segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A direita sem sucessor: por que todos dependem de Bolsonaro, FSP

 

A eleição presidencial pode depender da escolha feita por um ex-presidente popular que está preso e ainda conserva um enorme capital político. Nos bastidores, a disputa está entre um núcleo ideológico mais duro versus uma indicação de um nome mais ao centro, com trajetória administrativa e experiência prévia como ministro desse ex-presidente, alguém que também já governou um dos principais estados do país. Essa poderia ser tranquilamente a descrição do cenário de 2018 envolvendo Ciro Gomes, que despontava como alternativa à esquerda. Mas, desta vez, estamos falando de Tarcísio de Freitas.

Dois homens estão lado a lado em frente a uma porta escura. O homem à esquerda veste terno escuro e camisa azul, enquanto o da direita usa camiseta branca e calça jeans, com a mão no bolso.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, recebe o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em sua residência - Diego Herculano - 29.set.25/Reuters

Em 2018, Ciro chegou a liderar cenários que o levariam ao segundo turno, mas rapidamente perdeu espaço quando Fernando Haddad passou a incorporar o capital político de Lula, tornando-se o candidato natural do campo petista. A dinâmica revela um risco evidente para 2026: um nome de centro-direita competitivo pode simplesmente não se sustentar se não receber, no momento decisivo, a transferência explícita de apoio de Jair Bolsonaro.

Na semana passada, Flávio Bolsonaro acelerou os movimentos para se lançar candidato à Presidência. Ao mesmo tempo, Eduardo Bolsonaro, nos EUA e cada vez mais hostil à ideia de Tarcísio disputar 2026, passou a exercer pressão abertamente contra o governador. A sinalização de que apoiaria o irmão como alternativa reorganiza o campo bolsonarista e reabre a disputa pelo espólio político da família.

Palver analisou as mensagens publicadas ao longo de novembro em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp para medir exclusivamente como a base bolsonarista discute os possíveis sucessores do ex-presidente em 2026. O resultado é inequívoco: Jair Bolsonaro segue concentrando entre 63% e 76% das menções quando o assunto é a disputa presidencial, mesmo preso e juridicamente fragilizado.

O espaço restante é ocupado quase inteiramente pelos filhos de Bolsonaro, especialmente Eduardo e, mais recentemente, Flávio, enquanto Michelle, que é a figura mais fraca entre os nomes associados ao ex-presidente, aparece de forma residual. Tarcísio surge de maneira mais consistente do que Flávio e muito acima de Michelle, mas ainda assim oscila entre 8% e 12%.

Tarcísio é hoje o principal nome para herdar a direita sem o sobrenome Bolsonaro. E é justamente esse o ponto central revelado pelos dados: em uma disputa sucessória travada dentro da própria família, nenhum candidato externo consegue romper a barreira simbólica que organiza o bolsonarismo. Para que Tarcísio se torne competitivo em um segundo turno, não basta ser o preferido do centro, nem ter bom desempenho administrativo. Depende de uma transferência explícita de Jair Bolsonaro, única figura capaz de reorganizar a base digital e redistribuir o capital político acumulado desde 2018.

Pesquisas apontam que o voto bolsonarista em primeiro turno oscila entre 30% e 40%. Se esse espólio se fragmentar entre herdeiros, a direita bolsonarista corre o risco de não levar ninguém ao segundo turno. Os dados do WhatsApp mostram que, sem uma indicação clara de Jair Bolsonaro, a base se dispersa entre filhos e aliados, e qualquer candidatura alternativa permanece confinada ao mesmo patamar estreito e estável onde Tarcísio se encontra hoje. Em outras palavras, a sucessão de 2026 deixará de ser apenas uma disputa interna para se tornar um risco eleitoral real: a direita só será competitiva se Bolsonaro decidir quem é, de fato, seu herdeiro.

Sérgio Buarque viu em Drummond o poeta da vida que 'não presta', FSP

 Quando Carlos Drummond de Andrade completou 50 anos, Sérgio Buarque de Holanda escreveu sobre o poeta mineiro um ensaio que ia além do óbvio. O historiador não via apenas humor e ironia —via o drama da vida moderna, onde gestos e palavras perderam "o calor primitivo".

Homem idoso com óculos escuros e casaco claro está sentado em poltrona, estendendo a mão direita à frente. Atrás dele, estante cheia de livros em ambiente interno.
O escritor e historiador Sérgio Buarque de Holanda - Cícero O. Netto - 11.fev.1982/Folhapress

"O artifício dos intercâmbios, das acomodações de superfície, do espetáculo diário e convencional, envolvendo e procurando a todo instante sobrepujar o que na vida há de mais vivo, mais íntimo: esse é o tema constante de Carlos Drummond de Andrade", escreveu em artigo publicado na Folha da Manhã, nos anos 1952.

No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Noite para dar origem à Folha.

O autor de "Raízes do Brasil" identificou em Drummond um pessimismo radical, sem romantismo. A desumanização que o poeta registrava.

Buarque de Holanda notou ainda a obsessão drummondiana por palavras que evocavam o mineral no orgânico: unhas, dentes, pestanas. Elementos que, na poesia, se associavam aos "artigos mecânicos que contribuem para minar a carne e o ritmo natural da vida".

Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

O mineiro Drummond (13/11/1952)

A mesma paisagem que emudeceu diante de Cláudio Manuel da Costa, sempre enleado com as ninfas do Mondego, e que Alphonsus povou de santos, de sinos, de hinos mais medievais do que barrocos ou rococós, reservou-se intacta do outro grande poeta de Minas Gerais. Não é, entretanto, a presença física ou simplesmente decorativa da paisagem mineira o que importa em Carlos Drummond de Andrade, mas alguma coisa de mais fundamental que, esquivando-se, embora, a qualquer tentativa de descrição e definição, pôde impor-se já aos seus primeiros leitores.

A ação daquela terra itabirana onde o poeta nasceu há meio século – "Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação" – não seria tão absorvente se não significasse, por sua vez, a presença de um passado continuamente vivo e atenuante. A fidelidade implacável, ainda que nem sempre visível, à imagem doméstica, emergindo "da névoa, das memórias, dos baús atulhados, da monarquia, da escravidão, da tirania familiar", irá compor, em verdade, a trama essencial de toda a sua obra.

Até aqui, porém, nada há de verdadeiramente dramático. O drama principia onde, sobre esse fundo ancestral e íntimo, se projetam os imperativos de uma existência aparentemente conversável, mas onde as palavras, os gestos, as práticas perderam o calor primitivo e tendem, cada vez mais, a mecanizar-se, burocratizar-se, num automatismo quase inumano.

Para uma tal existência, aquela obstinada fidelidade aos velhos ritos terá o efeito de uma tara congênita, de um pecado original irremissível. O contraste resolve-se, sem dúvida, em poesia, mas poesia onde todos os antagonismos permanecerão indenes. Nada tão ilusório como esperar-se uma fuga no passado ideal, no sonho, na fantasia, na "poesia", de quem certa vez chegou a confessar: "O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes..."

O traço próprio desta obra está precisamente em que ela não se insere em nenhuma das categorias estáveis, a do "poético", por exemplo, ou a do prosaico; a do sério ou a do frívolo, que servem, quando muito, para os classificadores e os críticos, mas guarda em si, ao contrário, os mais díspares elementos. Todos estes elementos – a livre emoção, tanto quanto o falsete e a reserva irônica, a "piada" assim como o mais puro lirismo – representam, na verdade, partes necessárias, inseparáveis de um mesmo conjunto e que, reunindo-se, não se temperam ou se confundem, antes se destacam e se valorizam por obra do seu mesmo contraste.

O artifício dos intercâmbios, das acomodações de superfície, do espetáculo diário e convencional, envolvendo e procurando a todo instante sobrepujar o que na vida há de mais vivo, mais íntimo, mais isento de compromissos externos, e que parece vir do fundo dos tempos: esse é o tema constante de Carlos Drummond de Andrade. Falou-se demasiado no humor do poeta e não sei, de fato, quem, melhor do que ele, saiba exprimir, interpretada com alguma liberalidade, a definição célebre: "o mecânico implantado, colado sobre o vivo", "du mécanique plaqué sur le vivant".

Em certas aparências mais grosseiras que a fala do anjo torto no pórtico de um dos seus livros não deixa de sugerir, ele ainda faria evocar aquelas outras palavras do filósofo sobre a obstinação dos que, sujeitos a um só e invariável ritmo, ficam desamparados diante do menor obstáculo.

"Une pierre était peut-être sur le chemin. Il aurait fallu changer d’allure ou tourner l’obstacle…
[Havia uma pedra no caminho. Seria preciso alterar o passo, ou contornar o obstáculo...]"

Contudo, essas formas de inibição e timidez, se representam, talvez, um ingrediente necessário na obra, em toda a personalidade de Drummond, estão longe de dar acesso aos seus aspectos mais significativos. Seria preciso acrescentar-lhes, notou o Mário de Andrade, uma sensibilidade e uma inteligência apuradíssimas, virtudes que o absolveriam de todos os pecados da timidez. Eu diria sobretudo que ele trouxe consigo de nascença ou – quem sabe? – de seu mundo itabirano, o veneno e também o antídoto da timidez: essa autocrítica implacável, espécie de inteligência da sensibilidade, que impede a menor manobra em falso. Mesmo a timidez, no sentido corrente da palavra, não sei se explicaria muita coisa desta poesia. Em realidade toda timidez descansa naturalmente sobre o sentimento da própria precariedade, e sabemos que nada há de um tal sentimento os romantismos de todos os tempos.

Mas Drummond é em muitos pontos, neste particularmente, o contrário de um romântico. Ele não quer comprazar-se no malogro, nem se lamenta sobre as dores do mundo, nem –salvo por exceção– chega a sonhar com algum paraíso futuro. Seu pessimismo radical não se detém ao menos nas experiências pessoais ou nas formas contingentes. Talvez remediáveis. A desumanização dos homens prisioneiros, cada vez mais, dos gestos públicos e mecânicos em que se submerge a personalidade será apenas em suas formas mais acerbas um mal dos nossos tempos; a verdade, porém, é que só se destina a melhor patentear o segredo que todos sabem: "que esta vida não presta".

Não são somente aquelas dentaduras mecânicas, "engenhos modernos, práticos, higiênicos", que servem para mastigar a "carne da vida", como não é só o cimento armado das casas de apartamento, fechando famílias em células estanques que justifica a notação do poeta:

"O elevador sem ternura
expele, absorve
num ranger monótono
substância humana.

Entretanto de há muito
se acabaram os homens.
Ficaram apenas
tristes moradores."

Pois é bem pouco provável que os mesmos homens se acomodariam tão docilmente à mudança, se já não andassem, por natureza, divididos de si, se não fossem portadores, no espírito e na carne, das marcas do mal.

Não é, talvez, por acaso, se entre as palavras-chave desta poesia ocupam tão largo espaço as que podem evocar tudo quanto, no orgânico, tem aparência menos orgânica, mais "mineral": as unhas, os dentes, as pestanas, os bigodes. As unhas principalmente, equiparáveis e associáveis, não raro, pelo efeito ou posição no contexto, a esses mesmos artigos mecânicos que contribuem para minar a carne e o ritmo natural da vida: "pensando com unha, plasma, fúria, gilete..." ("O Mito"); "sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas" ("Morte no Avião"); "os olhos no relógio, fascinados, ou as unhas brotando em dedos frios" ("Visão 1944"); "cortaremos o piano em mil fragmentos de unha?" ("Onde Há Poucas Palavras")...

Anac impõe em decisão unilateral inclusão de 189 terrenos em concessão de Viracopos, FSP

 A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) decidiu, de forma unilateral, transferir para a concessionária ABV (Aeroportos Brasil Viracopos) 189 terrenos localizados no entorno do aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

Na prática, a medida amplia o inventário de bens que devem ser administrados pela concessionária, mesmo sem sua concordância. A decisão foi imposta em meio a uma disputa bilionária, que se arrasta há anos, sobre a área total do aeroporto e o destino da concessão.

A imagem mostra o interior de um aeroporto moderno, com um grande espaço aberto e tetos altos. Há várias pessoas se movendo com malas, algumas paradas em balcões de check-in. O piso é de cerâmica clara e há colunas estruturais visíveis. Ao fundo, há um grande painel digital com cores vibrantes.
Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, vive impasse bilionário entre concessionária ABV e a Anac - Divulgação /Aeroportos Brasil Viracopos

Os espaços formam uma reserva física para futuras ampliações de pátios de aeronaves, faixas de segurança, áreas logísticas e vias internas. Segundo a Anac, a recusa da concessionária em receber os terrenos vinha travando o planejamento de expansão naquele que já é um dos principais centros de transporte aéreo de cargas do país.

Por trás da resistência da ABV está a fragmentação do espaço que a concessionária tinha de ter recebido da União assim que assumiu o contrato. Localizados em regiões distintas, os terrenos acabaram se transformando em uma colcha de retalhos para a empresa administrar, o que significa impossibilidade de exploração econômica imediata e aumento de custos operacionais. A manutenção, a segurança e a eventual desocupação das áreas são responsabilidade da concessionária.

À Folha a Anac declarou que, conforme determina o contrato, cabe à concessionária receber e proteger as áreas desapropriadas. "No entanto, a concessionária vem descumprindo essa regra, negando-se a aceitar o recebimento dessas áreas desde meados de 2019", afirmou.

A agência reguladora disse também que, ao longo desse período, para evitar prejuízos à União e a inviabilidade da expansão do aeroporto, vem repassando essas áreas por meio de termos aditivos unilaterais. "Nenhuma área dita pela ABV como ocupada de forma irregular foi repassada até o momento, e o próximo termo aditivo está em análise pela área técnica da Anac", comentou.

A ABV contesta as informações e afirma que menos de 25% dos 17 quilômetros quadrados previstos na concessão de Viracopos foram entregues até hoje à empresa, o que a impediu de construir, por exemplo, um grande empreendimento imobiliário que estava previsto no projeto original.

Nas estimativas da empresa, cerca de R$ 2 bilhões de receitas frustradas foram contabilizadas neste período devido à falta dos projetos imobiliários.

Em um mapa de satélite, enviado à reportagem pela concessionária, há uma grande área em amarelo logo abaixo dos terminais e pistas do aeroporto. De acordo com a ABV, trata-se de terrenos que deveriam fazer parte da concessão desde o início, mas que não foram entregues até hoje, passados 13 anos de contrato.

Os terrenos pintados de rosa são aqueles que já foram entregues de forma unilateral. As áreas em azul foram repassadas de forma bilateral, ainda segundo a concessionária.

Mapa de Viracopos mostra áreas em amarelo (não entregues até hoje para a concessionária); em rosa (áreas entregues de forma unilateral pela Anac) e em azul (áreas entregues de forma bilateral), segundo a ABV - ABV

A falta de acordo ao longo dos anos resultou em um contrato marcado por desequilíbrios financeiros. Viracopos é o quinto maior aeroporto do país em movimentação de passageiros e o maior em importação de carga.

O aeroporto foi concedido em 2012 para a ABV, uma sociedade formada pela estatal Infraero, que detém 49% de participação, e a empresa ABSA, dona dos demais 51% e composta por três grupos privados: as brasileiras Triunfo e UTC e a francesa Egis Airport Operation.

A concessão tinha prazo de 30 anos, mas passou a apresentar já nos primeiros anos de contrato dificuldades financeiras devido à arrecadação inferior ao esperado e ao alto custo do contrato, com suas parcelas anuais fixas.

Seis anos depois de iniciada sua operação, a ABV entrou com pedido de recuperação judicial, acumulando dívidas de R$ 5,05 bilhões. Naquele mesmo ano, a Anac abriu um processo de extinção do contrato, alegando descumprimento de obrigações, como o não pagamento da outorga anual.

Em 2020, a ABV formalizou o pedido de relicitação do aeroporto junto à Anac, suspendendo o processo de caducidade, com o objetivo de fazer um acerto de contas e transferir o aeroporto para outro dono. A pandemia de Covid-19, porém, atrasou novamente o processo, com o colapso do setor aeroportuário.

Em 2023, a ABV e a Anac chegaram a iniciar tratativas em busca de um possível acordo para manter a concessão e suspenderam a ideia de relicitação, com atuação da secretaria de consenso do TCU (Tribunal de Contas da União). Mas as negociações fracassaram.

O Ministério de Portos e Aeroportos apoia a ideia de renovar a concessão em novos termos. A ABV também demonstra interesse neste caminho, mas tudo depende da decisão de uma câmara arbitral independente que analisa o caso.

Por meio de nota, a ABV declarou que "tem a expectativa de iniciar em breve as negociações com a Anac, visando o reequilíbrio econômico e financeiro do contrato vigente" e que "reafirma seu compromisso com a continuidade da prestação de serviços, objeto da concessão".

Nos cálculos da Anac, a concessionária tem direito a receber uma indenização de ao menos R$ 2,7 bilhões relacionados a investimentos de bens ainda não amortizados, ou seja, bens que ainda não se pagaram integralmente ao longo do tempo de uso previsto em contrato.

Sobre o valor calculado, é preciso descontar todas as dívidas que, segundo a Anac, a empresa acumulou nos últimos anos, como multas contratuais e outorgas, valores que a concessionária paga ao governo para poder explorar o bem público.

A agência afirma que, só de outorgas vencidas, já são mais de R$ 2,4 bilhões até agora. Até dezembro deste ano, outros R$ 473 milhões vão vencer. Há, ainda, quase R$ 1 bilhão em multas a serem pagas, entre outras faturas em aberto. Fechando a conta, de acordo com a Anac, a ABV teria um passivo acumulado com a União de R$ 1,17 bilhão.

Nos cálculos da ABV, porém, o cenário é outro. A concessionária alega que suas indenizações não seriam de R$ 2,7 bilhões, mas sim de R$ 5,7 bilhões. A empresa diz ainda que o governo estaria ignorando cálculos com desapropriações e reequilíbrio do contrato, que colocam mais R$ 2,6 bilhões em jogo. Para a ABV, haveria hoje cerca de R$ 4,5 bilhões a receber da União.