vida longa, pois cada vez mais a palavra da moda é compliance. O compliance não serve apenas no vizinho, serve para cada minuto das nossas vidas. Os anunciantes passam por essa premissa, obviamente transportadas para as agências de publicidade e veículos. 

Veículos de comunicação fortes podem contratar profissionais competentes para buscarem o furo jornalístico, a noticia verdadeira em primeira mão. Um veículo de comunicação vive principalmente de reputação, de credibilidade, de respeito à sua audiência cativa. 

É fundamental hastearmos as bandeiras brancas. Bandeiras pelo êxito do Brasil, bandeiras pela paz social, bandeiras pelo Partido BRASIL.

O passado nunca foi, o passado continua, Marcus André Melo, FSP

Distribuição de pastas ministeriais é instrumento clássico de formação de governos

“O passado nunca foi, o passado continua”, afirmou Gilberto Freyre no plenário da  Constituinte de 1946.  Podemos parafraseá-lo dizendo que o  presidencialismo de coalizão nunca foi, ele continua.
No presidencialismo de coalizão, o executivo pode recorrer —na barganha com os partidos de sua congressual— a instrumentos diversos de sua caixa de ferramentas, entre os quais destaca-se o compartilhamento do portfólio ministerial.
Isto é quase universal em contextos multipartidários, embora a literatura registre governos minoritários que contam apenas com o apoio tácito de partidos que não passam a integrar o governo.
No Brasil, a regra tem sido não só a distribuição de ministérios, mas o crescimento exponencial desses, como parte da formação de coalizões superdimensionadas, heterogêneas e hiperfragmentadas.
O número de ministérios passou de 12 para 39, de Collor a Dilma. Apenas a Índia (governo Modi) ostenta coalizão maior que as brasileiras sob Dilma (lá são 35 partidos, dos quais 11 são nacionais e 24 provinciais).
Dado o efeito incremental da reforma eleitoral, a fragmentação só cairá ao longo dos próximos anos; o que muda radicalmente é a redução do número de ministérios e o aumento dos ministros técnicos e militares. 
O processo está em curso, mas, ao lado do número expressivo de ministros (11 da cota pessoal do presidente), já foram anunciadas pastas com representantes do MDB, Democratas, PRP, e PSL, correspondendo a 119 cadeiras.
A taxa de coalescência, medida como a proporcionalidade entre bancadas e ministérios, não parece que vai destoar daquela de alguns governos anteriores, tais como Collor e Lula 1.
Outra mudança —iniciada já no governo Temer— refere-se à heterogeneidade ideológica, que se reduz significativamente. Parceiros da coalizão sob os governos do PT cobriam todo o espectro ideológico, sugerindo cooptação e oportunismo, engendrando cinismo cívico.
As megacoalizões também se refletiam no tamanho do ministeriado e em suas proporções dantescas, encontradas em alguns países africanos (80 no Quênia e 63 em Camarões).
Osvaldo Trigueiro notava, já em 1953: “como nenhum partido está em condições de eleger presidentes, senadores, governadores e prefeitos, as coligações de partidos, dando lugar às mais variadas, imprevistas ou mesmo absurdas combinações, tornam-se não apenas prováveis como imprescindíveis”. 
Coalizões decorrem da representação proporcional: não há nada inexoravelmente antirrepublicano, o compartilhamento de portfólios é instrumento clássico de formação de governos. Por que degeneraram em “absurdas combinações” corruptas é outra questão.
Marcus André Melo
Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da