segunda-feira, 20 de junho de 2011

Geração de resíduos sólidos cresce seis vezes mais do que a população brasileira



Apesar dos avanços constatados, estudo da Abrelpe aponta que a quantidade de resíduos com destinação inadequada aumentou quase dois milhões de toneladas em 2010 relativamente a 2009.

Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, estudo realizado pela Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais e divulgado no dia 26/05/11, durante o Fórum Brasileiro de Resíduos Sólidos, o Brasil produziu quase 61 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) em 2010, o que significa uma média de 378 kg de lixo por ano para cada brasileiro. Este volume é 6,8% superior ao registrado em 2009 e seis vezes superior ao índice de crescimento populacional urbano apurado no mesmo período.


O estudo apresenta o mais completo raio-X do setor e traz os dados mais atualizados do País, com destaque para as regiões geográficas e cada um dos estados da federação, constituindo-se em um verdadeiro mapa do Brasil em termos da geração, coleta, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos urbanos.
 
“Quase 23 milhões de toneladas de resíduos seguiram para lixões e aterros controlados no ano passado, em comparação a 21,7 milhões em 2009”, ressalta o diretor executivo ao acrescentar que esse cenário traz consideráveis danos ao meio ambiente, pois os lixões e aterros controlados não têm qualquer mecanismo adequado de disposição e armazenamento do lixo e apresentam riscos de contaminação do solo e da água.

No que se refere à reciclagem, permanece a tendência de crescimento das iniciativas de coleta seletiva, mas ainda de forma muito lenta. O estudo mostrou que 57,6% dos municípios brasileiros afirmam ter iniciativas de coleta seletiva, em comparação a 56,6% no ano anterior.

“Embora a quantidade seja expressiva, é importante considerar que em muitos casos tais iniciativas resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária à população ou na simples formalização de convênios com cooperativas de catadores para a execução dos serviços”, salienta o diretor executivo da Entidade. Ele acrescenta ainda que há diferenças regionais significativas. “No Sudeste, o percentual de cidades com coleta seletiva é de quase 80%, enquanto que no Centro-Oeste não chega a 30%”.

A principal conclusão do Panorama 2010 é a de que é necessária a adoção imediata no Brasil de um sistema integrado e sustentável de gestão de resíduos sólidos, para fazer frente ao crescimento desenfreado na geração e para garantir um destino adequado à totalidade dos resíduos. “A modernização do setor por meio de novos sistemas e tecnologias se faz necessária para que os objetivos da PNRS sejam alcançados”, recomenda o diretor executivo da ABRELPE.

“O sucesso também está vinculado a uma política mais clara de incentivos e estímulos, tanto do governo federal como dos governos estaduais, para os municípios que, por sua vez, deverão buscar soluções conjuntas e regionalizadas, por meio dos consórcios públicos. Além disso, as soluções devem ser estruturadas com uma perspectiva de longo prazo e plena adequação ambiental, o que demanda investimentos, que podem ser supridos com a adoção do modelo de Parcerias Público-Privadas”, completa.

Coleta de resíduos de construção e demolição cresce 8,7% e preocupa- De acordo com a edição 2010 do Panorama dos Resíduos Sólidos da Abrelpe, os municípios brasileiros coletaram cerca de 31 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD) no ano passado, 8,7% a mais do que em 2009. “Trata-se de um dado preocupante, já que as quantidades reais são ainda maiores, visto que os municípios em geral coletam somente os RCD abandonados ou indevidamente lançados em logradouros públicos. Isso porque a responsabilidade pela coleta e destinação final desse tipo de resíduo é do gerador”.
Fonte: Portal Fator Brasil | 24 de abril de 2011

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combustível que dá em árvore


Pesquisadores da USP descobrem que casca de eucalipto pode gerar etanol

POR JOÃO RICARDO GONÇALVES
Rio - ‘Antes de imprimir, pense no Meio Ambiente’. A frase já virou até clichê na assinatura de e-mails, mas demonstra a preocupação de muita gente com o fato de que, por mais que a indústria invista no reflorestamento, papel utilizado significa a derrubada de árvores. Cientistas da USP encontraram uma maneira de minimizar as perdas ambientais desse processo, transformando as cascas de eucaliptos em combustível.

Uma pesquisa feita na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, mostrou que é possível transformar uma tonelada de cascas em 200 quilos de açúcares que, após processos químicos, podem gerar cerca de 100 litros de etanol.
 
O rendimento do processo de produção do etanol a partir dos resíduos de eucaliptos, por hectare, equivale aproximadamente a metade do de álcool de cana-de-açúcar. Ainda assim, a descoberta é considerada uma vitória, por oferecer nova alternativa ao álcool tradicional e evitar mais desperdícios na produção de papel.

As experiências, que fazem parte da tese de doutorado de Juliano Bragatto, orientada pelo professor Carlos Alberto Labate, da Esalq, ainda não terminaram. Os pesquisadores estão testando um maior número de variedades de eucalipto, para verificar com exatidão a composição química das cascas e a quantidade de açúcar disponível. “A ideia do estudo foi achar uma maneira de aproveitar matéria-prima que poderia virar gás carbônico na atmosfera”, afirma Labate.

O trabalho dos pesquisadores da USP teve o apoio de uma indústria de papel e celulose, que forneceu os resíduos de eucalipto. No Brasil, existem mais de 4,5 milhões de hectares deste tipo de árvore. Cada 30 milhões de toneladas de madeira geram sete milhões de toneladas de casca de eucaliptos, o que mostra que há muito potencial para o novo combustível. Resíduos da casca recém-extraída geram combustível de ainda melhor qualidade. 

Apesar de ser considerado um líder no mundo quando o assunto é a produção de etanol, o Brasil teve que importar mais de 150 milhões de litros do álcool dos EUA, que é feito de milho. Um dos motivos foi a alta nas vendas de carros flex. 

Mesma tecnologia para bioplásticos

Já se sabe também que a mesma tecnologia ajudará a aproveitar as cascas de outras maneiras, além da produção de combustível: o açúcar que vira matéria-prima do novo etanol também poderá ser aproveitado na produção de bioplásticos, por exemplo. Segundo a USP, as conclusões do estudo deverão ser publicadas em um artigo científico, em veículo internacional ainda a ser definido.

Ribeirão Preto investe em sustentabilidade

Sábado, 18 de Junho de 2011 - 21h25

Ribeirão Preto investe em sustentabilidade

Ecopontos para resíduos, lotes para quem respeita normas ambientais e futuro parque tecnológico são alguns exemplos

Luciene Garcia
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Com pouco mais de 600 mil habitantes, Ribeirão Preto se prepara para conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Para isso, conta com a colaboração de empresas e da população. O desafio é integrar práticas que não agridam o meio ambiente e o social.
Uma das iniciativas prevê a instalação de nove ecopontos de coleta de resíduos da construção civil na cidade. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento pela prefeitura, mas o primeiro deles, que servirá de modelo para os outros oito ecopontos, deve ser instalado no segundo semestre.
Segundo o secretário da Casa Civil da prefeitura, Layr Luchesi Junior, a iniciativa tem o apoio de setores ligados à construção civil e o debate será ampliado. "O projeto depende de investimentos  e as discussões avançam com o apoio dos segmentos", informa.
A terceira etapa do Distrito Empresarial de Ribeirão Preto, segundo Luchesi, também terá rigor na instalação de empresas no local. No segundo semestre deste ano, 116 lotes deverão ser colocados à venda para empresas, desde que elas respeitem as normas ambientais vigentes.
Nesta fase são 605 mil metros quadrados com leilão público. A oferta mínima é de R$ 110 o metro quadrado. A área, que fica na zona Norte, tem quase 1,5 milhão de metros quadrados e duas etapas já foram comercializadas.
Atualmente, 22 empresas estão em funcionamento e outras 26 constroem os seus galpões. As restrições ambientais são para empresas que poluem o ar ou que afetem as águas do Rio Pardo.
Sacolinhas
Ribeirão Preto assinou um acordo com a associação que representa os supermercados em São Paulo para banir o uso das sacolas plásticas dos estabelecimentos comerciais.
A entidade representa 200 estabelecimentos do setor e estabelece a proibição a partir de 1º de janeiro de 2012. Os supermercados terão que disponibilizar sacolas recicláveis para a venda ou comercializar a R$ 0,19 a unidade. O projeto ainda depende de aprovação da Câmara dos Vereadores para virar lei.
Por ano, os consumidores de Ribeirão Preto descartam perto de 40 milhões de sacolas. A meta é reduzir em 5% o descarte anual.