sexta-feira, 13 de junho de 2014

MARCIO POCHMANN 'Classe média não quer o Estado; classe trabalhadora precisa dele'




Para economista e pesquisador, momento de mobilidade social brasileira vive desconexão entre novos atores sociais surgidos nos últimos anos e setores que deveriam representá-los
por Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 10/06/2014 11:41, última modificação 10/06/2014 13:41
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MAURICIO MORAIS/SEEB-SP
Marcio Pochmann
Pochmann: 'Em cada dez novos trabalhadores que entraram no mercado de trabalho, oito não se sindicalizaram'
São Paulo – Em mais um capítulo do embate conceitual sobre ascensão social no Brasil, o economista Marcio Pochmann acaba de lançar um livro a colocar água na fervura. Em O Mito da Grande Classe Média – Capitalismo e Estrutura Social (Editora Boitempo, 140 páginas), como o próprio título sugere, o professor do Instituto de Economia da Unicamp, desmitifica a qualificação de “nova classe média” como designação dos mais de 40 milhões de brasileiros que, desde o início dos anos 2000, vêm deixando as linhas estatísticas de pobreza para ocupar um lugar entre o que Pochmann prefere chamar de “nova classe trabalhadora”.
Do ponto de vista do alcance da renda, consideram-se estatisticamente de classe média, ou classe C, as famílias com renda per capita entre R$ 320 e R$ 1.120. Por exemplo, uma família com quatro pessoas, casal e dois filhos, e renda total entre R$ 1.280 e R$ 4.480 é integrante da classe C. Pochmann, no entanto, considera um equívoco essa abordagem, uma vez que a estrutura de gastos na “nova classe trabalhadora”, fatia da pirâmide na qual hoje se encontram 54% da população brasileira, tem uma estrutura de gastos e de consumo diferente da “classe média” clássica.
“É inegável a mobilidade social e material alcançada pelos brasileiros desde a década de 2000, com criação de milhões de empregos, redução da miséria, ampliação das políticas públicas inclusivas, principalmente em educação e habitação, e aumento do poder de consumo dos trabalhadores”, ressaltou Pochmann, durante debate realizado nesta segunda-feira (9) pelo Centro de Pesquisas 28 de Agosto, do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Entretanto, segundo ele, a inclusão de milhões de novos trabalhadores no mercado de trabalho, cerca de 22 milhões desde 2003, não é sinônimo de “ascensão de classe”.
“A classe média poupa, investe, viaja, investe em cultura, lazer e conhecimento. Quer menos imposto e não quer o Estado”, resume. “A classe média típica se delicia no momento de declarar o imposto de renda e calcular as deduções que terá com planos de saúde, escolas particulares, fundos de previdência, enfim, gastos com serviços que recusou do Estado e foi buscar no setor privado; deduz até, pasme, despesa com a empregada doméstica.”
Segundo estudo divulgado há dois anos, essas deduções representaram R$ 14 bilhões que deixaram de ser arrecadados. “Assim, a principal política social do Estado vem do Ministério da Fazenda”, ironiza Pochmann, que é ex-presidente do Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e atualmente preside a Fundação Perseu Abramo, órgão de pesquisas e publicações vinculado ao PT. “A classe trabalhadora, entretanto, precisa do Estado. Sem ele, não terá acesso a educação, saúde, serviços públicos de qualidade.”
O economista entende que mais importante do que a questão semântica ou conceitual é entender como o atual fenômeno da mobilidade social brasileira ainda é mediado por uma visão predominantemente neoliberal. “Os avanços são analisados por partes, o pobre, a mulher, o negro, a moradia, a situação de rua... Sem se observar no todo, no macro, que o surgimento dos novos atores sociais se dá em desconexão com os setores que deviam representar esses novos atores”, observa.
Ele exemplifica com pesquisas expostas no livro: “De cada dez novos trabalhadores que ingressaram no mercado de trabalho, apenas dois se sindicalizaram. Dos oito que não se filiaram, quatro apontaram como motivo o fato de o sindicato não os representar e os outros quatro consideram importante, mas não se associaram por não saber como e não conhecer a entidade que os representaria. Do mesmo modo, dos milhões de jovens que conquistaram acesso à universidade, a maioria não se aproximou de movimentos estudantis."
Marcio Pochmann alerta que o risco dessa mobilidade sem conexão com os partidos, sindicatos, movimentos e organizações tradicionais dá margem para um predomínio da visão não conectada com noção de igualdade e que pode pôr em risco as conquistas alcançadas nos últimos anos. “Estão surgindo movimentos sem pauta porque não estão representados por instituições. Não estamos sem futuro nem sem projeto, mas estamos sem agenda para esses trabalhadores e é preciso alcançá-los. Na política, não tem vaga. Se a esquerda não souber dar esses novos passos, outros darão.”

Hidrelétrica 'desperdiça' água do rio Paraná


Itaipu joga fora 10 milhões de litros por segundo por causa de obras não concluídas em usina de Porto Primavera
Cesp, responsável pela concessão, diz que geração adicional não compensa custo; para TCU, há interesse social
MACHADO DA COSTADE SÃO PAULOPor causa de obras inacabadas na Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, na divisa entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, o país está desperdiçando cerca de 10 milhões de litros de água por segundo com a cheia do rio Paraná.
Se o reservatório, que teria capacidade de 5 bilhões de litros, estivesse terminado, seria possível controlar o fluxo do rio Paraná e a quantidade de água que chega à usina de Itaipu, 500 km à frente.
Itaipu não possui capacidade de armazenamento e, por isso, é obrigada a liberar a passagem da água excedente, sem gerar energia.
Apenas como comparação, a quantidade de água que é perdida na usina de Itaipu representa metade do volume que é retirado atualmente do sistema Cantareira.
A obra de Porto Primavera, de responsabilidade da Cesp, faz parte de um imbróglio jurídico que se estende por anos. Há problemas desde a década de 1970, quando a companhia recebeu a concessão da construção da usina.
A Cesp diz que não conclui o reservatório porque o ganho adicional na geração de energia não compensa os custos. A companhia afirma ainda que, apesar de quase 100% da área correspondente ao reservatório já ter sido desapropriada, o Ibama não forneceu as licenças ambientais necessárias.
"Quando foram iniciadas as obras da usina com o projeto para operar o reservatório até 259 metros [acima do nível do mar], não havia a Política Nacional de Meio Ambiente, portanto, sem exigência de licenciamento ambiental. No decorrer do processo de obtenção da licença de operação, o Ibama autorizou, em 2000, operar o reservatório limitado na cota 257 metros", diz a Cesp.
O último episódio se deu em 2011, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) viu a conclusão do reservatório como algo de interesse social, por impedir enchentes na região, e não financeiro.
No processo do TCU, o Ibama diz que nunca recebeu o pedido para o licenciamento.
Em 2013, Carlos Augusto de Ramos e Kirchner, ex-presidente da TermoRio e atual diretor do Sindicato de Engenheiros de São Paulo, em ofício endereçado ao TCU, pedia ao órgão que obrigasse a Cesp a concluir a obra.
Segundo ele, o reservatório é importante para controlar a vazão do rio Paraná.
CHEIA INÚTIL
Normalmente, o fluxo de águas nesse rio é de 17,3 milhões de litros por segundo.
Entre 7 e 12 de junho deste ano, após chuvas na região de Mato Grosso do Sul, essa vazão subiu para 24 milhões de litros por segundo, segundo Itaipu, provocando enchentes que desalojaram cerca de 700 famílias.
"O ganho na geração de energia é pequeno, mas a armazenagem é enorme", diz.
Segundo Kirchner, o momento atual evidencia uma ironia no país.
Enquanto não chovia, foi deflagrada uma crise energética com possível desabastecimento. No entanto, mesmo com as chuvas, o país não consegue armazenar a água.
"O governo federal também tem sua parcela de culpa. Deu uma concessão para uma usina com reservatório e não cobra a conclusão", diz.

    quinta-feira, 12 de junho de 2014

    Vira-latas tipo exportação (sobre a Copa)


    IVAN MARSIGLIA - O ESTADO DE S. PAULO
    31 Maio 2014 | 16h 00

    Às vésperas do segundo mundial em casa, o país do futebol se vê mais uma vez entre o ufanismo e a vergonha. Afinal, que Copa do Mundo é a nossa?

    No mês em que Roberto DaMatta completaria 14 anos, seu pai o levou para ver um jogo da seleção no Maracanã. Era dia 1º de julho e o escrete canarinho composto por Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode, Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico entrou em campo diante de um público – hoje impensável – de 142.429 pagantes. Ademir e Zizinho fariam os dois únicos gols da vitória sobre a Iugoslávia, na primeira fase da Copa do Mundo de 1950, que encheu os olhos do menino de Niterói, hoje antropólogo e colunista do Estado: “Eu me lembro que fomos e voltamos de barca e bonde, da porta de casa até o estádio, na maior tranquilidade. Quem vai poder se deslocar assim na Copa de 2014?”
    Vira-latas tipo exportação
    O ‘Complexo’. Gangorra do Brasil Fim-de-mundo versus Brasil-Paraíso se sucede na história
    ALE SILVA/FUTURA PRESS
    A “Copa das Copas”, o Mundial da mobilidade urbana, do Brasil com B de Bric, nos paralisa num dilema. Demos um passo maior que a perna? Pipocamos na organização do segundo maior evento esportivo global, que comprovaria o talento brasileiro sem a bola nos pés? Ou a vaia generalizada que se ouve no Brasil hoje espelha apenas o “Narciso às avessas” – personagem mitológico que, em sua versão nacional, cospe na própria imagem em vez de se apaixonar por ela –, nosso velho “complexo de vira-latas”, adquirido na derrota para o Uruguai na final de 50, segundo Nelson Rodrigues? 
    No dia 24, o dramaturgo e cronista maior do nosso futebol foi evocado pela presidente Dilma Rousseff em resposta à virada de casaca de Ronaldo Fenômeno. Na véspera, o craque-cartola, membro do Comitê Organizador Local da Copa, se dissera “envergonhado” da burocracia e dos atrasos nas obras nas cidades-sede. E, num espetacular elástico, anunciou que vai jogar em dobradinha com o tucano Aécio Neves nas eleições de outubro. “Não temos do que nos envergonhar. Não temos complexo de vira-lata”, garantiu a ponta de lança do Partido dos Trabalhadores na sucessão, sem medo de as arquibancadas pedirem a Lula que saia do banco e vá para o aquecimento. 
    Mas será, como supõe a presidente, que já cantamos “eu não sou cachorro, não” com essa convicção toda?
    Na definição rodriguiana, o complexo de vira-latas é “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isso em todos os setores e, sobretudo, no futebol”. Em meio à festa que começa a se adivinhar, ainda que discretamente, nos bares e nas ruas com a aproximação do pontapé inicial da Copa, percebe-se também certo mal-estar da civilização brasileira – expresso nos protestos das últimas semanas e nas oscilações das pesquisas eleitorais. “A Copa está sendo usada para manifestações políticas de grande profundidade, que tocam em temas fundamentais para o País”, diz Roberto DaMatta. “Nesse sentido, o futebol tem sido tudo menos o tal ‘ópio do povo’ que alguns imaginavam ser. É um despertar.”
    Para o antropólogo, que sofreu adolescente o Maracanazo de 1950, a conquista da primeira Copa pelo Brasil, em 1958, foi mesmo terapêutica, mas não curou o mal de vez. “Como o próprio Nelson Rodrigues conta em outra crônica, no dia seguinte à conquista de 1958 um país de analfabetos saiu às ruas para comprar todos os jornais sobre a Copa. Aquela vitória deu ao Brasil a vestimenta de que éramos bons em algo universal.” Mais que isso, afirma DaMatta, o futebol “amaciou e pulverizou” ideias sobre a superioridade de raças e classes sociais. “O fato de um jogador nascido na favela ganhar mais que um médico instruído tem um efeito extraordinário numa sociedade tão desigual como a nossa.”
    Outros olheiros do time Brasil preocupam-se com a ideia de que dar uma caneta em campo tenha mais valor que um canudo na escola. Num artigo publicado em 2011, O Complexo de Inferioridade do Brasileiro, Humberto Mariotti, professor da Business School São Paulo, põe na marca do pênalti a precariedade da formação no País: “Nossa única profissão exportável, mesmo assim não qualificada pela educação formal, é, como todos sabem, a de futebolista”. E chama a atenção para o baixíssimo nível do português escrito nos comentários de internet – exemplo da inserção capenga do brasileiro no mundo globalizado e digital. “O que nos torna humanos é a palavra, o entendimento. Se ela nos falta, se somos analfabetos funcionais, não é possível liberar as potencialidades de cada um. A causa da baixa autoestima no País é o baixo investimento em educação, sem o qual a percepção do brasileiro será sempre de que todos os outros povos lhe são superiores.” A ver, ainda, em que nível se dará a interação popular com os turistas estrangeiros que estão chegando para a Copa.
    “Queremos que o mundo conheça o brasileiro do jeito que a gente é”, declarou Lula recentemente, com sua incomparável capacidade de contemporizar. Mas será que sabemos de que jeito (no caso, jeitinho) a gente é? Ou esperamos descobrir a “verdade” nos olhos de quem nos vê? 
    Eis a questão para a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, autora de O Espetáculo das Raças – Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil do século XIX e organizadora de Um Enigma Chamado Brasil (ambos pela Companhia das Letras), entre outros livros. “A identidade de um povo é uma construção social que está sempre se modificando. É um jogo de espelhos que se constitui de dentro para fora e de fora para dentro”, explica ela. Professora da USP e da Universidade Princeton, nos EUA, ela diz ter sentido na pele as oscilações da nossa imagem no exterior, com reflexos equivalentes na autoestima nacional. 
    “Na primeira vez em que fui lecionar fora ainda éramos o país exótico, do samba, da capoeira e do Zé Carioca. Depois, viramos o país das favelas, motivo de preocupação. E, nos últimos anos, o B dos Brics, a periferia que virou centro, a bola da vez”, conta. “Conforme o momento, minhas aulas lotavam ou esvaziavam”, diverte-se. Para a professora, o Brasil atual “viveu uma bolha, que estourou”, gerando um desencantamento quase infantil com nós mesmos. 
    “A impressão que dá é que a identidade, que sempre esteve em jogo no Brasil, vive um momento de grande polarização agora.” E cita a gangorra do Brasil fim-de-mundo versus Brasil-paraíso que se sucede indefinidamente na história: no século 16, quando o viajante português Gândavo desconfiava dos nativos do Novo Mundo, “homens sem fé, sem lei e sem rei”; o Brasil-éden retratado pelos viajantes franceses Debret e Taunay no século 18; as teorias raciais que o viam como “laboratório degenerado de raças” no século 19; reabilitado outra vez nos anos 1930, por Gilberto Freyre e sua “democracia racial”, o melting pot que serviria de exemplo ao mundo do pós-guerra devastado pela intolerância. 
    Jogo jogado, pois. Como, de resto, a partida disputada nas ruas por manifestantes e grevistas às vésperas do apito inicial da Copa, dia 12 de junho. Problema que remonta aos protestos desse mesmo mês no ano passado e que, para outros analistas, vai além da disputa de imagens e autoimagens sobre o Brasil. “Falta água! Quer coisa mais básica do que isso?”, pergunta o cientista político Carlos Melo, fazendo coro à provocação feita por Dilma ao governador Geraldo Alckmin na quinta-feira. Jogo de empurra do qual ninguém sai bonito, garante o professor do Insper: “Do outro lado, o partido no poder em Brasília, que está também na prefeitura da maior cidade do País, é incapaz de antecipar, com a Abin ou com sua dita base sindical, que um dos setores mais estratégicos para a boa realização da Copa, o sindicato dos motoristas de ônibus, ia rachar?”
    “O problema com a Copa é um problema com a política”, resume Melo, para quem a presidente teve razão na resposta dada a Ronaldo sobre o complexo de vira-latas, “mas é corresponsável, como todos nós, pela volta desse sentimento”. Quanto a Ronaldo, “ele pode até ter dito uma verdade, mas Romário é quem tem razão ao dizer que não se muda de lado no meio do jogo”. 
    E o que será do país do futebol após o apito final no Maracanã? É o que tenta responder a coletânea de artigos Brasil em Jogo – O que Fica da Copa e das Olimpíadas?, que a editora Boitempo leva às livrarias esta semana. Para o também cientista político Antonio Lassance, pesquisador do Ipea e autor de um dos ensaios do livro, os governos, tanto estaduais quanto o federal, não souberam se comunicar: “Eles demoraram a mostrar o que havia de bom e fugiram do debate sobre os problemas. A população não perdoa nem uma coisa, nem outra”. Para ele, no entanto, o movimento anti-Copa escolheu o alvo errado. “Não se boicota um evento esportivo, por mais justas que sejam as razões. Cito como exemplo a Olimpíada da Alemanha, em 1936, em pleno nazismo. Se tivesse havido boicote, Jesse Owens (o velocista negro norte-americano) não teria tirado dos nazistas as medalhas que eles aguardavam ansiosamente para ilustrar o mito da supremacia ariana.”
    Já o professor do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ, José Sergio Leite Lopes, em outro artigo de Brasil em Jogo, vê com bons olhos toda essa agitação na geral. “Em vez das esperadas vantagens monetárias, a Copa fez surgir uma economia moral, um catalisador de reivindicações que talvez seja um de seus legados mais interessantes”, diz. 
    Entre os eventuais legados da Copa de 2014, o mais disputado será o das urnas nas eleições presidenciais. E, nesse campo, os times já se movimentam freneticamente. Na opinião de Carlos Melo, pouco importa se a seleção ganha ou não o hexa, pois a avaliação que vai se fazer após o torneio “não é necessariamente esportiva, mas o saldo organizativo e de imagem da Copa”. A essa altura do campeonato, acredita ele, o saldo para Dilma será, na melhor das hipóteses, neutro – um empate, digamos assim. Tampouco será fácil para a oposição levar vantagem, pois tanto Aécio quanto Eduardo Campos tomaram parte da organização em seus Estados e “terão de encontrar a justa medida para suas críticas”.
    E, já que falamos o tempo todo em Nelson Rodrigues, Melo arrisca suas próprias metáforas futebolísticas: “A final de 1958 tem uma imagem muito forte. Aos 4 minutos de jogo, o Brasil toma o primeiro gol da Suécia e a sombra do fracasso de 1950 bate à porta novamente. Então, Didi pega a bola dentro das redes, ergue a cabeça e vai até o meio-campo com ela debaixo do braço. O Brasil vira o jogo e acaba vencendo por 5 a 2. Hoje, falta na política brasileira um Didi, alguém que organize o País. Mas falta também um time à altura daquela Seleção de 58. A verdade é que, em todos os partidos, com raríssimas exceções, só tem zagueiro que dá chutão, num grande campeonato de várzea nacional”.