segunda-feira, 18 de maio de 2026

Como foi que nos perdemos?, José Renato Nalini, OESP

 Notícia de presente

A vocação de perfectibilidade da espécie humana acalentou sonhos e nutriu projetos. Acreditou-se que a humanidade se aprimoraria a cada estágio da História e que depois de milênios de experiência neste planeta, atingisse um nível ético superior ao das fases iniciais.

José Renato Nalini defende uma revolução política, com voto facultativo e eleições inteiramente eletrônicas
José Renato Nalini defende uma revolução política, com voto facultativo e eleições inteiramente eletrônicas Foto: Júlia Pereira/Estadão

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Não foi isso o que ocorreu. Numa evidente involução, o retrocesso moral atingiu todas as camadas da chamada “civilização”. A cobiça, a ganância, o egocentrismo em sua maior potência, a insensibilidade e outras companhias indesejáveis fizeram morada no coração dos líderes. Não de todos, é certo, mas daqueles cujo poder de influência gera contaminação em massa.

O resultado é a descrença que as instituições brasileiras fizeram medrar na consciência de quem não perdeu de todo a capacidade de discernir.

No Brasil, o problema é mais agudo. Somos o país campeão da desigualdade social. Há muita miséria e exclusão. E a educação permaneceu no medievo, empenhada em fazer o educando decorar informações que hoje estão disponíveis com atualidade e sedução muito maiores do que a de qualquer desprestigiado professor.

Tudo degringolou. Alguns falam em crise dos “Ps”: Pai, Padre, Pastor, Professor. Todos eles foram desprestigiados. E as redes sociais, poderosas e manipuladoras, são as responsáveis pelo efeito manada que faz legiões acompanharem líderes desprovidos de conteúdo, mas capazes de iludir a massa ignara e fazê-la se comportar de maneira próxima à selvageria.

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Onde está a “sociedade do ócio” de Domenico De Masi? Qual o resultado da edificação da sociedade justa, fraterna e solidária prometida pelo constituinte de 1988? Em que patamar ético se encontra o Brasil de hoje?

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Política
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A polarização política ergueu barreiras entre famílias. Separou amigos e substituiu o convívio pela disseminação de mensagens chulas, cruéis, embora revestidas de recursos da IA - Inteligência Artificial e atraentes para dominar as mentes fanáticas.

Não seria o momento de se proceder a uma radical reforma política no País que retrocedeu desde o golpe republicano?

Algo que nasceu de um gesto de traição partido de quem fruía da amizade e da confiança de um magnânimo estadista, que ainda não teve sucessor nesta Terra de Santa Cruz, não poderia mesmo dar certo.

A República tupiniquim é uma sucessão de frustrações, cada vez desiludindo ainda mais os que nela confiaram. Para redimir a boa intenção de quem foi republicano raiz, na certeza de propiciar aos brasileiros um regime democrático e propiciador de um saudável protagonismo individual, seria conveniente uma verdadeira revolução política.

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Ela começaria por tornar o voto facultativo. Não faz sentido obrigar aquele que não quer participar do que considera uma farsa melancólica, a se locomover no dia das eleições e votar nulo ou em branco. Faria mais sentido deixar na discricionariedade livre do cidadão votar ou não.

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Em seguida, as eleições deveriam ser inteiramente eletrônicas. Votar pelo celular ou pelo laptop, pelo computador pessoal ou por qualquer outra bugiganga eletrônica disponível. Se podemos transferir dinheiro com um clique, por que não poder eleger também desse modo?

A economia no grande espetáculo das eleições ensejaria adoção de sistemas inteligentes de segurança cibernética, para inviabilizar o mau uso dessa faculdade. Somente quem trabalha diretamente no preparo e realização de eleições conhece as agruras de requisição de edifícios que precisam ser adaptados, obrigando seus funcionários a um trabalho forçado e gratuito, para o desfile de um eleitorado constrangido, irritado, ressentido – e com razão – por se ver na condição de comparecimento sem escapatória, para explicitar sua vontade que pode ser exercida de forma eletrônica. Sem os embaraços do comparecimento pessoal.

Para tornar a reforma ainda mais positiva, o financiamento da propaganda eleitoral deveria ser espontâneo e a cargo dos filiados aos partidos. Não é moral empregar dinheiro de um povo espoliado, sofrido, sem saneamento básico, sem saúde e educação de qualidade, para custear o festival medíocre do enaltecimento de figuras heterogêneas, muitas delas pífias e inferiores.

É utopia acreditar que os beneficiários de um sistema iníquo e falível possam promover transformações que atendam ao interesse coletivo, já que a atuação de quase todos é perpetuar a profissão que escolheram: a política partidária. Que está na mesma situação de descrédito das demais instituições nacionais. Mas é preciso sonhar, para não se refugiar na loucura, aparentemente menos nefasta do que a realidade brasileira neste 2026.

TCM de SP cria 'sala do clima' para fiscalizar investimentos, FSP

 

São Paulo

Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) instituiu uma "sala do clima", um espaço com estrutura para acompanhar as políticas públicas e os investimentos da prefeitura em ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Homem idoso de cabelos grisalhos e expressão facial animada veste terno preto, camisa azul clara listrada e gravata azul. Ele conversa com mulher de cabelos loiros, vista de costas, em ambiente interno com iluminação suave e pessoas ao fundo.
Conselheiro e presidente do TCM-SP, Domingos Dissei - Marlene Bergamo - 14.nov.25/Folhapress

A iniciativa inédita entre os tribunais de contas partiu do conselheiro Domingos Dissei, que preside o órgão em São Paulo. E não haverá gastos extras com a implementação do espaço.

Sob a coordenação do ex-vereador e ambientalista Gilberto Natalini, servidor comissionado do TCM, a sala deve produzir estudos, análises e indicadores técnicos que possam subsidiar a atuação fiscalizatória do órgão. Ela é fruto de uma parceria com o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA‑USP).

Uma das ações da sala, por exemplo, é acompanhar a execução do orçamento climático da gestão Ricardo Nunes (MDB), em R$ 29 bilhões, previsto no plano plurianual (2026 a 2029).

Banco ligado à Universal cedeu à empresa carteira de financiamentos que tinha até carro roubado, OESP

 Em mais um movimento que tirou ativos podres de seus balanços, o banco Digimais, do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, cedeu uma carteira de financiamentos veiculares que incluía até contrato rescindido judicialmente porque o carro vendido era roubado. A carteira foi repassada a um pastor de outra igreja em um negócio complexo envolvendo fundos de investimentos. Em troca, o banco devia investir em um negócio que envolvia a venda de imóveis por meio de crédito consignado. Mas o banco não teria depositado cerca de R$ 30 milhões prometidos.

O bispo Edir Macedo: seu banco repassou carteiras alta inadimplência em financiamento de carros
O bispo Edir Macedo: seu banco repassou carteiras alta inadimplência em financiamento de carros  Foto: Divulgação

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Como mostrou o Estadão, nos últimos dois anos, o banco repassou centenas de milhões de reais em carteiras que dariam prejuízo a fundos de investimentos dos quais o Digimais é o próprio cotista. A manobra dificultou o trabalho de auditores independentes e fez com que eles não conseguissem tirar conclusões sobre pelo menos R$ 3 bilhões em investimentos do banco, que declarou lucro de módicos R$ 31 milhões em 2025.

As principais carteiras envolvidas nessas transações com fundos são as de financiamentos de veículos de carros. Como mostrou o Estadão, somente uma delas tem inadimplência que beira os 50% dos financiamentos - percentual considerado crítico no mercado. Não são só os maus pagadores. Como o banco financia carros usados, alguns bem antigos, há um alto índice de processos em que os compradores pedem rescisão dos contratos.