segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Milei assume a Argentina avisando: ‘No hay plata’, MEIO

 


“O fim da noite populista.” Assim Javier Milei se referiu na tarde de ontem, em discurso do balcão da Casa Rosada, a sua posse como presidente da Argentina. Além do tom combativo, seu governo começou com uma quebra de protocolo. Após assinar o termo de posse e receber a faixa presidencial de Alberto Fernández na manhã deste domingo, Milei não discursou no Congresso, como é de praxe. Em vez disso, deixou para falar do lado de fora da sede do Legislativo, onde milhares de apoiadores o aguardavam. Ali, não poupou críticas ao antecessor, dizendo que “nenhum governo recebeu uma gerência tão ruim” quanto a que Fernández lhe estava entregando. “O kirchnerismo, que em seu começo se gabava dos superávits, hoje nos deixa um déficit de 17% do PIB”, afirmou. Ele disse não haver alternativa a um choque econômico e repetiu: “No hay plata” (não há dinheiro). Entretando, Milei procurou dar tom otimista a sua fala. “Hoje começa uma nova era para a Argentina, hoje termina uma longa era de decadência e começamos a reconstrução do país”, disse. Confira os principais pontos do discurso. (Clarín)

A cerimônia teve momentos inusitados. Junto de sua assinatura, Milei escreveu no livro de presença do Congresso “Viva la libertad, carajo”, seu lema de campanha. Mesmo que na Argentina o termo seja menos forte que no Brasil, equivalendo a “caramba”, ainda foi algo inédito. Assim como o gesto obsceno com o qual a ex-vice-presidente Cristina Kirchner reagiu às vaias ao chegar ao Congresso para a posse do adversário político. (g1)

O aperto econômico vai ser anunciado às 8h de hoje pelo novo ministro da Economia, Luis Caputom. A julgar pelo que disse Javier Milei ao longo da campanha, a principal delas será a dolarização da economia como forma de enfrentar a inflação. O novo governo também pretende um reordenamento do Estado e uma redução de 15% nos gastos públicos, além de cortes de impostos e uma reforma trabalhista. (La Nacion)

Em seu primeiro ato como presidente, Milei reduziu de 18 para nove o número de ministérios, extinguindo pastas como Educação, Trabalho, Cultura e Meio Ambiente, que serão absorvidos por outros setores. (Globo)

O presidente Lula não compareceu à posse de Milei, mandando o chanceler Mauro Vieira representá-lo. Evitou uma saia justa. Convidado do novo presidente, Jair Bolsonaro foi ovacionado pelos apoiadores de Milei ao chegar à cerimônia. Em compensação, foi barrado, como conta o Painel, ao tentar se infiltrar na foto com chefes de Estado. (Metrópoles e Folha)

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Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, vão se encontrar na próxima quinta-feira, com a participação do presidente Lula, para discutir a crise sobre a região de Essequibo, que corresponde a 70% do território guianês e é reivindicada por Caracas. O encontro acontecerá na ilha caribenha de São Vicente e Granadinas, cujo primeiro-ministro, Ralph Gonsalves, também tem atuado como mediador da crise entre os dois países. Na manhã de sábado, Maduro conversou por telefone com Lula, que se disse preocupado com a situação e defendeu o diálogo. Horas depois, o venezuelano usou sua conta no X para suavizar o discurso e dizer que a Guiana deveria “sentar e conversar” sobre Essequibo. (g1)

Enquanto isso, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que o reforço de tropas brasileiras em Roraima, que faz fronteira com os dois países, não é uma questão de “se meter em confusão com ninguém”, mas de preservar a segurança da fronteira. “Nosso papel na Defesa é ficar preparado para um incidente diplomático. Cuidamos das nossas fronteiras”, afirmou. (Poder360)

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Por conta dos combates entre Israel e o grupo terrorista Hamas e da quantidade insuficiente de ajuda humanitária, metade da população da Faixa de Gaza está passando fome. O alerta foi feito pelo vice-diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, Carl Skau, acrescentando que nove em cada dez habitantes do território palestino não tem garantido o acesso diário a alimentação. Já Israel diz que o esforço para eliminar o Hamas e resgatar todos os reféns tomados nos ataques de 7 de outubro vai continuar. (BBC)

Um porta-voz do Hamas fez ameaças neste fim de semana, dizendo em transmissão de TV que Israel “não receberá seus prisioneiros com vida sem uma troca” e sem atender às exigências da ‘resistência’, como o grupo terrorista se classifica. Estima-se que 137 israelenses ainda estejam em poder do Hamas. (Guardian)

Para ler com calma. Em setembro, semanas antes de os ataques do Hamas matarem 1.200 pessoas em Israel, David Barnea, chefe do Mossad, esteve no Catar, principal financiador do grupo islâmico, e deu sinal verde em nome do governo israelense para que o país árabe continuasse a mandar dinheiro para Gaza. A aposta de Tel Aviv era que o Hamas preferiria governar a lutar e ainda enfraqueceria a Autoridade Palestina na Cisjordânia. Erro fatal. (New York Times)

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O PT realizou neste sábado em Brasília sua conferência eleitoral e deixou explícitas as divergências entre a presidente da legenda, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os dois participaram de um debate no qual ela defendeu o aumento de gastos públicos para aquecer a economia, mesmo com um déficit de até 2% do PIB. Haddad, que defende um déficit zero no ano que vem, respondeu que um rombo nas contas públicas não significa necessariamente uma economia aquecida. Mas Gleisi não está sozinha. O partido aprovou no evento uma resolução condenando “a ditadura do Banco Central independente” e o que chamou de “austericídio fiscal”. Mais cedo, a deputada já havia defendido o aumento de gastos como forma de manter a popularidade do presidente Lula. “Se a gente baixar a popularidade do presidente, esse Congresso engole a gente. Foi o que aconteceu com a Dilma”, afirmou. (Poder360)

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Um grupo de bolsonaristas protestou na tarde de ontem na Avenida Paulista contra a indicação do ministro da Justiça, Flávio Dino, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O protesto, que ocupou um quarteirão, teve faixas contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes e xingamentos à primeira-dama Janja. Um ato aconteceu também em Brasília, mas com adesão ainda menor, especialmente por conta do calor de 30º C. Dino e Paulo Gonet, indicado à Procuradoria-Geral da República, serão sabatinados na quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. (Folha)

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Viver

A mina 18 da Braskem rompeu em Maceió (AL) neste domingo, confirmou a prefeitura. O desabamento aconteceu sob a lagoa Mundaú, numa área já desocupada (veja imagens de antes e depois). A empresa, por meio de monitoramento, identificou movimentos atípicos de água na lagoa e acionou autoridades. Não há informações sobre danos nem sobre o diâmetro da cratera. O afundamento do solo sobre as minas de sal-gema da Braskem, que já afeta cinco bairros da capital alagoana, acelerou, chegando a 0,54 cm por hora. Maceió está em estado de emergência. (Folha)

E o Senado vai instalar nesta terça-feira a CPI da Braskem. A sessão inaugural, que definirá a presidência dos trabalhos, e nomeará relator e vice-presidente, será dirigida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), autor do pedido de abertura. A CPI vai investigar os impactos da extração de sal-gema pela companhia na capital alagoana. Por enquanto, nove dos 11 integrantes já foram indicados. (Terra)

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O presidente Lula enviou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e o presidente do Incra, César Aldrighi, a Parauapebas (PA) a fim de acompanharem as investigações sobre um incêndio que matou nove pessoas e deixou 37 feridos em um assentamento do MST. Segundo os próprios integrantes do movimento, técnicos trabalhavam numa rede de internet perto do assentamento quando houve uma explosão, que atingiu dois barracos. As autoridades locais, porém, acreditam que pode haver mais vítimas. (g1)

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Os alertas de desmatamento no Cerrado bateram recorde em novembro, segundo dados do Inpe. Foram 572 km² afetados no mês passado, a pior marca para o mês desde que o sistema Deter começou a fazer as medições, em 2017. Já na Amazônia, os resultados são positivos, com 201 km² no último mês, o menor índice de alertas do Inpe desde 2015. (g1)

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Economia

Dezembro ainda não chegou à metade, mas sua semana mais importante começa hoje. Todas as atenções dos mercados, no Brasil e no exterior, estão voltadas para decisões sobre taxas de juros e índices macroeconômicos. Na terça-feira o IBGE divulgará o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, enquanto o Departamento de Trabalho dos EUA anunciará o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês). Os dois números devem balizar, em cada país, o debate sobre juros que acontece na quarta-feira. O Fed, Banco Central dos EUA, deve manter inalteradas as taxas, na faixa de 5,25% e 5,50% ao ano. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve reduzir em meio ponto a Selic, para 11,75%. E na quinta os bancos centrais de União Europeia, Reino Unido e México também anunciarão suas taxas de juros. (Valor)

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Para ler com calma. A União Europeia e a China estão prestes a entrar num conflito comercial por conta da tradição chinesa de subsidiar a capacidade excedente de um setor promissor. Com isso, o país vem assumindo a liderança em áreas antes dominadas por empresas europeias, como turbinas eólicas e energia solar. O foco agora são os carros elétricos, com a UE lançando uma investigação sobre os subsídios que Pequim concede para dar uma vantagem desleal a seus veículos. (Estadão)

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Os Estados Unidos criaram 199 mil vagas de emprego em novembro, segundo o departamento de estatísticas do país. O resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperava uma criação de 185 mil vagas no último mês. Enquanto isso, a taxa de desemprego desacelerou de 3,9% em outubro para 3,7% em novembro. O dado conhecido como payroll mostra que o mercado de trabalho americano continua resiliente. Segundo o governo, esse aumento foi puxado pela criação de vagas na área da saúde e no setor público. Também houve aumentos na manufatura, refletindo o retorno de trabalhadores de uma greve. O mercado tem monitorado o payroll em busca de pistas sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em relação à trajetória de juros. Em novembro, o Fed manteve inalteradas as taxas no país, no intervalo de 5,25% a 5,50%. (Bloomerg Línea)

Após a divulgação do payroll, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que sob sua gestão “os salários e a riqueza doméstica estão mais altos do que antes da pandemia". Entretanto, ele reconheceu que a inflação permanece muito elevada para muitos americanos. “Minha prioridade é reduzir os custos para os trabalhadores”, disse Biden, em comunicado. (InfoMoney)

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Os brasileiros retiraram mais de R$ 100 bilhões da Poupança em 2023. De janeiro a novembro, o saque líquido foi de R$ 101,59 bilhões, segundo o Banco Central (BC). O resgate líquido foi o segundo maior para o período da série histórica, iniciada em 1995. Só ficou na frente em 2022, quando os saques totalizaram R$ 109,5 bilhões. Em 2022, a Poupança teve saldo negativo recorde de R$ 103,2 bilhões. Historicamente, costuma ter entrada de recursos em dezembro em função do pagamento do 13º salário aos trabalhadores. Portanto, a expectativa é de que 2023 não ultrapasse o ano passado como o ano de maior retirada de recursos. O endividamento das famílias e a política monetária mais restritiva no país ajudam a explicar o aumento dos saques. (Poder360)

STF vai julgar no recesso mais 30 acusados do 8 de Janeiro, OESP

 

Radicais invadirem as sedes dos três Poderes em Brasília.
Radicais invadirem as sedes dos três Poderes em Brasília. Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

O Supremo Tribunal Federal vai julgar, durante o recesso judiciário, mais 30 denúncias apresentadas na esteira dos atos de 8 de janeiro. A corte máxima designou uma sessão virtual, com início no dia 15 para sentenciar ou inocentar acusados de participar da intentona golpista que resultou na depredação das dependências dos Três Poderes em Brasília.

O julgamento, no entanto, só tem previsão de acabar no dia 5 de fevereiro. Isso porque a Corte encerra os trabalhos do ano judiciário no próximo dia 19. Depois, os ministros permanecem em recesso até fevereiro do ano que vem, quando o STF inicia as atividades de 2024.

Apesar de a Corte ter decidido que as ações penais em tramite no STF voltarão a ser julgadas pelas Turmas do Tribunal, a análise dos 30 processos já pautados se dará no plenário. O procedimento se dá em razão das ações serem anteriores à mudança decidida em sessão administrativa.

Até o momento, o STF já condenou 30 acusados do 8 de janeiro. Os processos versam sobre crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada e outros.

ESTADÃO / BRASIL Contra ondas fortes e avanço do mar, praias ganham muro e barreira de pedra; veja onde

 Com as mudanças climáticas, municípios do litoral de São Paulo e de outros Estados têm investido em obras de contenção para evitar o avanço do mar sobre áreas urbanas. Entre as medidas, estão muros para segurar ressacas, barreiras submersas para amenizar as ondas e o alargamento de praias, com a colocação de areia do próprio mar. Especialistas afirmam que as medidas são paliativas, já que o aquecimento global vai tornar as ressacas mais frequentes e severas. Para eles, o mais importante é reduzir a ocupação da orla, que geralmente ocorre sem planejamento.

O governo federal iniciará em 2024 o Plano Clima, que vai liberar R$ 10 bilhões em dez anos para Estados e municípios executarem projetos de adaptação à mudança do clima, incluindo soluções locais para o aumento do nível do mar. O governo paulista informou ter desenvolvido um sistema de aviso de ressacas e inundações costeiras no litoral paulista e já treina agentes municipais para o uso adequado dos alertas.

No litoral de São Paulo, a prefeitura de Mongaguá está construindo muretas de contenção mais largas e altas para resistir à força das ressacas e marés em toda a extensão da praia. Em março de 2020, uma forte ressaca destruiu as muretas existentes e estragou calçadões e vias urbanas. Quiosques foram danificados, postes de iluminação, arrancados, e portões de prédios caíram com a força das ondas, que arrastaram carros.

O fenômeno se repetiu outras vezes, a última em setembro deste ano, segundo o representante comercial Abilio Rosa, que mora em prédio de frente para o mar. “Eu estava com minha família no apartamento, no térreo, quando a onda inundou todo o estacionamento e chegou até nossa escada. Depois vimos que toda a avenida tinha virado mar”, conta.

Conforme a prefeitura, as ressacas também entopem tubulações e bueiros, danificando a rede de drenagem. As obras da nova estrutura se concentram na Avenida Mário Covas, na orla da Praia Grande. A nova mureta está sendo reforçada com armações de ferro, enrocamento e fundações mais profundas. O muro terá cerca de 6 quilômetros de extensão, entre o centro e a divisa com Praia Grande.

No litoral de São Paulo, a prefeitura de Mongaguá está construindo muretas de contenção mais largas e altas para resistir à força das ressacas e marés em toda a extensão da praia
No litoral de São Paulo, a prefeitura de Mongaguá está construindo muretas de contenção mais largas e altas para resistir à força das ressacas e marés em toda a extensão da praia Foto: Dyego Gonçalves/Prefeitura de Mongaguá/Divulgação

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Em Ubatuba, litoral norte paulista, a prefeitura usa cerca de R$ 2 milhões para recuperar a mureta de contenção do calçadão da Avenida 9 de Julho, depois de ter sido destruída por uma ressaca, há dois anos. Na Praia do Itaguá, foi recuperado o muro de contenção da Avenida Leovigildo Dias Vieira. Este ano, ondas fortes voltaram a cobrir totalmente as faixas de areia e atingir a infraestrutura urbana nas praias de Ubatumirim, Tenório e Enseada.

São Sebastião constrói muros de pedras e barreiras de concreto para a recomposição do leito de um rio que sofre o impacto das ressacas na Praia Toque-Toque Grande. O rio, que deságua na praia, é invadido pelas marés.

A cidade foi atingida por uma catástrofe climática em fevereiro, com o deslizamento de morros e o avanço do mar sobre a orla. Outras praias, como Boiçucanga, Baleia, Cambury, Barra do Una e Juquehy, estão com obras planejadas para reduzir o avanço do mar.

Sacolões de areia

Santos realiza estudos para ampliar as barreiras de proteção compostas por geobags, enormes sacos de areia instalados abaixo da linha d’água para diminuir efeitos das ressacas.

Nos últimos anos, algumas regiões da cidade foram invadidas por ondas fortes, causando destruição. O projeto foi iniciado em 2018, na Ponta da Praia, por meio de parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

A barreira submersa tem 275 metros de comprimento e é composta por 49 grandes sacos de material geotêxtil, fibras sintéticas resistentes, dispostos em formato de ‘L’. Está instalada em frente à praia, a partir da mureta na altura das ruas Afonso Celso e Paula Lima. A função da barreira é diminuir a força das ondas e reter a areia movimentada pelas marés.

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Mapeamento do Instituto Geológico (IG), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo atualizado até 2017 mostrou que mais da metade das praias paulistas são classificadas como de risco “alto” ou “muito alto” de erosão. Em estágio mais avançado, as erosões na faixa de areia podem fazer algumas praias desaparecer.

Conforme a pesquisadora do IG, Célia Regina Gouveia, a situação só tende a se agravar porque o nível do mar está subindo. Das 98 praias paulistas avaliadas, 51,5% estavam com risco alto ou muito alto. Foram avaliadas 67 praias do litoral norte, 23 da Baixada Santista e 8 do litoral sul. Só duas praias apareciam em risco muito baixo: Toque-Toque Pequeno e Santiago em São Sebastião.

Segundo o estudo, o encolhimento da faixa de areia é causado pela combinação de mudanças climáticas e fatores locais, como urbanização e outras interferências humanas.

“Os resultados evidenciam que nos últimos 15 anos a erosão vem aumentando nas praias de todo o Estado, seja por causas naturais e também induzidas por atividades antrópicas (causadas pelo homem) na orla”, diz a pesquisadora.

Engordamento

A ampliação da faixa de areia do mar, processo conhecido como engordamento, adotada em outros Estados, já é cogitada por prefeituras do litoral paulista.

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Em Ilhabela, a Praia do Perequê desaparece durante as ressacas e a água já invadiu casas e danificou uma ciclovia. Outras cinco praias – Barra Velha, Itaquanduba, Engenho d’Água, Vila e Ponta do Pequeá – tiveram perdas de até 20 metros na faixa de areia devido ao avanço do mar.

A prefeitura elaborou um plano para engordar as praias usando areia do mar. O projeto, com custo estimado em mais de R$ 20 milhões, chegou a ser anunciado pelo prefeito Toninho Colucci (PL), mas ainda não avançou.

Conforme a prefeitura, o plano foi suspenso devido à queda na arrecadação aos royalties de petróleo. Em outras cidades, como São Sebastião e Bertioga,a técnica chegou a ser cogitada, mas não avançou.

Uma das principais cidades turísticas brasileiras, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, recorreu ao engordamento da praia para evitar as ressacas que, segundo o município, invadiam a Avenida Atlântica e causavam estragos.

Outra razão é que o avanço do mar tinha reduzido a faixa de areia de 70 para menos de 20 metros. A sombra dos altos edifícios da orla se projetavam no espaço reservado a banhistas.

As obras, de março a dezembro de 2021, recompuseram os 70 metros, sugando areia do próprio mar, mas seus efeitos ainda são estudados. Em novembro de 2022, surgiu um “degrau” na faixa de areia causado pela erosão. Em junho deste ano, as ressacas retiraram outros 70 metros de areia na ponta da praia, na Barra Sul. A prefeitura precisou realizar obras de contenção.

Balneário Piçarras, outra cidade catarinense, lançou em julho edital para realizar pela quarta vez o engordamento de sua praia, em um trecho de 3 quilômetros. O local já havia sido alargado outras três vezes, a última há dez anos, mas as ressacas e correntes marítimas levaram a areia para o mar.

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No Paraná, o governo estadual concluiu em outubro o engordamento da faixa de areia em Matinhos. A praia foi alargada em até 100 metros em uma extensão de 6,3 quilômetros.

Praia de Matinhos, no Paraná, recebeu obras de 'engordamento' após ser engolida pelas ressacas
Praia de Matinhos, no Paraná, recebeu obras de 'engordamento' após ser engolida pelas ressacas Foto: Governo do Paraná/Divulgação

Em Guarapari, no Espírito Santo, uma obra de R$ 102 milhões devolveu a faixa de areia que o mar havia arrancado da Praia de Meaípe. A faixa de areia, que praticamente havia desaparecido, voltou a ter 50 metros de largura em toda a extensão de 3,3 quilômetros.

“O mar tinha levado a praia, não tinha como atender moradores e turistas. O investimento trouxe de volta a vida ao Meaípe”, disse o governador Renato Casagrande (PSB), ao entregar a obra, em setembro.

Outras cidades investem em obras para a contenção do mar. Em Maceió, Alagoas, a prefeitura já usou 15 mil blocos de concreto montáveis para construir muros em quatro pontos da orla mais atingidos pelas ressacas. A técnica é holandesa e, segundo o município, tem vida útil de 200 anos. Serão mais de 2 quilômetros de barreiras em trechos das praias da Jatiúca, Jacarecica, Sobral e Pontal da Barra.

Em Maceió, a prefeitura já usou 15 mil blocos de concreto montáveis para construir muros em quatro pontos da orla mais atingidos pelas ressacas.
Em Maceió, a prefeitura já usou 15 mil blocos de concreto montáveis para construir muros em quatro pontos da orla mais atingidos pelas ressacas. Foto: Prefeitura de Maceió/Divulgação

Fortaleza, no Ceará, construiu um sistema de espigões para conter as ondas que corroíam as praias. Criticadas pelo impacto visual, as estruturas viraram locais de lazer e prática de esportes, possibilitando também vistas panorâmicas. Em agosto, a prefeitura assinou contratos de concessão para a iniciativa privada conservar os equipamentos em troca de sua exploração comercial.

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Efeito é paliativo, avaliam especialistas

Para especialistas, essas medidas têm efeito paliativo e a solução seria evitar que os espaços que ainda restam nas praias sejam ocupados de forma indiscriminada.

“Paredes de concreto, como o muro de Mongaguá, não vão parar o mar. Se não forem feitas com soluções baseadas na eco engenharia, a gente pode beneficiar a chegada de espécies invasoras, que terão impacto na atividade pesqueira”, diz Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em Ciência do Mar.

A engenheira ambiental Luiza Amancio, com formação em Ciência e Tecnologia do Mar, também não vê efetividade em barreiras físicas. “Algumas são medidas de curto prazo e planejadas sem apoio de especialistas. Ao tentar corrigir um problema, causam-se outros que podem fomentar mudanças climáticas a nível local, regional e até global.”

Segundo ela, o oceano é único e não geograficamente segmentado, como se aprende na escola. “Enquanto um município costeiro adotar medidas de adaptação e o seu vizinho não, os benefícios serão reduzidos pela interação conflituosa entre os ambientes. O foco continua na adaptação às mudanças climáticas, e não no enfrentamento. É necessário tornar os municípios resilientes ao melhorar, por exemplo, a gestão de uso e ocupação de solo”, diz ela.

É também a opinião de Christofoletti, para quem houve “erro total” na ocupação da orla. “Vem de um processo de ocupação intensa do litoral, no qual o ser humano reconhece que está melhor quanto mais próximo da linha da água. Muitos prédios foram construídos quase dentro da água. A ocupação significou a retirada da restinga, dos manguezais e da Mata Atlântica, que têm papel importante no amortecimento de ressacas, que são processos naturais, mas a frequência e intensidade delas estão aumentando.”

O que resta, segundo ele, é pensar em um plano de readaptação. “Nas áreas consolidadas onde, não se tem mais o que fazer, usar soluções baseadas na natureza para mitigar impactos. Há áreas que terão de ser desmontadas e aquelas onde não vai poder construir. Não é algo fácil de fazer, pois já existem projetos no Parlamento para o desprovimento das áreas de marinha, permitindo que sejam ocupadas. Isso pode levar a uma grande especulação para ocupar essas áreas.”

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Alguns municípios paulistas adotam iniciativas na direção apontada pelos especialistas. Em Santos, o plano de ação climática tem 50 metas a serem cumpridas até 2050. Um dos eixos prevê rever o plano diretor, evitando a ocupação de áreas sujeitas à ação do mar, o outro fala em mapear e elaborar um plano habitacional para áreas de risco.

Em Ilha Comprida, litoral sul paulista, depois que o avanço do mar causou grandes prejuízos em 2016, quando uma forte ressaca danificou casas e destruiu totalmente uma pousada, o município passou a barrar construções a menos de 200 metros da faixa de areia ou em áreas de risco. Em 2021, seis construções irregulares foram demolidas.

Orla ameaçada

Os especialistas apontam que a elevação do mar devido ao aquecimento global e a redução das geleiras nos polos é uma realidade. “Conforme o aquecimento global se amplia, temos também alteração na temperatura do oceano, nas correntes oceânicas e na massa de ar. Isso leva a ter força maior na chegada das ondas na região costeira”, explica Christofoletti.

Cidades do litoral vão sofrer mais, porque além das chuvas e da temperatura, terão o impacto da água do mar. “Precisamos de um plano claro de adaptação costeira, já que pouquíssimos municípios têm plano de gestão da costa. É urgente mapear as áreas que ainda não foram ocupadas e garantir a não ocupação, respeitando os 200 ou 300 metros da linha da água”, diz o pesquisador da Unifesp.

Luiza lembra que a lei federal de 1988 que estabeleceu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, do qual deriva o Projeto Orla, teve a adesão de apenas 20% das cidades litorâneas até 2008. “É preciso atualizar as políticas locais de enfrentamento à mudança do clima, com maior número de atores da sociedade na tomada de decisões, bem como incentivar municípios adjacentes a fazerem o mesmo, a fim de promover maior resiliência climática”, diz a especialista.

Governos dizem adotar medidas

O Ministério do Meio Ambiente informou que coordena o Plano Nacional sobre Mudança do Clima – Plano Clima, que prevê ações em conjunto com órgãos federais para definir estratégias nacionais e planos setoriais de mitigação no período de 2024 a 2035.

Dois planos setoriais terão ações de prevenção à elevação do nível do mar e seus impactos. Segundo a pasta, o Fundo Clima vai disponibilizar cerca de R$ 10 bilhões a Estados e municípios para projetos que levam em conta o aumento do nível do mar.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura de São Paulo disse que os agentes das defesas civis dos municípios costeiros estão sendo treinados para usar o Sistema de Aviso de Ressacas e Inundações Costeiras de São Paulo (Saric), desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas Ambientais , o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Oceanográfico da USP e a Universidade Santa Cecília.

O sistema combina modelos numéricos associados ao comportamento de marés, ventos e erosão costeira, permitindo a emissão de alertas com maior antecipação. O Saric está incorporado aos sistemas de alerta da Defesa Civil, que usa plataformas para distribuir os alertas, inclusive por celulares.

A pasta diz ainda que, a partir da implementação do Gerenciamento Costeiro Estadual, são discutidas ações e estratégias, numa articulação que envolve prefeituras municipais e representantes da sociedade civil.

Experiências internacionais

Desde a construção dos primeiros diques na Holanda, que tem parte de seu território abaixo do nível do mar, muitos países desenvolveram técnicas para barrar águas oceânicas. O Japão construiu uma muralha de 400 quilômetros de muros altos de concreto, após um tsunami em março de 2011, atingindo a usina nuclear de Fukushima.

O país asiático é líder mundial em engenharia costeira, pois seu território é sujeito a furacões e maremoto. As ondas do tsunami passaram sobre o muro que já existia, obrigando o governo a investir US$ 12 bilhões nos novos paredões de concreto, que chegam a 14,7 metros de altura e fundações de até 25 metros.

Foram criadas rotas de evacuação e sistemas de alerta e bolsões de áreas verdes com árvores de raízes profundas para resistir à ondas. Edificações públicas foram afastadas do mar e construções na orla, proibidas.