Notícia de presente
A vocação de perfectibilidade da espécie humana acalentou sonhos e nutriu projetos. Acreditou-se que a humanidade se aprimoraria a cada estágio da História e que depois de milênios de experiência neste planeta, atingisse um nível ético superior ao das fases iniciais.
Não foi isso o que ocorreu. Numa evidente involução, o retrocesso moral atingiu todas as camadas da chamada “civilização”. A cobiça, a ganância, o egocentrismo em sua maior potência, a insensibilidade e outras companhias indesejáveis fizeram morada no coração dos líderes. Não de todos, é certo, mas daqueles cujo poder de influência gera contaminação em massa.
O resultado é a descrença que as instituições brasileiras fizeram medrar na consciência de quem não perdeu de todo a capacidade de discernir.
No Brasil, o problema é mais agudo. Somos o país campeão da desigualdade social. Há muita miséria e exclusão. E a educação permaneceu no medievo, empenhada em fazer o educando decorar informações que hoje estão disponíveis com atualidade e sedução muito maiores do que a de qualquer desprestigiado professor.
Para você
Tudo degringolou. Alguns falam em crise dos “Ps”: Pai, Padre, Pastor, Professor. Todos eles foram desprestigiados. E as redes sociais, poderosas e manipuladoras, são as responsáveis pelo efeito manada que faz legiões acompanharem líderes desprovidos de conteúdo, mas capazes de iludir a massa ignara e fazê-la se comportar de maneira próxima à selvageria.
Onde está a “sociedade do ócio” de Domenico De Masi? Qual o resultado da edificação da sociedade justa, fraterna e solidária prometida pelo constituinte de 1988? Em que patamar ético se encontra o Brasil de hoje?
A polarização política ergueu barreiras entre famílias. Separou amigos e substituiu o convívio pela disseminação de mensagens chulas, cruéis, embora revestidas de recursos da IA - Inteligência Artificial e atraentes para dominar as mentes fanáticas.
Não seria o momento de se proceder a uma radical reforma política no País que retrocedeu desde o golpe republicano?
Algo que nasceu de um gesto de traição partido de quem fruía da amizade e da confiança de um magnânimo estadista, que ainda não teve sucessor nesta Terra de Santa Cruz, não poderia mesmo dar certo.
A República tupiniquim é uma sucessão de frustrações, cada vez desiludindo ainda mais os que nela confiaram. Para redimir a boa intenção de quem foi republicano raiz, na certeza de propiciar aos brasileiros um regime democrático e propiciador de um saudável protagonismo individual, seria conveniente uma verdadeira revolução política.
Ela começaria por tornar o voto facultativo. Não faz sentido obrigar aquele que não quer participar do que considera uma farsa melancólica, a se locomover no dia das eleições e votar nulo ou em branco. Faria mais sentido deixar na discricionariedade livre do cidadão votar ou não.
Em seguida, as eleições deveriam ser inteiramente eletrônicas. Votar pelo celular ou pelo laptop, pelo computador pessoal ou por qualquer outra bugiganga eletrônica disponível. Se podemos transferir dinheiro com um clique, por que não poder eleger também desse modo?
A economia no grande espetáculo das eleições ensejaria adoção de sistemas inteligentes de segurança cibernética, para inviabilizar o mau uso dessa faculdade. Somente quem trabalha diretamente no preparo e realização de eleições conhece as agruras de requisição de edifícios que precisam ser adaptados, obrigando seus funcionários a um trabalho forçado e gratuito, para o desfile de um eleitorado constrangido, irritado, ressentido – e com razão – por se ver na condição de comparecimento sem escapatória, para explicitar sua vontade que pode ser exercida de forma eletrônica. Sem os embaraços do comparecimento pessoal.
Para tornar a reforma ainda mais positiva, o financiamento da propaganda eleitoral deveria ser espontâneo e a cargo dos filiados aos partidos. Não é moral empregar dinheiro de um povo espoliado, sofrido, sem saneamento básico, sem saúde e educação de qualidade, para custear o festival medíocre do enaltecimento de figuras heterogêneas, muitas delas pífias e inferiores.
É utopia acreditar que os beneficiários de um sistema iníquo e falível possam promover transformações que atendam ao interesse coletivo, já que a atuação de quase todos é perpetuar a profissão que escolheram: a política partidária. Que está na mesma situação de descrédito das demais instituições nacionais. Mas é preciso sonhar, para não se refugiar na loucura, aparentemente menos nefasta do que a realidade brasileira neste 2026.






