Só os artistas salvam a imagem do Brasil no exterior
A imagem do país lá fora anda um horror. E a indicação do filhão EduardoBolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos, fazendo com que o Brasil se nivelasse a ditaduras africanas e árabes, só faz piorar a situação. Por sorte, alguns artistas nos limpam a barra. Foi assim com João Gilberto: seu talento e sua importância foram lembrados no mundo todo, com declarações de verdadeiros chefes de Estado e a homenagem de um minuto de silêncio feita pela Unesco.
Até setembro, Burle Marx (1909-1994) é motivo de exposição em Nova York, a maior já dedicada ao paisagista e também a maior já promovida pelo Jardim Botânico de lá. Um mundo de samambaias, bromélias, palmeiras e outras plantas tropicais. O curioso é que, como contou o repórter Tony Goes na Ilustrada, os visitantes se dizem atraídos pelas preocupações ecológicas de Burle Marx —o que o torna quase um inimigo do atual governo brasileiro. Burle, o marxista?
Depois do golpe de 1964, o artista foi convidado pelos militares para integrar o Conselho Federal de Cultura. Aceitou, para atuar como ativista do meio ambiente. Candidato ao título de Patrimônio Cultural Mundial da Unesco, o Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba —407 mil metros quadrados onde está reunida uma coleção botânico-paisagística com mais de 3,5 mil espécies, muitas das quais ameaçadas de extinção—, é a continuação de sua luta.
Nascido em São Paulo, Burle Marx presenteou o Rio com duas de suas obras mais conhecidas: os projetos do calçadão em Copacabana e dos jardins no aterro do Flamengo. O primeiro está conservado, apesar de uma ou outra pedrinha portuguesa faltando. Já o segundo...
Vegetação descaracterizada, plantio aleatório, lagos sem água, árvores que desapareceram, sujeira por toda parte, infestação de ratos. Mais parece um trailer da autodestruição do país.
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